{"id":55634,"date":"2012-03-13T17:14:51","date_gmt":"2012-03-13T17:14:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/13\/homilia-do-bispo-de-setubal-na-eucaristia-do-dia-nacional-da-caritas\/"},"modified":"2012-03-13T17:14:51","modified_gmt":"2012-03-13T17:14:51","slug":"homilia-do-bispo-de-setubal-na-eucaristia-do-dia-nacional-da-caritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-setubal-na-eucaristia-do-dia-nacional-da-caritas\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Set\u00fabal na Eucaristia do Dia Nacional da C\u00e1ritas"},"content":{"rendered":"<p>&laquo;<em>Pregamos Cristo crucificado, esc&acirc;ndalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para aqueles que s&atilde;o chamados, judeus ou gregos, Cristo &eacute; poder e sabedoria de Deus<\/em>&raquo; (<em>1 Cor <\/em>1, 23-24).<\/p>\n<p>Estas palavras tiradas da 2&ordf; Leitura que hoje escut&aacute;mos mostram-nos S. Paulo apaixonado pelo Crucificado. Talvez pud&eacute;ssemos perguntar-nos: que viu ele na cruz de Jesus para se apaixonar desta forma? Porque continua a cruz de Jesus a apaixonar tantas pessoas e a escandalizar outras?<\/p>\n<p>S. Paulo viu na dor e na morte de Jesus na cruz o Filho de Deus a dar a vida por todas as pessoas. Viu que Deus que &eacute; Amor, amor que se despoja de tudo, at&eacute; da vida, para salvar o pr&oacute;prio pecador. Deus Pai a retirar da morte o Seu Filho amado e a ressuscit&aacute;-lo porque na fidelidade do seu amor ao Pai, Jesus deu a vida por todos e o Pai n&atilde;o podia deixar na morte Aquele que entregara a vida em sinal de amor. Paulo viu no amor do Crucificado o &uacute;nico caminho para a vida fecunda e com dimens&atilde;o de eternidade. Porque h&aacute; gestos que n&atilde;o t&ecirc;m dimens&atilde;o de eternidade.<\/p>\n<p>Por isso, Paulo acolheu e pregou o Crucificado\/Ressuscitado, sem medo de escandalizar os judeus para quem Deus n&atilde;o podia descer &agrave; cruz e sem medo de parecer louco aos pag&atilde;os incapazes de aceitar que a vida pudesse surgir da morte por amor.<\/p>\n<p>Entusiasmado, Paulo pregou por toda a parte na &acirc;nsia incont&aacute;vel de ensinar a todos que s&atilde;o s&aacute;bios os homens e as mulheres que se deixam amar por Deus e que, em resposta, amam os outros com o amor com que Jesus nos amou: amor rico de miseric&oacute;rdia, de aten&ccedil;&atilde;o profunda a cada pessoa, de partilha e solidariedade total.<\/p>\n<p>&Eacute; no contexto desta cruz que divide, hoje como ontem, os homens e as mulheres, que queria saudar-vos a todos como filhos muito amados de Deus nosso Pai.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do especialmente o Prof. Eug&eacute;nio, Presidente da C&aacute;ritas Nacional e a respetiva Dire&ccedil;&atilde;o, agradecendo a escolha da Diocese para esta celebra&ccedil;&atilde;o nacional.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do as v&aacute;rias Caritas aqui presentes, com destaque para a de Set&uacute;bal.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do as autoridades, de modo particular a Senhora Presidente da C&acirc;mara, que tanto nos honra com a sua presen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do o clero aqui presente, de modo particular o Frei Francisco Sales. Sa&uacute;do o Administrador Paroquial desta Par&oacute;quia.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do todas as pessoas que, na nossa Diocese e nas v&aacute;rias dioceses do Pa&iacute;s, encantadas pelo gesto de Jesus de servir at&eacute; ao fim, fazem da sua vida tamb&eacute;m um servi&ccedil;o humilde, mas sincero aos mais pobres, levando-lhes esperan&ccedil;a e alegria.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do quem nos acompanha pela televis&atilde;o, especialmente os nossos queridos doentes.<\/p>\n<p>E sa&uacute;do esta par&oacute;quia da Cova da Piedade, onde estamos a celebrar a Eucaristia. J&aacute; aqui foi dito que esta igreja foi uma igreja onde o Padre Ricardo tantas vezes procurou alertar as pessoas para os mais pobres. Uma igreja, de resto, constru&iacute;da por ele.<\/p>\n<p>Dizia que a cruz de Cristo continua a dividir os homens e as mulheres, hoje como ontem. H&aacute; quem se escandalize com a cruz de Cristo. H&aacute; quem imagine que Deus n&atilde;o se pode sujar, morrendo por n&oacute;s, lavando-nos os p&eacute;s, como fez Jesus na cruz. Mas tamb&eacute;m h&aacute; quem se deixe abra&ccedil;ar por ela, que a abra&ccedil;a com fervor at&eacute; &agrave; pr&oacute;pria morte.<\/p>\n<p>Qual &eacute;, meu irm&atilde;o e minha irm&atilde;, a tua atitude? De que lado est&aacute;s? Da cruz, do amor de Jesus ou &agrave; margem dela? Ou contra ela?<\/p>\n<p>A cruz de Cristo fala-nos de dois estilos de vida, de dois cultos, de duas culturas.<\/p>\n<p>De um lado, o estilo de vida de quem vive para o outro, esquecido e humilde, disposto a esvaziar-se de si para socorrer e integrar o outro na comunidade. Estilo de vida de quem d&aacute; aten&ccedil;&atilde;o profunda ao outro, o acolhe e o integra, e que favorece a justi&ccedil;a, a miseric&oacute;rdia, a verdade, a partilha e o bem comum.<\/p>\n<p>E de outro lado, o estilo de quem vive para si mesmo, no ego&iacute;smo disfar&ccedil;ado de altru&iacute;smo, que esquece os outros, que os julga como coisas, que propicia a injusti&ccedil;a, as desigualdades escandalosas, a mentira, o desinteresse pelo bem comum.<\/p>\n<p>Talvez devamos perguntar: a nossa Uni&atilde;o Europeia tem o culto da solidariedade e do bem comum? Os nossos partidos pol&iacute;ticos colocam o bem comum do Pa&iacute;s e das pessoas acima dos interesses partid&aacute;rios? E os sindicatos e as empresas? Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social? E os governos t&ecirc;m forte consci&ecirc;ncia do dever de velar pelo bem comum? E a cultura, que nos faz e que n&oacute;s fazemos, impele-nos, t&atilde;o rica sendo ela, &agrave; solidariedade ativa, &agrave; aten&ccedil;&atilde;o discreta e profunda que eleva os mais pobres e d&eacute;beis da comunidade, &agrave; busca da equidade e da justi&ccedil;a?<\/p>\n<p>Embora haja muito ego&iacute;smo, o amor superabunda!<\/p>\n<p>Mas h&aacute; que ir mais longe, pois estas institui&ccedil;&otilde;es &ndash; as nossas institui&ccedil;&otilde;es &ndash; dependem do que cada um de n&oacute;s &eacute; e faz. Por isso, convido cada um de v&oacute;s a perguntar-se na presen&ccedil;a de Deus, de novo, que antev&ecirc; o &iacute;ntimo do nosso cora&ccedil;&atilde;o: sou eu marcado pelo amor sincero e profundo ao outro? Apaixonado por Cristo? A cruz de Cristo apaixona-me? Anuncio-a com entusiasmo aos amigos, aos filhos, aos vizinhos, a todos? Como um tesouro?<\/p>\n<p>A P&aacute;scoa de Jesus que estamos a preparar pede uma mudan&ccedil;a de estilo de vida: passar da cultura do &ldquo;salve-se quem puder&rdquo; &agrave; cultura da solidariedade e do bem comum; da cultura de quem reparte do que sobra, &agrave; cultura de quem d&aacute; do que lhe faz falta; da cultura de quem cr&ecirc; que nada h&aacute; fazer e a mudar, &agrave; cultura de quem acredita que pode mudar as coisas e tenta fazer melhor; da cultura da indiferen&ccedil;a, &agrave; cultura da aten&ccedil;&atilde;o carinhosa pelo outro.<\/p>\n<p>Neste Dia Caritas, louvando a Deus pelo seu Amor, pelas Caritas diocesanas &ndash; in&uacute;meros gestos de amor di&aacute;rio que se elevam da terra ao c&eacute;u &ndash; pe&ccedil;amos ao Senhor que nos ajude a amar como Ele e fazer das nossas Igrejas e fam&iacute;lias crist&atilde;s escolas do mais puro amor divino e do pr&oacute;ximo. Que nos ajude a prestar aten&ccedil;&atilde;o e apoiar as pessoas e a organizar bem a caridade, apoiando tamb&eacute;m as nossas queridas Caritas, que nos fa&ccedil;a perfeitos na caridade, que ajude fam&iacute;lias, escolas, associa&ccedil;&otilde;es, meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, partidos, sindicatos, empresas a cuidar do bem comum. Que ajude os governantes a cumprir bem o dever de aten&ccedil;&atilde;o especialmente aos mais pobres e fr&aacute;geis. Que nos ajude a cuidar do bem comum, componente da caridade, como refere o lema da Caritas para este ano: &ldquo;Edificar o bem comum, tarefa de todos e de cada um&rdquo;: dos jovens, dos adultos, dos homens, das mulheres, dos doentes, dos que t&ecirc;m sa&uacute;de, de todos.<\/p>\n<p>Podemos n&oacute;s romper a teia de ego&iacute;smos atuantes na nossa cultura e que nos escravizam, como falava a primeira leitura? Sim, desde que unidos a Cristo, Templo novo que na cruz nos abriu o mar do amor divino para o dar a todos &ndash; de resto cant&aacute;vamos, dizendo &laquo;Senhor, Senhor, V&oacute;s tendes palavra de vida eterna&raquo;. Bela profiss&atilde;o de f&eacute;!<\/p>\n<p>Unamo-nos, pois, a Jesus atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o confiante, da viv&ecirc;ncia profunda da Eucaristia, do sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o, para que Ele nos possa encher do seu Amor gerador de homens novos e renovadores da sociedade.<\/p>\n<p>Nossa Senhora, t&atilde;o cara para todos n&oacute;s, disse &ldquo;Sim&rdquo; ao amor, do Esp&iacute;rito Santo que Deus Pai fez descer sobre ela a partir da cruz do seu Filho. Que ela, modelo da Igreja e de cada crist&atilde;o, nos ajude nesta Eucaristia a acolher do amor de Cristo crucificado e ressuscitado, o Senhor presente no P&atilde;o eucar&iacute;stico e na Palavra da Vida, para que encha o nosso cora&ccedil;&atilde;o, as nossas Igrejas, o nosso Pa&iacute;s, a Uni&atilde;o Europeia e o mundo inteiro do amor de Deus e do pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Igreja de Nossa Senhora de F&aacute;tima, Par&oacute;quia da Cova da Piedade, 11 de mar&ccedil;o de 2012<\/p>\n<p><em>D. Gilberto Reis, bispo de Set&uacute;bal<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Pregamos Cristo crucificado, esc&acirc;ndalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para aqueles que s&atilde;o chamados, judeus ou gregos, Cristo &eacute; poder e sabedoria de Deus&raquo; (1 Cor 1, 23-24). Estas palavras tiradas da 2&ordf; Leitura que hoje escut&aacute;mos mostram-nos S. Paulo apaixonado pelo Crucificado. 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