{"id":55841,"date":"2012-03-27T12:03:35","date_gmt":"2012-03-27T12:03:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/27\/o-baixo-alentejo-a-desertificacao-e-a-seca\/"},"modified":"2012-03-27T12:03:35","modified_gmt":"2012-03-27T12:03:35","slug":"o-baixo-alentejo-a-desertificacao-e-a-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-baixo-alentejo-a-desertificacao-e-a-seca\/","title":{"rendered":"O Baixo Alentejo, a desertifica\u00e7\u00e3o e a seca"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Vitalino, bispo de Beja <!--more--> <\/p>\n<p><strong>1. A zona geogr&aacute;fica e econ&oacute;mica<\/strong><\/p>\n<p>O Alentejo constitui cerca de um ter&ccedil;o da &aacute;rea geogr&aacute;fica de Portugal continental, mas tem apenas cerca de 7% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Todo este territ&oacute;rio est&aacute; divido por 3 dioceses: Portalegre-Castelo Branco, &Eacute;vora e Beja, embora estas duas &uacute;ltimas tenham tamb&eacute;m zonas de outras regi&otilde;es. Mas a Diocese de Beja ocupa todo o territ&oacute;rio da antiga prov&iacute;ncia do Baixo Alentejo, com exclus&atilde;o do concelho de Alc&aacute;cer do Sal, que pertence a &Eacute;vora e uma das suas freguesias, a Comporta, a Set&uacute;bal.<\/p>\n<p>Com mais de 13 000 quil&oacute;metros quadrados, a Diocese de Beja tem os 14 concelhos do Distrito de Beja e 3 do Distrito de Set&uacute;bal, a saber, Gr&acirc;ndola, Santiago do Cac&eacute;m e Sines. Mas este imenso territ&oacute;rio, que se estende desde a Andaluzia ao Atl&acirc;ntico e da serra do Mendro ao centro do Caldeir&atilde;o, em 2001 tinha 220 794 e em 2011 apenas 211 465, ou seja, menos 9329 habitantes. Praticamente todos os concelhos, com exce&ccedil;&atilde;o de 3 do litoral e Beja perderam popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Sines foi o &uacute;nico concelho que aumentou significativamente, 683 pessoas das 14 620, mas praticamente por causa de m&atilde;o de obra proveniente de outras partes, por causa dos investimentos industriais, sendo a &uacute;nica terra onde praticamente n&atilde;o h&aacute; desemprego.<\/p>\n<p>Estas perdas de habitantes devem-se sobretudo &agrave; baixa natalidade e &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es jovens, de modo que todo o interior do Alentejo est&aacute; desertificado e envelhecido. Os grandes projetos agr&iacute;colas e de turismo rural devido ao Alqueva n&atilde;o t&ecirc;m contribu&iacute;do para a fixa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, pois s&atilde;o de baixa empregabilidade, quando muito de trabalho sazonal. Infelizmente as &aacute;guas da grande reserva do Alqueva ainda n&atilde;o chegam a todas as zonas agr&iacute;colas e onde chegam para pouco mais servem do que para aumentar o olival e a vinha com irriga&ccedil;&atilde;o gota a gota. Muitas zonas de sequeiro foram abandonadas ou transformadas em montado e coutadas de ca&ccedil;a, ou tamb&eacute;m de cria&ccedil;&atilde;o de gado, que, quando o clima n&atilde;o &eacute; favor&aacute;vel, como este ano com a falta de chuva, se reveste de grande risco econ&oacute;mico.<\/p>\n<p><strong>2. A Diocese de Beja: problemas pastorais e sociais<\/strong><\/p>\n<p>Todos estes problemas geogr&aacute;ficos, demogr&aacute;ficos e econ&oacute;micos afetam a pastoral da diocese de Beja, pois as alegrias e tristezas, as esperan&ccedil;as e dificuldades dos alentejanos s&atilde;o tamb&eacute;m as nossas, como diz a constitui&ccedil;&atilde;o conciliar do Vaticano II Gaudium et Spes n.&ordm; 1, embora n&atilde;o se reduzam a isso.<\/p>\n<p>D. Manuel Falc&atilde;o, bispo em&eacute;rito rec&eacute;m-falecido, dizia que o Alentejo nunca tinha sido verdadeiramente evangelizado depois da Reconquista, constituindo uma Igreja implantada no meio com uma hierarquia eclesi&aacute;stica aut&oacute;ctone.<\/p>\n<p>Depois da expuls&atilde;o das ordens religiosas no s&eacute;culo XIX ainda ficou pior. D. Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio Dias, na primeira metade do s&eacute;culo XX, foi o grande restaurador da diocese, mas as for&ccedil;as vivas vieram quase sempre de outras regi&otilde;es. D. Manuel Falc&atilde;o incrementou os planos pastorais e as miss&otilde;es populares, mas em tempos pouco tranquilos, pol&iacute;tica, social e eclesialmente. Mesmo assim, houve um certo aumento da pr&aacute;tica religiosa e de voca&ccedil;&otilde;es ministeriais de clero diocesano e religioso, e tamb&eacute;m de pessoas consagradas.<\/p>\n<p>Para os seus 211 mil habitantes dispersos pelo imenso territ&oacute;rio, a diocese disp&otilde;e neste momento de 60 cl&eacute;rigos residentes, sendo 4 di&aacute;conos permanentes, 2 di&aacute;conos aspirantes ao presbiterado e 54 presb&iacute;teros, com a m&eacute;dia de idade de 57 anos.<\/p>\n<p>Dos padres, 13 s&atilde;o de institutos religiosos, 2 de outras dioceses e 7 j&aacute; contam mais de 80 anos. Isto significa que h&aacute; apenas 35 padres diocesanos no ativo para 119 par&oacute;quias, algumas delas muito extensas, como S&atilde;o Teot&oacute;nio, que dizem ser a maior da Europa, em &aacute;rea geogr&aacute;fica.<\/p>\n<p>Com esta realidade, a diocese tem de apostar muito na corresponsabilidade dos leigos e aproveitar todos os carismas na miss&atilde;o da Igreja. Embora n&atilde;o tanto quanto seria preciso, vamos tendo bons colaboradores e volunt&aacute;rios, sobretudo na evangeliza&ccedil;&atilde;o e na &aacute;rea sociocaritativa. Os planos pastorais t&ecirc;m insistido nisso e o S&iacute;nodo diocesano anunciado dever&aacute; ser um forte incremento na forma&ccedil;&atilde;o e corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o de todos os crist&atilde;os na miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Quanto aos problemas econ&oacute;micos e sociais presentes, como a desertifica&ccedil;&atilde;o, a dispers&atilde;o, o isolamento, a solid&atilde;o, o envelhecimento, as monoculturas, a seca, o desemprego ou as reformas sociais m&iacute;nimas, a Igreja, atrav&eacute;s de todos os seus agentes, procura trabalhar em rede e parceria com todas as entidades e institui&ccedil;&otilde;es de modo a minorar os efeitos desumanizantes. Por vezes tentamos tamb&eacute;m dar voz a quem n&atilde;o a tem e alertar todas as institui&ccedil;&otilde;es sociais da tutela diocesana, sejam movimentos sociocaritativos, centros sociais ou miseric&oacute;rdias, para estarem atentos e darem respostas de proximidade, de modo que ningu&eacute;m passe fome, frio ou fique doente sem assist&ecirc;ncia. Muito mais n&atilde;o podemos fazer. Mas como crist&atilde;os tamb&eacute;m procuramos alimentar e fortalecer a nossa f&eacute;, pela forma&ccedil;&atilde;o e ora&ccedil;&atilde;o, de modo a que nunca nos falte a esperan&ccedil;a de superarmos as dificuldades e contagiemos os desanimados.<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Vitalino<br \/>bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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