{"id":55101,"date":"2012-02-16T11:01:00","date_gmt":"2012-02-16T11:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/16\/novo-cardeal-portugues-agradece-ao-papa\/"},"modified":"2012-02-16T11:01:00","modified_gmt":"2012-02-16T11:01:00","slug":"novo-cardeal-portugues-agradece-ao-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novo-cardeal-portugues-agradece-ao-papa\/","title":{"rendered":"Novo cardeal portugu\u00eas agradece ao Papa"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, fala do servi\u00e7o a que foi chamado na Santa S\u00e9 e da import\u00e2ncia do seu trabalho como penitenci\u00e1rio-mor num \u00abtribunal da miseric\u00f3rdia\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, nasceu em Santa Euf&eacute;mia de Prazins, Guimar&atilde;es; foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985. O novo cardeal portugu&ecirc;s tem uma longa experi&ecirc;ncia diplom&aacute;tica ao servi&ccedil;o da Santa S&eacute;, que o fez passar pelo Panam&aacute;, Guatemala, Vietname, Austr&aacute;lia, M&eacute;xico, B&eacute;lgica, Trindade e Tobago, &Aacute;frica do Sul e Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009, acompanhando a subida ao poder do primeiro-ministro Jos&eacute; Luis Zapatero; foi tamb&eacute;m observador permanente do Vaticano na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo.<\/p>\n<p>Est&aacute; na C&uacute;ria Romana desde julho de 2009, quando assumiu o cargo de secret&aacute;rio da Congrega&ccedil;&atilde;o para os Bispos, tendo sido posteriormente nomeado por Bento XVI como consultor da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute; e secret&aacute;rio do Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio, antes de, em janeiro, passar a ser o respons&aacute;vel m&aacute;ximo pela Penitenciaria Apost&oacute;lica, um dos tr&ecirc;s tribunais da C&uacute;ria Romana. A 6 de janeiro, Bento XVI anunciou a sua cria&ccedil;&atilde;o como cardeal, que vai decorrer no Consist&oacute;rio p&uacute;blico deste s&aacute;bado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Sente que a cria&ccedil;&atilde;o como cardeal &eacute; o reconhecimento do servi&ccedil;o que prestou &agrave; Santa S&eacute;, ao longo dos anos?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Manuel Monteiro de Castro (MMC)<\/em> &ndash; Sim, naturalmente, devo diz&ecirc;-lo com toda a humildade. Fiquei muito contente e agradeci ao Santo Padre, com quem j&aacute; tive oportunidade de falar.<\/p>\n<p>Servi a Santa S&eacute; em pa&iacute;ses com muitas dificuldades, como a Guatemala e o Vietname, em anos de guerra, o M&eacute;xico ou El Salvador, na &Aacute;frica do Sul com Nelson Mandela. Da&iacute; fui para Espanha e sobre a Espanha os senhores em Portugal sabem mais do que eu&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O cargo de N&uacute;ncio em Madrid ter&aacute; sido o mais medi&aacute;tico?<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; <\/em>O trabalho foi bom, mesmo nos momentos dif&iacute;ceis: embora tenha falado pouco, resolvemos os problemas. Tenho cartas muito bonitas que agora me chegaram de altas personalidades espanholas. Tamb&eacute;m j&aacute; estive com o Papa em Espanha e ele ficou muito contente com o meu trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Depois dessa miss&atilde;o, acabou por ser chamado por Bento XVI para a Santa S&eacute;.<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; <\/em>Para mim foi uma surpresa, nenhum dos meus antecessores tinha ido para a C&uacute;ria, eu tinha tudo planificado para ir para Santa Euf&eacute;mia. Quando vim [para a Santa S&eacute;], j&aacute; foi para um cargo muito importante, geralmente da&iacute; s&atilde;o nomeados cardeais, mas n&atilde;o necessariamente, at&eacute; atendendo &agrave; minha idade [completa 74 anos em mar&ccedil;o]. Quanto ao cargo de penitenci&aacute;rio-mor, acontece que sou dos poucos, dentro do corpo diplom&aacute;tico, a ter feito o exame da Rota Romana (tribunal da Santa S&eacute;): o exame dura das 9 da manh&atilde; &agrave;s 9 da noite, s&atilde;o doze horas para dar uma senten&ccedil;a e em latim.<\/p>\n<p>Essas s&atilde;o circunst&acirc;ncias que talvez tenham facilitado a decis&atilde;o do Papa, at&eacute; porque Portugal tinha dois eleitores e agora ter&iacute;amos s&oacute; um [D. Jos&eacute; Saraiva Martins completou 80 anos de idade em janeiro].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Tamb&eacute;m sentiu que este &eacute; um reconhecimento para Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; Sim, sim. O Santo Padre ficou com uma impress&atilde;o muito, muito boa ap&oacute;s a visita a Portugal [maio de 2010]. Tudo isso ajudou, naturalmente.<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para si, o que significa ser cardeal?<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; <\/em>Os cardeais s&atilde;o sacerdotes que est&atilde;o ao servi&ccedil;o do Santo Padre, n&atilde;o importa para o que seja. Somos os seus primeiros colaboradores, com campos definidos. Tamb&eacute;m temos reuni&otilde;es plen&aacute;rias [os encontros de chefes de dicast&eacute;rios da C&uacute;ria Romana] e ainda recentemente [28 de janeiro] participei numa, embora ainda n&atilde;o fosse cardeal: cada um diz o que pensa sobre o que se passa no mundo, sobre como se pode melhorar a situa&ccedil;&atilde;o, tratam-se os temas a n&iacute;vel geral.<\/p>\n<p>O Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio est&aacute; ao servi&ccedil;o do Papa, os que est&atilde;o nos Dicast&eacute;rios estamos mais ainda, porque estamos num servi&ccedil;o bem determinado. No meu caso, o Santo Padre deu-me praticamente plenitude de resolver todos os casos.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Enquanto penitenci&aacute;rio-mor, vai ser respons&aacute;vel pelo chamado &lsquo;Tribunal da Consci&ecirc;ncia&rsquo;, na Santa S&eacute;.<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; <\/em>Tribunal da consci&ecirc;ncia &eacute; j&aacute; a confiss&atilde;o: quando nos confessamos, h&aacute; uma penit&ecirc;ncia, isto &eacute;, uma pena dada pelo sacerdote.<\/p>\n<p>A Penitenciaria Apost&oacute;lica &eacute; o dicast&eacute;rio mais antigo da C&uacute;ria Romana, vem j&aacute; do s&eacute;culo XIII; &eacute; um tribunal ao qual o Santo Padre entrega tudo quanto se refere ao foro interno. Poderemos chamar-lhe quase um tribunal de miseric&oacute;rdia, porque as pessoas que t&ecirc;m algum problema podem dirigir-se a n&oacute;s.<\/p>\n<p>Hoje, no mundo, tudo vale o mesmo e as pessoas deixam correr, mas chegam a um certo momento em que n&atilde;o se sentem felizes, n&atilde;o se sentem realizadas. Aqui, procuramos ajud&aacute;-las.<\/p>\n<p>Ajudamos tamb&eacute;m na forma&ccedil;&atilde;o de confessores, em todo o mundo e, particularmente, em Roma com 58 penitenci&aacute;rios menores nas bas&iacute;licas de S&atilde;o Pedro, de Santa Maria Maior, de S&atilde;o Paulo fora de muros e S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o. Estes elementos trabalham connosco, est&atilde;o bem formados, e procuram levar as pessoas a sentirem-se felizes, realizadas, com os olhos postos em Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como &eacute; que se procede nas v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es de concess&otilde;es de gra&ccedil;as, absolvi&ccedil;&otilde;es, dispensas, san&ccedil;&otilde;es ou condena&ccedil;&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; <\/em>Geralmente, nos casos que podemos resolver, damos uma resposta aos confessores em 24 horas, nos casos que ele n&atilde;o pode absolver, que s&atilde;o comunicados se a pessoa que se confessou estiver de acordo. O padre pode dirigir-se ao nosso dicast&eacute;rio, diz do que se trata, sem mencionar o nome da pessoa, e esta &eacute; absolvida. N&oacute;s, daqui, mandamos uma penit&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Quando temos um caso mais dif&iacute;cil, temos uma reuni&atilde;o, com colaboradores: um te&oacute;logo, que &eacute; sempre um jesu&iacute;ta, um especialista em direito e outros tr&ecirc;s, com prepara&ccedil;&atilde;o neste campo. Al&eacute;m da reuni&atilde;o, eles d&atilde;o um parecer por escrito e depois o penitenci&aacute;rio-mor decide e, se subsistirem dificuldades, pede uma audi&ecirc;ncia ao Papa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Dentro dessas fun&ccedil;&otilde;es, h&aacute; um conjunto de situa&ccedil;&otilde;es que implicam excomunh&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><em>MMC &ndash; <\/em>Sim, isso faz parte do nosso trabalho, quando se trata do foro interno, porque se for p&uacute;blico &eacute; com a Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute;. Todos os casos que os bispos e os padres n&atilde;o podem resolver, resolvemo-los aqui. Imagine-se, por exemplo, uma pessoa que profanou a Sagrada Eucaristia, sem que ningu&eacute;m tenha visto, e passados alguns anos, poucos ou muitos, quer p&ocirc;r a sua vida em ordem. Atrav&eacute;s de um sacerdote, comunica essa situa&ccedil;&atilde;o e n&oacute;s damos-lhe uma penit&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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