{"id":55360,"date":"2012-02-24T16:53:26","date_gmt":"2012-02-24T16:53:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/24\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-3\/"},"modified":"2012-02-24T16:53:26","modified_gmt":"2012-02-24T16:53:26","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-3\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho, na Missa de quarta-feira de cinzas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Quaresma, apelo e desafio &agrave; partilha fraterna!<\/strong><\/p>\n<p>Com a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica de hoje, quarta-feira de Cinzas, a Igreja inicia a sua caminhada quaresmal, tempo especial de gra&ccedil;a, de convers&atilde;o pessoal e comunit&aacute;ria, como prepara&ccedil;&atilde;o para a solene e frutuosa celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa, acontecimento central da nossa f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p>A quaresma &eacute; o tempo favor&aacute;vel da escuta da Palavra e do sil&ecirc;ncio, da ora&ccedil;&atilde;o e da partilha, que nos conduzem &agrave; fonte inesgot&aacute;vel da Vida, na comunh&atilde;o com Deus e com os outros. O Deus da Vida, sempre presente e atento, precede-nos no encontro com Ele: &ldquo;Por todos os lados me envolveis e sobre mim pondes a vossa m&atilde;o&rdquo;(Sl 138).<\/p>\n<p>A simbologia das cinzas, que marca o sentido deste dia, tem um car&aacute;ter penitencial, de apelo ao arrependimento e &agrave; vida nova de batizados &Agrave; luz da Palavra de Deus, compreender-se-&aacute; o significado profundo deste gesto lit&uacute;rgico: a fragilidade e finitude da vida humana, a urg&ecirc;ncia da convers&atilde;o e o preparar-se cada um, espiritualmente, para o encontro pascal com Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p><strong>Convers&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Neste percurso espiritual somos iluminados pela Palavra, que d&aacute; novo vigor &agrave; nossa viv&ecirc;ncia quaresmal. Como escreve Bento XVI, &ldquo;a Palavra divina introduz cada um de n&oacute;s no di&aacute;logo com o Senhor: o Deus que fala, ensina-nos como podemos falar com Ele&rdquo; (Verbum Domini, 24).<\/p>\n<p>Como forte apelo &agrave; convers&atilde;o, dirigido a todo o Povo de Deus, sem excluir ningu&eacute;m, &eacute; significativo o convite do Profeta Joel a uma verdadeira &ldquo;metanoia&rdquo;, mudan&ccedil;a de vida e de mentalidade. &ldquo;Convertei-vos a Mim de todo o cora&ccedil;&atilde;o&#8230; rasgai os vossos cora&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o os vossos vestidos&rdquo; (2,12-13), escreve o Profeta em nome de Deus. &Eacute; que a verdadeira convers&atilde;o toca o mais &iacute;ntimo de n&oacute;s pr&oacute;prios, implica &ldquo;rasgar&rdquo; o cora&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, romper com o mal e o pecado, deixar-se envolver pelo abra&ccedil;o carinhoso do Pai, sempre pronto a amar e a perdoar: &ldquo;O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaix&atilde;o do seu povo&rdquo; (v.18).<\/p>\n<p>Na segunda leitura, S. Paulo refere que o amor eterno de Deus salvador manifestou-se, de forma extraordin&aacute;ria, em Cristo Jesus, que, solid&aacute;rio com a humanidade pecadora, assumiu a condi&ccedil;&atilde;o humana e entregou-Se, sem reservas, pela vida do mundo: &ldquo;A Cristo que n&atilde;o conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por nosso amor&rdquo; (2Cor 5,21). E S. Paulo pede aos crist&atilde;os da comunidade de Corinto que &ldquo;pelo amor de Cristo se reconciliem com Deus&rdquo; (2Cor 5,20). Assim, a salva&ccedil;&atilde;o acontece tamb&eacute;m &ldquo;agora&rdquo;, neste tempo favor&aacute;vel, que Deus continua a oferecer &agrave; Humanidade.<\/p>\n<p><strong>Ora&ccedil;&atilde;o, jejum e esmola<\/strong><\/p>\n<p>No texto evang&eacute;lico de S. Mateus, Jesus introduz-nos no dinamismo da aut&ecirc;ntica convers&atilde;o, agrad&aacute;vel a Deus. Esta n&atilde;o consiste num conjunto de pr&aacute;ticas exteriores, de aparente religiosidade e apenas para dar nas vistas: Jesus n&atilde;o condena as s&atilde;s tradi&ccedil;&otilde;es religiosas da esmola, ora&ccedil;&atilde;o e jejum, mas pede que sejam praticadas com pureza de inten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Estes gestos de ren&uacute;ncia devem ser realizados sem ostenta&ccedil;&atilde;o, com alegria e humildade, no segredo que s&oacute; o Pai conhece. Disse Jesus: &ldquo;Tende cuidado em n&atilde;o praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles (Mt 6,1). &Eacute; que a penit&ecirc;ncia quaresmal tem como finalidade o encontro &iacute;ntimo e pessoal com o Pai, a reconcilia&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria pessoa, das fam&iacute;lias e da sociedade.<\/p>\n<p>A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a linguagem do amor e, mesmo quando &eacute; comunit&aacute;ria, realiza e exprime a nossa intimidade com Deus. &Eacute; espa&ccedil;o privilegiado para nos deixarmos iluminar pela consci&ecirc;ncia da presen&ccedil;a de Cristo, numa verdadeira peregrina&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, entrando cada um no seu &ldquo;quarto&rdquo;, em ordem a uma aut&ecirc;ntica renova&ccedil;&atilde;o de vida.<\/p>\n<p>O jejum n&atilde;o pode limitar-se &agrave; absten&ccedil;&atilde;o de alimentos, mas envolve toda uma din&acirc;mica interior de desprendimento e dom&iacute;nio de n&oacute;s pr&oacute;prios, capacitando-nos para enfrentar, superar e vencer as m&uacute;ltiplas tenta&ccedil;&otilde;es da vida, tantas vezes marcada pela indiferen&ccedil;a e pelo individualismo.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; esmola, a Palavra de Deus esclarece-nos sobre o seu valor espiritual, dizendo j&aacute; no Antigo Testamento: &ldquo;Quem d&aacute; esmola oferece a Deus um sacrif&iacute;cio de louvor&rdquo; (Sir 35,4). Somos, assim, convidados a partilhar com alegria e amor os dons e os bens de que dispomos, sem esperar recompensa.<\/p>\n<p><strong>Ao servi&ccedil;o do Amor<\/strong><\/p>\n<p>Todos temos experi&ecirc;ncia de como a alegria interior constitui a melhor recompensa para a nossa generosidade e partilha, para a nossa aten&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o de amor aos irm&atilde;os e irm&atilde;s que mais sofrem. De facto, somos felizes na medida em que partilhamos a vida e os dons que Deus nos concedeu.<\/p>\n<p>Face &agrave; atual crise econ&oacute;mica e civilizacional profunda, Bento XVI centra a sua Mensagem para a Quaresma 2012 no amor fraterno, propondo e desenvolvendo o tema: &ldquo;Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&rdquo; (Heb 10,24). Diz o Papa: &ldquo;Sempre devemos ser capazes de ter miseric&oacute;rdia por quem sofre; o nosso cora&ccedil;&atilde;o nunca deve estar t&atilde;o absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre&rdquo;.<\/p>\n<p>De facto, com frequ&ecirc;ncia nos chegam not&iacute;cias de verdadeiros dramas humanos: uma crescente procura de cantinas sociais; o abandono e at&eacute; mortes de idosos em solid&atilde;o nas suas pr&oacute;prias casas; pessoas que vivem e dormem nas ruas, sem qualquer conforto e aconchego humano. E tantos outros casos e situa&ccedil;&otilde;es semelhantes, talvez menos vis&iacute;veis, mas que n&atilde;o devem dispensar a maior aten&ccedil;&atilde;o e cuidado, por parte das respetivas fam&iacute;lias, dos vizinhos e das comunidades a que se encontram mais ligados.<\/p>\n<p>O Santo Padre, perante os graves problemas sociais, que hoje preocupam a Igreja e a sociedade, convida-nos a estarmos atentos uns aos outros, a n&atilde;o nos mostrarmos alheios e indiferentes ao destino dos irm&atilde;os, a prestarmos &ldquo;aten&ccedil;&atilde;o ao bem do outro e a todo o seu bem&rdquo;. E acrescenta: &ldquo;Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotar&atilde;o naturalmente do nosso cora&ccedil;&atilde;o a solidariedade, a justi&ccedil;a, bem como a miseric&oacute;rdia e a compaix&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Bento XVI refere-se ao perigo de termos um cora&ccedil;&atilde;o endurecido por uma esp&eacute;cie de &ldquo;anestesia espiritual&rdquo;, que nos torna cegos aos sofrimentos alheios, e alerta-nos para a empatia e comunh&atilde;o fraterna, que devem existir entre todos. Diz o Papa: &ldquo;Os disc&iacute;pulos do Senhor, unidos a Cristo atrav&eacute;s da Eucaristia, vivem numa comunh&atilde;o que os liga uns aos outros como membros de um s&oacute; corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salva&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m a ver com a minha vida e a minha salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Um cora&ccedil;&atilde;o que olha e v&ecirc; &eacute; um cora&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel &agrave;s necessidades materiais e espirituais dos irm&atilde;os e irm&atilde;s.<\/p>\n<p><strong>Ren&uacute;ncia quaresmal 2012<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; neste esp&iacute;rito de solidariedade e partilha fraterna, que pensamos nas situa&ccedil;&otilde;es de car&ecirc;ncia mais pr&oacute;ximas de n&oacute;s, mas n&atilde;o esquecemos tantas outras necessidades materiais e espirituais, em especial aquelas com que se debatem os nossos mission&aacute;rios, na sua a&ccedil;&atilde;o evangelizadora.<\/p>\n<p>Destinamos, por isso, a tradicional Ren&uacute;ncia da Quaresma deste ano de 2012, em parte para potenciar o Fundo Social Diocesano, cujos objetivos s&atilde;o bem conhecidos, e em parte para a constru&ccedil;&atilde;o de uma obra social de grande import&acirc;ncia, numa zona muito pobre da Par&oacute;quia da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, Diocese do Lubango, em Angola. Trata-se de um complexo com Lar para idosos, Lar para crian&ccedil;as e Escola para tr&ecirc;s ciclos de ensino, uma iniciativa e projeto da Comunidade das Irm&atilde;s Vitorianas, ali existente, naquela Zona Pastoral do Cora&ccedil;&atilde;o de Maria.<\/p>\n<p>As ofertas desta Ren&uacute;ncia Quaresmal ser&atilde;o recolhidas em todas as igrejas e capelas, conforme &eacute; costume, nos ofert&oacute;rios das Missas de s&aacute;bado e domingo de Ramos, ou seja, nos pr&oacute;ximos dias 31 de mar&ccedil;o e 1 de abril. Como sempre, a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito livre, segundo as possibilidades e a consci&ecirc;ncia pessoal dos fi&eacute;is, na certeza de que Deus n&atilde;o deixar&aacute; sem recompensa qualquer gesto de aten&ccedil;&atilde;o e partilha fraterna.<\/p>\n<p>E agora, irm&atilde;os, sob o olhar compassivo de Maria, que nos convida a escutar o Senhor, a partilhar e a amar, caminhemos jubilosamente em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; P&aacute;scoa.<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<br \/>Funchal, 22 de fevereiro de 2012<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quaresma, apelo e desafio &agrave; partilha fraterna! 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