{"id":55944,"date":"2012-04-03T12:48:27","date_gmt":"2012-04-03T12:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/03\/mais-do-que-uma-emissora-religiosa\/"},"modified":"2012-04-03T12:48:27","modified_gmt":"2012-04-03T12:48:27","slug":"mais-do-que-uma-emissora-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mais-do-que-uma-emissora-religiosa\/","title":{"rendered":"Mais do que uma emissora religiosa"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Magalh\u00e3es Crespo, antigo presidente do Conselho de Ger\u00eancia da R\u00e1dio Renascen\u00e7a <!--more--> <\/p>\n<p>Ao longo da exist&ecirc;ncia de 75 anos da R&aacute;dio Renascen&ccedil;a houve naturalmente muitos epis&oacute;dios com interesse para recordar e esclarecedores da sua miss&atilde;o como Emissora Cat&oacute;lica Portuguesa.<\/p>\n<p>Recordo aqui um deles em que estive pessoalmente envolvido e me permitiu definir, logo nessa altura, o que iria ser a atua&ccedil;&atilde;o da esta&ccedil;&atilde;o a partir do rein&iacute;cio das emiss&otilde;es em 1 de janeiro de 1976 ap&oacute;s a ocupa&ccedil;&atilde;o, por elementos internos e externos, a que estivera sujeita desde meados de 1974.<\/p>\n<p>Devolvida a R&aacute;dio Renascen&ccedil;a aos seus leg&iacute;timos propriet&aacute;rios, a Igreja, por ato formal realizado dias antes em 28 de dezembro, tudo foi feito para que pud&eacute;ssemos retomar as emiss&otilde;es logo no dia 1 de janeiro seguinte com a retransmiss&atilde;o da Missa da Igreja de S. Jo&atilde;o de Brito em Lisboa, o que passou a fazer-se regularmente todos os domingos e dias festivos.<\/p>\n<p>No rein&iacute;cio da emiss&atilde;o estiveram presentes n&atilde;o s&oacute; os tr&ecirc;s membros do Conselho de Ger&ecirc;ncia, C&oacute;nego Gon&ccedil;alves Pedro, Lu&iacute;s Torgal Ferreira e eu pr&oacute;prio, mas tamb&eacute;m a quase totalidade do pessoal de Lisboa que, durante a referida ocupa&ccedil;&atilde;o, se mantivera fiel &agrave; Igreja. Nesse momento &ndash; n&atilde;o tenho vergonha de o confessar &ndash; n&atilde;o contive as l&aacute;grimas com a emo&ccedil;&atilde;o que senti.<\/p>\n<p>Natural de um Portugal raiano, Riba C&ocirc;a, deslocava-me com alguma frequ&ecirc;ncia, durante a minha adolesc&ecirc;ncia, a Salamanca e visitava, entre outros monumentos, a sua antiga Universidade. Veio-me ent&atilde;o &agrave; mem&oacute;ria um facto passado em tempos idos e que ali &eacute; recordado.<\/p>\n<p>Quando Frei Lu&iacute;s de Leon, professor nessa Universidade, que tinha sido preso na altura da Inquisi&ccedil;&atilde;o e libertado ap&oacute;s um ano de cativeiro por ter sido reconhecido inocente, retomou a sua c&aacute;tedra f&ecirc;-lo com uma simples frase que veio a tornar-se celebre <em>&ldquo;como &iacute;bamos deciendo&hellip;&rdquo;<\/em> e continuou normalmente com as suas li&ccedil;&otilde;es. Nem uma palavra de cr&iacute;tica &agrave;quilo por que passara, nem a mais leve diatribe contra aqueles que o tinham injustamente condenado.<\/p>\n<p>Contei este caso aos presentes, como um exemplo a seguir, frisando que a luta que todos t&iacute;nhamos travado n&atilde;o devia deixar em n&oacute;s qualquer desejo de vingan&ccedil;a, mas levar-nos apenas a que a R&aacute;dio Renascen&ccedil;a retomasse simplesmente a sua miss&atilde;o como Emissora Cat&oacute;lica Portuguesa.<\/p>\n<p>Neste mesmo sentido fora a resposta que, dias antes em representa&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ger&ecirc;ncia, tinha dado a um jornalista do Di&aacute;rio de Noticias, quando me perguntaram &ldquo;<em>Qual a orienta&ccedil;&atilde;o futura a dar &agrave; esta&ccedil;&atilde;o?&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Na edi&ccedil;&atilde;o de 30 de dezembro de 1975 deste jornal, num artigo sob o t&iacute;tulo &ldquo;De acordo com a doutrina da Igreja a R&aacute;dio Renascen&ccedil;a estar&aacute; ao servi&ccedil;o de todos os portugueses&rdquo; vem essa resposta: <em>&ldquo; De acordo com a doutrina da Igreja, ela estar&aacute; ao servi&ccedil;o de todos os portugueses, sem distin&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, sociais, pol&iacute;ticas ou religiosas, numa palavra estar&aacute; ao servi&ccedil;o do Homem e empenhada na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sociedade, de uma democracia pluralista onde se promovam os verdadeiros valores da Justi&ccedil;a e da Liberdade, da Participa&ccedil;&atilde;o e da Abertura ao Transcendente. Para al&eacute;m de uma informa&ccedil;&atilde;o objetiva, far-se-&aacute;, naturalmente, critica dos acontecimentos &aacute; luz do Evangelho&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>E foi assim que a R&aacute;dio Renascen&ccedil;a, fiel &agrave; sua miss&atilde;o, ap&oacute;s tr&ecirc;s anos de emiss&atilde;o regular, em finais de 1978 atingia j&aacute; o primeiro n&iacute;vel de audi&ecirc;ncia nacional de r&aacute;dio. O seu &ldquo;Segredo&rdquo; para alcan&ccedil;ar esta posi&ccedil;&atilde;o foi ter sabido descobrir a alma do povo portugu&ecirc;s, irmanar-se com ela, oferecendo aos que a escutavam momentos de informa&ccedil;&atilde;o verdadeira, de entretenimento sadio e de enriquecimento cultural condizente com a forma&ccedil;&atilde;o, predominantemente crist&atilde;, do povo portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>A R&aacute;dio Renascen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma simples emissora religiosa. Bem para al&eacute;m dos seus programas especificamente religiosos, por sinal de grande audi&ecirc;ncia, tem sido uma r&aacute;dio generalista, abordando todos os assuntos que podem interessar &agrave;s pessoas, geradora de movimentos de solidariedade, suscitadora de identifica&ccedil;&atilde;o consigo pr&oacute;pria, no fundo a &ldquo;Companhia Amiga&rdquo; dos seus ouvintes<\/p>\n<p align=\"left\"><em>Fernando Magalh&atilde;es Crespo, antigo presidente do Conselho de Ger&ecirc;ncia da R&aacute;dio Renascen&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Magalh\u00e3es Crespo, antigo presidente do Conselho de Ger\u00eancia da R\u00e1dio Renascen\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[314],"class_list":["post-55944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}