{"id":55729,"date":"2012-03-20T12:22:17","date_gmt":"2012-03-20T12:22:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/20\/pastoral-juvenil-em-portugal\/"},"modified":"2012-03-20T12:22:17","modified_gmt":"2012-03-20T12:22:17","slug":"pastoral-juvenil-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pastoral-juvenil-em-portugal\/","title":{"rendered":"Pastoral Juvenil em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>D. Il\u00eddio Pinto Leandro, vogal da Comiss\u00e3o Episcopal Laicado e Fam\u00edlia <!--more--> <\/p>\n<p>Algumas perguntas deveremos fazer &ndash; todos os agentes da pastoral, na a&ccedil;&atilde;o da Igreja em Portugal &ndash; para definirmos este t&iacute;tulo: o que &eacute; a Pastoral Juvenil? Como est&aacute; organizada nas Igrejas de Portugal e que coordena&ccedil;&atilde;o nacional? Queremos uma pastoral de projeto ou uma pastoral de acontecimentos e de festas? Ser&atilde;o, uma e outra, contradit&oacute;rias ou podem unir-se e serem, juntas, complementares? Como deve funcionar a pastoral dos jovens a n&iacute;vel nacional, nas dioceses, nos grupos, nas obras e nos movimentos mais representativos?<\/p>\n<p>N&atilde;o vou responder a estas quest&otilde;es. Vou, apenas, fazer algumas reflex&otilde;es a partir do que existe, tentando perspetivar algumas solu&ccedil;&otilde;es que, ou est&atilde;o a ser praticadas ou podem ser procuradas como caminhos a descobrir ou a prosseguir. Come&ccedil;o por refletir um pouco sobre a mais v&aacute;lida experi&ecirc;ncia atual, j&aacute; com mais de 25 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. As Jornadas Mundiais da Juventude<\/strong><\/p>\n<p>Se quisermos uma refer&ecirc;ncia de Pastoral Juvenil nos &uacute;ltimos anos, pensemos nas Jornadas Mundiais da Juventude: na sua intui&ccedil;&atilde;o, na sua proposta, na sua metodologia, na sua realiza&ccedil;&atilde;o e nas suas consequ&ecirc;ncias. O Papa Jo&atilde;o Paulo II lan&ccedil;ou este caminho e, sem d&uacute;vida, elas mostram-nos um projeto completo e n&atilde;o somente acontecimentos anuais, festivos e desligados uns dos outros. Partem de um desafio e apelo pastoral; este &eacute; refletido e proposto como caminho e com etapas de forma&ccedil;&atilde;o; convidam &agrave; reflex&atilde;o, &agrave; partilha e &agrave; a&ccedil;&atilde;o em grupo; t&ecirc;m continuidade e liga&ccedil;&atilde;o entre elas; com um itiner&aacute;rio a viver em comunh&atilde;o, prop&otilde;em valores e apontam consequ&ecirc;ncias na vida pessoal e comunit&aacute;ria; despertam para a celebra&ccedil;&atilde;o e para a festa, comunicando valor e sentido; pela sua metodologia e sequ&ecirc;ncia, envolvem a todos na prepara&ccedil;&atilde;o, no envio, na realiza&ccedil;&atilde;o e nas din&acirc;micas subsequentes.<\/p>\n<p>As JMJ s&atilde;o verdadeiros acontecimentos que mobilizam a n&iacute;vel nacional e diocesano, realizam-se para al&eacute;m da semana do encontro e n&atilde;o s&atilde;o exclusivas para os que nelas participam. Envolvem todos os que aceitam o projeto, desde o in&iacute;cio e, embora muito importante, a viv&ecirc;ncia da semana &eacute; uma celebra&ccedil;&atilde;o que tamb&eacute;m pode e deve ser partilhada em acontecimentos alternativos. Ali&aacute;s, temos que aprender &ndash; bispos, padres, animadores, catequistas, respons&aacute;veis de grupos e de movimentos &ndash; todos temos que aprender a metodologia e o envolvimento das JMJ. Elas conseguem apresentar Jesus Cristo como Algu&eacute;m que vale a pena e d&aacute; sentido e respostas, abrindo a uma rela&ccedil;&atilde;o em caminho de f&eacute;. Importa que haja outros momentos, lugares, circunst&acirc;ncias e oportunidades onde a rela&ccedil;&atilde;o de f&eacute; com a Pessoa de Jesus Cristo se torne positiva, festiva, empenhativa, continuada, a valer a pena e a merecer aten&ccedil;&atilde;o e atra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. O que &eacute; a Pastoral Juvenil?<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; a vida e a experi&ecirc;ncia de Igreja vivida pelos jovens que encontram essa oportunidade e raz&otilde;es nos contactos que fazem e nos encontros que vivem, diariamente, com as pessoas ligadas &agrave; Igreja. Os jovens procuram, mesmo que o n&atilde;o manifestem, uma experi&ecirc;ncia forte de rela&ccedil;&atilde;o que lhes transmita alegria, esperan&ccedil;a, confian&ccedil;a, aventura e paz. &Eacute; necess&aacute;rio que as pessoas que eles encontram, com a &ldquo;marca&rdquo; Igreja, sejam refer&ecirc;ncias de valores semelhantes ou relacionados e, sobretudo, sejam pessoas alegres, felizes, fi&aacute;veis e cheias de confian&ccedil;a e esperan&ccedil;a na vida e nos outros. Importa que o encontro celebrado entre algu&eacute;m da Igreja e os jovens deixe sempre a convic&ccedil;&atilde;o de que a pessoa &eacute; sincera e coerente e que vale a pena lev&aacute;-la a s&eacute;rio e acreditar no que ela vive. Significa isto que nascer&aacute; nos jovens o desejo de &ldquo;tocar&rdquo; as fontes e as causas daquela vida e de &ldquo;ouvir&rdquo;, &ldquo;conhecer&rdquo; e &ldquo;seguir&rdquo; o Profeta daquela mensagem. Esta experi&ecirc;ncia desperta curiosidade, estimula a vontade do reencontro e d&aacute; raz&otilde;es e conte&uacute;dos para a reflex&atilde;o e para a procura.<\/p>\n<p>A Pastoral Juvenil, mais do que uma sequ&ecirc;ncia de momentos ou de atividades e festas, &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de pessoas e uma renova&ccedil;&atilde;o de encontros, sempre e todos com refer&ecirc;ncia &agrave; Pessoa de Jesus que Se torna o Mestre daquelas experi&ecirc;ncias e o Amigo daquelas rela&ccedil;&otilde;es. Por isso, os convites, os encontros e os temas para cada experi&ecirc;ncia de Pastoral Juvenil devem ter sempre, no centro, a Pessoa e a Palavra de Jesus e deixar algum desafio que aproxime dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. As estruturas da Pastoral Juvenil<\/strong><\/p>\n<p>A Pastoral Juvenil desenrola-se ao ritmo da vida &ndash; ainda que com tempos e momentos especiais &ndash; e vive-se nas rela&ccedil;&otilde;es dos jovens com os membros do grupo; nas suas rela&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias com os momentos e os acontecimentos, os mais diversos; nos seus encontros di&aacute;rios com os outros (sobretudo jovens) e com os seus animadores.<\/p>\n<p>H&aacute; determinadas estruturas que importa equacionar e que devem funcionar em harmonia, sem nunca se atropelarem ou anularem e sem se tornarem asfixiantes ou insignificantes. As principais s&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Diocese<\/strong>. A primeira dimens&atilde;o de atividades, de reflex&otilde;es e de a&ccedil;&atilde;o da\/para a Pastoral Juvenil, como um projeto integral, &eacute; a diocese. Esta &eacute; a Igreja Local e &eacute; esta que deve ter um projeto organizado e completo para a vida e a forma&ccedil;&atilde;o dos jovens. Este projeto deve ter em conta o Plano Pastoral respetivo, a proposta que &eacute; indicada pela Santa S&eacute;, a orienta&ccedil;&atilde;o coordenada (encontros e, sobretudo, acontecimentos nacionais) do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) e o caminho program&aacute;tico que a diocese est&aacute; a querer percorrer com os jovens. &Eacute; aqui que estes s&atilde;o chamados a viver a sua rela&ccedil;&atilde;o com a Pessoa Jesus Cristo, na Comunidade crist&atilde; onde est&atilde;o inseridos &ndash; diocese, par&oacute;quia e grupo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; na diocese que os jovens, inseridos em algum movimento, obra, carisma ou estrutura juvenil, devem integrar a sua experi&ecirc;ncia pessoal e comunit&aacute;ria. Individualmente, ou em grupo isolado, ningu&eacute;m realiza uma experi&ecirc;ncia eclesial completa nem tem a aut&ecirc;ntica dimens&atilde;o da eclesialidade, pois n&atilde;o se abre &agrave; universalidade da voca&ccedil;&atilde;o e da miss&atilde;o nem &agrave; catolicidade da mensagem libertadora do Evangelho. Embora as Congrega&ccedil;&otilde;es e os Movimentos tenham uma liga&ccedil;&atilde;o carism&aacute;tica supra dioceses, &eacute; em cada diocese que devem fazer a unidade da forma&ccedil;&atilde;o, do trabalho e da a&ccedil;&atilde;o pastoral juvenil: no di&aacute;logo, na entreajuda e na partilha de experi&ecirc;ncias, a partir de um projeto de unidade que &eacute; feito pelo Plano Pastoral Diocesano. Este plano de unidade deve ser refletido no Conselho Diocesano de Pastoral Juvenil, que deve ter a representa&ccedil;&atilde;o de todos estes setores. &Agrave; Pastoral Juvenil na diocese cabe, tamb&eacute;m, ter um plano de forma&ccedil;&atilde;o de animadores e uma proposta de forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; organizada, tendo em conta ofertas de primeiro an&uacute;ncio, de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e de catequese, consoante os casos, contando com a colabora&ccedil;&atilde;o dos diversos carismas.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Departamento Nacional da Pastoral Juvenil<\/strong>. A comunh&atilde;o &eacute; uma nota fundamental da Igreja de Jesus Cristo, reencontrada pela Lumen Gentium, no Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II. Sem destruir, anular ou subalternizar a autonomia das Igrejas Locais, o DNPJ &ndash; unido &agrave;s dioceses, atrav&eacute;s dos encontros com os Secretariados Diocesanos e a estes e aos grupos, movimentos e obras, atrav&eacute;s do Conselho Nacional da Pastoral Juvenil &ndash; promove a unidade, estimula o entusiasmo do caminho conjunto, organiza atividades celebrativas, dinamiza a forma&ccedil;&atilde;o dos respons&aacute;veis e animadores e estimula o crescimento de todos.<\/p>\n<p>Tal como em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s dioceses, tamb&eacute;m os grupos, movimentos e obras devem ter a autonomia necess&aacute;ria para serem diferentes e poderem enriquecer os jovens e as Igrejas com as diferen&ccedil;as pr&oacute;prias, mas estas diferen&ccedil;as devem entender-se sempre como a vida dos membros no corpo, iluminada pela riqueza evang&eacute;lica da alegoria da videira.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Par&oacute;quias, grupos, obras e movimentos<\/strong>. A estes cabe concretizar as propostas, planos e sugest&otilde;es que v&ecirc;m da diocese e\/ou do DNPJ, de forma criativa, entusiasta e mobilizadora, acrescentando e valorizando com o carisma pr&oacute;prio de cada um. Cabe, aos seus animadores, fazer um acompanhamento pessoal, espiritual, formativo e vocacional de todos e de cada jovem. &Eacute; essencial que estes animadores possuam alma e cora&ccedil;&atilde;o que os fa&ccedil;a viver e testemunhar a firmeza da F&eacute;, a alegria da Esperan&ccedil;a e a generosidade do Amor em Jesus Cristo, de modo a que os outros creiam.<\/p>\n<p><em>D. Il&iacute;dio Pinto Leandro, bispo em Viseu, vogal da Comiss&atilde;o Episcopal Laicado e Fam&iacute;lia<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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