{"id":55753,"date":"2012-03-21T14:10:39","date_gmt":"2012-03-21T14:10:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/21\/cuba-um-pais-a-espera-de-bento-xvi\/"},"modified":"2012-03-21T14:10:39","modified_gmt":"2012-03-21T14:10:39","slug":"cuba-um-pais-a-espera-de-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cuba-um-pais-a-espera-de-bento-xvi\/","title":{"rendered":"Cuba: Um pa\u00eds \u00e0 espera de Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>Presidente da Confer\u00eancia Episcopal fala dos preparativos e da expectativa gerada pela segunda visita de um Papa \u00e0 ilha, num momento de transforma\u00e7\u00e3o que pede uma \u00abpalavra de esperan\u00e7a\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>Cuba prepara-se para receber um Papa pela segunda vez na sua hist&oacute;ria. 14 anos depois da visita de Jo&atilde;o Paulo II, em 1998, Bento XVI vai deslocar-se &agrave; ilha entre os pr&oacute;ximos dias 26 e 28, num momento de mudan&ccedil;a para a popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal local, D. Dionisio Garcia, arcebispo de Santiago de Cuba, fala &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA sobre a expectativa gerada por este momento, no qual espera uma &ldquo;palavra de esperan&ccedil;a&rdquo; e de est&iacute;mulo, por parte do Papa, para as &ldquo;transforma&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias&rdquo; no pa&iacute;s, &agrave; margem de qualquer aproveitamento pol&iacute;tico de Governo ou dissidentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &ndash; Como est&atilde;o a decorrer os preparativos para a visita de Bento XVI a Cuba?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Dionisio Garcia<\/em> &ndash; Na viagem de Jo&atilde;o Paulo II (1998) tivemos ano e meio para preparar a visita, desta vez s&oacute; tivemos tr&ecirc;s meses, pelo que pode imaginar, os cartazes chegaram na semana passada&hellip; Em Santiago de Cuba, tivemos de fazer um esfor&ccedil;o a dobrar, porque do ponto de vista civil, &eacute; aqui que o presidente vai receber o Papa [cerim&oacute;nia de boas-vindas no aeroporto internacional Antonio Maceo, dia 26], o que n&atilde;o &eacute; habitual. Isso tamb&eacute;m acontece da nossa parte, porque o Papa vai pernoitar aqui, em Santiago de Cuba, enquanto da &uacute;ltima vez Jo&atilde;o Paulo II dormiu sempre em Havana.<\/p>\n<p>A visita &eacute; diferente da outra, para n&oacute;s &eacute; um desafio. Gra&ccedil;as a Deus, tanto as autoridades civis como a Igreja e tamb&eacute;m o povo, todos foram tomando consci&ecirc;ncia do significado da visita e poderia dizer que, verdadeiramente, h&aacute; um esp&iacute;rito de acolhimento e de espera a sua santidade Bento XVI, que n&atilde;o era t&atilde;o conhecido entre n&oacute;s como Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>Esta visita acontece dentro do ano jubilar [pelos 400 anos da descoberta da imagem da Virgem da Caridade, padroeira de Cuba], com um tri&eacute;nio preparat&oacute;rio, o que vem potenciar o nosso projeto, o nosso plano pastoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Muitas coisas j&aacute; mudaram, nos 14 anos que passaram desde a visita de Jo&atilde;o Paulo II&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>DG &ndash;<\/em> Claro, claro. A situa&ccedil;&atilde;o mundial mudou muito, o pa&iacute;s tamb&eacute;m sofreu transforma&ccedil;&otilde;es: neste preciso momento estamos num processo que podemos classificar como de mudan&ccedil;a, com toda a incerteza que trazem as mudan&ccedil;as, com toda a diferen&ccedil;a de opini&otilde;es que existe na popula&ccedil;&atilde;o sobre a natureza e o alcance das mudan&ccedil;as.<\/p>\n<p>Estamos numa situa&ccedil;&atilde;o diferente da de Jo&atilde;o Paulo II, muito flu&iacute;da, por assim dizer, com muitas opini&otilde;es, h&aacute; expectativa e, ao mesmo tempo, tamb&eacute;m muita desesperan&ccedil;a: n&atilde;o se v&ecirc; um projeto futuro concreto, embora haja promessas de que as mudan&ccedil;as v&atilde;o continuar.<\/p>\n<p>As rela&ccedil;&otilde;es Igreja-Estado tamb&eacute;m mudaram, neste momento h&aacute; uma situa&ccedil;&atilde;o de maior comunicabilidade, acredito que a pr&oacute;pria prepara&ccedil;&atilde;o da visita de Bento XVI tenha favorecido uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima. Esta comunica&ccedil;&atilde;o permitiu que a Igreja se torne presente em situa&ccedil;&otilde;es da vida nacional nas quais antigamente seria imposs&iacute;vel pensar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Na sociedade cubana, em geral, como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre cat&oacute;licos e ateus?<\/em><\/p>\n<p><em>DG &ndash;<\/em> Esse &eacute; um problema que aqui n&atilde;o se coloca. Houve um ate&iacute;smo estatalmente induzido, um ate&iacute;smo oficial, mas paulatinamente foi-se passando para uma maior compreens&atilde;o, uma maior toler&acirc;ncia e, neste momento, as pessoas respeitam muito o plano pessoal da f&eacute;. Eu sinto-o assim, ao n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es pessoais.<\/p>\n<p>H&aacute; sempre situa&ccedil;&otilde;es que &eacute; preciso melhorar sobre o papel da Igreja na sociedade e n&atilde;o s&oacute; da Igreja mas tamb&eacute;m de outros grupos sociais, o que tem vindo a mudar, embora n&atilde;o possamos dizer que j&aacute; chegamos ao topo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como v&ecirc; as situa&ccedil;&otilde;es recentes de ocupa&ccedil;&atilde;o de igrejas e as tentativas de aproveitamento pol&iacute;tico da visita de Bento XVI?<\/em><\/p>\n<p><em>DG<\/em> &ndash; Na situa&ccedil;&atilde;o atual h&aacute; dissidentes e houve um grupo que decidiu ocupar igrejas. Isso n&atilde;o &eacute; algo que tenha acontecido, na hist&oacute;ria de Cuba, s&atilde;o pessoas que procuram beneficiar politicamente com este tipo de situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>N&oacute;s n&atilde;o entendemos, de facto: se t&ecirc;m o direito a protestar, que o fa&ccedil;am, mas n&atilde;o dificultem o culto de pessoas que v&atilde;o ao templo com outras inten&ccedil;&otilde;es. Digo-lhe que esta &eacute; uma atitude alheia &agrave; nossa tradi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AE &ndash; <em>Para os bispos de Cuba, contudo, ser&aacute; sempre delicado cumprir a sua miss&atilde;o sem que sejam vistos como aliados do Governo ou da oposi&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>DG <\/em>&ndash; Essa &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tem a ver apenas com os bispos cubanos, penso que acontece em todos os lugares e aqui tamb&eacute;m. N&oacute;s temos de pregar o Evangelho e estar presentes junto ao nosso povo, o que significa tratar com todas as pessoas. Isso &eacute; o que fazemos, o que queremos fazer.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es que se tornam mais cr&iacute;ticas, delicadas, mas a vida &eacute; assim mesmo, n&atilde;o s&oacute; para os bispos, para todos os crist&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que esperam as pessoas desta visita do Papa?<\/em><\/p>\n<p><em>DG &ndash;<\/em> A popula&ccedil;&atilde;o espera, em primeiro lugar, pela sua palavra, uma palavra de esperan&ccedil;a, de confirma&ccedil;&atilde;o na f&eacute; dos cat&oacute;licos. A Palavra de Deus vai ser proclamada publicamente pela Televis&atilde;o do pa&iacute;s, o que j&aacute; &eacute; muito para n&oacute;s.<\/p>\n<p>Penso que o povo cubano precisa de uma palavra de esperan&ccedil;a e estou certo de que o Papa a vai deixar. Tamb&eacute;m vai deixar uma palavra para que n&atilde;o tenhamos medo de acolher Deus e realizar as transforma&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que o povo tenha uma vida mais digna, melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Bento XVI vai apresentar-se em Cuba como peregrino&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>DG &ndash;<\/em> Sim, &lsquo;peregrino da caridade&rsquo;. O motivo da sua viagem &eacute; unir-se ao povo cubano, nos 400 anos da Virgem da Caridade. Uma imagem muito antiga, da par&oacute;quia de S. Tom&aacute;s, em Santiago, esteve a percorrer a ilha [8 de agosto de 2010 a 30 de dezembro de 2011], um percurso similar ao que foi feito h&aacute; 60 anos, quando Cuba cumpriu o 50.&ordm; anivers&aacute;rio da sua independ&ecirc;ncia, mas desta vez muito mais amplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Pode falar-se numa primavera da f&eacute;?<\/em><\/p>\n<p><em>DG &ndash;<\/em> Parece paradoxal, mas foi neste tempo em que tivemos limita&ccedil;&otilde;es para a pastoral que a Igreja chegou mais aos campos, aos locais afastados e isso fez com que esta Virgem peregrina chegasse a locais insuspeitos. Foi uma verdadeira manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute;, que poder&iacute;amos considerar um despertar da f&eacute;, mas que eu diria ter sido n&atilde;o s&oacute; o despertar, antes a oportunidade de muitas pessoas expressarem esta f&eacute; publicamente.<\/p>\n<p>Foi um tempo de gra&ccedil;a, como foi o ano jubilar e, acredito, como vai ser esta visita do Papa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A visita do Papa ao M&eacute;xico e a Cuba foi anunciada no contexto do bicenten&aacute;rio das independ&ecirc;ncias dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. Como se associa a Igreja cubana a este olhar mais global sobre a regi&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>DG &ndash;<\/em> Posso dizer, por exemplo, que entre as poucas pessoas que v&atilde;o receber a comunh&atilde;o das m&atilde;os do Santo Padre estar&aacute; um estudante de El Salvador, porque queremos dar esse sentido latino-americano. Tamb&eacute;m vai estar presente uma estudante angolana, porque em Santiago de Cuba temos cerca de 300 estudantes de medicina vindos de Angola. Eles v&atilde;o participar tamb&eacute;m nos cord&otilde;es de seguran&ccedil;a, na anima&ccedil;&atilde;o da visita.<\/p>\n<p>H&aacute; ainda cubanos das v&aacute;rias prov&iacute;ncias e outros que est&atilde;o fora de Cuba, mostrando que a Virgem da Caridade &eacute; padroeira de todos os cubanos, onde quer que estejam.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Confer\u00eancia Episcopal fala dos preparativos e da expectativa gerada pela segunda visita de um Papa \u00e0 ilha, num momento de transforma\u00e7\u00e3o que pede uma \u00abpalavra de esperan\u00e7a\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[106,120,187],"class_list":["post-55753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-angola","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55753\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}