{"id":55537,"date":"2012-03-07T16:28:32","date_gmt":"2012-03-07T16:28:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/07\/vocacao-da-mulher-num-mundo-global-estar-junto-a-cruz\/"},"modified":"2012-03-07T16:28:32","modified_gmt":"2012-03-07T16:28:32","slug":"vocacao-da-mulher-num-mundo-global-estar-junto-a-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vocacao-da-mulher-num-mundo-global-estar-junto-a-cruz\/","title":{"rendered":"Voca\u00e7\u00e3o da mulher num mundo global: \u00abEstar junto \u00e0 Cruz\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 F\u00e1tima Magalh\u00e3es <!--more--> <\/p>\n<p>Desde 1975, Ano Internacional da Mulher, que no dia 8 de mar&ccedil;o se celebra &ldquo;o Dia da Mulher&rdquo;. S&oacute; porque, em muitos pa&iacute;ses do mundo a mulher &eacute; ainda tratada como escrava, como inferior e desvalorizada, &eacute; que este dia deve continuar a existir. Desde o afastamento de cargos de chefia at&eacute; ao apedrejamento, de<strong> tudo<\/strong> se encontra neste mundo global. Embora nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas se tenham produzidas mudan&ccedil;as significativas nas condi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dica e social das mulheres, estes processos s&atilde;o lentos e desiguais e a mulher &eacute; ainda o <strong>&ldquo;g&eacute;nero<\/strong> <strong><em>condicionalmente reconhecido&rdquo;,<\/em><\/strong> como diz o beneditino alem&atilde;o Anselm Gr&uuml;n no seu livro &lsquo;Jesus, caminho para a Liberdade&rsquo;.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>1 &#8211; Pensar Global<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">De 1200 milh&otilde;es de pobres, 70% s&atilde;o mulheres e s&atilde;o elas que produzem com o seu trabalho 80% dos alimentos dos pa&iacute;ses mais pobres. Dois ter&ccedil;os dos 876 milh&otilde;es de analfabetos no mundo s&atilde;o mulheres, 80% das v&iacute;timas e conflitos armados s&atilde;o mulheres e crian&ccedil;as. Mais de 25% do total das mulheres do mundo foram objeto de alguma forma de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica. 500 000 mulheres morrem, a cada ano, por complica&ccedil;&otilde;es da gravidez e s&atilde;o 500 as que todos os dias perdem a vida por abortos.<\/p>\n<p align=\"left\">A propor&ccedil;&atilde;o de mulheres com HHV\/Sida est&aacute; a aumentar e as meninas sem instru&ccedil;&atilde;o correm maior risco do que os meninos. Fala-se hoje muito da &ldquo;<strong>Feminiza&ccedil;&atilde;o da Pobreza&rdquo; <\/strong>porque as mulheres mais pobres sofrem mais explora&ccedil;&atilde;o; muitas m&aacute;fias organizaram-se para rentabilizar o seu corpo, considerado-o mais que nunca como mercadoria. Em grupos privilegiados, grande parte da submiss&atilde;o das mulheres d&aacute;-se pelo culto ao corpo ou por press&atilde;o de mulheres que ocupam posi&ccedil;&atilde;o chave no sistema de produ&ccedil;&atilde;o e de organiza&ccedil;&atilde;o, onde reproduzem o mesmo modelo de dom&iacute;nio patriarcal.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>2 &#8211; A nossa voca&ccedil;&atilde;o de mulher. Livre para libertar e &ldquo;estar junto &agrave; Cruz&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>Jesus Cristo teve a aud&aacute;cia de se aproximar da mulher de a libertar e de lhes dar a miss&atilde;o do disc&iacute;pulo: <strong>&ldquo;Servir&rdquo;. <\/strong>N&atilde;o as mandou a anunciarem o Reino pelos campos da Galileia porque dados os condicionalismos da &eacute;poca a sua palavra teria sido rejeitada mas a presen&ccedil;a das mulheres no meio dos disc&iacute;pulos n&atilde;o eram secund&aacute;ria ou marginal. Estavam habituadas a ocuparem os &uacute;ltimos lugares e o seu lugar era &ldquo;servir&rdquo; que para Jesus<strong> <\/strong>&eacute; a orienta&ccedil;&atilde;o de qualquer disc&iacute;pulo<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Estou no meio de v&oacute;s como quem serve&rdquo;. <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">A mulher oprimida foi libertada por Jesus tanto das ataduras mentais que a sociedade e a cultura do seu tempo tinham imposto como das suas pr&oacute;prias ataduras, que n&atilde;o a deixavam viver o seu ser de imagem de Deus. Tamb&eacute;m foi libertada dos seus pr&oacute;prios ego&iacute;smos, chamada a ser testemunha da Ressurrei&ccedil;&atilde;o e portadora deste an&uacute;ncio.<strong><\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>3-<\/strong> <strong>Em tempo de crise<\/strong> real&ccedil;o a nossa voca&ccedil;&atilde;o de mulheres: <strong>&ldquo;estar de p&eacute; junto &agrave; cruz&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; a voca&ccedil;&atilde;o da maternidade de Maria<strong>. Estar junto &agrave; cruz de Jesus quando outros se afastam. <\/strong>Pela nossa sensibilidade, dedica&ccedil;&atilde;o e entrega somos vocacionadas a estar ao lado dos que sofrem com miseric&oacute;rdia e ternura, &ldquo;limpando as chagas&rdquo; de tantas mulheres violentadas e maltratadas &ldquo;enredadas&rdquo; em teias de explora&ccedil;&atilde;o e dor.Estar de p&eacute; &ldquo;junto &agrave; cruz&rdquo; &eacute; acolher no cora&ccedil;&atilde;o os gritos da humanidade sofredora, todas as mulheres e crian&ccedil;as que precisam de ser acolhidas no mundo atual . E este sofrimento est&aacute; aqui ao nosso lado no nosso bairro na nossa rua, em todas as classes sociais. Todos os dias v&ecirc;m ter comigo mulheres que sofrem na pele o desemprego, o dos filhos, o do marido. E &eacute; sempre a mulher que d&aacute; a cara: &ldquo; O dinheiro n&atilde;o me chega para a &aacute;gua, Luz, renda farm&aacute;cia&rdquo;. E &eacute; sempre outra mulher ou um grupo de mulheres que voluntariamente acolhem esta cruz e d&atilde;o respostas de ressurrei&ccedil;&atilde;o. Os projetos sociais, as organiza&ccedil;&otilde;es de voluntariado est&atilde;o sempre ligadas a mulheres que tecem a vida servindo os outros. Onde est&aacute; uma mulher sofredora est&aacute; outra mulher com um projeto de esperan&ccedil;a.<strong> <\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; esta a voca&ccedil;&atilde;o da&nbsp; mulher crist&atilde;. Gastar-se pelos outros sem esperar reconhecimento algum e em todos os projetos que assina desejar apenas que resultem e sirvam a humanidade.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>4- Desafio das Mulheres na Igreja: Protagonismos diferentes mas igual dignidade<\/strong><\/p>\n<p>Na miss&atilde;o da Igreja todos temos lugar e &agrave;s mulheres n&atilde;o nos falta trabalho. Complexos de inferioridade e superioridade &agrave; parte, n&atilde;o existem pap&eacute;is maiores ou menores no cen&aacute;rio da miss&atilde;o evangelizadora; o que h&aacute; &eacute; protagonismos diferentes com a mesma dignidade.<\/p>\n<p>Creio que tamb&eacute;m se pode aplicar na Igreja o velho slogan: <strong>&ldquo;Todos iguais, todos diferentes&rdquo; .<\/strong> Todos iguais porque todos filhos no Filho e todos diferente porque para Deus cada um &eacute; &uacute;nico e irrepet&iacute;vel. Deus ama no singular e a cada um com a sua especificidade.<\/p>\n<p>Sinto-me bem na minha miss&atilde;o na Igreja de estar junto &agrave; cruz, de fazer o meu &ldquo;Retiro&rdquo; na rua, todos os dias junto de quem sofre. Neles me encontro com Jesus todos os dias e escuto: &ldquo;Foi a mim&rdquo;.<\/p>\n<p>A Igreja, sempre assistida pelo Esp&iacute;rito Santo, situada no mundo e para o mundo h&aacute; de continuar a juntar a sua voz &agrave; proclama&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&eacute;nero e contar com a mulher para intervir, liderar e servir na Igreja. &Eacute; este o meu lugar de mulheres crist&atilde;. Gastar-se pelos outros sem esperar reconhecimento algum e em todos os projetos em que me envolvo desejar apenas que resultem e sirvam a humanidade.<\/p>\n<p>Disc&iacute;pulos ou disc&iacute;pulas de Cristo todos somos chamados a &ldquo;celebrar a Eucaristia&rdquo; embora de maneiras diferentes. Todos temos que tornar o Senhor presente na humanidade e sab&ecirc;-lo presente nela.<\/p>\n<p>Gosto de pensar que no Monte das Oliveiras, junto de Jesus a suar sangue, as mulheres n&atilde;o teriam adormecido e que as mulheres tamb&eacute;m n&atilde;o discutiriam como os homens sobre quem tinha o primeiro lugar. &Agrave; medida que Jesus vai para a cruz, os homens afastam-se e as mulheres aproximam-se. Est&atilde;o junto &agrave; cruz at&eacute; ao fim sem trai&ccedil;&otilde;es, nega&ccedil;&otilde;es ou abandonos.<\/p>\n<p>N&atilde;o foi uma mulher que o negou, nem uma mulher que o traiu. N&atilde;o foi um homem que lhe limpou o rosto no caminho da Cruz. O Cireneu foi &ldquo;obrigado a levar a cruz&rdquo;. Foram as mulheres que foram ao sepulcro e que O reconheceram na manh&atilde; de P&aacute;scoa. N&atilde;o porque somos melhores, mas porque somos diferentes. &Eacute; esta diferen&ccedil;a que enriquece a sociedade e a Igreja.<\/p>\n<p>Sermos Maria, a Mulher Crente que est&aacute; junto &agrave; cruz, que ama, que inclui nas sua l&aacute;grimas as l&aacute;grimas dos que hoje choram. Quem sabe se esta CRISE atual, que no fundo &eacute; uma crise de valores, n&atilde;o se deve &agrave;s assimetrias desta parceria de g&eacute;nero&hellip; H&aacute; um longo caminho ainda a percorrer na valoriza&ccedil;&atilde;o da mulher e nesta parceria em paridade. Creio que essa descoberta ter&aacute; de ser interiorizada, acreditada, defendida e ostentada.<\/p>\n<p>Se me pudesse alargar apresentava uma imensa galeria de mulheres que na Igreja foram &ldquo;santas e s&aacute;bias&rdquo;.<\/p>\n<p>Nomeio apenas duas cuja espiritualidade &eacute; de extrema atualidade para os dias de hoje. <strong>Teresa de &Aacute;vila &#8211; <\/strong>&nbsp;Apelo &agrave; interioridade (1515-1582) : &ldquo;N&atilde;os considereis vazias&hellip; dentro de v&oacute;s, como num castelo de rara beleza e mui fino cristal, mora Jesus Cristo. Pe&ccedil;o que olheis para Ele.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Teresa de Calcut&aacute;<\/strong> &ndash; Apelo ao Amor (1910-1997): &ldquo;N&atilde;o devemos permitir que algu&eacute;m se afaste de n&oacute;s sem se sentir melhor e mais feliz&rdquo;<\/p>\n<p><em>Irm&atilde; F&aacute;tima Magalh&atilde;es -stj<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 F\u00e1tima Magalh\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,199,207,329],"class_list":["post-55537","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-espiritualidade","tag-fatima","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55537"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55537\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}