{"id":55226,"date":"2012-02-15T13:59:56","date_gmt":"2012-02-15T13:59:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/15\/mensagem-para-a-quaresma-e-pascoa-do-bispo-de-viana-do-castelo\/"},"modified":"2012-02-15T13:59:56","modified_gmt":"2012-02-15T13:59:56","slug":"mensagem-para-a-quaresma-e-pascoa-do-bispo-de-viana-do-castelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-para-a-quaresma-e-pascoa-do-bispo-de-viana-do-castelo\/","title":{"rendered":"Mensagem para a Quaresma e P\u00e1scoa do bispo de Viana do Castelo"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">DIOCESE DE VIANA DO CASTELO&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">MENSAGEM PARA O TEMPO DA QUARESMA E DA P&Aacute;SCOA DE 2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida crist&atilde;: o amor.&rdquo; &Eacute; assim que o S. Padre Bento XVI inicia a sua mensagem para a Quaresma deste ano &#8211; um percurso, como ele acrescenta, &ldquo;marcado pela ora&ccedil;&atilde;o e a partilha, pelo sil&ecirc;ncio e o jejum, com a esperan&ccedil;a de viver a alegria pascal.&rdquo; E desenvolve a sua reflex&atilde;o, baseando-se na exorta&ccedil;&atilde;o de Heb 10, 24: Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras.<\/p>\n<p>Parece-me particularmente oportuno, para a situa&ccedil;&atilde;o em que vivemos, o que o S. Padre escreve sobre a aten&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua a que o texto b&iacute;blico apela: &ldquo;A aten&ccedil;&atilde;o ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os aspetos: f&iacute;sico, moral e espiritual.&rdquo; E o Papa insiste principalmente no bem espiritual, para o qual deve contribuir a corre&ccedil;&atilde;o fraterna, tendo em vista a salva&ccedil;&atilde;o eterna. De forma geral, hoje &eacute;-se muito sens&iacute;vel ao tema do cuidado e do amor que visa o bem f&iacute;sico e material dos outros, mas quase n&atilde;o se fala da responsabilidade espiritual pelos irm&atilde;os.&rdquo;<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, o Sumo Pont&iacute;fice est&aacute; a realizar aquilo a que nos convida: a chamar a nossa aten&ccedil;&atilde;o de crist&atilde;os ou, talvez mesmo, a corrigir-nos de uma pr&aacute;tica do amor que, sendo parcial, pode at&eacute; ser nociva. Vejam-se, antes de mais, os casos extremos de pessoas que se aproveitam dos bens materiais que partilhamos, sem deles realmente necessitarem ou at&eacute; &ndash; o que ainda &eacute; pior &ndash; para alimentar v&iacute;cios que s&atilde;o prejudiciais, a elas e aos outros. Afinal, o que lhes falta &eacute; o bem moral e espiritual.<\/p>\n<p>Mas, mesmo para com pessoas realmente carenciadas de bens materiais, a nossa ajuda n&atilde;o pode restringir-se a esse n&iacute;vel. Diz o S. Padre que &ldquo;a responsabilidade pelo pr&oacute;ximo significa querer favorecer o bem do outro, desejando que tamb&eacute;m ele se abra &agrave; l&oacute;gica do bem.&rdquo; E trata-se de &ldquo;todo o seu bem.&rdquo; E, pelo menos para n&oacute;s crist&atilde;os, ningu&eacute;m &eacute; bom sen&atilde;o Deus, como diz Jesus ao homem rico desejoso de alcan&ccedil;ar a vida eterna (Mc 10, 18). S&oacute; em Deus encontramos o sumo bem, como acontece com Jesus.<\/p>\n<p>Repare-se, a este prop&oacute;sito, no que o Papa escreveu na enc&iacute;clica Caritas in Veritate (n.&ordm; 11), publicada quando rebentou a crise econ&oacute;mica e social que nos afeta: &ldquo;O aut&ecirc;ntico desenvolvimento do ser humano diz respeito unitariamente &agrave; totalidade da pessoa em todas as suas dimens&otilde;es.&rdquo; Por isso, &ldquo;requer uma vis&atilde;o transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus: sem Ele, o desenvolvimento ou &eacute; negado ou acaba confiado unicamente &agrave;s m&atilde;os do ser humano, que cai na presun&ccedil;&atilde;o da autoavalia&ccedil;&atilde;o e acaba por fomentar um desenvolvimento desumanizado&rdquo;.<\/p>\n<p>Isto significa, por um lado, que &eacute; Deus, e n&atilde;o apenas um simples impulso humano, que nos leva &agrave; pr&aacute;tica do bem, e, por outro, que tudo devemos empreender para que os outros, incluindo os que ajudamos materialmente, acolham nas suas vidas esse maior dom, que &eacute; Deus.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o vamos, com isto, cair na tenta&ccedil;&atilde;o do proselitismo, exigindo a f&eacute; em Deus como moeda de troca pelo bem que fazemos. Diz o Youcat (Catecismo Jovem da Igreja Cat&oacute;lica, n.&ordm; 354): &ldquo;Ningu&eacute;m deve for&ccedil;ar os outros, mesmo os pr&oacute;prios filhos, a ter f&eacute;, como ningu&eacute;m deve ser for&ccedil;ado a n&atilde;o crer. O ser humano s&oacute; pode optar pela f&eacute; em total liberdade. N&atilde;o obstante, os crist&atilde;os s&atilde;o chamados, pela palavra e pelo exemplo, a ajudarem as outras pessoas a encontrar o caminho da f&eacute;.<\/p>\n<p>O exemplo mais convincente &eacute; o da caridade. Como escreve S. Paulo, a f&eacute; atua pela caridade (Gl 5, 6). &Eacute; na pr&aacute;tica da caridade que encarna e mais se revela o amor extremo de Deus, manifestado na morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Seu Filho, um amor experimentado ao vivo por aqueles a quem, levados por ele, fazemos o bem. E ent&atilde;o, sim, &eacute; muito mais f&aacute;cil falar-lhes de Deus e atra&iacute;-los para Ele e para o bem de que Ele &eacute; fonte insubstitu&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Mas para isso precisamos de renovar ou aprofundar a nossa comunh&atilde;o com Deus. Se no jejum e na partilha se exprime sobretudo a caridade, a ora&ccedil;&atilde;o e o sil&ecirc;ncio s&atilde;o necess&aacute;rios para que na pr&aacute;tica dessa caridade mantenhamos a pureza e a persist&ecirc;ncia que s&oacute; o Deus em quem acreditamos nos pode proporcionar.<\/p>\n<p>Nesse sentido, convido todos os diocesanos, sacerdotes e seminaristas, consagrados e crist&atilde;os leigos, a servirem-se do percurso proposto na minha Carta Pastoral &ldquo;Cristo em v&oacute;s: a Esperan&ccedil;a da Gl&oacute;ria&rdquo; para a viv&ecirc;ncia dos tempos quaresmal e pascal, principalmente na ora&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o. Sugiro mesmo que se distribua a sua leitura do seguinte modo:<\/p>\n<p>&#8211; A 1&ordf; parte &ndash; &ldquo;Ao encontro comigo pr&oacute;prio&rdquo; &#8211; aborda temas (a luta pela vida, a necessidade de Deus, os dramas do pecado e da morte) cuja reflex&atilde;o se situa melhor no tempo da Quaresma em que somos convidados &agrave; convers&atilde;o de vida.<\/p>\n<p>&#8211; A 2&ordf; parte &ndash; &ldquo;o encontro de Cristo&rdquo; &#8211; apresenta-nos a boa nova da ressurrei&ccedil;&atilde;o e morte de Cristo e os seus efeitos salv&iacute;ficos naqueles que a acolhem pela f&eacute; e pode, por isso, ser uma preciosa ajuda para a viv&ecirc;ncia do tempo especificamente pascal.<\/p>\n<p>&#8211; A 3&ordf; parte &ndash; &ldquo;Com Cristo ao encontro com os outros&rdquo; &#8211; trata do testemunho vivo que, como crist&atilde;os, devemos dar do Ressuscitado, na Igreja e no mundo, e aconselha-se, por isso, a sua medita&ccedil;&atilde;o nos tempos mais pr&oacute;ximos do Pentecostes.<\/p>\n<p>Para esta caminhada crist&atilde; pode ser muito preciosa a reflex&atilde;o em grupos. Podemos assim ajudar-nos uns aos outros a que cada um se encontre com Cristo, e estaremos deste modo a p&ocirc;r em pr&aacute;tica o amor, na vertente que o S. Padre, na mensagem quaresmal, nos apresenta: a &ldquo;rec&iacute;proca corre&ccedil;&atilde;o e exorta&ccedil;&atilde;o, em esp&iacute;rito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade crist&atilde;.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Desejo, finalmente, comunicar os tr&ecirc;s destinos, em partes iguais, da ren&uacute;ncia quaresmal e do contributo penitencial deste ano, depois ser ouvido o Conselho Presbiteral:<\/p>\n<p>&#8211; O Fundo Social Solid&aacute;rio, ao cuidado da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, que, deste modo, est&aacute; a socorrer, a n&iacute;vel nacional, os mais carenciados, principalmente de bens materiais.<\/p>\n<p>&#8211; O Santu&aacute;rio de Nossa Senhora da Peneda, de que a nossa diocese precisa como verdadeiro centro de espiritualidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>&#8211; A Casa Sacerdotal da nossa diocese, em que procuramos proporcionar aos sacerdotes mais debilitados o conforto e o repouso de que necessitam.<\/p>\n<p>Procuremos fazer das nossas ofertas uma express&atilde;o do amor que recebemos de Deus e que tem, na generosa partilha de bens, uma das suas express&otilde;es mais vis&iacute;veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Viana do Castelo, 12 de fevereiro de 2012<\/p>\n<p>+ Anacleto Oliveira (Bispo de Viana do Castelo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIOCESE DE VIANA DO CASTELO&nbsp; MENSAGEM PARA O TEMPO DA QUARESMA E DA P&Aacute;SCOA DE 2012 &nbsp; 1. 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