{"id":55837,"date":"2012-03-27T11:51:51","date_gmt":"2012-03-27T11:51:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/27\/fraca-participacao-crista-permanece-como-enigma-a-resolver\/"},"modified":"2012-03-27T11:51:51","modified_gmt":"2012-03-27T11:51:51","slug":"fraca-participacao-crista-permanece-como-enigma-a-resolver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fraca-participacao-crista-permanece-como-enigma-a-resolver\/","title":{"rendered":"Fraca participa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 permanece como enigma a resolver"},"content":{"rendered":"<p>A aus&ecirc;ncia de uma pr&aacute;tica crist&atilde; est&aacute;vel, acentuada por problemas como o &ecirc;xodo populacional, a quebra da taxa de natalidade e o envelhecimento das comunidades constitui h&aacute; anos um enigma dif&iacute;cil de resolver para a Igreja Cat&oacute;lica em Beja, a quem falta meios humanos para estar mais pr&oacute;xima das pessoas.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; ECCLESIA, o vig&aacute;rio-geral da Diocese, padre Ant&oacute;nio Domingos Pereira, sublinha que &ldquo;com o n&uacute;mero reduzido de padres, a sua m&eacute;dia et&aacute;ria que ronda os 60 anos e as dist&acirc;ncias que cada um tem de percorrer, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil fazer uma pastoral muito ativa e presente&rdquo;.<\/p>\n<p>Atualmente, a for&ccedil;a evangelizadora que est&aacute; ao servi&ccedil;o daquela que &eacute; a segunda maior diocese do pa&iacute;s, com 12 189 km2, ascende a pouco mais do que uma centena de padres, religiosos e di&aacute;conos permanentes.<br \/>Limitado no n&uacute;mero e no tempo, o clero apenas consegue &ldquo;responder &agrave;quilo que &eacute; o tradicional, como as missas e os sacramentos&rdquo;, salienta aquele respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>Um dos casos mais &ldquo;extremos&rdquo; desta realidade est&aacute; &agrave; vista no concelho de M&eacute;rtola, onde nove par&oacute;quias, algumas bastante distantes umas das outras, est&atilde;o neste momento entregues a apenas um sacerdote.<br \/>&ldquo;O seu colega adoeceu, est&aacute; a tratar-se no Norte e ele ficou sozinho com todas aquelas comunidades&rdquo;, explica o vig&aacute;rio-geral, adiantando ainda que &ldquo;uma das par&oacute;quias obriga a uma desloca&ccedil;&atilde;o de 76 quil&oacute;metros&rdquo;.<\/p>\n<p>Algumas localidades, sobretudo no Interior ou mais pr&oacute;ximas da fronteira com Espanha, est&atilde;o t&atilde;o isoladas do cora&ccedil;&atilde;o da diocese que se tornaram quase &ldquo;indiferentes&rdquo; ao an&uacute;ncio do Evangelho.<\/p>\n<p><strong>Indeferentismo<\/strong><\/p>\n<p>Enviado para a freguesia da Amareleja, bem perto do rio Alqueva, h&aacute; cerca de sete meses, o padre Erb&eacute;rio Salen&ccedil;a confessa-se &ldquo;assustado com o ritmo com que as pessoas respondem &agrave; Igreja, muito diferente daquele que conheceu na sua terra natal, em Mo&ccedil;ambique&rdquo; ou que encontrou em outros pontos de Portugal, como Lisboa.<br \/>&ldquo;Aqui as pessoas t&ecirc;m o conhecimento de Deus, mas reina um pouco o indiferentismo. H&aacute; que cham&aacute;-las de novo &agrave; casa do Pai&rdquo;, aponta o sacerdote, que conta com o apoio de algumas irm&atilde;s Servas de Nossa Senhora de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>Situada no extremo norte do Concelho de Moura, aquela localidade integra as Par&oacute;quias da Amareleja, da P&oacute;voa de S&atilde;o Miguel e de Nossa Senhora da Estrela.<\/p>\n<p>Tal como acontece um pouco por toda a regi&atilde;o alentejana, a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o que ali vive &eacute; constitu&iacute;da por &ldquo;pessoas idosas, com mais de 50 anos, em muitos casos aposentados que voltaram dos grandes centros para constru&iacute;rem aqui as suas casas&rdquo;, em busca de tranquilidade para o que resta da vida.<\/p>\n<p>A par&oacute;quia da Estrela &eacute; &ldquo;quase um bairro&rdquo; fluvial, composto por apenas 80 pessoas que escolheram ficar ali mesmo depois da subida das &aacute;guas, provocada pela constru&ccedil;&atilde;o da Barragem do Alqueva.<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;H&aacute; dias em que tenho 10 pessoas na missa&rdquo;, admite o padre Erb&eacute;rio Salen&ccedil;a, para quem s&atilde;o necess&aacute;rios &ldquo;mais mission&aacute;rios&rdquo; para espalharem a mensagem de Deus.<\/p>\n<p>Por outro lado, acrescenta, &eacute; preciso &ldquo;tentar chegar aos pais atrav&eacute;s dos filhos&rdquo;, aproveitando os jovens que ainda n&atilde;o sa&iacute;ram para outras paragens, em busca de um futuro melhor.<\/p>\n<p>No entanto, de acordo com o vig&aacute;rio-geral de Beja, &ldquo;penetrar na esfera dos jovens&rdquo; tamb&eacute;m &ldquo;n&atilde;o tem sido f&aacute;cil&rdquo; e &ldquo;os grupos de jovens paroquiais s&atilde;o muito reduzidos&rdquo;.<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o social da Igreja, quando se esperava que pudesse suscitar uma ades&atilde;o mais forte a Deus, sobretudo nestes tempos de crise, tem sido insuficiente para enraizar mais pessoas na f&eacute;.<\/p>\n<p>&ldquo;Talvez falte &agrave; Igreja a for&ccedil;a necess&aacute;ria para fazer ver &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es que a sua a&ccedil;&atilde;o fraterna nasce do amor da pr&oacute;pria comunidade crist&atilde;&rdquo;, considera o padre Ant&oacute;nio Domingos Pereira.<\/p>\n<p>A Diocese de Beja tem concentrado a maior parte do seu trabalho sociocaritativo nas regi&otilde;es do Interior, sobretudo nos meios rurais, onde o &ecirc;xodo populacional e o isolamento &eacute; mais intenso e as oportunidades de emprego est&atilde;o limitadas a trabalhos sazonais, ligados &agrave; corti&ccedil;a ou &agrave;s sementeiras.<br \/><strong><br \/>Cativar os homens<\/strong><\/p>\n<p>Uma situa&ccedil;&atilde;o que contrasta com a vida mais est&aacute;vel do litoral, onde as unidades industriais ligadas ao mar, como aquela que est&aacute; instalada junto ao Porto de Sines, ainda funcionam como polos de emprego para grande parte da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O padre Pedro Guimar&atilde;es, que veio para o Concelho de Santiago do Cac&eacute;m em 2007, conhece bem as duas realidades, j&aacute; que acompanha diariamente um grande aglomerado urbano, com perto de oito mil habitantes, e um conjunto de pequenas aldeias, como S&atilde;o Bartolomeu da Serra e Santa Cruz, que juntas n&atilde;o chegam &agrave;s mil pessoas.<\/p>\n<p>Em termos sociais, a solu&ccedil;&atilde;o para os problemas tem passado pela aposta no &ldquo;trabalho em rede com a C&aacute;ritas diocesana e confer&ecirc;ncias vicentinas&rdquo;, confidencia o sacerdote, para quem &ldquo;quanto mais a Igreja estiver presente, melhores hip&oacute;teses ter&aacute; de dinamizar as comunidades e ser voz ativa para a mudan&ccedil;a&rdquo;.<br \/>Quanto &agrave; pr&aacute;tica dominical, ela acompanha a tend&ecirc;ncia geral, por isso o grande desafio para o jovem sacerdote tem sido &ldquo;criar nas pessoas um sentimento de perten&ccedil;a a uma identidade comum, que &eacute; a par&oacute;quia&rdquo;.<br \/>Muitas vezes, esse sentimento de perten&ccedil;a &eacute; posto em causa devido a preconceitos culturais fortemente enraizados.<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;H&aacute; par&oacute;quias em que os homens n&atilde;o v&atilde;o &agrave; Igreja porque a press&atilde;o social &eacute; t&atilde;o grande que eles n&atilde;o se sentem capazes de ir e quem for vai ser algo de gozo durante a semana&rdquo;, acrescenta o padre Pedro Guimar&atilde;es.<br \/>Neste contexto, &ldquo;abra&ccedil;ar as fam&iacute;lias e chegar aos homens, para que eles consigam fazer parte da comunidade, tem sido uma grande luta&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p>Apesar de a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o ser batizada e se declarar cat&oacute;lica (cerca de 184 mil pessoas), a pr&aacute;tica dominical na regi&atilde;o n&atilde;o ultrapassa os 6,1 por cento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aus&ecirc;ncia de uma pr&aacute;tica crist&atilde; 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