{"id":55344,"date":"2012-02-23T17:10:45","date_gmt":"2012-02-23T17:10:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/23\/mensagem-da-quaresma-do-bispo-do-algarve\/"},"modified":"2012-02-23T17:10:45","modified_gmt":"2012-02-23T17:10:45","slug":"mensagem-da-quaresma-do-bispo-do-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-da-quaresma-do-bispo-do-algarve\/","title":{"rendered":"Mensagem da Quaresma do bispo do Algarve"},"content":{"rendered":"<p><strong>MENSAGEM QUARESMAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quarta-feira de Cinzas, 22.02.2012<\/strong><\/p>\n<p><strong>Caros diocesanos<\/strong><\/p>\n<p>Neste in&iacute;cio da Quaresma quero acolher e partilhar convosco a rica mensagem que Bento XVI nos dirigiu a todos. Tendo presente o cerne da vida crist&atilde; &ndash; o amor &ndash; o Papa convida-nos a percorrer, apoiados na Palavra de Deus e nos Sacramentos, um renovado caminho pessoal e comunit&aacute;rio de f&eacute;, marcado pela ora&ccedil;&atilde;o e pela partilha, pelo sil&ecirc;ncio e pelo jejum, com a esperan&ccedil;a de viver a alegria pascal.<\/p>\n<p>A riqueza doutrinal e a oportunidade desta mensagem, tendo presente a grave situa&ccedil;&atilde;o social que vivemos, e que no Algarve assume crescente preocupa&ccedil;&atilde;o e interpela&ccedil;&atilde;o, sugerem-me que n&atilde;o me limite a recomendar-vos a sua leitura integral e consequente acolhimento dos seus apelos, mas antes reforce, em s&iacute;ntese, alguns dos seus aspetos fundamentais.<\/p>\n<p>O Papa inspira a sua mensagem na exorta&ccedil;&atilde;o da carta aos Hebreus &#8211; &ldquo;prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&rdquo; (Heb 10, 24), &#8211; dela colhendo o que considera ser &ldquo;um ensinamento precioso e sempre atual sobre tr&ecirc;s aspetos da vida crist&atilde;: prestar aten&ccedil;&atilde;o ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal&rdquo;.<\/p>\n<p>1. Prestar aten&ccedil;&atilde;o significa observar bem, olhar conscienciosamente, dar-se conta&hellip; Um convite &ldquo;a fixar o olhar no outro, a come&ccedil;ar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a n&atilde;o se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irm&atilde;os&rdquo;, atitude que deve prevalecer sobre a indiferen&ccedil;a e o desinteresse nascidos do ego&iacute;smo, mascarado por uma apar&ecirc;ncia de respeito pela &laquo;esfera privada&raquo;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m hoje ressoa, de modo vigoroso, a voz do Senhor que nos convida a cuidar do outro, e nos pede para &ldquo;sermos o guarda dos nossos irm&atilde;os (cf Gn 4, 9), para estabelecermos rela&ccedil;&otilde;es caracterizadas por rec&iacute;proca solicitude, pela aten&ccedil;&atilde;o ao bem do outro e a todo o seu bem&rdquo;. Este olhar de fraternidade far&aacute; surgir do pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o a solidariedade, a justi&ccedil;a, a miseric&oacute;rdia e a compaix&atilde;o, e desejar para o outro o bem sob todos os seus aspetos: f&iacute;sico, moral e espiritual &ldquo;O bem &eacute; aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunh&atilde;o&rdquo;. A responsabilidade pelo pr&oacute;ximo significa querer e favorecer o seu bem, e que ele se abra &agrave; l&oacute;gica do bem. Significa n&atilde;o deixar que &ldquo;uma esp&eacute;cie de anestesia espiritual&rdquo; endure&ccedil;a o cora&ccedil;&atilde;o e feche os olhos ao sofrimento dos outros, como aqueles que passam ao largo do homem assaltado<\/p>\n<p>e espancado pelos salteadores (cf Lc 10, 30-32), ou n&atilde;o se aperceber do sofrimento do &ldquo;L&aacute;zaro&rdquo; que morre de fome &agrave; nossa porta (cf Lc 16, 19). A riqueza material e a saciedade, os interesses e preocupa&ccedil;&otilde;es pessoais impedem, frequentemente, este olhar de amor e compaix&atilde;o, feito de humanidade e de carinho pelo irm&atilde;o. &ldquo;O encontro com o outro e a abertura do cora&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas necessidades s&atilde;o ocasi&atilde;o de salva&ccedil;&atilde;o e de bem-aventuran&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>Este &ldquo;prestar aten&ccedil;&atilde;o&rdquo;, alerta-nos Bento XVI, deve levar-nos a n&atilde;o nos determos no amor que visa apenas o bem f&iacute;sico e material dos outros, mas a manifestarmos igual solicitude pelo seu bem espiritual, como &eacute; o caso da corre&ccedil;&atilde;o fraterna, caracter&iacute;stica de comunidades verdadeiramente maduras na f&eacute;, nas quais se cultiva &ldquo;n&atilde;o s&oacute; a sa&uacute;de corporal do irm&atilde;o, mas tamb&eacute;m a da sua alma tendo em vista o seu destino &uacute;ltimo&rdquo;.<\/p>\n<p>Trata-se de uma dimens&atilde;o fundamental do amor crist&atilde;o que nos impede de ficar calados e inativos diante do mal, contrariando o respeito humano, o comodismo e a adequa&ccedil;&atilde;o &agrave; mentalidade comum e nos leva a alertar os irm&atilde;os &ldquo;contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e n&atilde;o seguem o caminho do bem&rdquo;. A advert&ecirc;ncia crist&atilde;, despida do esp&iacute;rito de condena&ccedil;&atilde;o ou censura, &eacute; sempre movida pelo amor e pela miseric&oacute;rdia, brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irm&atilde;o e visa &ldquo;ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a pr&oacute;pria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. H&aacute; sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf Lc 22, 61), como fez, e faz,&nbsp;Deus com cada um de n&oacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p>2. O prestar aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros manifesta o dom da reciprocidade e contradiz a mentalidade redutora da vida, que a limita &agrave; dimens&atilde;o terrena, n&atilde;o considera a sua perspetiva escatol&oacute;gica e aceita qualquer op&ccedil;&atilde;o moral em nome da liberdade individual. &ldquo;Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos f&iacute;sicos, quer &agrave;s exig&ecirc;ncias espirituais e morais da vida. N&atilde;o deve ser assim na comunidade crist&atilde;, a qual deve cultivar e praticar, cada dia, a rec&iacute;proca corre&ccedil;&atilde;o e exorta&ccedil;&atilde;o, em esp&iacute;rito de humildade e de amor.<\/p>\n<p>Esta corresponsabilidade m&uacute;tua, caracter&iacute;stica dos disc&iacute;pulos de Cristo, encontra o seu&nbsp;fundamento na uni&atilde;o com Ele, atrav&eacute;s da Eucaristia e na comunh&atilde;o que a todos une como membros de um s&oacute; corpo. &ldquo;Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salva&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m a ver com a minha vida e a minha salva&ccedil;&atilde;o; a minha exist&ecirc;ncia est&aacute; ligada &agrave; sua, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem tamb&eacute;m uma dimens&atilde;o social&rdquo;.<\/p>\n<p>Paulo recomenda que &ldquo;os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros&rdquo; (1 Cor12, 25), porque somos um e o mesmo corpo. &ldquo;O amor pelos irm&atilde;os, do qual &eacute; express&atilde;o a esmola &ndash; t&iacute;pica pr&aacute;tica quaresmal, juntamente com a ora&ccedil;&atilde;o e o jejum &ndash; enra&iacute;za-se nesta perten&ccedil;a comum&rdquo;. A preocupa&ccedil;&atilde;o concreta pelos mais pobres, a aten&ccedil;&atilde;o aos outros em reciprocidade, reconhecendo igualmente o bem que o Senhor faz neles e atrav&eacute;s deles, exprime a participa&ccedil;&atilde;o no &uacute;nico corpo que &eacute; a Igreja.<\/p>\n<p>3. O prestar aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros tem um &uacute;nico objetivo: o est&iacute;mulo rec&iacute;proco no amor e nas boas obras, condi&ccedil;&atilde;o para progredir no caminho da santidade e &ldquo;aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf 1 Cor 12,31 13,13)&rdquo;.<\/p>\n<p>Com esta mensagem, Bento XVI pretende lan&ccedil;ar-nos numa &ldquo;perspetiva din&acirc;mica de crescimento&rdquo; de modo que, pelo est&iacute;mulo rec&iacute;proco, cheguemos &agrave; plenitude do amor e das boas obras, vencendo a tibieza, n&atilde;o sufocando o Esp&iacute;rito, nem recusando &ldquo;p&ocirc;r a render os talentos&rdquo; que nos foram dados para nosso bem e bem dos outros (cf. Mt 25,24-28). &ldquo;Na vida de f&eacute; quem n&atilde;o avan&ccedil;a recua&rdquo;.<\/p>\n<p>A partilha de bens, em tempo de crescente necessidade, como acontece entre n&oacute;s, &eacute; express&atilde;o deste dinamismo de crescimento pessoal e eclesial e de progresso no caminho da santidade, fruto do est&iacute;mulo rec&iacute;proco no amor e nas boas obras.<\/p>\n<p>O Conselho Presbiteral decidiu que o contributo penitencial quaresmal reverta, &agrave; semelhan&ccedil;a do ano passado, para o Fundo Diocesano Social, que recolheu e distribuiu entre donativos (33.761,25&euro;) e ren&uacute;ncias quaresmais (25.726,51&euro;), o total de 59.487,76&euro;, uma soma com algum significado mas muito &agrave; quem da possibilidade de satisfazer os in&uacute;meros pedidos, chegados de todo o territ&oacute;rio diocesano. Manifesto o meu reconhecimento a todos, sem esquecer a resposta dada ao longo de todo o ano, de tantos modos, e muito dif&iacute;cil de contabilizar, pelas nossas comunidades paroquiais e pela Caritas diocesana. Ela &eacute; express&atilde;o duma consci&ecirc;ncia fraterna e solid&aacute;ria que &ldquo;desperta&rdquo; para a realidade envolvente e mobiliza na resposta &agrave;s consequ&ecirc;ncias da situa&ccedil;&atilde;o que atravessamos.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m este ano apelo &agrave; generosidade de todos, j&aacute; que todos, particulares e institui&ccedil;&otilde;es, podem contribuir para este Fundo, atrav&eacute;s das Par&oacute;quias ou de dep&oacute;sito banc&aacute;rio (NIB 001800000617213600178). Renovo, igualmente, o meu apelo aos P&aacute;rocos para continuarem a sensibilizar e a envolver as comunidades paroquiais na resposta de &ldquo;proximidade&rdquo; &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es locais, sobretudo a situa&ccedil;&otilde;es de novas pobrezas, de doen&ccedil;a e de solid&atilde;o, como caminho de convers&atilde;o quaresmal e da pr&aacute;tica caridade crist&atilde;. Como nos deseja e exorta Bento XVI, &ldquo;que todos, &agrave; vista de um mundo que exige dos crist&atilde;os um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urg&ecirc;ncia de se esfor&ccedil;ar por se adiantar no amor, no servi&ccedil;o e nas obras boas (cf. Heb 6,10)&rdquo;. A resposta a este apelo contribuir&aacute;, seguramente, para a viv&ecirc;ncia duma Quaresma santa e fecunda e de um encontro pessoal e alegre com Cristo Ressuscitado, em ordem a um maior est&iacute;mulo rec&iacute;proco no amor e nas boas obras.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Quintas,<br \/>Bispo do Algarve<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MENSAGEM QUARESMAL Quarta-feira de Cinzas, 22.02.2012 Caros diocesanos Neste in&iacute;cio da Quaresma quero acolher e partilhar convosco a rica mensagem que Bento XVI nos dirigiu a todos. 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