{"id":55382,"date":"2012-02-27T15:46:27","date_gmt":"2012-02-27T15:46:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/27\/homilia-do-1o-domingo-da-quaresma-do-arcebispo-de-evora\/"},"modified":"2012-02-27T15:46:27","modified_gmt":"2012-02-27T15:46:27","slug":"homilia-do-1o-domingo-da-quaresma-do-arcebispo-de-evora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-1o-domingo-da-quaresma-do-arcebispo-de-evora\/","title":{"rendered":"Homilia do 1\u00ba domingo da Quaresma do arcebispo de \u00c9vora"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Esp&iacute;rito Santo Impeliu Jesus para o deserto (cf. Mc 1,12)<\/strong><\/p>\n<p>S. Marcos, depois de ter relatado o batismo de Jesus e os fen&oacute;menos extraordin&aacute;rios a ele associados, diz-nos que o Esp&iacute;rito Santo impeliu Jesus para o deserto, onde se preparou para iniciar a sua vida p&uacute;blica. A&iacute; permaneceu durante quarenta dias sujeito &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o e prestando especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; voz do Pai. Pois, como &eacute; sabido, a Sagrada Escritura apresenta-nos o deserto como lugar de tenta&ccedil;&atilde;o e, ao mesmo tempo, como lugar onde Deus se manifesta, fala e se d&aacute; a conhecer. E Jesus &eacute;-nos apresentado como modelo na resist&ecirc;ncia &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o e como modelo na fidelidade total &agrave; vontade do Pai.<\/p>\n<p>O deserto &eacute; tamb&eacute;m s&iacute;mbolo da sociedade onde se desenrola a vida humana. E os quarenta dias de tenta&ccedil;&atilde;o e penit&ecirc;ncia de Jesus s&atilde;o s&iacute;mbolo do processo vital de cada um de n&oacute;s que vivemos no deserto desta sociedade onde tamb&eacute;m se manifestam os desertos dos cora&ccedil;&otilde;es que se deixaram dominar pelo pecado. &Eacute; exatamente neste deserto da vida em que todos nos movimentamos que somos convidados a ouvir a voz de Deus. Essa voz que nos &eacute; dirigida pelo pr&oacute;prio Jesus quando, depois de vencida a prova, se dirigiu para a Galileia e come&ccedil;ou a pregar a Boa Nova.<\/p>\n<p>Assim, cada dia de vida que nos &eacute; concedido torna-se para n&oacute;s tempo prop&iacute;cio para ouvir a voz de Deus. Pois que o &ldquo;hoje&rdquo; de Deus perpetua-se sem limites. Todo o tempo &eacute; tempo de Deus. E o Reino aproxima-se daqueles que abrem os ouvidos e o cora&ccedil;&atilde;o para escutar a voz de Deus. Essa Palavra eterna que, continuamente, se faz ouvir no deserto da vida: arrependei-vos e acreditai na Boa Nova.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio da Boa Nova do Reino come&ccedil;a com o convite ao arrependimento, porque o arrependimento &eacute; sempre condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via e necess&aacute;ria para escutar a voz de Deus. Certamente, porque todos n&oacute;s teremos prestado demasiada aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s vozes humanas da sedu&ccedil;&atilde;o e da tenta&ccedil;&atilde;o e pouca aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Palavra que sai da boca de Deus. Ouvimo-nos excessivamente a n&oacute;s pr&oacute;prios e prestamos demasiada aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s vozes do mundo. Deix&aacute;mo-nos seduzir pelas vozes do tentador. Coloc&aacute;mos em primeiro lugar as preocupa&ccedil;&otilde;es com o que havemos de comer e de vestir, procur&aacute;mos os bens deste mundo e busc&aacute;mos o prest&iacute;gio aos olhos dos homens. Numa palavra, ouvimo-nos a n&oacute;s, ouvimos as vozes sedutoras do tentador e fech&aacute;mos o cora&ccedil;&atilde;o &agrave; voz de Deus. Ent&atilde;o, se assim aconteceu, ou&ccedil;amos &ldquo;hoje&rdquo; a voz de Jesus Cristo que nos diz: arrependei-vos. Arrepiemos caminho porque sempre &eacute; tempo de come&ccedil;ar um novo estilo de vida, mais conforme com a mensagem evang&eacute;lica.<\/p>\n<p>Em vez de acreditarmos nas palavras humanas, acreditemos na Boa Nova, anunciada pelo Filho de Deus, o &uacute;nico que &eacute; digno de ser escutado, porque s&oacute; Ele tem palavras de vida eterna e nos convida a entrar no deserto, onde Deus fala e se manifesta. A&iacute; aprenderemos a desprender-nos das mil inutilidades a que estamos apegados e nos envolvem como teia complicada, que nos prende e nos enreda, para nos fixarmos com mais determina&ccedil;&atilde;o apenas no que &eacute; essencial, isto &eacute;, o amor a Deus e o amor aos homens nossos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Se tivermos a coragem de entrar no deserto do nosso cora&ccedil;&atilde;o, a&iacute; aprenderemos que afinal n&atilde;o somos o centro do mundo. N&atilde;o somos os &uacute;nicos com direito a viver. Os outros tamb&eacute;m s&atilde;o filhos do mesmo Deus, foram redimidos pelo mesmo sangue precioso de Cristo e s&atilde;o habitados pelo mesmo Esp&iacute;rito. Deus ama-os. N&atilde;o deverei am&aacute;-los eu tamb&eacute;m? Se merecem o amor de Deus, porque n&atilde;o haveriam de merecer tamb&eacute;m o meu amor? Afinal quem sou eu para voltar as costas aos meus irm&atilde;os?<\/p>\n<p>Por isso, deixemo-nos conduzir pelo Esp&iacute;rito Santo para o deserto interior do nosso cora&ccedil;&atilde;o. Aliviemos as preocupa&ccedil;&otilde;es deste mundo e, desprendendo-nos das banalidades a que nos apeg&aacute;mos, centremo-nos no essencial, isto &eacute;, em Deus. E, assim, durante o tempo sagrado da Quaresma que h&aacute; poucos dias inici&aacute;mos, seremos capazes de prestar mais aten&ccedil;&atilde;o aos outros, &agrave; maneira de Jesus Cristo, que passou a vida fazendo o bem, compadecendo-se dos sofrimentos humanos e aliviando os cora&ccedil;&otilde;es atribulados.<\/p>\n<p>Antes de concluir, desejo ainda saudar os tr&ecirc;s novos capitulares, Francisco Pimenta Alves Bento, Ant&oacute;nio Salvador dos Santos e M&aacute;rio Tavares de Oliveira, que ir&atilde;o ser empossados dentro de momentos. Com a tomada de posse de novos c&oacute;negos renova-se e revigora-se o Cabido Catedral&iacute;cio, esta institui&ccedil;&atilde;o de tradi&ccedil;&atilde;o multissecular e merecido prest&iacute;gio, na hist&oacute;rica cidade de &Eacute;vora, onde contribuiu de forma determinante para a promo&ccedil;&atilde;o da liturgia, da m&uacute;sica sacra e da cultura, fun&ccedil;&otilde;es que ainda hoje continua a desempenhar como principal entidade promotora do culto e guardi&atilde; da igreja m&atilde;e da Arquidiocese.<\/p>\n<p>Enquanto Col&eacute;gio de Consultores, que tamb&eacute;m &eacute;, ao Cabido est&atilde;o confiadas algumas fun&ccedil;&otilde;es de relevo no governo da Arquidiocese, competindo-lhe, nomeadamente, aceitar a tomada de posse do novo Arcebispo e, em continuidade, auxili&aacute;-lo nos atos de administra&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria. Em caso de sede vacante, ao Col&eacute;gio de Consultores compete eleger o Administrador Diocesano e assisti-lo durante a vig&ecirc;ncia do seu mandato.<\/p>\n<p>Estimados capitulares, agrade&ccedil;o a vossa disponibilidade e confio na vossa compet&ecirc;ncia como meus colaborardes. Conto com a vossa necess&aacute;ria e eficaz ajuda no desempenho do minist&eacute;rio apost&oacute;lico que me foi confiado. Deus vos conceda sa&uacute;de e sabedoria para o desempenho das fun&ccedil;&otilde;es que hoje vos s&atilde;o confiadas.<\/p>\n<p><em>&Eacute;vora, 26.02.2012<br \/>D. JOS&Eacute;, Arcebispo de &Eacute;vora<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Esp&iacute;rito Santo Impeliu Jesus para o deserto (cf. Mc 1,12) S. Marcos, depois de ter relatado o batismo de Jesus e os fen&oacute;menos extraordin&aacute;rios a ele associados, diz-nos que o Esp&iacute;rito Santo impeliu Jesus para o deserto, onde se preparou para iniciar a sua vida p&uacute;blica. 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