{"id":55219,"date":"2012-02-15T11:08:50","date_gmt":"2012-02-15T11:08:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/15\/mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-2\/"},"modified":"2012-02-15T11:08:50","modified_gmt":"2012-02-15T11:08:50","slug":"mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-2\/","title":{"rendered":"Mensagem de Quaresma do bispo de Portalegre-Castelo Branco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>Cumprir o acordado e assumir a d&iacute;vida<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De novo a Quaresma, tempo privilegiado para fazer uma auto sindic&acirc;ncia e rever a d&iacute;vida, causa da grande crise que a todos afeta. H&aacute; d&iacute;vidas que procuramos, na esperan&ccedil;a de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida e com a certeza de que as podemos pagar. H&aacute; d&iacute;vidas contra&iacute;das por momentos de necessidade extrema e outras por necessidade de arriscar em projetos de crescimento econ&oacute;mico. H&aacute;, por&eacute;m, d&iacute;vidas que n&atilde;o se devem contrair pois s&oacute; servem para aparentar o que se n&atilde;o &eacute; nem tem. H&aacute; d&iacute;vidas provocadas por loucuras inexplic&aacute;veis, por vaidades e levezas, por falta de austeridade e por administra&ccedil;&otilde;es desastrosas. H&aacute;, ainda, outra esp&eacute;cie de d&iacute;vidas muito mais terr&iacute;veis e prejudiciais, a influenciar mercados, bancos, bolsas e agiotas, e que est&atilde;o tamb&eacute;m na g&eacute;nese de algumas daquelas que enumer&aacute;mos. S&atilde;o, por exemplo, as d&iacute;vidas &agrave; honestidade, &agrave; honradez, &agrave; fortaleza de &acirc;nimo, &agrave; justi&ccedil;a, &agrave; fam&iacute;lia, &agrave; vida, ao trabalho, &agrave; coer&ecirc;ncia, &agrave; dedica&ccedil;&atilde;o, ao interesse pelos outros, &agrave; partilha, &agrave; solidariedade, &agrave; fidelidade, &agrave; convers&atilde;o&#8230; S&atilde;o mesmo muitos os credores!&#8230;<\/p>\n<p>Endividados at&eacute; &agrave;s orelhas ao b&aacute;sico da conviv&ecirc;ncia social sadia, e como se isso n&atilde;o bastasse, empoleiramo-nos no escadote das nossas raz&otilde;es para saudar e acolher a pregui&ccedil;a, os preconceitos, a autosufici&ecirc;ncia, o pensar que a culpa &eacute; dos outros, o comodismo subjetivista, o ego&iacute;smo e quejandos que alegremente nos comprometem ainda mais e fazem aumentar, mergulhar e afundar na bancarrota, pessoal e coletiva. Desta crise de endividamento gigantesco s&oacute; conseguiremos libertar-nos quando decidirmos investir a diversidade dos talentos que nos foram dados, com amor, como dom; quando, de toalha &agrave; cinta e sem luvas, n&atilde;o tivermos medo de sujar as m&atilde;os e formos capazes de olhar ao redor e reconhecer onde podemos e devemos investir a nossa intelig&ecirc;ncia, a nossa vontade, o nosso cora&ccedil;&atilde;o e os talentos doados.<\/p>\n<p>E quando a retoma for palp&aacute;vel, constataremos que devemos muito mais, que somos extremamente devedores e sem possibilidade de voltar as costas &agrave; pac&iacute;fica e sofredora presen&ccedil;a dos credores: os pobres, os injusti&ccedil;ados, o pr&oacute;ximo. Embora, por condescend&ecirc;ncia amorosa do bom Deus, tenhamos a vida inteira para o fazer, h&aacute; d&iacute;vidas que n&atilde;o se podem negociar nem se conseguem pagar por mais que as tentemos amortizar. Que o digam os Santos: viveram num frenesim constante para amar cada vez mais. Sem quererem acompanhar a moda, sem reivindicar nem propalar as suas a&ccedil;&otilde;es para se fazerem valer e ser aplaudidos, consideravam-se em situa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;lixo&rdquo;!&#8230; &ldquo;<em>Somos servos in&uacute;teis; fizemos o que dev&iacute;amos fazer<\/em>&rdquo;(Lc 17,10).<\/p>\n<p>Estas d&iacute;vidas pertencem ao &acirc;mbito do Amor. A Caridade nunca est&aacute; paga, est&aacute; sempre em aberto por mais que procuremos cumprir as nossas obriga&ccedil;&otilde;es para connosco, para com os outros, para com Deus. H&aacute; sempre a possibilidade de mais e melhor. Aos Romanos, S&atilde;o Paulo aconselhava: &ldquo;<em>N&atilde;o fiqueis a dever nada a ningu&eacute;m, a n&atilde;o ser isto: amar-vos uns aos outros<\/em>&rdquo;(13, 8). E Jesus Cristo foi claro: &ldquo;<em>Por isto &eacute; que todos conhecer&atilde;o que sois meus disc&iacute;pulos: se vos amardes uns aos outros<\/em>&rdquo; (Jo 13,35).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esperan&ccedil;a na seriedade<\/strong><\/p>\n<p>A Quaresma &eacute; este tempo de esperan&ccedil;a na seriedade. &Eacute; tempo de atitude alegre na alegria que Cristo nos veio trazer. A Quaresma disp&otilde;e-nos para acolher a Palavra de Deus e celebrar os Sacramentos. Convoca-nos para penetrar no mist&eacute;rio de Deus que &eacute; Amor e nos ama infinitamente. Convida-nos a rever a situa&ccedil;&atilde;o da fidelidade aos compromissos batismais, ao acordado: ao acordado e assinado, geralmente pelos pais e padrinhos; desafia-nos a investir, a aplicar os dons que Deus nos deu, isto &eacute;, a fazer aquilo que deve ser feito para nosso bem e bem de todos. E se tudo pode ser olhado como rica consequ&ecirc;ncia do Batismo, a prepara&ccedil;&atilde;o e celebra&ccedil;&atilde;o do Sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o levam-nos a ver e a rever o n&iacute;vel da fidelidade ao Deus que &eacute; Amor, a pedir-Lhe perd&atilde;o de cora&ccedil;&atilde;o contrito e a renovar o desejo de continuar a investir, com caridade e amor, nos bens que n&atilde;o perecem e a tra&ccedil;a n&atilde;o corr&oacute;i, de olhos postos na Cruz de Cristo e no Cristo da Cruz, ressuscitado, vivo e presente em cada pessoa.<\/p>\n<p>Bento XVI, na sua mensagem para esta Quaresma, diz-nos que se trata de &ldquo;um percurso marcado pela ora&ccedil;&atilde;o e a partilha, pelo sil&ecirc;ncio e o jejum, com a esperan&ccedil;a de viver a alegria pascal&rdquo;. Apoia-se na Carta aos Hebreus, onde o autor aconselha a que <em>&ldquo;Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outro, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&rdquo; (10,24).<\/em> O Santo Padre desenvolve o tema falando da responsabilidade pelo irm&atilde;o e do dom da reciprocidade para caminharmos juntos na santidade, atrav&eacute;s do amor, do servi&ccedil;o e das obras boas.<\/p>\n<p>Mesmo tendo a certeza que isso vai acontecer, apelamos a todas as Comunidades Paroquiais, a come&ccedil;ar pelas suas inst&acirc;ncias de anima&ccedil;&atilde;o pastoral, a que assumam o seu trajeto quaresmal com determina&ccedil;&atilde;o e ousadia, em etapas concretas e programadas, em que todos sejam envolvidos e estimulados, a come&ccedil;ar com a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e imposi&ccedil;&atilde;o das Cinzas. Mais do que admiradores a olhar para o C&eacute;u e inativos, Cristo deseja seguidores, felizes e determinados.<\/p>\n<p>Como hoje se torna f&aacute;cil comunicar, pedimos a todos os respons&aacute;veis pelas comunidades paroquiais a que partilhem uns com os outros, de um ao outro canto da Diocese, as iniciativas que v&atilde;o tomando pois podem ajudar e animar a todos. Estou certo que at&eacute; a concretiza&ccedil;&atilde;o do S&iacute;nodo vai lucrar. A viv&ecirc;ncia da Quaresma levar&aacute; os mais distra&iacute;dos e aqueles que ainda n&atilde;o come&ccedil;aram a trabalhar em e para o S&iacute;nodo, a reconhecer que t&ecirc;m uma grande d&iacute;vida a pagar, e que a t&ecirc;m de pagar com mais dedica&ccedil;&atilde;o, com muito amor e at&eacute; ao fim. Por este sinal vos h&atilde;o de conhecer&hellip;<\/p>\n<p>Atendendo &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que vivemos, a ren&uacute;ncia quaresmal deste ano reverter&aacute; para o Fundo Social Diocesano, cuja gest&atilde;o &eacute; feita pela C&aacute;ritas Diocesana em prol dos mais carenciados nas par&oacute;quias da Diocese.<\/p>\n<p>Portalegre, 13 de fevereiro de 2012<\/p>\n<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cumprir o acordado e assumir a d&iacute;vida &nbsp; De novo a Quaresma, tempo privilegiado para fazer uma auto sindic&acirc;ncia e rever a d&iacute;vida, causa da grande crise que a todos afeta. H&aacute; d&iacute;vidas que procuramos, na esperan&ccedil;a de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida e com a certeza de que as podemos pagar. 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