{"id":55475,"date":"2012-03-03T13:47:00","date_gmt":"2012-03-03T13:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/03\/03\/apostar-na-proximidade\/"},"modified":"2012-03-03T13:47:00","modified_gmt":"2012-03-03T13:47:00","slug":"apostar-na-proximidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apostar-na-proximidade\/","title":{"rendered":"Apostar na proximidade"},"content":{"rendered":"<p>Rita Valadas, administradora executiva do Departamento de A\u00e7\u00e3o Social na Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa e anteriormente membro da dire\u00e7\u00e3o nacional da Caritas, fala \u00e0 ECCLESIA da import\u00e2ncia de promover uma resposta de proximidade \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de maior dificuldade.     <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ecclesia (E) &ndash; A atual crise fez reacender a necessidade de uma interven&ccedil;&atilde;o de proximidade para levar maior justi&ccedil;a e otimizar recursos?<\/em><\/p>\n<p><em>Rita Valadas (RV) &ndash; <\/em>Esse &eacute; o objeto da interven&ccedil;&atilde;o local da Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de Lisboa, na qual existe uma dupla a&ccedil;&atilde;o: por especialidade, nos casos em que assim tem de ser, como os sem-abrigo ou as crian&ccedil;as em situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica; localmente, no que diz respeito &agrave;s fam&iacute;lias, aos residentes. Intervir localmente justifica exatamente essa preocupa&ccedil;&atilde;o com a proximidade. A import&acirc;ncia de estar junto daqueles que mais precisam &eacute; um dado adquirido j&aacute; h&aacute; muito tempo, sabemos que para al&eacute;m daqueles que conseguem chegar at&eacute; n&oacute;s, h&aacute; outros que n&atilde;o t&ecirc;m meios para isso ou que n&atilde;o se dariam a conhecer. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o quase de vizinhos.<\/p>\n<p><em>E &ndash; &Eacute; preciso haver uma rede bem montada para que os recursos sejam canalizados de forma eficiente?<\/em><\/p>\n<p><em>RV &ndash; <\/em>Sim e a dois n&iacute;veis: logo &agrave; partida, no atendimento social porque se estiver muito distante ou n&atilde;o tiver em conta todos os recursos locais, dificilmente os poder&aacute; rentabilizar; depois, nos equipamentos sociais que s&atilde;o planeados, em que &eacute; preciso uma intera&ccedil;&atilde;o entre respostas e necessidades. Por isso temos vindo a alterar algumas das finalidades dos equipamentos, adequando-as &agrave;s novas necessidades que cada &aacute;rea vai tendo.<\/p>\n<p><em>E &ndash; Que caminho t&ecirc;m a percorrer as institui&ccedil;&otilde;es que apostam nesta proximidade?<\/em><\/p>\n<p><em>RV &ndash; <\/em>Posicionando-nos sobre a exist&ecirc;ncia de recursos, &agrave;s vezes podemos concluir que temos esses recursos, mas n&atilde;o os estamos a gerir bem. A verdade &eacute; que temos uma rede muito qualificada, mas ainda h&aacute; um longo caminho a percorrer, porque &eacute; muito dif&iacute;cil &agrave;s pessoas repensarem as suas interven&ccedil;&otilde;es face &agrave;s mudan&ccedil;as e estas s&atilde;o cada vez mais r&aacute;pidas. Isso obriga a uma agilidade, uma flexibilidade que nem sempre existe no terreno. Essa &eacute; uma das virtudes da crise, que obriga as pessoas a trabalhar em conjunto e a pensar quem &eacute; que pode chegar aos nichos que ainda n&atilde;o est&atilde;o cobertos. Eu acho que estas circunst&acirc;ncias da crise tornam as personagens de interven&ccedil;&atilde;o muito mais criativos e produtivos.<\/p>\n<p><em>E &ndash; A proximidade tamb&eacute;m &eacute; trabalhada na vizinhan&ccedil;a&hellip; &Eacute; um termo que se tem falado e ser&aacute; de reabilitar?<\/em><\/p>\n<p><em>RV &ndash; <\/em>A vizinhan&ccedil;a &eacute; uma palavra quase em extin&ccedil;&atilde;o, do ponto de vista do conte&uacute;do! Todos n&oacute;s temos muitos vizinhos, todos n&oacute;s somos vizinhos de algu&eacute;m mas na grande maioria de n&oacute;s n&atilde;o se conhece quem &eacute; que mora ao lado. O espa&ccedil;o de conversa &eacute; menor, porque as pessoas andam sempre a correr, isso ligado a uma vis&atilde;o egoc&ecirc;ntrica das rela&ccedil;&otilde;es na sociedade n&atilde;o trouxe benef&iacute;cios a ningu&eacute;m. Reabilitar essa rela&ccedil;&atilde;o de vizinhan&ccedil;a passa tamb&eacute;m por trazer as pessoas mais jovens ao contacto com estas pessoas mais antigas.<em> <\/em>A vizinhan&ccedil;a tem coisas fant&aacute;sticas e n&atilde;o s&oacute; as coisas m&aacute;s que s&atilde;o muitas vezes avaliadas, como &ldquo;a senhora que se mete na minha vida&hellip;&rdquo; Se houvesse sempre alguma pessoa a meter-se na vida de algu&eacute;m n&oacute;s n&atilde;o apanh&aacute;vamos tantos casos de isolamento. A Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de Lisboa tem uma enorme interven&ccedil;&atilde;o mas sozinha n&atilde;o consegue fazer nada, nem nenhum dos outros organismos, &eacute; preciso congrega&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os. E se as pessoas &ldquo;n&atilde;o quiserem olhar para o lado&rdquo;, a&iacute; tamb&eacute;m n&atilde;o se consegue&hellip;<\/p>\n<p><em>E &ndash; Ser&aacute; tamb&eacute;m atrav&eacute;s destes tempos de crise que as pessoas voltar&atilde;o a ter a &ldquo;consci&ecirc;ncia do outro&rdquo;, perdida em tempos de maior conforto econ&oacute;mico? H&aacute; esperan&ccedil;a no futuro?<\/em><\/p>\n<p><em>RV &#8211;&nbsp; <\/em>Eu gostava de acreditar que sim&hellip; tenho a certeza que, se n&atilde;o formos falando disso e batalhando estas quest&otilde;es, n&atilde;o conseguimos. Mas eu acredito no futuro, eu sou mesmo de esperan&ccedil;a. N&atilde;o &eacute; s&oacute; pelos portugueses dizerem que &ldquo;a esperan&ccedil;a &eacute; a ultima a morrer&rdquo;, porque s&oacute; olhando as coisas pela esfera das oportunidades e n&atilde;o pelos problemas &eacute; que vamos conseguir resolver alguma coisa.<\/p>\n<p><em>E &ndash; Tem sinais que permitam constatar que h&aacute; maior agilidade entre quem faz o tal apoio de proximidade e as inst&acirc;ncias governamentais?<\/em><\/p>\n<p><em>RV &ndash; <\/em>Eu acho que tem havido grandes esfor&ccedil;os das duas partes. Sinto que existe uma tentativa de fazer leituras no terreno para decidir a pol&iacute;tica e acho que devemos apoiar esses movimentos. Por outro lado tamb&eacute;m h&aacute; sinais ao n&iacute;vel dos indiv&iacute;duos. Por exemplo na Santa Casa da Miseric&oacute;rdia n&oacute;s temos cerca de 600 volunt&aacute;rios e, no in&iacute;cio, s&oacute; apareciam pessoas para trabalhar com crian&ccedil;as, hoje isso alterou-se e h&aacute; pessoas a querer trabalhar com idosos. Atividades culturais, ler um livro ou fazer companhia s&atilde;o a&ccedil;oes muito importantes e as pessoas percebem, coisa que antes n&atilde;o acontecia.<\/p>\n<p><em>PTE\/OC\/SN<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rita Valadas, administradora executiva do Departamento de A\u00e7\u00e3o Social na Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa e anteriormente membro da dire\u00e7\u00e3o nacional da Caritas, fala \u00e0 ECCLESIA da import\u00e2ncia de promover uma resposta de proximidade \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de maior dificuldade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-55475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}