{"id":5560,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-25-de-abril-no-mundo-do-trabalho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-25-de-abril-no-mundo-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-25-de-abril-no-mundo-do-trabalho\/","title":{"rendered":"O 25 de Abril no mundo do trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Recorda\u00e7\u00f5es dos tempos que antecederam o 25 de Abril de 1974 <!--more--> <b>L\u00e1pis azul na \u201cVoz do Trabalho\u00bb<\/b> Dois meses depois do 25 de Abril de 1974 realizou-se o  congresso nacional da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (LOC) que n\u00e3o \u201ctrouxe grandes altera\u00e7\u00f5es nas linhas program\u00e1ticas\u201d porque \u201cj\u00e1 t\u00ednhamos o nosso ide\u00e1rio\u201d. A grande modifica\u00e7\u00e3o foi a \u201cfus\u00e3o da LOC masculina e feminina\u201d mas n\u00e3o foi uma consequ\u00eancia do 25 de Abril. Era \u201cuma aspira\u00e7\u00e3o antiga\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Fernando Branco, da Equipa Executiva da LOC.  Passados 30 anos deste acontecimento que revolucionou a vida dos portugueses, Fernando Branco refere que, actualmente, \u201ch\u00e1 a consciencializa\u00e7\u00e3o de um compromisso mais efectivo nas estruturas onde se joga o destino dos trabalhadores\u201d. Uma preocupa\u00e7\u00e3o \u201ccrescente\u201d porque os congressos \u201ct\u00eam sido essenciais para a renova\u00e7\u00e3o do Movimento\u201d e \u201cestreit\u00e1mos os contactos internacionais\u201d \u2013 sublinhou Fernando Branco. Ap\u00f3s o 25 de Abril, a LOC \u201cintensificou\u201d os cursos, encontros e publica\u00e7\u00f5es. Outrora isto n\u00e3o acontecia porque \u201ca estrutura estava voltada para dentro\u201d. Para al\u00e9m desta situa\u00e7\u00e3o \u201chavia um certo cuidado no falar\u201d e at\u00e9 \u201ctivemos v\u00e1rios n\u00fameros de jornal que foram cortados pela censura\u201d. N\u00e3o era uma quest\u00e3o de \u201cprogressismo\u201d mas \u201cn\u00f3s pugn\u00e1vamos pela justi\u00e7a\u201d e por uma sociedade \u201cmais consent\u00e2nea com os princ\u00edpios do Evangelho\u201d \u2013 acentuou Fernando Branco. O \u00abl\u00e1pis azul\u00bb cortava \u201cmuitos artigos de opini\u00e3o\u201d que se faziam apesar de \u201cserem doutrina pura da Igreja\u201d. E adianta: \u201co director da \u00abVoz do Trabalho\u00bb, Manuel Alpiar\u00e7a, teve muitos artigos cortados\u201d. Os projectos do Movimento \u201cn\u00e3o agradavam\u201d mas \u201cn\u00f3s \u00e9ramos porta-vozes da Doutrina Social da Igreja\u201d \u2013 real\u00e7a Jo\u00e3o Gomes.   <b>Da Revolta da S\u00e9 ao 25 de Abril<\/b> Antes do 25 de Abril, na quest\u00e3o da Intentona da S\u00e9 (1959), alguns militantes crist\u00e3os estiveram envolvidos e foram presos. Situa\u00e7\u00f5es \u201cdesagrad\u00e1veis\u201d e o \u201cpr\u00f3prio Jo\u00e3o Gomes e o Manuel Bidarra estiveram presos\u201d devido ao seu \u201ccompromisso\u201d \u2013 disse Fernando Branco. Jo\u00e3o Gomes, na altura jocista,  recordou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os momentos na revolta da S\u00e9 que o levaram \u201c\u00e0 pris\u00e3o durante tr\u00eas meses por duas vezes\u201d.  A luta era \u201cdif\u00edcil\u201d mas no fim (25 de Abril) \u201cadquirimos um marco positivo\u201d \u2013 contou.   A \u201crepress\u00e3o\u201d era \u201cefectiva\u201d o que criava algum receio e levava as pessoas a n\u00e3o se comprometerem\u201d.  Com a \u00abRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u00bb alguns militantes da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica (AC) manifestaram a \u201csua alegria e j\u00fabilo\u201d. Um desses elementos \u2013 Jo\u00e3o Gomes, na altura presidente da LOC e chefe de Redac\u00e7\u00e3o do jornal \u00abRep\u00fablica\u00bb  \u2013 sublinha que \u201cn\u00e3o escreveram nenhum comunicado\u201d mas \u201cenviamos algumas palavras aos nossos militantes\u201d. Os crist\u00e3os foram um \u201cfactor determinante\u201d para a \u201crevolu\u00e7\u00e3o se fazer e impor\u201d mas \u201cn\u00e3o \u00e9ramos  a maioria\u201d.  Ao n\u00edvel dos ideais do 25 de Abril \u201ctemos feito um esfor\u00e7o para os viver e assumir\u201d. A programa\u00e7\u00e3o da LOC tem sido \u201caberta e alargada\u201d onde \u201cn\u00e3o existem press\u00f5es\u201d. Depois do 25 de Abril de 1974, o esclarecimento \u00e9 superior e \u201cningu\u00e9m nos impede que no nosso jornal (\u00abVoz do Trabalho\u00bb) possamos publicar as conclus\u00f5es e v\u00e1rios artigos de opini\u00e3o\u201d \u2013 menciona Fernando Branco. Por sua vez, Jo\u00e3o Gomes, fundador do F\u00f3rum Abel Varzim, salienta que \u201ctemos melhorado muito\u201d mas a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza \u201cest\u00e1 muito longe\u201d do desejado nos momentos seguintes ao 25 de Abril. No aspecto social \u201cestamos a fugir dos ideais\u201d porque \u201co governo \u00e9 neo-liberal\u201d.  <b>Preocupa\u00e7\u00f5es Sociais<\/b> Para a actual coordenadora nacional da Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (JOC), Catarina Soares refere a situa\u00e7\u00e3o actual \u201cn\u00e3o era aquela que as pessoas desejavam\u201d. Os direitos dos trabalhadores \u2013 acentua Catarina Soares \u2013 est\u00e3o \u201ca ser violados\u201d e nota-se, ao n\u00edvel do trabalho, uma \u201cmaior precariedade\u201d. Se nem tudo foram \u00abrosas\u00bb, a coordenadora nacional da JOC refere que tamb\u00e9m \u201cevolu\u00edmos noutros pontos\u201d. Em d\u00e9cadas anteriores, a Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica tinha \u201coutra for\u00e7a\u201d porque as pessoas \u201cn\u00e3o tinham tanta escolha\u201d. Actualmente, os militantes t\u00eam \u201cuma gama variada de Movimentos. Outras op\u00e7\u00f5es\u201d. Ces\u00e1rio Borga, jornalista da RTP e antigo jocista, recordou tamb\u00e9m \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os tempo passados naquele Movimento da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica antes do 25 de Abril. Apesar de integrar a JOC at\u00e9 aos in\u00edcios da d\u00e9cada de 70, este jornalista refere que as prioridades passavam \u201cpela actua\u00e7\u00e3o no mundo oper\u00e1rio\u201d e pelas \u201cquest\u00f5es sociais\u201d. Os militantes da JOC daquela gera\u00e7\u00e3o \u201cempenharam-se muito na actua\u00e7\u00e3o sindical\u201d. E acentua: \u201ccria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de liberdade dentro dos sindicatos\u201d. A quest\u00e3o da f\u00e9 e \u201ca inser\u00e7\u00e3o na vida\u201d foram objecto de algumas reflex\u00f5es. A \u201cconsci\u00eancia pol\u00edtica era muito forte\u201d mas desligada dos partidos pol\u00edticos. Ali\u00e1s \u2013 real\u00e7a Ces\u00e1rio Borga \u2013 muitos dos militantes daquela gera\u00e7\u00e3o nem depois da revolu\u00e7\u00e3o dos cravos se \u201cagregaram a partidos pol\u00edticos\u201d. Existia uma concep\u00e7\u00e3o \u201caut\u00f3noma e independente\u201d. A preocupa\u00e7\u00e3o dos jocistas estava na \u201cconstru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais livre e socialmente empenhada\u201d \u2013 disse este jornalista.  A Doutrina Social da Igreja (DSI) tinha uma influ\u00eancia decisiva no pensamento da altura, especialmente as \u201cenc\u00edclicas de Jo\u00e3o XXIII e as consequ\u00eancias do Conc\u00edlio Vaticano II\u201d. As pessoas actuavam por causas e \u201cn\u00e3o por interesses\u201d. E recorda o exemplo da ida dos jovens para a Guerra Colonial que \u201cteve um efeito acelerador  na consci\u00eancia das pessoas\u201d. Os militantes \u201ccondenavam a guerra\u201d mas s\u00f3 \u201ct\u00ednhamos dois caminhos poss\u00edveis: desertar ou ficar em Portugal\u201d. As posi\u00e7\u00f5es da JOC estavam \u201cinspiradas no sentido crist\u00e3o da vida\u201d mesmo quando estas \u201ceram um bocado rebeldes\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s normas da \u201cHierarquia da Igreja\u201d \u2013 sublinha Ces\u00e1rio Borga. E exemplifica: \u201ceu fui um dos que assinei o manifesto dos 101\u201d. Um documento que estava \u201ccontra os grandes postulados dos regime\u201d. As consequ\u00eancias vieram depois &#8211; na altura Ces\u00e1rio Borga era presidente diocesano da JOC &#8211; porque \u201cfui repreendido, inclusivamente pelo meu assistente\u201d. Quando alertavam as pessoas para a \u201cconsci\u00eancia social\u201d, Ces\u00e1rio Borga referiu que \u201cn\u00e3o t\u00ednhamos medo das repres\u00e1lias\u201d porque \u201c\u00e9ramos muito voluntariosos\u201d. Ac\u00e7\u00f5es que demonstravam uma certa \u201cideia crist\u00e3 do sacrif\u00edcio\u201d porque mesmo que algu\u00e9m fosse preso \u201cficava sempre o contributo para alguma coisa\u201d.  Trinta anos depois do 25 de Abril de 1974, Ces\u00e1rio Borga afirma que a JOC \u201ccontinua com os mesmo ideais\u201d mas \u201cn\u00e3o tem o mesmo protagonismo e destaque da altura\u201d. E finaliza: \u201ca marca de ter passado pela JOC nunca se apaga; a minha forma\u00e7\u00e3o humana foi colhida l\u00e1\u201d.  <i>Luis Filipe Santos<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorda\u00e7\u00f5es dos tempos que antecederam o 25 de Abril de 1974<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[92,95,144,238,239],"class_list":["post-5560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-25-de-abril","tag-accao-catolica","tag-concilio-vaticano-ii","tag-joao-xxiii","tag-joc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5560\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}