{"id":55077,"date":"2012-02-06T13:20:54","date_gmt":"2012-02-06T13:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/06\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-eucaristia-de-encerramento-da-iii-semana-do-consagrado\/"},"modified":"2012-02-06T13:20:54","modified_gmt":"2012-02-06T13:20:54","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-eucaristia-de-encerramento-da-iii-semana-do-consagrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-eucaristia-de-encerramento-da-iii-semana-do-consagrado\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na Eucaristia de encerramento da III Semana do Consagrado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Consagrados na Palavra<\/strong><\/p>\n<p><em>&ldquo;A total ren&uacute;ncia a si mesmo significa aceitar com um sorriso o que Ele d&aacute; e o que Ele tira&hellip; Dar sempre o que &eacute; pedido, quando serve o teu bom nome ou a tua sa&uacute;de, significa total ren&uacute;ncia si mesmo; ent&atilde;o, ser&aacute;s livre!&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estimados consagrados e consagradas, partindo deste pensamento da Beata Madre Teresa de Calcut&aacute;, nesta celebra&ccedil;&atilde;o Arquidiocesana, em Dia do Consagrado, temos diante de n&oacute;s a mensagem preparada para todo o pa&iacute;s &ndash; &ldquo;<strong>A vida consagrada no cora&ccedil;&atilde;o da Evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong>&rdquo; &ndash; e a aplica&ccedil;&atilde;o que a CIRP Diocesana deu a este lema situando-o no &acirc;mbito do programa pastoral: &ldquo;<strong>Maria portadora da Palavra que nos alimenta<\/strong>&rdquo;.<\/p>\n<p>Posto isto, quero partilhar tr&ecirc;s ideias de base para esta reflex&atilde;o a partir da Liturgia da Palavra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Em primeiro lugar, o gesto milagroso de <strong>Jesus no evangelho <\/strong>relembra que a <em>Igreja vive exclusivamente para evangelizar<\/em>, ou seja, para anunciar o Deus-Amor. Uma evangeliza&ccedil;&atilde;o que engloba diversos m&eacute;todos e pessoas, nomeadamente aquelas que se consagram totalmente a Deus mediante um carisma espec&iacute;fico.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, <strong>Paulo na Carta aos Cor&iacute;ntios <\/strong>afirma que n&atilde;o pode <em>haver evangeliza&ccedil;&atilde;o sem plena assimila&ccedil;&atilde;o da Palavra de Deus<\/em>, que continua a ser linguagem viva dum Cristo Vivo. &Eacute; interessante ouvir a contund&ecirc;ncia das suas palavras, ao afirmar &ldquo;Ai de mim se n&atilde;o evangelizar!&rdquo;, como que se a sua exist&ecirc;ncia dependesse disso.<\/p>\n<p>E em terceiro lugar, o testemunho de <strong>Job na primeira leitura <\/strong>comprova que a nossa vida &eacute; confrontada com in&uacute;meras contrariedades, nas quais <em>a nossa fidelidade &agrave; Palavra de Deus <\/em>&eacute; colocada &agrave; prova, para a vivermos e testemunharmos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Perante estas interpela&ccedil;&otilde;es, Maria &eacute; sem d&uacute;vida o grande &iacute;cone desta fidelidade &agrave; Palavra de Deus. Hoje Ela continua a ser a aurora da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; pela for&ccedil;a e est&iacute;mulo que nos concede, mas tamb&eacute;m pela pedagogia com que nos ensina a colocar a Boa Nova na vida quotidiana.<\/p>\n<p>Nesta Igreja Arquidiocesana que pretende reevangelizar-se para evangelizar um mundo que cresce na incredulidade, e diante do impulso da mulher que quis ser a primeira disc&iacute;pula, gostaria que os Consagrados marcassem a sua vida por <strong>duas atitudes <\/strong>nesta era da <strong>nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. O passado mostrou-nos a vida religiosa como uma <em>fuga mundi <\/em>para se encerrar nos conventos ou nas suas obras apost&oacute;licas. Tudo se revestia dum modo de &ldquo;abrir as portas&rdquo; para que as pessoas entrassem.<\/p>\n<p>Hoje, esta atitude continua! S&oacute; que, penso, j&aacute; n&atilde;o basta esperar e receber quem procura as institui&ccedil;&otilde;es e que sabem que elas servem bem. Urge sair e ir ao encontro do real das pessoas. <strong>Conhecer o mundo <\/strong>sem se identificar com ele. Outrora era tudo igual e as vidas coincidiam nas regras de forma&ccedil;&atilde;o e conduta. Hoje, o mundo &eacute; muito diferente. As pessoas que nos procuram carregam uma vida que nem sempre conhecemos, mesmo que conversem muito connosco.<\/p>\n<p>Para conhecer o mundo e colocar a&iacute; um carisma dum fundador &eacute; preciso encontrar-se com uma pluralidade de quest&otilde;es e assuntos. N&atilde;o podemos fugir &agrave; realidade que nos envolve. Por vezes, interrogo-me se uma das causas da diminui&ccedil;&atilde;o das voca&ccedil;&otilde;es n&atilde;o seja este pouco conhecimento do mundo, fixando-nos num carisma secreto e fechado. A nossa vida &eacute; demasiado estranha para muita gente e poucos percebem a normalidade do infinito. O mundo espera por n&oacute;s! Neste sentido, recordo agora aquelas palavras do saudoso Beato Jo&atilde;o Paulo II:<\/p>\n<p><em>Precisamos de santos que vivam no mundo, <\/em><\/p>\n<p><em>que n&atilde;o tenham medo de viver no mundo, <\/em><\/p>\n<p><em>que saboreiem as coisas boas do mundo, <\/em><\/p>\n<p><em>que se santifiquem no mundo, <\/em><\/p>\n<p><em>mas que n&atilde;o sejam mundanos! <\/em><\/p>\n<p>Na verdade, n&atilde;o precisamos de ser mundanos, mas tamb&eacute;m nunca podemos renunciar ao nosso estatuto de ser &ldquo;sinal de contradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; com coragem, tenacidade e alegria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Se importa sair para conhecer sem se deixar confundir, penso que a Palavra nos conduz para uma aventura de sentido diverso &agrave;quele a que estamos habituados. Temos as nossas obras e gra&ccedil;as a Deus que, regra geral, s&atilde;o tidas em considera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Todavia, parece-me ser necess&aacute;rio percorrer os caminhos das necessidades humanas atuais. H&aacute; cora&ccedil;&otilde;es que gritam problemas e que ningu&eacute;m os escuta! Percorremos os caminhos que todos percorrem e nas respostas queremos ser os melhores. Insistimos e atividades tradicionais e esquecemos os novos desafios.<\/p>\n<p>Urge criar uma maior sensibilidade e nunca esquecer que os fundadores foram pioneiros, como homens e mulheres de vanguarda, na ousadia em aproximar-se das dores do mundo da sua &eacute;poca.<\/p>\n<p>As verdadeiras dores conhecem-se hoje quando <strong>optamos, a s&eacute;rio e de verdade, pelos mais pobres<\/strong>. Cristo &eacute; de todos e para todos. Soube gastar a vida por ricos e pobres. Por&eacute;m, o seu cora&ccedil;&atilde;o estava mais pr&oacute;ximo de quem sofria e necessitava. E podem ter a certeza que os gritos contempor&acirc;neos de Job continuam a ouvir-se cada vez mais ao nosso lado.<\/p>\n<p>Com isto pergunto: n&atilde;o seremos capazes de escutar os homens e mulheres do nosso tempo a dizer que os seus dias se &ldquo;esvanecem sem esperan&ccedil;a&rdquo; e que os seus &ldquo;olhos nunca mais ver&atilde;o a felicidade&rdquo;?<\/p>\n<p>Portanto, &agrave; semelhan&ccedil;a de Paulo resta-nos &ldquo;fazer tudo para todos&rdquo;, sabendo que &ldquo;todos procuram&rdquo; Cristo, mesmo que inconscientemente. &Eacute; esta novidade que a vida religiosa deve readquirir! A mensagem de Cristo, como Boa Nova, n&atilde;o envelhece nem passa de moda. N&oacute;s &eacute; que n&atilde;o permitimos que a Palavra gere iniciativas impens&aacute;veis &agrave; primeira vista, mas que o Esp&iacute;rito &ndash; nesta dimens&atilde;o carism&aacute;tica da Igreja &ndash; mostra que h&aacute; outras respostas a oferecer.<\/p>\n<p>Para terminar, quero publicamente <strong>agradecer e louvar o vosso trabalho apost&oacute;lico<\/strong>, tantas vezes silencioso aos olhos dos homens mas enaltecido aos olhos de Deus! E como vosso Arcebispo apenas vos pe&ccedil;o que, &agrave; semelhan&ccedil;a de Maria, vos <strong>consagreis na Palavra de Deus<\/strong>! (<em>Verbum Domini, <\/em>83)<\/p>\n<p>E porqu&ecirc;? Porque, como dizia a Beata Madre Teresa de Calcut&aacute;, &ldquo;a total ren&uacute;ncia a si mesmo significa aceitar com um sorriso o que Deus d&aacute; e o que Deus tira&hellip;&rdquo;. Se isso acontecer, &ldquo;ent&atilde;o ser&aacute;s livre!&rdquo;<\/p>\n<p>5 de fevereiro de 2012, Cripta do Sameiro.<\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consagrados na Palavra &ldquo;A total ren&uacute;ncia a si mesmo significa aceitar com um sorriso o que Ele d&aacute; e o que Ele tira&hellip; Dar sempre o que &eacute; pedido, quando serve o teu bom nome ou a tua sa&uacute;de, significa total ren&uacute;ncia si mesmo; ent&atilde;o, ser&aacute;s livre!&rdquo; &nbsp; Estimados consagrados e consagradas, partindo deste pensamento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,172,246,248,326],"class_list":["post-55077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-liturgia","tag-madre-teresa","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55077\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}