{"id":55076,"date":"2012-02-07T11:01:00","date_gmt":"2012-02-07T11:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/02\/07\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-de-2012\/"},"modified":"2012-02-07T11:01:00","modified_gmt":"2012-02-07T11:01:00","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-de-2012\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2012"},"content":{"rendered":"<p><em>&laquo;Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&raquo; (<\/em>Heb<em> 10, 24)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s!<\/p>\n<p>A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida crist&atilde;: o amor. Com efeito este &eacute; um tempo prop&iacute;cio para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunit&aacute;rio de f&eacute;. Trata-se de um percurso marcado pela ora&ccedil;&atilde;o e a partilha, pelo sil&ecirc;ncio e o jejum, com a esperan&ccedil;a de viver a alegria pascal.<\/p>\n<p>Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto b&iacute;blico tirado da <em>Carta aos Hebreus<\/em>: &laquo;Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&raquo; (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confian&ccedil;a em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perd&atilde;o e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo &eacute; uma vida edificada segundo as tr&ecirc;s virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor &laquo;com um cora&ccedil;&atilde;o sincero, com a plena seguran&ccedil;a da <em>f&eacute;<\/em>&raquo; (v. 22), de conservarmos firmemente &laquo;a profiss&atilde;o da nossa <em>esperan&ccedil;a<\/em>&raquo; (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irm&atilde;os, &laquo;o <em>amor<\/em> e as boas obras&raquo; (v. 24). Na passagem em quest&atilde;o afirma-se tamb&eacute;m que &eacute; importante, para apoiar esta conduta evang&eacute;lica, participar nos encontros lit&uacute;rgicos e na ora&ccedil;&atilde;o da comunidade, com os olhos fixos na meta escatol&oacute;gica: a plena comunh&atilde;o em Deus (v. 25). Detenho-me no vers&iacute;culo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre tr&ecirc;s aspetos da vida crist&atilde;: prestar aten&ccedil;&atilde;o ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&laquo;<em>Prestemos aten&ccedil;&atilde;o<\/em>&raquo;: a responsabilidade pelo irm&atilde;o.<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro elemento &eacute; o convite a &laquo;prestar aten&ccedil;&atilde;o&raquo;: o verbo grego usado &eacute; <em>katanoein, <\/em>que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os disc&iacute;pulos a &laquo;observar&raquo; as aves do c&eacute;u, que n&atilde;o se preocupam com o alimento e todavia s&atilde;o objeto de sol&iacute;cita e cuidadosa Provid&ecirc;ncia divina (cf. <em>Lc<\/em> 12, 24), e a &laquo;dar-se conta&raquo; da trave que t&ecirc;m na pr&oacute;pria vista antes de reparar no argueiro que est&aacute; na vista do irm&atilde;o (cf. <em>Lc<\/em> 6, 41). Encontramos o referido verbo tamb&eacute;m noutro trecho da mesma <em>Carta aos Hebreus<\/em>, quando convida a &laquo;considerar Jesus&raquo; (3, 1) como o Ap&oacute;stolo e o Sumo Sacerdote da nossa f&eacute;. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exorta&ccedil;&atilde;o, convida a fixar o olhar no outro, a come&ccedil;ar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a n&atilde;o se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irm&atilde;os. Mas, com frequ&ecirc;ncia, prevalece a atitude contr&aacute;ria: a indiferen&ccedil;a, o desinteresse, que nascem do ego&iacute;smo, mascarado por uma apar&ecirc;ncia de respeito pela &laquo;esfera privada&raquo;. Tamb&eacute;m hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de n&oacute;s a cuidar do outro. Tamb&eacute;m hoje Deus nos pede para sermos o &laquo;guarda&raquo; dos nossos irm&atilde;os (cf. <em>Gn<\/em> 4, 9), para estabelecermos rela&ccedil;&otilde;es caracterizadas por rec&iacute;proca solicitude, pela aten&ccedil;&atilde;o ao <em>bem<\/em> do outro e a <em>todo<\/em> o seu bem. O grande mandamento do amor ao pr&oacute;ximo exige e incita a consci&ecirc;ncia a sentir-se respons&aacute;vel por quem, como eu, &eacute; criatura e filho de Deus: o facto de sermos irm&atilde;os em humanidade e, em muitos casos, tamb&eacute;m na f&eacute; deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro <em>alter ego<\/em>, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotar&atilde;o naturalmente do nosso cora&ccedil;&atilde;o a solidariedade, a justi&ccedil;a, bem como a miseric&oacute;rdia e a compaix&atilde;o. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: &laquo;O mundo est&aacute; doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esteriliza&ccedil;&atilde;o ou no monop&oacute;lio, que alguns fazem, dos recursos do universo&raquo; (Carta enc. <em>Populorum progressio<\/em>, 66).<\/p>\n<p>A aten&ccedil;&atilde;o ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspetos: f&iacute;sico, moral e espiritual. Parece que a cultura contempor&acirc;nea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necess&aacute;rio reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus &eacute; &laquo;bom e faz o bem&raquo; (<em>Sal<\/em> 119\/118, 68). O bem &eacute; aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunh&atilde;o. Assim a responsabilidade pelo pr&oacute;ximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que tamb&eacute;m ele se abra &agrave; l&oacute;gica do bem; interessar-se pelo irm&atilde;o quer dizer abrir os olhos &agrave;s suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o cora&ccedil;&atilde;o endurecido por uma esp&eacute;cie de &laquo;anestesia espiritual&raquo;, que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas par&aacute;bolas de Jesus, nas quais s&atilde;o indicados dois exemplos desta situa&ccedil;&atilde;o que se pode criar no cora&ccedil;&atilde;o do homem. Na par&aacute;bola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferen&ccedil;a, &laquo;passam ao largo&raquo; do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. <em>Lc<\/em> 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens n&atilde;o se d&aacute; conta da condi&ccedil;&atilde;o do pobre L&aacute;zaro que morre de fome &agrave; sua porta (cf. <em>Lc<\/em> 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contr&aacute;rio de &laquo;prestar aten&ccedil;&atilde;o&raquo;, de olhar com amor e compaix&atilde;o. O que &eacute; que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irm&atilde;o? Com frequ&ecirc;ncia, &eacute; a riqueza material e a saciedade, mas pode ser tamb&eacute;m o antepor a tudo os nossos interesses e preocupa&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias. Sempre devemos ser capazes de &laquo;ter miseric&oacute;rdia&raquo; por quem sofre; o nosso cora&ccedil;&atilde;o nunca deve estar t&atilde;o absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de cora&ccedil;&atilde;o e a experi&ecirc;ncia pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaix&atilde;o e a empatia: &laquo;O justo conhece a causa dos pobres, por&eacute;m o &iacute;mpio n&atilde;o o compreende&raquo; (<em>Prov<\/em> 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventuran&ccedil;a &laquo;dos que choram&raquo; (<em>Mt<\/em> 5, 4), isto &eacute;, de quantos s&atilde;o capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do cora&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas necessidades s&atilde;o ocasi&atilde;o de salva&ccedil;&atilde;o e de bem-aventuran&ccedil;a.<\/p>\n<p>O facto de &laquo;prestar aten&ccedil;&atilde;o&raquo; ao irm&atilde;o inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspeto da vida crist&atilde; que me parece esquecido: <em>a corre&ccedil;&atilde;o fraterna, tendo em vista a salva&ccedil;&atilde;o eterna.<\/em> De forma geral, hoje &eacute;-se muito sens&iacute;vel ao tema do cuidado e do amor que visa o bem f&iacute;sico e material dos outros, mas quase n&atilde;o se fala da responsabilidade espiritual pelos irm&atilde;os. Na Igreja dos primeiros tempos n&atilde;o era assim, como n&atilde;o o &eacute; nas comunidades verdadeiramente maduras na f&eacute;, nas quais se tem a peito n&atilde;o s&oacute; a sa&uacute;de corporal do irm&atilde;o, mas tamb&eacute;m a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: &laquo;Repreende o s&aacute;bio e ele te amar&aacute;. D&aacute; conselhos ao s&aacute;bio e ele tornar-se-&aacute; ainda mais s&aacute;bio, ensina o justo e ele aumentar&aacute; o seu saber&raquo; (<em>Prov<\/em> 9, 8-9). O pr&oacute;prio Cristo manda repreender o irm&atilde;o que cometeu um pecado (cf. <em>Mt<\/em> 18, 15). O verbo usado para exprimir a corre&ccedil;&atilde;o fraterna &ndash; <em>elenchein &ndash;<\/em> &eacute; o mesmo que indica a miss&atilde;o prof&eacute;tica, pr&oacute;pria dos crist&atilde;os, de denunciar uma gera&ccedil;&atilde;o que se faz condescendente com o mal (cf. <em>Ef<\/em> 5, 11). A tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja enumera entre as obras espirituais de miseric&oacute;rdia a de &laquo;corrigir os que erram&raquo;. &Eacute; importante recuperar esta dimens&atilde;o do amor crist&atilde;o. N&atilde;o devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles crist&atilde;os que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se &agrave; mentalidade comum em vez de alertar os pr&oacute;prios irm&atilde;os contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e n&atilde;o seguem o caminho do bem. Entretanto a advert&ecirc;ncia crist&atilde; nunca h&aacute; de ser animada por esp&iacute;rito de condena&ccedil;&atilde;o ou censura; &eacute; sempre movida pelo amor e a miseric&oacute;rdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irm&atilde;o. Diz o ap&oacute;stolo Paulo: &laquo;Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, v&oacute;s, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com esp&iacute;rito de mansid&atilde;o, e tu olha para ti pr&oacute;prio, n&atilde;o estejas tamb&eacute;m tu a ser tentado&raquo; (<em>Gl<\/em> 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, &eacute; necess&aacute;rio redescobrir a import&acirc;ncia da corre&ccedil;&atilde;o fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. &Eacute; que &laquo;sete vezes cai o justo&raquo; (<em>Prov<\/em> 24, 16) &ndash; diz a Escritura &ndash;, e todos n&oacute;s somos fr&aacute;geis e imperfeitos (cf. <em>1 Jo<\/em> 1, 8). Por isso, &eacute; um grande servi&ccedil;o ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a pr&oacute;pria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. H&aacute; sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. <em>Lc<\/em> 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de n&oacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>&laquo;Uns aos outros<\/em><\/strong><strong>&raquo;: o dom da reciprocidade.<\/strong><\/p>\n<p>O facto de sermos o &laquo;guarda&raquo; dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente &agrave; dimens&atilde;o terrena, deixa de a considerar na sua perspetiva escatol&oacute;gica e aceita qualquer op&ccedil;&atilde;o moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos f&iacute;sicos, quer &agrave;s exig&ecirc;ncias espirituais e morais da vida. N&atilde;o deve ser assim na comunidade crist&atilde;! O ap&oacute;stolo Paulo convida a procurar o que &laquo;leva &agrave; paz e &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua&raquo; (<em>Rm<\/em> 14, 19), favorecendo o &laquo;pr&oacute;ximo no bem, em ordem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da comunidade&raquo; (<em>Rm<\/em> 15, 2), sem buscar &laquo;o pr&oacute;prio interesse, mas o do maior n&uacute;mero, a fim de que eles sejam salvos&raquo; (<em>1 Cor<\/em> 10, 33). Esta rec&iacute;proca corre&ccedil;&atilde;o e exorta&ccedil;&atilde;o, em esp&iacute;rito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>Os disc&iacute;pulos do Senhor, unidos a Cristo atrav&eacute;s da Eucaristia, vivem numa comunh&atilde;o que os liga uns aos outros como membros de um s&oacute; corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salva&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m a ver com a minha vida e a minha salva&ccedil;&atilde;o. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunh&atilde;o: a nossa exist&ecirc;ncia est&aacute; ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem tamb&eacute;m uma dimens&atilde;o social. Na Igreja, corpo m&iacute;stico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade n&atilde;o cessa de fazer penit&ecirc;ncia e implorar perd&atilde;o para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se cont&iacute;nua e jubilosamente tamb&eacute;m com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que &laquo;os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros&raquo; (<em>1 Cor<\/em> 12, 25) &ndash; afirma S&atilde;o Paulo &ndash;porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irm&atilde;os, do qual &eacute; express&atilde;o a esmola &ndash; t&iacute;pica pr&aacute;tica quaresmal, juntamente com a ora&ccedil;&atilde;o e o jejum &ndash; radica-se nesta perten&ccedil;a comum. Tamb&eacute;m com a preocupa&ccedil;&atilde;o concreta pelos mais pobres, pode cada crist&atilde;o expressar a sua participa&ccedil;&atilde;o no &uacute;nico corpo que &eacute; a Igreja. E &eacute; tamb&eacute;m aten&ccedil;&atilde;o aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prod&iacute;gios da gra&ccedil;a que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um crist&atilde;o vislumbra no outro a a&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, n&atilde;o pode deixar de se alegrar e dar gl&oacute;ria ao Pai celeste (cf. <em>Mt<\/em> 5, 16).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&laquo;<em>Para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&raquo;: <\/em>caminhar juntos na santidade.<\/strong><\/p>\n<p>Esta afirma&ccedil;&atilde;o da <em>Carta aos Hebreus <\/em>(10, 24) impele-nos a considerar a voca&ccedil;&atilde;o universal &agrave; santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. <em>1 Cor<\/em> 12, 31 &ndash; 13, 13). A aten&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior, &laquo;como a luz da aurora, que cresce at&eacute; ao romper do dia&raquo; (<em>Prov <\/em>4, 18), &agrave; espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos &eacute; concedido na nossa vida, &eacute; precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a pr&oacute;pria Igreja cresce e se desenvolve para chegar &agrave; plena maturidade de Cristo (cf. <em>Ef<\/em> 4, 13). &Eacute; nesta perspetiva din&acirc;mica de crescimento que se situa a nossa exorta&ccedil;&atilde;o a estimular-nos reciprocamente para chegar &agrave; plenitude do amor e das boas obras.<\/p>\n<p>Infelizmente, est&aacute; sempre presente a tenta&ccedil;&atilde;o da tibieza, de sufocar o Esp&iacute;rito, da recusa de &laquo;p&ocirc;r a render os talentos&raquo; que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. <em>Mt<\/em> 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais &uacute;teis para a realiza&ccedil;&atilde;o do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salva&ccedil;&atilde;o pessoal (cf. <em>Lc<\/em> 12, 21; <em>1 Tm<\/em> 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de f&eacute;, quem n&atilde;o avan&ccedil;a, recua. Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos &agrave; &laquo;medida alta da vida crist&atilde;&raquo; (Jo&atilde;o Paulo II, Carta ap. <em>Novo millennio ineunte<\/em>, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventuran&ccedil;a e a santidade de alguns crist&atilde;os exemplares, tem como finalidade tamb&eacute;m suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. S&atilde;o Paulo exorta: &laquo;Adiantai-vos uns aos outros na m&uacute;tua estima&raquo; (<em>Rm<\/em> 12, 10).<\/p>\n<p>Que todos, &agrave; vista de um mundo que exige dos crist&atilde;os um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urg&ecirc;ncia de esfor&ccedil;ar-se por adiantar no amor, no servi&ccedil;o e nas obras boas (cf. <em>Heb<\/em> 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de prepara&ccedil;&atilde;o para a P&aacute;scoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos &agrave; intercess&atilde;o da Bem-aventurada Virgem Maria e, de cora&ccedil;&atilde;o, concedo a todos a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica<\/p>\n<p>Vaticano, 3 de novembro de 2011<\/p>\n<p><em>Benedictus PP. XVI<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave;s boas obras&raquo; (Heb 10, 24) &nbsp; Irm&atilde;os e irm&atilde;s! A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida crist&atilde;: o amor. 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