{"id":55269,"date":"2012-02-18T11:29:00","date_gmt":"2012-02-18T11:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/18\/intervencao-de-bento-xvi-no-consistorio-para-a-criacao-de-22-novos-cardeais\/"},"modified":"2012-02-18T11:29:00","modified_gmt":"2012-02-18T11:29:00","slug":"intervencao-de-bento-xvi-no-consistorio-para-a-criacao-de-22-novos-cardeais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencao-de-bento-xvi-no-consistorio-para-a-criacao-de-22-novos-cardeais\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o de Bento XVI no Consist\u00f3rio para a cria\u00e7\u00e3o de 22 novos cardeais"},"content":{"rendered":"<p>&laquo;Tu es Petrus, et super hanc petram &aelig;dificabo Ecclesiam meam&raquo;<\/p>\n<p>Venerados Irm&atilde;os,<\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!<\/p>\n<p>Com estas palavras do c&acirc;ntico de entrada, teve in&iacute;cio o rito solene e sugestivo do Consist&oacute;rio Ordin&aacute;rio P&uacute;blico para a cria&ccedil;&atilde;o dos novos Cardeais, que inclui a imposi&ccedil;&atilde;o do barrete cardinal&iacute;cio, a entrega do anel e a atribui&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo. Trata-se das palavras com que Jesus constituiu, eficazmente, Pedro como firme alicerce da Igreja. E o fator qualificativo deste alicerce &eacute; a f&eacute;: realmente Sim&atilde;o torna-se Pedro &ndash; rocha &ndash; por ter professado a sua f&eacute; em Jesus, Messias e Filho de Deus. Quando anuncia Cristo, a Igreja est&aacute; ligada a Pedro, e Pedro permanece colocado na Igreja como rocha; mas, quem edifica a Igreja, &eacute; o pr&oacute;prio Cristo, sendo Pedro um elemento particular da constru&ccedil;&atilde;o. E deve s&ecirc;-lo por meio da fidelidade &agrave; sua confiss&atilde;o feita junto de Cesareia de Filipe, ou seja, em virtude da afirma&ccedil;&atilde;o: &laquo;Tu &eacute;s Cristo, o Filho de Deus vivo&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As palavras, que Jesus dirige a Pedro, p&otilde;em claramente em destaque o car&aacute;ter eclesial da celebra&ccedil;&atilde;o de hoje. De facto, atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo duma igreja desta Cidade [de Roma] ou duma diocese suburbic&aacute;ria, os novos Cardeais ficam, para todos os efeitos, inseridos na Igreja de Roma guiada pelo Sucessor de Pedro, para cooperar estreitamente com ele no governo da Igreja universal. Estes diletos Irm&atilde;os, que dentro de momentos come&ccedil;ar&atilde;o a fazer parte do Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio, unir-se-&atilde;o, por v&iacute;nculos novos e mais fortes, n&atilde;o s&oacute; com o Pont&iacute;fice Romano mas tamb&eacute;m com toda a comunidade dos fi&eacute;is espalhada pelo mundo inteiro. Com efeito, no desempenho do seu peculiar servi&ccedil;o de apoio ao minist&eacute;rio petrino, os neo-purpurados ser&atilde;o chamados a analisar e avaliar os casos, os problemas e os crit&eacute;rios pastorais que dizem respeito &agrave; miss&atilde;o da Igreja inteira. Nesta delicada tarefa, servir-lhes-&aacute; de exemplo e ajuda o testemunho de f&eacute; prestado pelo Pr&iacute;ncipe dos Ap&oacute;stolos, com a sua vida e morte, pois, por amor de Cristo, deu-se inteiramente at&eacute; ao sacrif&iacute;cio extremo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; com este significado que se deve entender tamb&eacute;m a imposi&ccedil;&atilde;o do barrete vermelho. Aos novos Cardeais, &eacute; confiado o servi&ccedil;o do amor: amor a Deus, amor &agrave; sua Igreja, amor aos irm&atilde;os com dedica&ccedil;&atilde;o absoluta e incondicional &ndash; se for necess&aacute;rio &ndash; at&eacute; ao derramamento do sangue, como diz a f&oacute;rmula para a imposi&ccedil;&atilde;o do barrete cardinal&iacute;cio e como indica a cor vermelha das vestes que trazem. Al&eacute;m disso, &eacute;-lhes pedido que sirvam a Igreja com amor e vigor, com a clareza e a sabedoria dos mestres, com a energia e a fortaleza dos pastores, com a fidelidade e a coragem dos m&aacute;rtires. Trata-se de ser servidores eminentes da Igreja, que encontra em Pedro o fundamento vis&iacute;vel da unidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No texto evang&eacute;lico h&aacute; pouco proclamado, Jesus apresenta-Se como servo, oferecendo-Se como modelo a imitar e a seguir. No cen&aacute;rio de fundo do terceiro an&uacute;ncio da paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o do Filho do Homem, sobressai, pelo seu clamoroso contraste, a cena dos dois filhos de Zebedeu, Tiago e Jo&atilde;o, que, ao lado de Jesus, ainda correm atr&aacute;s de sonhos de gl&oacute;ria. Pediram-Lhe: &laquo;Concede-nos que, na tua gl&oacute;ria, nos sentemos um &agrave; tua direita e outro &agrave; tua esquerda&raquo; (Mc 10, 37). Contundente &eacute; a resposta de Jesus, e inesperada a sua pergunta: &laquo;N&atilde;o sabeis o que pedis. Podeis beber o c&aacute;lice que Eu bebo?&raquo; (Mc 10, 38). A alus&atilde;o &eacute; clar&iacute;ssima: o c&aacute;lice &eacute; o da paix&atilde;o, que Jesus aceita para cumprir a vontade do Pai. O servi&ccedil;o a Deus e aos irm&atilde;os, a doa&ccedil;&atilde;o de si mesmo: esta &eacute; a l&oacute;gica que a f&eacute; aut&ecirc;ntica imprime e gera na nossa exist&ecirc;ncia quotidiana, mas que est&aacute; em contradi&ccedil;&atilde;o com o estilo mundano do poder e da gl&oacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o seu pedido, Tiago e Jo&atilde;o mostram que n&atilde;o compreendem a l&oacute;gica de vida que Jesus testemunha, aquela l&oacute;gica que deve &ndash; segundo o Mestre &ndash;caracterizar o disc&iacute;pulo no seu esp&iacute;rito e nas suas a&ccedil;&otilde;es. E a l&oacute;gica errada n&atilde;o reside s&oacute; nos dois filhos de Zebedeu, mas, segundo o evangelista, contagia tamb&eacute;m &laquo;os outros dez&raquo; ap&oacute;stolos, que &laquo;come&ccedil;aram a indignar-se contra Tiago e Jo&atilde;o&raquo; (Mc 10, 41). Indignam-se, porque n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil entrar na l&oacute;gica do Evangelho, deixando a do poder e da gl&oacute;ria. S&atilde;o Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo afirma que ainda eram imperfeitos os ap&oacute;stolos todos: tanto os dois que procuravam obter preced&ecirc;ncia sobre os outros dez, como os dez que tinham inveja dos dois (cf. Coment&aacute;rio a Mateus, 65, 4: PG 58, 622). E S&atilde;o Cirilo de Alexandria, ao comentar passagens paralelas no Evangelho de Lucas, acrescenta: &laquo;Os disc&iacute;pulos ca&iacute;ram na fraqueza humana e puseram-se a discutir uns com os outros qual deles seria o chefe, ficando superior aos outros. (&hellip;) Isto aconteceu e foi-nos narrado para nosso proveito. (&hellip;) O que sucedeu aos santos Ap&oacute;stolos pode revelar-se, para n&oacute;s, um est&iacute;mulo &agrave; humildade&raquo; (Coment&aacute;rio a Lucas, 12, 5, 24: PG 72, 912). Este epis&oacute;dio deu ocasi&atilde;o a Jesus para Se dirigir a todos os disc&iacute;pulos e &laquo;cham&aacute;-los a Si&raquo;, de certo modo para os estreitar a Si, a fim de formarem como que um corpo &uacute;nico e indivis&iacute;vel com Ele, e indicar qual &eacute; a estrada para se chegar &agrave; verdadeira gl&oacute;ria, a de Deus: &laquo;Sabeis como aqueles que s&atilde;o considerados governantes das na&ccedil;&otilde;es fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como os grandes exercem o seu poder. N&atilde;o deve ser assim entre v&oacute;s. Quem quiser ser grande entre v&oacute;s, fa&ccedil;a-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre v&oacute;s, fa&ccedil;a-se o servo de todos&raquo; (Mc 10, 42-44).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dom&iacute;nio e servi&ccedil;o, ego&iacute;smo e altru&iacute;smo, posse e dom, lucro e gratuidade: estas l&oacute;gicas, profundamente contrastantes, defrontam-se em todo o tempo e lugar. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida alguma sobre a estrada escolhida por Jesus: e n&atilde;o Se limita a indic&aacute;-la por palavras aos disc&iacute;pulos de ontem e de hoje, mas vive-a na sua pr&oacute;pria carne. Efetivamente explica: &laquo;Tamb&eacute;m o Filho do Homem n&atilde;o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua via em resgate por muitos&raquo; (Mc 10, 45). Estas palavras iluminam, com singular intensidade, o Consist&oacute;rio p&uacute;blico de hoje. Ecoam no fundo da alma e constituem um convite e um apelo, um legado e um encorajamento especialmente para v&oacute;s, amados e venerados Irm&atilde;os que estais para ser inclu&iacute;dos no Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, o Filho do Homem &eacute; aquele que recebe de Deus o poder e o dom&iacute;nio (cf. Dn 7, 13-14). Jesus interpreta a sua miss&atilde;o na terra, sobrepondo &agrave; figura do Filho do Homem a imagem do Servo sofredor descrita por Isa&iacute;as (cf. Is 53, 1-12). Ele recebe o poder e a gl&oacute;ria apenas enquanto &laquo;servo&raquo;; mas &eacute; servo na medida em que assume sobre Si o destino de sofrimento e de pecado da humanidade inteira. O seu servi&ccedil;o realiza-se na fidelidade total e na plena responsabilidade pelos homens. Por isso, a livre aceita&ccedil;&atilde;o da sua morte violenta torna-se o pre&ccedil;o de liberta&ccedil;&atilde;o para muitos, torna-se o princ&iacute;pio e o fundamento da reden&ccedil;&atilde;o de cada homem e de todo o g&eacute;nero humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amados Irm&atilde;os que estais para ser inscritos no Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio! Que a doa&ccedil;&atilde;o total de Si mesmo, feita por Cristo na cruz, vos sirva de norma, est&iacute;mulo e for&ccedil;a para uma f&eacute; que atua na caridade. Que a vossa miss&atilde;o na Igreja e no mundo se situe sempre e s&oacute; &laquo;em Cristo&raquo; e corresponda &agrave; sua l&oacute;gica e n&atilde;o &agrave; do mundo, sendo iluminada pela f&eacute; e animada pela caridade que nos vem da Cruz gloriosa do Senhor. No anel que daqui a pouco vos entregarei, aparecem representados S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo e, no centro, uma estrela que evoca Nossa Senhora. Trazendo este anel, sois convidados diariamente a recordar o testemunho de Cristo que os dois Ap&oacute;stolos deram at&eacute; ao seu mart&iacute;rio aqui em Roma, tornando assim fecunda a Igreja com o seu sangue. Por sua vez a evoca&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria constituir&aacute; para v&oacute;s um convite incessante a seguir Aquela que permaneceu firme na f&eacute; e serva humilde do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao concluir esta breve reflex&atilde;o, quero dirigir a minha grata e cordial sauda&ccedil;&atilde;o a todos v&oacute;s aqui presentes, particularmente &agrave;s Delega&ccedil;&otilde;es oficiais de diversos Pa&iacute;ses e aos Representantes de numerosas dioceses. No seu servi&ccedil;o, os novos Cardeais s&atilde;o chamados a permanecer fi&eacute;is a Cristo, deixando-se guiar unicamente pelo seu Evangelho. Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, rezai para que possa refletir-se ao vivo neles o Senhor Jesus, o nosso &uacute;nico Pastor e Mestre e a fonte de toda a sabedoria que indica a estrada a todos. E rezai tamb&eacute;m por mim, para que sempre possa oferecer ao Povo de Deus o testemunho da doutrina segura e reger, com suave firmeza, o tim&atilde;o da santa Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Tu es Petrus, et super hanc petram &aelig;dificabo Ecclesiam meam&raquo; Venerados Irm&atilde;os, Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s! 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