{"id":55209,"date":"2012-02-14T14:10:02","date_gmt":"2012-02-14T14:10:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/14\/a-quaresma-vem-ao-nosso-encontro\/"},"modified":"2012-02-14T14:10:02","modified_gmt":"2012-02-14T14:10:02","slug":"a-quaresma-vem-ao-nosso-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-quaresma-vem-ao-nosso-encontro\/","title":{"rendered":"A Quaresma vem ao nosso encontro"},"content":{"rendered":"<p>A Quaresma faz-nos passar do \u00abdeixa andar\u00bb e do viver espiritualmente entorpecido ao estado da corda tensa    <!--more--> <\/p>\n<p>Um dos mais espantosos apelos de Quaresma que conhe&ccedil;o n&atilde;o foi assinado por um eclesi&aacute;stico, nem por um te&oacute;logo, mas sim por um poeta. Escreveu-o T. S. Eliot em 1930, tr&ecirc;s anos ap&oacute;s a sua convers&atilde;o, e deu-lhe um nome austero, sem o c&oacute;modo encosto que por vezes &eacute; o dos adjetivos: chamou-lhe simplesmente &ldquo;Quarta-feira de Cinzas&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesse poema, dizem-se tr&ecirc;s coisas fundamentais. Se as soubermos ouvir, percebemos que elas correspondem a caminhos muito objetivos (a mapas pessoais e comunit&aacute;rios) de convers&atilde;o. E n&atilde;o &eacute; esse o desafio da Quaresma, e desta Quaresma em particular?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. A Quaresma vem ao nosso encontro para que nos reencontremos. <\/strong>Os tra&ccedil;os que o poeta desenha coincidem dramaticamente com os do nosso rosto: damos por n&oacute;s a viver uma vida que n&atilde;o &eacute; vida, acantonada entre lamentos e amoques, sem saber aproveitar verdadeiramente a oportunidade que cada tempo constitui, como se tiv&eacute;ssemos capitulado no essencial, e pass&aacute;ssemos a olhar para as nossas asas (e para as dos outros) sem entender j&aacute; o papel delas. &ldquo;Esmorecendo, esmorecendo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. A Quaresma vem ao nosso encontro para nos devolver ao caminho pascal.<\/strong> O que &eacute; que nos d&aacute; o sentido de reden&ccedil;&atilde;o no tempo? &ndash; pergunta o poema. E o poema evangelicamente responde: o sentido de transforma&ccedil;&atilde;o &eacute;-nos dado quando aceitamos trilhar um caminho. O que nos permite passar do cerco das coisas triviais &agrave; revigora&ccedil;&atilde;o da fonte, o que do sono nos d&aacute; acesso &agrave; vig&iacute;lia iluminada da vida &eacute; aceitarmos o desafio de nos fazermos de novo &agrave; estrada, e &agrave; estrada menos &oacute;bvia e mais adiada que &eacute; aquela interior. A P&aacute;scoa &eacute; a grande possibilidade de revitaliza&ccedil;&atilde;o. Mas &eacute; preciso consentir naquela imagem brutalmente verdadeira do profeta Ezequiel: por agora somos mais uma sucata de restos, do que uma primavera do Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. A Quaresma vem ao nosso encontro para que a tens&atilde;o criadora do Esp&iacute;rito de Jesus redesenhe em n&oacute;s a vida. <\/strong>Interessantes s&atilde;o os verbos que o poeta usa como prece: &ldquo;que sejamos instigados&rdquo;, &ldquo;que sejamos sacudidos&rdquo;. A Quaresma faz-nos passar do &ldquo;deixa andar&rdquo;, e do viver espiritualmente entorpecido ao estado da corda tensa. Aquela que &eacute; capaz de avizinhar da nossa humanidade reencontrada a m&uacute;sica de Deus.<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quaresma faz-nos passar do \u00abdeixa andar\u00bb e do viver espiritualmente entorpecido ao estado da corda tensa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[91],"class_list":["post-55209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55209"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55209\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}