{"id":55210,"date":"2012-02-14T14:36:18","date_gmt":"2012-02-14T14:36:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/14\/partilhar-da-sentido-a-vida\/"},"modified":"2012-02-14T14:36:18","modified_gmt":"2012-02-14T14:36:18","slug":"partilhar-da-sentido-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/partilhar-da-sentido-a-vida\/","title":{"rendered":"Partilhar d\u00e1 sentido \u00e0 vida"},"content":{"rendered":"<p>Eug\u00e9nio Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">Os bens da terra destinam-se a todos as pessoas, a todos povos. Por isso, a riqueza gerada na sociedade &ndash; recursos naturais e t&eacute;cnicos, meios de produ&ccedil;&atilde;o, trabalho, conhecimentos, etc. &ndash; deveria ser repartida por todas e cada uma das pessoas que a comp&otilde;em. Essa &eacute; a recomenda&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II ao lembrar que &laquo;Deus destinou a terra com tudo o que ela cont&eacute;m para uso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente &agrave;s m&atilde;os de todos, segundo a justi&ccedil;a, secundada pela caridade&raquo; (GS 69).<\/p>\n<p>Mas o ego&iacute;smo tem, desde os prim&oacute;rdios, contrariado este des&iacute;gnio que a Igreja assumiu como um dos principais princ&iacute;pios do seu pensamento social, mantendo graves injusti&ccedil;as na distribui&ccedil;&atilde;o das riquezas produzidas, que est&aacute; na origem de uma gritante dualidade e precariedade sociais.<\/p>\n<p>Este desvio ao plano original do Criador tem sido compensado com um dos dons que Ele inscreveu no cora&ccedil;&atilde;o da criatura humana: a solidariedade. S Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo reconhece esta predisposi&ccedil;&atilde;o natural de cada pessoa, chegando mesmo a afirmar que quem n&atilde;o vive esta dimens&atilde;o no seu quotidiano, n&atilde;o se pode sequer considerar como tal: &laquo;&hellip;No mundo, ningu&eacute;m vive para si s&oacute;. (&hellip;) &Eacute; que o que vive s&oacute; para si e despreza todos os demais, &eacute; um ser in&uacute;til, n&atilde;o &eacute; homem, n&atilde;o pertence &agrave; nossa linhagem&raquo;.<\/p>\n<p>A solidariedade tem na partilha de bens, uma das suas express&otilde;es mais concretas. Com efeito, ningu&eacute;m pode afirmar, com verdade, ser solid&aacute;rio, se n&atilde;o partilha o que &eacute; e o que tem. Porque a pessoa humana &eacute; um ser-em-rela&ccedil;&atilde;o, &eacute; pessoa com as suas qualidades e bens. Os bens s&atilde;o o prolongamento das pessoas. Por esta raz&atilde;o, n&atilde;o &eacute; completa a rela&ccedil;&atilde;o entre quem exclua a comunica&ccedil;&atilde;o de bens de que disponha. Partilhar exige, acima de tudo, ren&uacute;ncia. &Eacute; a capacidade de renunciar que esclarece e define a verdade da partilha e fortalece a vontade de doa&ccedil;&atilde;o. Quem d&aacute; assente neste pressuposto n&atilde;o se limita a partilhar o que lhe sobra, mas mesmo do que lhe falta. &Eacute; que, nesta sociedade consumista geradora de excessos que beneficiam alguns, corre-se o risco de vincular o dever de distribuir sobretudo ao &ldquo;desperd&iacute;cio dos fartos&rdquo;. Portanto, se algu&eacute;m partilhar algo que n&atilde;o quer, dever&aacute; perguntar sempre a si pr&oacute;prio se aceitaria o que pretende dar. A este prop&oacute;sito recordo uma das muitas afirma&ccedil;&otilde;es de Paulo VI que serviu, h&aacute; muito anos, de lema para o Dia Nacional da Caritas: &laquo;H&aacute; uma arte de dar e receber: chama-se partilha fraterna&raquo;.<\/p>\n<p>Por outro lado, a verdadeira partilha n&atilde;o se confina &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o de bens. Se assim for, fica apenas no cumprimento da sua miss&atilde;o compensat&oacute;ria das nefastas consequ&ecirc;ncias geradas pela desigual distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza. E este &eacute; apenas um dos seus objectivos. Outro, igualmente muito importante, &eacute; o de permitir a partilha do tempo de cada um pela conquista de um mundo onde reine maior justi&ccedil;a, n&atilde;o s&oacute; distributiva, mas tamb&eacute;m estrutural.<\/p>\n<p>Dar-se &eacute;, de facto, uma outra forma de partilhar. Decerto, mais exigente e comprometedora, mas que produz efeitos bem diferentes. Esta d&aacute;diva sup&otilde;e uma participa&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel e ativa, na defesa do respeito pela dignidade humana e do bem comum nos campos da cultura, da pol&iacute;tica, da economia, da educa&ccedil;&atilde;o, dos media, dos sindicatos, da religi&atilde;o, etc&hellip; O exerc&iacute;cio deste compromisso pode ser individual ou em associa&ccedil;&otilde;es civis, eclesiais ou de inspira&ccedil;&atilde;o religiosa, associa&ccedil;&otilde;es de vizinhos, partidos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>Para os crist&atilde;os a partilha tem um valor acrescentado. Ela radica no Amor Trinit&aacute;rio que-se-d&aacute;, que comunica tudo o que tem. Ser crist&atilde;o &eacute;, no seguimento fiel do seu Mestre, dar e doar-se de si mesmo, porque sabe que &laquo;H&aacute; mais alegria em dar que em receber&raquo;. O crente sabe que Deus criou o homem como um ser social e colocou no seu cora&ccedil;&atilde;o sementes de dom para que seja capaz de viver a sua hist&oacute;ria e as suas rela&ccedil;&otilde;es sociais desde o dinamismo do amor. Fazer como nos incentiva S. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo: &laquo;&hellip; Podemos ser imitadores de Cristo, se fazemos todas as coisas por utilidade comum e n&atilde;o buscamos o nosso interesse particular. Porque Cristo n&atilde;o se deu para seu prazer, mas como est&aacute; escrito, &ldquo;os ultrajes dos que te insultavam ca&iacute;ram sobre mim&rdquo; (Rm. 15, 3; Sal 68, 10)&raquo;.<\/p>\n<p>Est&aacute; a aproximar-se mais uma oportunidade que a Igreja coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os cat&oacute;licos para colocarem a render este e outros dons que o Senhor lhes concedeu. Que a Quaresma seja uma tempo favor&aacute;vel para olhar a realidade com um cora&ccedil;&atilde;o mais sens&iacute;vel e que cada um se possa abrir com ternura ao dinamismo do amor que brota do mist&eacute;rio da Trindade, a escutar a Palavra e a partir dela ler o que se passa e rezar por tudo o que nos rodeia, de modo a que nos convertamos verdadeiramente a Ele por via da Miseric&oacute;rdia e da Caridade em benef&iacute;cio de todos os nossos irm&atilde;os.<\/p>\n<p align=\"left\"><em>Eug&eacute;nio Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eug\u00e9nio Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191,91,314],"class_list":["post-55210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia","tag-quaresma","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55210\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}