{"id":55611,"date":"2012-03-13T10:52:00","date_gmt":"2012-03-13T10:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/13\/o-qren-oportunidade-que-nao-podemos-perder\/"},"modified":"2012-03-13T10:52:00","modified_gmt":"2012-03-13T10:52:00","slug":"o-qren-oportunidade-que-nao-podemos-perder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-qren-oportunidade-que-nao-podemos-perder\/","title":{"rendered":"O QREN &#8211; Oportunidade que n\u00e3o podemos perder"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel R. Fel\u00edcio, Bispo da Guarda <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">H&aacute; muito tempo que se vive no nosso pa&iacute;s a dificuldade de conjugar desenvolvimento com equil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas, mas tamb&eacute;m a dificuldade em promover um modelo de desenvolvimento que desfa&ccedil;a assimetrias e promova equil&iacute;brio, nomeadamente entre o interior e o litoral. Tamb&eacute;m h&aacute; muito tempo, isto &eacute; desde a entrada do nosso pa&iacute;s na Comunidade Europeia, que existe um instrumento especialmente vocacionado para dinamizar a economia no todo do nosso pa&iacute;s. <span style=\"letter-spacing: -.1pt;\">Esse instrumento chamado QREN (Quadro de Refer&ecirc;ncia Estrat&eacute;gica Nacional) coloca a Europa &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do nosso pa&iacute;s para que este possa aproveitar da melhor maneira os fundos estruturais comunit&aacute;rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"letter-spacing: -.1pt;\">O QREN j&aacute; teve v&aacute;rias edi&ccedil;&otilde;es e a atual edi&ccedil;&atilde;o, que expira no final do pr&oacute;ximo ano de 2013, tem, neste momento, uma percentagem de execu&ccedil;&atilde;o que ronda os 40%. Portanto temos pouco mais de um ano e meio para colocar ao servi&ccedil;o da economia do pa&iacute;s os restantes 60%. Por sua vez e tamb&eacute;m dada a falta de celeridade no aproveitamento dos fundos dispon&iacute;veis, a comparticipa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria nos projetos do QREN apresentados tem vindo a aumentar e, neste momento, situa-se na ordem dos 85%. Por isso, s&oacute; 15% s&atilde;o afetados &agrave; responsabilidade interna do nosso pa&iacute;s. <\/span><\/p>\n<p>Escusado &eacute; lembrar que o aproveitamento dos anteriores quadros comunit&aacute;rios n&atilde;o foi exemplar. Se o tivesse sido, a nossa agricultura e as nossas atividades pesqueiras n&atilde;o estariam destru&iacute;das como est&atilde;o e tamb&eacute;m os fundos aplicados em forma&ccedil;&atilde;o teriam dado outros resultados, nomeadamente quanto &aacute; elevada percentagem de pessoas que, de facto, passaram por programas de forma&ccedil;&atilde;o e continuam sem exercer qualquer atividade produtiva.<\/p>\n<p>Mas agora s&oacute; nos interessa olhar para o passado na medida em que isso puder contribuir para nos ajudar a ganhar a batalha do futuro. E &eacute; no futuro que queremos pensar, nomeadamente no futuro pr&oacute;ximo de pouco mais de um ano e meio que efetivamente temos &agrave; nossa frente para executar os 60% ainda n&atilde;o utilizados do atual QREN, a bem das nossas popula&ccedil;&otilde;es e para maior equil&iacute;brio da nossa economia, em termos de tecido empresarial espalhado pelo todo do nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><span style=\"letter-spacing: -.1pt;\">N&atilde;o temos opini&atilde;o sobre qual o setor do Estado que est&aacute; mais vocacionado para liderar e tutelar este importante instrumento do desenvolvimento da nossa economia. Mas h&aacute; crit&eacute;rios que o cidad&atilde;o comum tem direito a ver respeitados e aplicados. <\/span><\/p>\n<p>Um deles &eacute; que, se a m&aacute;quina do Estado n&atilde;o tem os 15% que &eacute; preciso aplicar em projetos determinados para se conseguir que venham os 85% dos fundos comunit&aacute;rios, &eacute; preciso motivar os particulares, individualmente ou associados, para garantirem essa percentagem. H&aacute; alguns bons exemplos de particulares que, a expensas pr&oacute;prias, financiaram, sem recurso ao Estado ou mesmo a institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias, essa parcela de comparticipa&ccedil;&atilde;o exigida.<\/p>\n<p>Outro crit&eacute;rio &eacute; que &eacute; necess&aacute;rio direcionar estes fundos do QREN prioritariamente para colocar as pessoas na atividade produtiva, a come&ccedil;ar pelo grande n&uacute;mero de jovens que temos em Portugal creditados com diplomas de ensino superior, mas fora do trabalho.<\/p>\n<p>Por sua vez &eacute; necess&aacute;rio que os quadros t&eacute;cnicos, e nomeadamente aqueles que o Estado paga, se disponham a vir para o terreno, a fim de identificarem as atividades produtivas que melhor se ajustam a cada espa&ccedil;o diferenciado do territ&oacute;rio nacional e para motivar as pessoas, ajudando-as a elaborar os projetos e fazendo-lhes o acompanhamento inicial indispens&aacute;vel para que a sua iniciativa tenha &ecirc;xito.<\/p>\n<p>E aqui imp&otilde;e-se, tamb&eacute;m como crit&eacute;rio, fazer uma discrimina&ccedil;&atilde;o positiva para zonas mais carenciadas, porque longe dos grandes centros e onde tudo &eacute; mais caro e dif&iacute;cil de conseguir. Precisamos de fixar gente nestas zonas do interior e se lhes forem criadas condi&ccedil;&otilde;es, os jovens, depois da sua forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e profissional, n&atilde;o se ausentam. Tamb&eacute;m aqui, mesmo que o Estado n&atilde;o disponha dos 15% necess&aacute;rios para garantir o financiamento dos projetos, &eacute; poss&iacute;vel garantir o concurso da poupan&ccedil;a, ainda bastante generalizada, das pessoas que temos espalhadas pelo nosso interior.<\/p>\n<p>Mais do que reformas de gabinete anunciadas sobre o novo mapa administrativo do pa&iacute;s, o relan&ccedil;amento da economia, sobretudo nos ambientes do nosso interior mais votados ao abandono, passa por esta proximidade &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es locais, para lhes dizer, na pr&aacute;tica, como se podem vencer obst&aacute;culos e ajud&aacute;-las efetivamente a aproveitar esta oportunidade colocada pela Europa ao servi&ccedil;o do nosso desenvolvimento.<\/p>\n<p>E agora &eacute; tempo de aprender com erros passados, porque ainda estamos a tempo de corrigir pelo menos alguns deles. Por mais que sejamos um Estado em situa&ccedil;&atilde;o de pen&uacute;ria extrema, temos de rejeitar cautelas exclusivamente centradas em fugir &agrave; comparticipa&ccedil;&atilde;o portuguesa na aplica&ccedil;&atilde;o destes fundos. Pelo contr&aacute;rio, a todos nos &eacute; pedida a coragem de aproveitar as oportunidades que este QREN nos oferece para evitar que o desemprego continue a disparar, como est&aacute;, e a economia acabe por se afundar, deixando o pr&oacute;prio Estado ainda mais pobre e cada vez mais incapacitado de resgatar as suas d&iacute;vidas.<\/p>\n<p><em>D. Manuel R. Fel&iacute;cio, Bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Manuel R. 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