{"id":55301,"date":"2012-02-21T12:38:19","date_gmt":"2012-02-21T12:38:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/21\/a-gramatica-do-amor-nos-caminhos-da-historia\/"},"modified":"2012-02-21T12:38:19","modified_gmt":"2012-02-21T12:38:19","slug":"a-gramatica-do-amor-nos-caminhos-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-gramatica-do-amor-nos-caminhos-da-historia\/","title":{"rendered":"A gram\u00e1tica do amor nos caminhos da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Subtil, Vicentino <!--more--> <\/p>\n<p>Falar ou escrever sobre a a&ccedil;&atilde;o social e caritativa &eacute; tarefa sempre dif&iacute;cil, porquanto a mesma &eacute; uma realidade mais pr&aacute;tica do que te&oacute;rica. Jesus Cristo tamb&eacute;m realizou primeiro o mandamento do amor e s&oacute;, posteriormente, o sintetizou teoricamente. Primeiro, o exemplo do amor gratuito; depois, a palavra desafiadora ao seguimento: &laquo;dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, v&oacute;s fa&ccedil;ais tamb&eacute;m&raquo; (Jo 13, 15).<\/p>\n<p>No atual contexto socioecon&oacute;mico, a Igreja deve ser o rosto atento aos homens e mulheres que, no hoje da nossa hist&oacute;ria, vivem muitas vezes uma situa&ccedil;&atilde;o verdadeiramente dram&aacute;tica. Cada crist&atilde;o, por si, deve estar atento ao sofrimento do seu pr&oacute;ximo, mas isso n&atilde;o invalida que a Igreja tenha o seu servi&ccedil;o organizado da a&ccedil;&atilde;o social e caritativa em cada comunidade paroquial. Em Portugal, nos &uacute;ltimos dois anos, foram dados passos assinal&aacute;veis na operacionaliza&ccedil;&atilde;o dessa preocupa&ccedil;&atilde;o. O magist&eacute;rio episcopal e a a&ccedil;&atilde;o dos principais movimentos e servi&ccedil;os que se dedicam a este setor comprovam-no &agrave; saciedade.<\/p>\n<p>O testemunho que aqui deixo parte, naturalmente, da minha experi&ecirc;ncia enquanto membro da Sociedade de S. Vicente de Paulo. Certamente, ser&aacute; uma vis&atilde;o a partir desta forma espec&iacute;fica de atuar. Aqui ficam, portanto, algumas notas sobre como eu vejo o servi&ccedil;o de a&ccedil;&atilde;o social e caritativa.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, penso que a preocupa&ccedil;&atilde;o dos Grupos de A&ccedil;&atilde;o Social (GAS) dever&aacute; ser enfrentar o problema da pobreza numa dupla dimens&atilde;o, a saber: nos seus <em>efeitos<\/em> e nas suas <em>causas<\/em>. Se, &agrave; partida, toda a pessoa nasce para a autonomia, ent&atilde;o os GAS devem ajudar a pessoa a caminhar nesse sentido. Uma a&ccedil;&atilde;o social centrada unicamente nos <em>efeitos<\/em> da pobreza poder&aacute; correr o risco de gerar depend&ecirc;ncias constantes. Uma a&ccedil;&atilde;o social baseada neste duplo pressuposto dever&aacute; ser assumida numa perspetiva mais alargada de trabalho em rede que v&aacute; muito al&eacute;m das fronteiras da pr&oacute;pria Igreja.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, entendo que n&atilde;o &eacute; suficiente que a Igreja tenha estruturas de atendimento\/acolhimento onde as pessoas possam ir expor as suas pr&oacute;prias situa&ccedil;&otilde;es. &Eacute; importante que as comunidades paroquiais tenham um GAS que se comprometa com o acompanhamento das pessoas que se encontram em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza. Todavia, isto n&atilde;o dispensa que cada crist&atilde;o assuma o compromisso de desenvolver uma consci&ecirc;ncia de boa vizinhan&ccedil;a, assumindo o imperativo de uma aten&ccedil;&atilde;o, sem invas&atilde;o, &agrave; vida do seu pr&oacute;ximo. Isto tanto pode acontecer nos ambientes onde as pessoas vivem como nos ambientes onde elas trabalham. S&oacute; com esta consci&ecirc;ncia se poder&aacute; chegar &agrave; sinaliza&ccedil;&atilde;o de muitas situa&ccedil;&otilde;es de pobreza que, por serem envergonhadas, se tornam menos evidentes.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, embora cada GAS j&aacute; implantado e com trabalho no terreno tenha as suas estruturas pr&oacute;prias de cria&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de novos grupos, parece-me oportuno que cada comunidade paroquial se questione se est&aacute; a fazer o que deve nesta &aacute;rea. Creio que o discernimento dos carismas da comunidade ser&aacute; um bom passo para encontrar os servidores da caridade, t&atilde;o necess&aacute;rios como os servidores da catequese ou da liturgia. Falta-nos, por vezes, a serenidade para olharmos &agrave; nossa volta com esp&iacute;rito positivo e a ousadia para sermos a media&ccedil;&atilde;o de Cristo que chama cada um a uma miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, no desenvolvimento da sua a&ccedil;&atilde;o, os GAS dever&atilde;o valorizar a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da subsidiariedade, que evita que se corra o risco do assistencialismo paternalista. O trabalho dos GAS deve ter a preocupa&ccedil;&atilde;o de tornar a pessoa em situa&ccedil;&atilde;o de necessidade capaz de desenhar um pouco do rumo da sua hist&oacute;ria pessoal, assumindo-se como uma a&ccedil;&atilde;o complementar e n&atilde;o substitutiva da pessoa.<\/p>\n<p>Em quinto lugar, cada membro de um GAS dever&aacute; assumir o paradigma proposto por Jesus na par&aacute;bola do bom samaritano: ser capaz de parar e aproximar-se, olhando com compaix&atilde;o a realidade do outro que sofre e prestando-lhe uma ajuda afetiva e efetiva, atrav&eacute;s da mobiliza&ccedil;&atilde;o das estruturas que poder&atilde;o dar o seu contributo.<\/p>\n<p>Concluindo, a solidariedade tem sido palavra bem presente na gram&aacute;tica existencial de muitos portugueses que, de variad&iacute;ssimas formas, t&ecirc;m dado o seu contributo para que a nossa sociedade seja mais justa. Os servidores da caridade devem estar inseridos nos f&oacute;runs locais onde hoje se faz a reflex&atilde;o sobre a a&ccedil;&atilde;o social, nomeadamente, nas redes sociais concelhias, pois o trabalho social e caritativo, levado com esperan&ccedil;a, imprime em n&oacute;s uma postura de abertura e simpatia para com todos os que trabalham na defesa e promo&ccedil;&atilde;o da dignidade humana e da justi&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>Lu&iacute;s Subtil, Vicentino,&nbsp;<\/em><em>Presidente do Conselho Central de Coimbra da SSVP<\/em><\/p>\n<p><em><br \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Subtil, Vicentino<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,174,246,314],"class_list":["post-55301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-diocese-de-coimbra","tag-liturgia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}