{"id":55216,"date":"2012-02-14T15:03:31","date_gmt":"2012-02-14T15:03:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/14\/paroquias-e-dioceses-grandes-ou-pequenas-que-problemas-para-a-igreja\/"},"modified":"2012-02-14T15:03:31","modified_gmt":"2012-02-14T15:03:31","slug":"paroquias-e-dioceses-grandes-ou-pequenas-que-problemas-para-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/paroquias-e-dioceses-grandes-ou-pequenas-que-problemas-para-a-igreja\/","title":{"rendered":"Par\u00f3quias e dioceses, grandes ou pequenas. Que problemas para a Igreja?"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">A realidade ai est&aacute;. N&atilde;o se pode iludir. Tempos houve com muitos padres, criavam-se par&oacute;quias para lhes dar lugar. Agora, diminuiu a popula&ccedil;&atilde;o, h&aacute; par&oacute;quias desertas, que permanecem entidades can&oacute;nicas, mal servidas por padres que correm, porque o seu n&uacute;mero diminuiu. H&aacute; dioceses, com menos popula&ccedil;&atilde;o do que grandes par&oacute;quias das zonas urbanas, ao lado de dioceses normais e de outras com uma extens&atilde;o geogr&aacute;fica e populacional que n&atilde;o lhes &eacute; f&aacute;cil a a&ccedil;&atilde;o pastoral renovadora, recomendada pelo Vaticano II. Tornou-se dif&iacute;cil operar a renova&ccedil;&atilde;o da Igreja, mediante a a&ccedil;&atilde;o direta junto das pessoas e a sua participa&ccedil;&atilde;o nas comunidades. Por raz&otilde;es &oacute;bvias, nas dioceses e par&oacute;quias com pouca gente, manter ou edificar comunidades vivas, com uma popula&ccedil;&atilde;o residente diminuta, envelhecida e pouco dada a &ldquo;novidades&rdquo; na religi&atilde;o parece pesadelo ou ideal sem consist&ecirc;ncia. Gente a mais por um lado, gente a menos por outro, num pa&iacute;s pequeno, onde a mesma Igreja tem a responsabilidade de evangelizar, alimentar a f&eacute; e ajudar a crescer, onde quer que as pessoas vivam e qualquer que seja a sua idade e capacidade&hellip; Nesta Igreja, que deve ser uma comunh&atilde;o efetiva de Igrejas Irm&atilde;s, subsistem comunidades, umas ricas com meios e recursos de sobra e onde se esbanja, e outras empobrecidas de pessoas e de meios, onde cada dia tudo se torna mais dif&iacute;cil, e onde a solidariedade se devia sentir. Esta, desde longe, uma realidade da Igreja em Portugal.<\/p>\n<p>Na sociedade sente-se igual problema em rela&ccedil;&atilde;o a freguesias e munic&iacute;pios, o que levou o poder pol&iacute;tico a tomar medidas de solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pac&iacute;fica. Se a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; semelhante, em regra as freguesias s&atilde;o par&oacute;quias, na Igreja e no Estado as propostas variam pela natureza das entidades, havendo, por&eacute;m, vantagem de alguma reflex&atilde;o em comum, n&atilde;o para reivindicar, mas para abrir caminhos. Diferentes, embora, os problemas n&atilde;o s&atilde;o separ&aacute;veis. As respostas, dado o objetivo prosseguido, &eacute; que n&atilde;o s&atilde;o coincidentes. Enquanto no Estado se tenta um caminho que responda &agrave;s necessidades dos cidad&atilde;os, suprimindo e anexando, na Igreja, o caminho deve ser outro. H&aacute; par&oacute;quias j&aacute; anexadas e padres ao servi&ccedil;o de v&aacute;rias, que, todas juntas, nem sempre somam mil habitantes. Esta solu&ccedil;&atilde;o fora do tempo, pela refer&ecirc;ncia e t&oacute;nica clerical, que, al&eacute;m de transit&oacute;ria, nada tem de tranquilizadora, por estar cheia de novos problemas, sobretudo no que se refere ao equil&iacute;brio humano e espiritual dos padres e &agrave; dificuldade de satisfazer direitos e deveres dos crist&atilde;os.<\/p>\n<p>Todas as estruturas da Igreja est&atilde;o ao servi&ccedil;o das pessoas, s&atilde;o transit&oacute;rias e duram enquanto promovem e n&atilde;o dificultam nem impedem a vida dos crist&atilde;os e das comunidades. Ao longo da hist&oacute;ria, muitas delas foram fruto de press&otilde;es e de interesses, estranhos ao sentido eclesial e ao bem espiritual. Passados s&eacute;culos e, mais recentemente, dezenas de anos, o erro mant&eacute;m-se e, apesar da vida que mudou, estruturas caducas permanecem intoc&aacute;veis. O que se inova &eacute; tirado a ferros, e logo se fecham portas, n&atilde;o venha a&iacute; a tenta&ccedil;&atilde;o de mais novidades pastorais. A cria&ccedil;&atilde;o de seis novas dioceses no s&eacute;culo passado, nunca foi pac&iacute;fica, dado interesses tocados e prest&iacute;gios beliscados. A hist&oacute;ria est&aacute; feita. Entretanto, houve um concilio, muitas coisas mudaram na Igreja e na sociedade, deram-se orienta&ccedil;&otilde;es&hellip; Mas o povo continua sem voz e o zelo e o bom senso, apenas privil&eacute;gio de alguns.<\/p>\n<p>O problema das par&oacute;quias e das dioceses, grandes ou pequenas, n&atilde;o &eacute; quest&atilde;o de n&uacute;meros e territ&oacute;rios. Presente a necessidade de acertos, por vezes urgentes, o problema &eacute; de bairrismos ferrugentos, da mentalidade de quem preside, das press&otilde;es corporativas, da pouca liberdade de participa&ccedil;&atilde;o, permitida aos crist&atilde;os afetados. O padre &eacute; indispens&aacute;vel para o que lhe &eacute; espec&iacute;fico, mas a solu&ccedil;&atilde;o &eacute; eclesial, n&atilde;o clerical. H&aacute; capacidades n&atilde;o aproveitadas no Povo de Deus, frente &agrave; realidade e urg&ecirc;ncia da miss&atilde;o. Criam-se, mundo fora, dioceses com um enorme territ&oacute;rio e um n&uacute;mero diminuto de padres. E funcionam, crescem e geram comunidades. Contam com o que t&ecirc;m, abertas &agrave; solidariedade de outras, nem sempre das mais ricas. Na Igreja, como na vida, quem mais ajuda os pobres, s&atilde;o os pobres.<\/p>\n<p>No caso das par&oacute;quias do interior, h&aacute; caminhos em aberto para explorar: unidades pastorais de esp&iacute;rito conciliar e pr&aacute;tica sinodal; equipas eclesiais, com lugar de direito aos leigos e, com eles, em atitude ativa de procura e experi&ecirc;ncia; abertura a novos minist&eacute;rios e a experi&ecirc;ncias v&aacute;lidas, j&aacute; testadas noutras zonas; programa&ccedil;&atilde;o realista, olhando as pessoas, as suas capacidades e necessidades; reflex&atilde;o aberta sobre os problemas, a n&iacute;vel diocesano e nacional, com gente que conhe&ccedil;a, pense e deixe pensar&hellip; O que se est&aacute; a fazer, na maioria dos casos, n&atilde;o vai al&eacute;m de uma pastoral de conserva&ccedil;&atilde;o, sempre com base no padre, pronto para celebrar muitas missas, mas sem tempo para rezar, estudar, acolher, educar na f&eacute;, e abrir horizontes de vida, &agrave;queles a quem sempre foram fechados.<\/p>\n<p>A Igreja em Portugal precisa de parar e repensar, n&atilde;o a partir das franjas pastorais, inc&oacute;modas para quem v&ecirc; de fora, mas da vida das pessoas e das comunidades. Precisa de convers&atilde;o dos respons&aacute;veis, a exemplo de Jo&atilde;o XXIII e de Paulo VI, que se negaram a privil&eacute;gios de s&eacute;culos e escolheram o caminho de Paulo (Fil 2, 3-4), considerando os outros superiores a si pr&oacute;prios, procurando n&atilde;o o seu pr&oacute;prio interesse, mas o dos outros. Isto exige descer, voluntariamente, do carro do poder e das honras e trilhar o caminho pedregoso dos pobres e falar a&iacute; a sua l&iacute;ngua. O carro triunfal n&atilde;o volta. Acabou o tempo dos senhores e dos donos das pessoas e do templo. O lugar de Cristo s&oacute; a Ele pertence. Agora, &eacute; o tempo, evang&eacute;lico e privilegiado, da Igreja serva e pobre, que, de p&eacute;s no ch&atilde;o, luta e sofre para dar testemunho da verdade e ser sinal de salva&ccedil;&atilde;o e de esperan&ccedil;a. Poder&aacute; haver sempre e mais ainda em tempos de crise, algo de mais fascinante para um servo do Povo de Deus e que sente, dia a dia, as urg&ecirc;ncias do Reino?<\/p>\n<p align=\"left\"><em>D. Ant&oacute;nio Marcelino, bispo em&eacute;rito de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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