{"id":54930,"date":"2012-01-26T12:54:00","date_gmt":"2012-01-26T12:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/26\/mensagem-do-arcebispo-de-braga-para-o-tempo-da-quaresma\/"},"modified":"2012-01-26T12:54:00","modified_gmt":"2012-01-26T12:54:00","slug":"mensagem-do-arcebispo-de-braga-para-o-tempo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-arcebispo-de-braga-para-o-tempo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Mensagem do arcebispo de Braga para o tempo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><strong>Do jejum de palavras &agrave; responsabilidade fraternal<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. Um tempo novo <\/strong><\/p>\n<p>Aproxima-se o Tempo Quaresmal!<\/p>\n<p>O rito lit&uacute;rgico de quarta-feira de cinzas, que marca o in&iacute;cio deste tempo, recorda a nossa identidade: somos p&oacute; da terra e &agrave; terra havemos de voltar (cf. Gn 3,19). Retomando o nosso programa pastoral, se no tempo de Advento propus rever a nossa identidade eclesial, emerge agora um tempo prop&iacute;cio para revermos a nossa viv&ecirc;ncia eclesial. E perante a imposi&ccedil;&atilde;o do tr&iacute;ptico quaresmal (ora&ccedil;&atilde;o, jejum e partilha) decidi apontar o <strong>jejum <\/strong>como crit&eacute;rio da nossa revis&atilde;o de vida pessoal e comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Porque queremos que a Igreja Arquidiocesana se alimente da Palavra, n&atilde;o olho somente para o tradicional jejum alimentar, mas precisamente para um <em>jejum de palavras<\/em>. Nunca o Homem esteve em contacto com tantas palavras! As facilidades de comunica&ccedil;&atilde;o, a progress&atilde;o dos <em>mass media<\/em>, o aumento do n&iacute;vel acad&eacute;mico&hellip; colocam-nos diariamente perante uma pluralidade de palavras, onde cada uma prov&eacute;m de uma etimologia pr&oacute;pria e remete para uma realidade existencial.<\/p>\n<p>Por isso, a pergunta imp&otilde;e-se: que palavras nos remetem para uma viv&ecirc;ncia contr&aacute;ria ao ideal das bem-aventuran&ccedil;as e das quais necessitamos de jejuar?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. Um caminho novo <\/strong><\/p>\n<p>Neste sentido, permiti que apresente o seguinte itiner&aacute;rio pastoral (e liter&aacute;rio) ao ritmo do Evangelho, que nos ajudar&aacute; a jejuar das palavras que s&atilde;o o contr&aacute;rio (ant&oacute;nimo) da genu&iacute;na Palavra, Jesus Cristo, e a exigir uma atitude que seja sin&oacute;nimo da nossa viv&ecirc;ncia eclesial (<em>Verbum Domini<\/em>, 26).<\/p>\n<p><strong>Quarta-feira de Cinzas: <\/strong>jejuar da exibi&ccedil;&atilde;o para educar segundo a responsabilidade<\/p>\n<p><em>&ldquo;para serem vistos pelos homens&rdquo; <\/em>(Mt 6,5)<\/p>\n<p><strong>Domingo I: <\/strong>jejuar da tenta&ccedil;&atilde;o para retomar a comunh&atilde;o<\/p>\n<p><em>&ldquo;esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satan&aacute;s&rdquo; <\/em>(Mc 1,13)<\/p>\n<p><strong>Domingo II: <\/strong>jejuar do medo para professar o dom da f&eacute;<\/p>\n<p><em>&ldquo;pois estavam atemorizados&rdquo; <\/em>(Mc 9,6)<\/p>\n<p><strong>Domingo III: <\/strong>jejuar do lucro para viver em reciprocidade<\/p>\n<p><em>&ldquo;deitou por terra o dinheiro dos cambistas&rdquo; <\/em>(Jo 2,15)<\/p>\n<p><strong>Domingo IV <\/strong>(<em>Domingo Laetare<\/em>)<strong>: <\/strong>jejuar da idolatria para caminhar jubilosamente na santidade<\/p>\n<p><em>&ldquo;Deus enviou o Filho ao mundo&hellip; para que o mundo seja salvo por Ele&rdquo; <\/em>(Jo 3,17)<\/p>\n<p><strong>Domingo V: <\/strong>jejuar da vergonha para semear a esperan&ccedil;a<\/p>\n<p><em>&ldquo;Senhor, n&oacute;s queremos ver Jesus&rdquo; <\/em>(Jo 12,21)<\/p>\n<p><strong>Domingo de Ramos <\/strong>(<em>Dia Mundial da Juventude<\/em>): jejuar do ru&iacute;do para anunciar a alegria<\/p>\n<p><em>&ldquo;Mas eles gritaram ainda mais&rdquo; <\/em>(Mc 15,14)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Um desejo novo <\/strong><\/p>\n<p>O grande objetivo deste jejum de palavras sintetiza-se na mensagem do Santo Padre para esta Quaresma: &ldquo;Prestemos aten&ccedil;&atilde;o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e &agrave; boas obras&rdquo; (Heb 10, 24).<\/p>\n<p>Prestar aten&ccedil;&atilde;o significa &ldquo;desejar o bem&rdquo; como origem e causa duma <strong>responsabilidade fraternal <\/strong>que estimula, neste per&iacute;odo de dificuldades, a intensificar, entre outras coisas, o Contributo Penitencial que este ano, e a t&iacute;tulo excecional, ter&aacute; duas finalidades de &iacute;ndole diocesana: o <em>Fundo Partilhar com Esperan&ccedil;a<\/em>, para que, &agrave; semelhan&ccedil;a do gr&atilde;o de trigo (Jo 12,24), continuemos a semear entusiasmo no cora&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias necessitadas; e a recupera&ccedil;&atilde;o da <em>igreja paroquial de Aniss&oacute;<\/em>, Vieira do Minho, destru&iacute;da por um inc&ecirc;ndio quando estava a acabar de ser restaurada.<\/p>\n<p>Importa que este contributo n&atilde;o seja uma mera esmola, resultado das sobras da nossa opul&ecirc;ncia. Um contributo sem sacrif&iacute;cio (abdica&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o estimula o amor fraterno, nem &eacute; express&atilde;o da nossa viv&ecirc;ncia eclesial. Porque n&atilde;o abdicar de uma refei&ccedil;&atilde;o abastada, uma viagem dispens&aacute;vel, a despesa de um v&iacute;cio, a compra de um acess&oacute;rio&hellip; e reverter tal quantia, express&atilde;o da nossa liberdade, em prol da caridade? &ldquo;De facto, foi para a liberdade que v&oacute;s fostes chamados&rdquo; (Gl 5,13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4. Um desafio novo <\/strong><\/p>\n<p>Este ano congratulamo-nos com duas capitais europeias (Braga, <em>juventude<\/em>; Guimar&atilde;es, <em>cultura<\/em>) que, a n&iacute;vel pastoral, n&atilde;o podem cingir-se apenas &agrave; geografia daquelas duas cidades, mas a toda a Arquidiocese. Simultaneamente, se proponho a &ldquo;cultura do partilhar&rdquo; n&atilde;o posso tamb&eacute;m esquecer a solicitude pela juventude e uma aposta da cultura na pastoral.<\/p>\n<p>Na verdade, a esperan&ccedil;a no amanh&atilde; da Igreja e da sociedade est&aacute; na <strong>juventude <\/strong>que, embora parecendo disfar&ccedil;ar, necessita de propostas capazes de a seduzir para um encontro com Cristo (&ldquo;queremos ver o Senhor&rdquo;).<\/p>\n<p>A mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Juventude &eacute; estimulante: &ldquo;Alegrai-vos sempre no Senhor&rdquo; (Fil 4, 4). Cristo tem sempre algo a comunicar aos jovens e a Igreja deve ser portadora duma mensagem que lhes oferece perspetivas de esperan&ccedil;a. &ldquo;Cristo nada tira. Ele d&aacute; tudo!&rdquo; Aqui, a <em>ousadia <\/em>estimular&aacute; a criatividade das nossas comunidades e a <em>seriedade <\/em>incitar&aacute; a uma op&ccedil;&atilde;o pelo essencial, discernida na Palavra, como experi&ecirc;ncia profunda de f&eacute; (<em>Porta Fidei<\/em>, 6).<\/p>\n<p>Ao deixar-se enamorar pela Palavra, a Igreja outrora gerou <strong>cultura <\/strong>como express&atilde;o dum humanismo integral, e hoje deve continuar a ser espa&ccedil;o de apre&ccedil;o e del&iacute;cia pelo belo e maravilhoso. Portadores deste gosto, queremos caminhar em di&aacute;logo com aqueles que teimam em n&atilde;o &ldquo;acreditar no nome do Filho Unig&eacute;nito de Deus&rdquo;. A promo&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o em eventos culturais como concertos, teatro, filmes, debates, visitas a museus, proposta de livros, caminhadas juvenis&hellip; comprovam que a dimens&atilde;o cultural deve estar presente e revelam que a f&eacute; tamb&eacute;m se transmite mediante estas circunst&acirc;ncias.<\/p>\n<p>N&atilde;o queiramos cometer novamente o pecado babil&oacute;nico: <em>o esquecimento de Deus<\/em>. Assim, o Conselho Pastoral Paroquial apresenta-se como o espa&ccedil;o privilegiado para projetar din&acirc;micas que fa&ccedil;am da &ldquo;Paix&atilde;o de Cristo&rdquo; uma mem&oacute;ria viva e vivificante, capaz de transformar as &ldquo;paix&otilde;es do homem hodierno em aurora de um mundo feliz&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste ambiente de programa&ccedil;&otilde;es diversificadas para os jovens e para a cultura, coloco diante dos Conselhos Pastorais o desafio do Santo Padre deixado no encontro com o mundo da cultura em Lisboa: &ldquo;A Igreja sente como sua miss&atilde;o priorit&aacute;ria, na cultura atual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para al&eacute;m das coisas pen&uacute;ltimas e porem-se &agrave; procura das &uacute;ltimas. Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus, tal como Ele se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realiza&ccedil;&atilde;o. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.&rdquo;<\/p>\n<p>Sem este argumento, as nossas catequeses quaresmais, adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica (Lausperene), via-sacra, prociss&otilde;es, momentos de Reconcilia&ccedil;&atilde;o, celebra&ccedil;&otilde;es da Semana Santa&hellip; afastam-se do Mist&eacute;rio de Cristo!<\/p>\n<p>Espero que esta mensagem prepare o nosso cora&ccedil;&atilde;o para o acontecimento fundador da nossa f&eacute;: &laquo;N&atilde;o vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazar&eacute;, o crucificado? N&atilde;o est&aacute; aqui, ressuscitou!&rdquo; (Mc 16,6).<\/p>\n<p>Que Maria, a Senhora das Dores, nos ensine a acompanhar o seu Filho neste caminho quaresmal at&eacute; &agrave; Cruz! E que o jejum daquelas palavras nos transportem assim da imin&ecirc;ncia do pecado &agrave; teofania do pleno amor de Deus na Cruz, que transformou a fatalidade da morte num compromisso pelo Homem, exigindo-lhe essa responsabilidade fraternal.<\/p>\n<p>Solenidade da Convers&atilde;o de S. Paulo, 25 de janeiro de 2012.<\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do jejum de palavras &agrave; responsabilidade fraternal 1. Um tempo novo Aproxima-se o Tempo Quaresmal! O rito lit&uacute;rgico de quarta-feira de cinzas, que marca o in&iacute;cio deste tempo, recorda a nossa identidade: somos p&oacute; da terra e &agrave; terra havemos de voltar (cf. Gn 3,19). 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