{"id":55189,"date":"2012-02-13T17:41:00","date_gmt":"2012-02-13T17:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/13\/nota-pastoral-para-o-dia-caritas-2012\/"},"modified":"2012-02-13T17:41:00","modified_gmt":"2012-02-13T17:41:00","slug":"nota-pastoral-para-o-dia-caritas-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-para-o-dia-caritas-2012\/","title":{"rendered":"Nota pastoral para o Dia Caritas 2012"},"content":{"rendered":"<p><strong>&laquo;Edificar o bem comum: tarefa de todos e de cada um&raquo;<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>1. A caminhada da humanidade chama a aten&ccedil;&atilde;o para a urg&ecirc;ncia de refletirmos sobre algumas realidades a que nem sempre temos prestado os cuidados necess&aacute;rios. Habitu&aacute;mo-nos, por exemplo, &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o de determinados dias durante o ano, e a rotina pode impedir que os tornemos num apelo para o compromisso.<\/p>\n<p>A Igreja, em Portugual, celebra todos os anos, no <strong>III Domingo da Quaresma,<\/strong> o Dia C&aacute;ritas como tempo de reflex&atilde;o e de compromisso dos crist&atilde;os e das suas comunidades. Para tal &eacute; proposto um tema destinado a formar consci&ecirc;ncias e a motivar para as exig&ecirc;ncias da caridade.<\/p>\n<p>Nestes tempos de perplexidade e de <strong>altera&ccedil;&atilde;o do paradigma social dominante<\/strong>, somos convidados a refletir e a concretizar essa reflex&atilde;o em gestos de partilha, sob o lema: &laquo;edificar o bem comum: tarefa de todos e de cada um&raquo;. A Quaresma torna-se deste modo um per&iacute;odo onde procuramos reconhecer que &laquo;a disponibilidade para Deus abre &agrave; disponibilidade para os irm&atilde;os e para uma vida entendida como tarefa solid&aacute;ria e jubilosa&raquo; (<em>Caritas in Veritate<\/em>, 78).<\/p>\n<p>2. Ningu&eacute;m ignora que a refer&ecirc;ncia permanente &agrave; liberdade individual e &agrave; consequente autonomia de vida t&ecirc;m <strong>obstru&iacute;do o bem comum.<\/strong> Com isto adia-se a constru&ccedil;&atilde;o da &laquo;civiliza&ccedil;&atilde;o do amor&raquo; como verdadeira orienta&ccedil;&atilde;o alternativa, capaz de responder &agrave;s necessidades camufladas com o nome de &laquo;crise&raquo;.<\/p>\n<p>Numa sociedade verdadeiramente evolu&iacute;da, sup&otilde;e-se que o Estado desempenha um papel fundamental na garantia de condi&ccedil;&otilde;es de vida condigna a todos os cidad&atilde;os. Contudo, esperar tudo do Estado &eacute; um engano irrespons&aacute;vel, dado que <strong>a solidariedade mais profunda<\/strong> radica em cada pessoa e em toda sociedade, nas suas m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es de corresponsabilidade, come&ccedil;ando pelas rela&ccedil;&otilde;es de proximidade.<\/p>\n<p>3. O Santo Padre Bento XVI afirma que &laquo;a solidariedade consiste primariamente em que todos se sintam respons&aacute;veis por todos&raquo; (<em>Caritas in Veritates<\/em>, 38). Como Igreja, teremos de adotar o esp&iacute;rito do <strong>Bom Samaritano<\/strong>,<strong> <\/strong>que passa nas estradas da vida e reconhece a necessidade de interven&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de um &laquo;cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;&raquo; e que atua em conformidade.<\/p>\n<p>O crescente desemprego gera e agrava ambientes amargos nas fam&iacute;lias e na sociedade; o isolamento dos idosos conduz &agrave; solid&atilde;o extrema na pr&oacute;pria morte; e muitas fam&iacute;lias de todas as idades, particularmente as suas crian&ccedil;as, n&atilde;o conseguem prover &agrave;s suas necessidades b&aacute;sicas. De tudo isto resultam <strong>graves situa&ccedil;&otilde;es de desencanto e de rutura verdadeiramente alarmantes.<\/strong> Em tal encruzilhada, sem sa&iacute;da &agrave; vista, somos interpelados a optar por um caminho diferente do passado, optando claramente pelo bem comum, sem perdermos de vista o destino universal dos bens do mundo.<\/p>\n<p>4. Trata-se, por outras palavras, da op&ccedil;&atilde;o pelo amor. &laquo;Amar algu&eacute;m &eacute; querer o seu bem e trabalhar eficazmente por ele. Ao lado de um bem individual existe um bem ligado &acirc; vida social das pessoas: o bem comum. &Eacute; o bem daquele &laquo;n&oacute;s todos&raquo; , formado por indiv&iacute;duos, fam&iacute;lias e grupos interm&eacute;dios que se unem na comunidade social&raquo; (CV 7).<\/p>\n<p>Neste Dia C&aacute;ritas, prop&otilde;e-se, a todos os crist&atilde;os, <strong>uma forte consci&ecirc;ncia social e a intensifica&ccedil;&atilde;o das atividades solid&aacute;rias.<\/strong> Recomendam-se, com alta prioridade, <strong>tr&ecirc;s linhas de a&ccedil;&atilde;o<\/strong> &agrave;s quais, infelizmente, n&atilde;o tem sido prestada a devida aten&ccedil;&atilde;o: a primeira, respeita &agrave; exist&ecirc;ncia de grupos de a&ccedil;&atilde;o social &#8211; grupos C&aacute;ritas, confer&ecirc;ncias vicentinas ou outros &#8211; em todas as par&oacute;quias; a segunda, ao tratamento estat&iacute;stico dos casos sociais acompanhados; e a terceira, &agrave; interven&ccedil;&atilde;o junto dos poderes p&uacute;blicos, sempre que necess&aacute;rio, para a ado&ccedil;&atilde;o de medidas adequadas. Nas par&oacute;quias onde n&atilde;o existem <strong>grupos de a&ccedil;&atilde;o social,<\/strong> ou estes n&atilde;o integrem representantes de todas as suas zonas, n&atilde;o se garante a proximidade &agrave; semelhan&ccedil;a do Bom Samaritano. Quando n&atilde;o se elaboram e n&atilde;o se difundem as <strong>estat&iacute;stica<\/strong>s dos casos sociais acompanhados, verifica-se a respetiva oculta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e escasseiam as bases consistentes para a interven&ccedil;&atilde;o junto dos poderes p&uacute;blicos. Por outro lado, quando n&atilde;o se pratica esta <strong>interven&ccedil;&atilde;o,<\/strong> recusa-se uma atua&ccedil;&atilde;o que, em muitos casos, &eacute; indispens&aacute;vel.<\/p>\n<p>Ao lado destas linhas de a&ccedil;&atilde;o, as comunidades devem ser formadas para uma cultura de responsabilidade pelos outros. Ningu&eacute;m &eacute; estranho na vida do crist&atilde;o e muitos problemas deixariam de existir se as respostas acontecessem em termos de proximidade, talvez no sil&ecirc;ncio da caridade verdadeira, e com pequenos gestos de que todos s&atilde;o capazes.<\/p>\n<p>5. <strong>Todos somos respons&aacute;veis<\/strong> pela constru&ccedil;&atilde;o do bem comum. &Eacute; uma tarefa a que ningu&eacute;m se pode eximir. Cada um de n&oacute;s deve dar o seu contributo como algo insubstit&iacute;vel, visando sempre um humanismo integral.<\/p>\n<p><strong>Neste contexto, a C&aacute;ritas tem, diante de si, uma responsabilidade enorme de a&ccedil;&atilde;o e anima&ccedil;&atilde;o<\/strong> para a resposta imediata, e de fundo, a problemas inadi&aacute;veis. Da&iacute; a necessidade do contributo, traduzido em partilha generosa, de todos os crist&atilde;os e dos cidad&atilde;os em geral; hoje e sempre.<\/p>\n<p>Que este ano de austeridade gere uma maior consciencializa&ccedil;&atilde;o pelo bem comum, com a vontade expressa de o edificar quotidianamente e em todos os lugares, por todos e por cada um!<\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, presidente da Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Edificar o bem comum: tarefa de todos e de cada um&raquo;&nbsp; 1. A caminhada da humanidade chama a aten&ccedil;&atilde;o para a urg&ecirc;ncia de refletirmos sobre algumas realidades a que nem sempre temos prestado os cuidados necess&aacute;rios. 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