{"id":55320,"date":"2012-02-22T19:31:00","date_gmt":"2012-02-22T19:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/22\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-3\/"},"modified":"2012-02-22T19:31:00","modified_gmt":"2012-02-22T19:31:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-3\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na missa de quarta-feira de Cinzas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;Quaresma tempo de humildade confiante&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Inicia-se, hoje, o tempo lit&uacute;rgico da Quaresma. Tom&aacute;-lo a s&eacute;rio &eacute; querer celebrar a P&aacute;scoa, com toda a densidade da nossa rela&ccedil;&atilde;o com Cristo morto e ressuscitado. &Eacute; um tempo que nos convida a viver na <strong>humildade <\/strong>e na <strong>confian&ccedil;a<\/strong>. A humildade &eacute; a aceita&ccedil;&atilde;o da verdade, n&atilde;o apenas teoricamente afirmada, mas a verdade da nossa vida, no seu presente e na sua esperan&ccedil;a de futuro. E consideremo-nos bem-aventurados se, ao enfrentarmos a verdade da nossa vida, sentirmos, n&atilde;o apenas temor, mas confian&ccedil;a. O temor seria justificado pelos nossos pecados; a confian&ccedil;a brota da certeza de sermos salvos por Jesus Cristo, Ele &ldquo;que n&atilde;o conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de n&oacute;s, para que, em Cristo, nos torn&aacute;ssemos justi&ccedil;a de Deus&rdquo; (2Cor. 5,21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. A primeira manifesta&ccedil;&atilde;o da humildade &eacute; reconhecermos a verdade dos nossos pecados. O Santo Padre, na sua Mensagem para a Quaresma, refere um tra&ccedil;o da mentalidade contempor&acirc;nea, a que os crist&atilde;os n&atilde;o s&atilde;o alheios: a perda do sentido do pecado e a dilui&ccedil;&atilde;o das fronteiras entre o que &eacute; bem e o que &eacute; mal. A primeira manifesta&ccedil;&atilde;o da humildade na verdade, &eacute; reconhecermos que somos pecadores, a realidade e o realismo do pecado na nossa vida.<\/p>\n<p>Na constru&ccedil;&atilde;o desta atitude de verdade, devemos humildemente reconhecer o que &eacute; o pecado. A Palavra de Deus e a sabedoria da Igreja apontam-nos dois caminhos para olharmos, com coragem e humildade, a realidade do pecado em n&oacute;s: violar os mandamentos de Deus, que exprimem, em termos de Alian&ccedil;a, preceitos fundamentais da lei natural: adorar&aacute;s o Senhor Teu Deus; amar&aacute;s o teu pr&oacute;ximo; honrar&aacute;s os teus pais; n&atilde;o matar&aacute;s; n&atilde;o ser&aacute;s v&iacute;tima da gan&acirc;ncia e do amor desenfreado pelo dinheiro; viver&aacute;s a tua sexualidade com generosidade sem renunciar &agrave; pureza do cora&ccedil;&atilde;o. A lei natural foi assumida pelos mandamentos da Alian&ccedil;a. Estes n&atilde;o s&atilde;o artigos de um c&oacute;digo jur&iacute;dico, mas exprimem a vontade amorosa de Deus. Eles s&atilde;o uma express&atilde;o, compreens&iacute;vel por n&oacute;s, do amor que Deus nos tem e nos ensina o caminho da vida. S&oacute; &eacute; verdade que amamos a Deus quando cumprimos os seus mandamentos. Que neste primeiro dia da Quaresma ecoe no nosso cora&ccedil;&atilde;o o apelo do Ap&oacute;stolo Paulo aos Cor&iacute;ntios: &ldquo;N&oacute;s vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus&rdquo; (2Cor. 5,20). Que lugar damos a Deus na nossa vida? Vivemos como Ele quer? S&oacute; assim lhe daremos gl&oacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Um outro caminho para enfrentarmos a verdade do pecado na nossa vida, &eacute; a import&acirc;ncia que damos &agrave;quilo que Deus pede a cada um de n&oacute;s. A vida da f&eacute; &eacute; uma alian&ccedil;a de amor e, por isso, pode ser vivida na confian&ccedil;a. E nessa alian&ccedil;a de amor pessoal, entre cada um de n&oacute;s e Deus, atrav&eacute;s do Seu Filho Jesus Cristo, Deus vai indicando a cada um o seu desejo de vida: uma radicalidade de amor adorante, uma miss&atilde;o para continuar a obra de Jesus Cristo para edificar o Reino de Deus, concretiza&ccedil;&otilde;es que se enquadram num itiner&aacute;rio de vida pessoal e nos p&otilde;em em comunh&atilde;o com o projeto amoroso de Deus. Ao jovem rico, depois de este ter declarado que desde pequeno cumpria os mandamentos, o Senhor lan&ccedil;a-lhe um desafio novo: se queres ser perfeito, segue-Me (cf. Mt. 19,21).<\/p>\n<p>O pecado, nestas circunst&acirc;ncias, toca na sua ess&ecirc;ncia que &eacute; o ser uma infidelidade ao amor. N&atilde;o fazer tudo para discernir e perceber a vontade de Deus a nosso respeito ou n&atilde;o querer segui-l&rsquo;O, na obedi&ecirc;ncia da f&eacute;, &eacute; uma infidelidade de amor, o quebrar da Alian&ccedil;a que, em Jesus Cristo, Ele selou connosco de forma definitiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Na humildade e na confian&ccedil;a, a Quaresma &eacute; tempo de penit&ecirc;ncia e de convers&atilde;o. Esta &eacute; sempre um ato de humildade e de confian&ccedil;a. Exige que ponhamos o cora&ccedil;&atilde;o onde Deus tem o Seu a nosso respeito e que n&atilde;o nos percamos na materialidade das coisas do mundo. A mensagem do Profeta Joel ganha sentido e atualidade com a for&ccedil;a redentora da P&aacute;scoa de Jesus: &ldquo;Convertei-vos a Mim de todo o cora&ccedil;&atilde;o, com jejuns, l&aacute;grimas e lamenta&ccedil;&otilde;es. Rasgai o vosso cora&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele &eacute; clemente e compassivo, paciente e misericordioso&rdquo; (Jl 2,12-13).<\/p>\n<p>A nossa humildade na confian&ccedil;a exprime-se tamb&eacute;m em praticarmos o bem s&oacute; para Deus ver e n&atilde;o para os homens nos louvarem. Esse louvor humano seria a nossa triste recompensa. A esmola, o jejum, a ora&ccedil;&atilde;o, devem passar-se entre n&oacute;s e Deus. Ele que v&ecirc; o que mais ningu&eacute;m v&ecirc;, dar-nos-&aacute; a recompensa (cf. Mt. 6, 1-6.16-18).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Mas a fonte da nossa confian&ccedil;a, que se exprime na esperan&ccedil;a, est&aacute; na fecundidade da P&aacute;scoa de Jesus, da Sua morte por n&oacute;s e da Sua ressurrei&ccedil;&atilde;o para n&oacute;s. Se caminharmos com f&eacute; e humildade, podemos confiar que o Senhor nos salva e nos conduzir&aacute; &agrave; plenitude da vida. Que as palavras do Ap&oacute;stolo Paulo sejam a luz que nos guia nesta caminhada at&eacute; &agrave; P&aacute;scoa: &ldquo;N&oacute;s vos exortamos a que n&atilde;o recebais em v&atilde;o a sua gra&ccedil;a, porque Ele diz: no tempo favor&aacute;vel, Eu te ouvi, no dia da salva&ccedil;&atilde;o, vim em teu aux&iacute;lio. Este &eacute; o tempo favor&aacute;vel, este &eacute; o dia da salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; (2Co. 6,1-2).<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 22 de fevereiro de 2012<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo<\/em><em>, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;Quaresma tempo de humildade confiante&rdquo; &nbsp; 1. Inicia-se, hoje, o tempo lit&uacute;rgico da Quaresma. Tom&aacute;-lo a s&eacute;rio &eacute; querer celebrar a P&aacute;scoa, com toda a densidade da nossa rela&ccedil;&atilde;o com Cristo morto e ressuscitado. &Eacute; um tempo que nos convida a viver na humildade e na confian&ccedil;a. 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