{"id":55523,"date":"2012-03-07T10:43:00","date_gmt":"2012-03-07T10:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/07\/silencio-e-simplicidade\/"},"modified":"2012-03-07T10:43:00","modified_gmt":"2012-03-07T10:43:00","slug":"silencio-e-simplicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/silencio-e-simplicidade\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio e simplicidade"},"content":{"rendered":"<p>O atual prior da Comunidade de Taiz\u00e9, irm\u00e3o Alois, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA da import\u00e2ncia da dimens\u00e3o espiritual, vivida no sil\u00eancio e na simplicidade, como motor de transforma\u00e7\u00e3o para um mundo em crise <!--more--> <\/p>\n<p>A comunidade religiosa de Taiz&eacute; surgiu em 1940, no contexto da II Guerra Mundial. O irm&atilde;o Roger, fundador da comunidade, deu in&iacute;cio a uma &lsquo;par&aacute;bola de comunh&atilde;o&rsquo;, com o objetivo de ser um sinal ecum&eacute;nico no meio da divis&atilde;o entre crist&atilde;os. Ap&oacute;s a sua morte violenta, em 2005, durante a ora&ccedil;&atilde;o da noite, na igreja da Reconcilia&ccedil;&atilde;o, sucedeu-lhe o irm&atilde;o Alois, que ele tinha designado alguns anos antes, e que &eacute; o atual prior da comunidade e figura de refer&ecirc;ncia para centenas de milhares de jovens que se deslocam &agrave; pequena localidade francesa ou participam nas iniciativas promovidas pelos monges, na chamada &lsquo;Peregrina&ccedil;&atilde;o de Confian&ccedil;a atrav&eacute;s da Terra&rsquo;.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, o religioso de origem alem&atilde; fala da import&acirc;ncia da dimens&atilde;o espiritual, vivida no sil&ecirc;ncio e na simplicidade, como motor de transforma&ccedil;&atilde;o para um mundo em crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Que import&acirc;ncia tem uma proposta espiritual crist&atilde;, como &eacute; feita em Taiz&eacute;, por exemplo, para as pessoas de hoje?<\/em><\/p>\n<p><em>Irm&atilde;o Alois (IA) &ndash;<\/em> H&aacute; hoje em dia uma sede espiritual, ou seja, muitos jovens questionam-se sobre&nbsp; o sentido das suas vidas.<\/p>\n<p>As dificuldades tornam-se maiores: dificuldades para completar os estudos, encontrar um emprego, construir o futuro. Isso faz com que esta quest&atilde;o do sentido da vida se torne mais forte. Penso que &eacute; aqui que temos de estar perto dos jovens, aqui em Taiz&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os monges da comunidade t&ecirc;m a possibilidade de encontrar-se com pessoas de todo o mundo. &Eacute; percept&iacute;vel essa sede de espiritualidade?<\/em><\/p>\n<p><em>IA &ndash;<\/em> Muitas vezes, ap&oacute;s uma semana aqui, os jovens, quando lhes perguntamos o que foi mais importante, respondem-nos que foi o sil&ecirc;ncio. Isso &eacute; surpreendente, porque os jovens fogem do sil&ecirc;ncio, h&aacute; sempre muita m&uacute;sica, uma atividade, uma mensagem no smartphone. Aqui descobrem o sil&ecirc;ncio, que &eacute; importante parar, e isso &eacute; para todos os jovens: europeus, africanos, asi&aacute;ticos, latino-americanos.<\/p>\n<p>N&oacute;s temos, por outro lado, tr&ecirc;s momentos de ora&ccedil;&atilde;o di&aacute;rios, na igreja, rezando em conjunto com os jovens e toda a comunidade, que incluem um longo momento de sil&ecirc;ncio. Acredito que os jovens gostam muito disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A Quaresma, que estamos a viver, pode ser um tempo privilegiado para encontrar aquilo que &eacute; essencial na vida de cada um?<\/em><\/p>\n<p><em>IA &ndash;<\/em> &Eacute; muito importante, para n&oacute;s, que a Quaresma n&atilde;o seja um tempo de tristeza, de lamenta&ccedil;&atilde;o sobre n&oacute;s pr&oacute;prios ou sobre o mundo, mas que descubramos, pelo contr&aacute;rio, uma fonte da alegria e ent&atilde;o possamos voltar-nos para Deus. Cristo apela &agrave; convers&atilde;o, quer dizer, a voltar-se para Deus e acreditar na Boa Nova, n&atilde;o voltar-se sobre si pr&oacute;prio, unicamente sobre as falhas, sobre o que n&atilde;o est&aacute; bem no mundo. Isso &eacute; muito importante, mas n&atilde;o basta.<\/p>\n<p>Neste sentido, s&atilde;o necess&aacute;rias ajudas exteriores. J&aacute; falei do sil&ecirc;ncio, fazer sil&ecirc;ncio simplesmente para dar lugar a Deus, ou seja, simplesmente, colocar os nossos anseios e dificuldades em segundo plano e criar como que um espa&ccedil;o interior onde Deus pode vir e ser acolhido.<\/p>\n<p>Exteriormente, penso que a simplicidade &eacute; muito importante. Isso &eacute; algo, ali&aacute;s, que os jovens dizem muitas vezes, ap&oacute;s uma semana aqui, que gostaram muito da simplicidade. &Eacute; verdade que os acolhemos em condi&ccedil;&otilde;es muito simples, no alojamento, na alimenta&ccedil;&atilde;o, mas eles descobrem uma alegria nessa simplicidade, porque ela cria solidariedade: todos vivem nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es &ndash; os europeus que v&ecirc;m de pa&iacute;ses mais ricos ou pessoas que chegam de muito longe, como da Ucr&acirc;nia ou da Bielorr&uacute;ssia, que vivem dificuldades materiais ainda maiores do que no Ocidente; pessoas de outros continentes, que chegam de situa&ccedil;&otilde;es verdadeiramente marcadas por grande pobreza.<\/p>\n<p>Aqui vivem todos na simplicidade e penso que este valor &eacute; importante para a Quaresma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Este valor da simplicidade, numa Europa em crise, liga-se ao caminho &lsquo;Para uma nova solidariedade&rsquo; que &eacute; a sua proposta para os pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos, 2012-2015.<\/em><\/p>\n<p><em>IA &ndash;<\/em> A crise que atravessamos na Europa, como diz, com um desemprego muito grande, sobretudo entre os jovens, &eacute; muito, muito grave. &Eacute; triste que agora muitos jovens pensem em emigrar para procurar um futuro noutro lugar.<\/p>\n<p>Esta grave crise for&ccedil;a-nos a uma solidariedade maior, a pensar como podemos partilhar as nossas riquezas materiais. &Eacute; muito bonito que haja na Igreja pessoas que vivem sinais muito claros disso: em Espanha, um bispo anunciou que vai renunciar de parte do seu sal&aacute;rio, porque &eacute; preciso viver a solidariedade com quem tem menos.<\/p>\n<p>Todos temos de aprender, no futuro, a viver com menos riquezas materiais, tamb&eacute;m na Europa, e procurar mais a nossa realiza&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es pessoais, nas rela&ccedil;&otilde;es de solidariedade com os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Al&eacute;m deste conceito, o termo &lsquo;confian&ccedil;a&rsquo; tem uma import&acirc;ncia muito grande na reflex&atilde;o e nas propostas da comunidade.<\/em><\/p>\n<p><em>IA &ndash;<\/em> A crise econ&oacute;mica que atravessamos exige uma solu&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; apenas econ&oacute;mica e t&eacute;cnica. Isso &eacute; importante, com certeza, mas a resposta deve ser mais profunda e &eacute; precisamente a confian&ccedil;a: nenhum ser humano, nenhuma sociedade pode viver sem confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Nas nossas sociedades, temos de estar atentos para que esta dificuldade, esta crise econ&oacute;mica que vivemos n&atilde;o nos conduzam &agrave; desconfian&ccedil;a e ao medo, mas saibamos viver verdadeiramente a confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>A esse respeito, n&oacute;s, os crist&atilde;os, podemos procurar muito concretamente nas nossas comunidades, nos grupos de jovens, nas par&oacute;quias, como aprofundar a confian&ccedil;a e como ela nos leva a uma partilha, tamb&eacute;m material.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que refer&ecirc;ncias tem na sua viv&ecirc;ncia desta espiritualidade?<\/em><\/p>\n<p><em>IA &ndash;<\/em> As refer&ecirc;ncias s&atilde;o pessoas e, em primeiro lugar, o irm&atilde;o Roger, que me marcou pessoalmente, que nos marcou enquanto comunidade, sobretudo quanto &agrave; maneira de viver em conjunto. &Eacute; precisamente uma comunidade que procura viver com o m&iacute;nimo de estruturas e regulamentos poss&iacute;veis, mas que vive sobretudo da confian&ccedil;a que temos de ter uns nos outros e na confian&ccedil;a em Deus.<\/p>\n<p>No final da sua vida, o irm&atilde;o Roger falava muitas vezes na confian&ccedil;a e n&atilde;o era uma palavra f&aacute;cil para ele, era um combate interior: confiar em Deus nas prova&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m, porque ele atravessou grandes dificuldades na sua vida. N&oacute;s queremos seguir este caminho que o irm&atilde;o Roger abriu.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O atual prior da Comunidade de Taiz\u00e9, irm\u00e3o Alois, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA da import\u00e2ncia da dimens\u00e3o espiritual, vivida no sil\u00eancio e na simplicidade, como motor de transforma\u00e7\u00e3o para um mundo em crise<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[199,203,91,314,315],"class_list":["post-55523","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-quaresma","tag-solidariedade","tag-taize"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55523\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}