{"id":55832,"date":"2012-03-27T11:16:21","date_gmt":"2012-03-27T11:16:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/27\/cinema-e-na-terra-nao-e-na-lua\/"},"modified":"2012-03-27T11:16:21","modified_gmt":"2012-03-27T11:16:21","slug":"cinema-e-na-terra-nao-e-na-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-e-na-terra-nao-e-na-lua\/","title":{"rendered":"Cinema: \u00ab\u00c9 na Terra n\u00e3o \u00e9 na Lua\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Em 2007 Gon&ccedil;alo Tocha surpreendeu a terceira edi&ccedil;&atilde;o do Indielisboa com &ldquo;Balaou&rdquo;, um quase ensaio documental de forte registo po&eacute;tico filmado sobre as &aacute;guas do Atl&acirc;ntico ao largo dos A&ccedil;ores. Atracou no final dessa edi&ccedil;&atilde;o empunhando o pr&eacute;mio de melhor longa metragem nacional.&nbsp;<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Pouco depois dessa viagem inspirada no di&aacute;rio da sua M&atilde;e, cuja vida e morte assim tentava interrogar e compreender, Tocha torna a abrir o cora&ccedil;&atilde;o aos segredos e encantos do arquip&eacute;lago, concentrando-se desta feita na ilha do Corvo para se deixar tocar e espantar com aquilo que vir&aacute; a ser &ldquo;&Eacute; na Terra n&atilde;o &eacute; na Lua&rdquo;.&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O que come&ccedil;a por parecer um registo puramente documental da fant&aacute;stica e desolada paisagem natural e humana do Corvo depressa se inscreve numa nova trama po&eacute;tica, como se as m&atilde;os sulcadas daquela mulher entretecessem n&atilde;o s&oacute; o t&iacute;pico gorro azul e branco que vemos tricotar mas tamb&eacute;m a erva fresca daquele cume ventoso, o casario, as pedras de basalto das ruelas, o ter&ccedil;o e as preces desfiadas numa igrejinha local&#8230;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O Corvo, a menor das ilhas do arquip&eacute;lago, transforma-se assim num lugar de peregrina&ccedil;&atilde;o interior ao mais remoto lugar de uma viv&ecirc;ncia simultaneamente enraizada na terra e ancorada no mar, ao mais extraordin&aacute;rio santu&aacute;rio de beleza natural.&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Gon&ccedil;alo Tocha pertence a uma nova gera&ccedil;&atilde;o de realizadores portugueses genuinamente interessados em escutar e perscrutar a ess&ecirc;ncia da sua e nossa identidade, o que &eacute; verdadeiramente impressionante. Atitude patente nas suas palavras e no seu trabalho. S&oacute; dessa atitude dispon&iacute;vel podem surtir obras como as suas que, sem meios extraordin&aacute;rios e preconceito algum, conseguem conduzir plateias inteiras de espetadores por caminhos quase virgens, deixando intacta a paisagem mesmo depois de nela todos termos passado. &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">&Eacute; esta sensibilidade particular, este cuidado extremo naquilo que cinematograficamente toca e, sobretudo, a forma harmoniosa como nos toca que faz com que &ldquo;&Eacute; na Terra n&atilde;o &eacute; na Lua&rdquo; continue a percorrer o mundo, levando a extraordin&aacute;ria beleza da pequena grande ilha do Corvo mais e mais al&eacute;m, entre festivais, ciclos e mostras de cinema.&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Margarida Ata&iacute;de<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2007 Gon&ccedil;alo Tocha surpreendeu a terceira edi&ccedil;&atilde;o do Indielisboa com &ldquo;Balaou&rdquo;, um quase ensaio documental de forte registo po&eacute;tico filmado sobre as &aacute;guas do Atl&acirc;ntico ao largo dos A&ccedil;ores. Atracou no final dessa edi&ccedil;&atilde;o empunhando o pr&eacute;mio de melhor longa metragem nacional.&nbsp;<\/p>\n<p>Pouco depois dessa viagem inspirada no di&aacute;rio da sua M&atilde;e, cuja vida e morte assim tentava interrogar e compreender, Tocha torna a abrir o cora&ccedil;&atilde;o aos segredos e encantos do arquip&eacute;lago, concentrando-se desta feita na ilha do Corvo para se deixar tocar e espantar com aquilo que vir&aacute; a ser &ldquo;&Eacute; na Terra n&atilde;o &eacute; na Lua&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>O que come&ccedil;a por parecer um registo puramente documental da fant&aacute;stica e desolada paisagem natural e humana do Corvo depressa se inscreve numa nova trama po&eacute;tica, como se as m&atilde;os sulcadas daquela mulher entretecessem n&atilde;o s&oacute; o t&iacute;pico gorro azul e branco que vemos tricotar mas tamb&eacute;m a erva fresca daquele cume ventoso, o casario, as pedras de basalto das ruelas, o ter&ccedil;o e as preces desfiadas numa igrejinha local&#8230;<\/p>\n<p>O Corvo, a menor das ilhas do arquip&eacute;lago, transforma-se assim num lugar de peregrina&ccedil;&atilde;o interior ao mais remoto lugar de uma viv&ecirc;ncia simultaneamente enraizada na terra e ancorada no mar, ao mais extraordin&aacute;rio santu&aacute;rio de beleza natural.&nbsp;<\/p>\n<p>Gon&ccedil;alo Tocha pertence a uma nova gera&ccedil;&atilde;o de realizadores portugueses genuinamente interessados em escutar e perscrutar a ess&ecirc;ncia da sua e nossa identidade, o que &eacute; verdadeiramente impressionante. Atitude patente nas suas palavras e no seu trabalho. S&oacute; dessa atitude dispon&iacute;vel podem surtir obras como as suas que, sem meios extraordin&aacute;rios e preconceito algum, conseguem conduzir plateias inteiras de espetadores por caminhos quase virgens, deixando intacta a paisagem mesmo depois de nela todos termos passado. &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; esta sensibilidade particular, este cuidado extremo naquilo que cinematograficamente toca e, sobretudo, a forma harmoniosa como nos toca que faz com que &ldquo;&Eacute; na Terra n&atilde;o &eacute; na Lua&rdquo; continue a percorrer o mundo, levando a extraordin&aacute;ria beleza da pequena grande ilha do Corvo mais e mais al&eacute;m, entre festivais, ciclos e mostras de cinema.&nbsp;<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2007 Gon&ccedil;alo Tocha surpreendeu a terceira edi&ccedil;&atilde;o do Indielisboa com &ldquo;Balaou&rdquo;, um quase ensaio documental de forte registo po&eacute;tico filmado sobre as &aacute;guas do Atl&acirc;ntico ao largo dos A&ccedil;ores. Atracou no final dessa edi&ccedil;&atilde;o empunhando o pr&eacute;mio de melhor longa metragem nacional.&nbsp; Pouco depois dessa viagem inspirada no di&aacute;rio da sua M&atilde;e, cuja vida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-55832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-multimedia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55832\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}