{"id":54989,"date":"2012-01-31T11:29:53","date_gmt":"2012-01-31T11:29:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/31\/luz-no-sofrimento\/"},"modified":"2012-01-31T11:29:53","modified_gmt":"2012-01-31T11:29:53","slug":"luz-no-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/luz-no-sofrimento\/","title":{"rendered":"Luz no sofrimento"},"content":{"rendered":"<p>Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda est\u00e1 em n\u00f3s, que n\u00e3o se quer deixar eliminar, lutando contras as adversidades, chamando-nos para essa luta <!--more--> <\/p>\n<p>O cardeal-patriarca de Lisboa falava, recentemente, num &ldquo;paradoxo&rdquo; na rela&ccedil;&atilde;o entre o catolicismo e a dor humana, afirmando que a Igreja, por um lado, procura mitigar esse sofrimento e, por outro, d&aacute;-lhe um sentido sublime e transcendente.<\/p>\n<p>A aproxima&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial do Doente recupera, anualmente, a reflex&atilde;o e tamb&eacute;m a celebra&ccedil;&atilde;o sobre essa (apenas) aparente contradi&ccedil;&atilde;o: o crente n&atilde;o pode ignorar o sofrimento do outro, no qual reconhece o seu rosto e a face de Deus, ainda que tudo fa&ccedil;a para o evitar. A hist&oacute;ria ensina-nos que a dor &eacute; uma marca constante do ser em humanidade. N&atilde;o se pode fugir dela, mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; l&iacute;cito permanecer impass&iacute;vel, como se n&atilde;o fosse poss&iacute;vel ajudar quem sofre.<\/p>\n<p>O que muitos podem ver como fuga &agrave; realidade, na refer&ecirc;ncia ao transcendente, &eacute;, por parte da doutrina cat&oacute;lica, a resposta mais sincera que pode oferecer sobre a exist&ecirc;ncia: como captar a beleza do momento que passa sem ser com a alma aberta ao infinito, mesmo (sobretudo) nos momentos mais duros?<\/p>\n<p>J&aacute; uma vez, neste espa&ccedil;o, escrevi sobre o que custa acreditar que o sofrimento tenha um qualquer objetivo purificador, que a vida tenha um prop&oacute;sito para l&aacute; deste &lsquo;sem-sentido&rsquo; em que a natureza nos reduz a uma terr&iacute;vel insignific&acirc;ncia, na sua arbitrariedade.<\/p>\n<p>O sofrimento, a doen&ccedil;a que atinge sem olhar a quem, amplificam esse sentimento, at&eacute; porque, talvez por uma quest&atilde;o cultural, vemos a dor como um castigo, uma perda do estado original de perfei&ccedil;&atilde;o. Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda est&aacute; em n&oacute;s, que n&atilde;o se quer deixar eliminar, lutando contra as adversidades, chamando-nos para essa luta &#8211; e n&atilde;o nos largando enquanto n&atilde;o a ouvirmos&#8230;<\/p>\n<p>Muitos, perto ou longe de n&oacute;s, vivem como se a dor n&atilde;o tivesse fim, como estivesse &agrave; espera de uma qualquer brecha para se fazer sentir. Acredito, como diz Leonard Cohen, que h&aacute; mesmo uma fenda em tudo e que &eacute; assim que a luz entra. A f&eacute; cat&oacute;lica e o seu ensinamento sobre o sofrimento podem ser, para muitos, essa mesma luz.<\/p>\n<p>Oct&aacute;vio Carmo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda est\u00e1 em n\u00f3s, que n\u00e3o se quer deixar eliminar, lutando contras as adversidades, chamando-nos para essa luta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[166],"class_list":["post-54989","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-dia-mundial-do-doente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}