{"id":54877,"date":"2012-01-24T11:01:00","date_gmt":"2012-01-24T11:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/24\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais-de-2012\/"},"modified":"2012-01-24T11:01:00","modified_gmt":"2012-01-24T11:01:00","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais-de-2012\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais de 2012"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sil&ecirc;ncio e palavra: caminho de evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s,<\/p>\n<p>Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflex&otilde;es sobre um aspeto do processo humano da comunica&ccedil;&atilde;o que, apesar de ser muito importante, &agrave;s vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necess&aacute;rio lembr&aacute;-lo. Trata-se da rela&ccedil;&atilde;o entre sil&ecirc;ncio e palavra: dois momentos da comunica&ccedil;&atilde;o que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um di&aacute;logo aut&ecirc;ntico e uma uni&atilde;o profunda entre as pessoas. Quando palavra e sil&ecirc;ncio se excluem mutuamente, a comunica&ccedil;&atilde;o deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contr&aacute;rio, cria um clima de indiferen&ccedil;a; quando, por&eacute;m se integram reciprocamente, a comunica&ccedil;&atilde;o ganha valor e significado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio &eacute; parte integrante da comunica&ccedil;&atilde;o e, sem ele, n&atilde;o h&aacute; palavras densas de conte&uacute;do. No sil&ecirc;ncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a n&oacute;s mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se &agrave; outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a n&oacute;s n&atilde;o ficarmos presos, por falta da adequada confronta&ccedil;&atilde;o, &agrave;s nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espa&ccedil;o de escuta rec&iacute;proca e torna-se poss&iacute;vel uma rela&ccedil;&atilde;o humana mais plena. &Eacute; no sil&ecirc;ncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais aut&ecirc;nticos da comunica&ccedil;&atilde;o entre aqueles que se amam: o gesto, a express&atilde;o do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No sil&ecirc;ncio, falam a alegria, as preocupa&ccedil;&otilde;es, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de express&atilde;o. Por isso, do sil&ecirc;ncio, deriva uma comunica&ccedil;&atilde;o ainda mais exigente, que faz apelo &agrave; sensibilidade e &agrave;quela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos la&ccedil;os. Quando as mensagens e a informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o abundantes, torna-se essencial o sil&ecirc;ncio para discernir o que &eacute; importante daquilo que &eacute; in&uacute;til ou acess&oacute;rio. Uma reflex&atilde;o profunda ajuda-nos a descobrir a rela&ccedil;&atilde;o existente entre acontecimentos que, &agrave; primeira vista, pareciam n&atilde;o ter liga&ccedil;&atilde;o entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opini&otilde;es ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum aut&ecirc;ntico. Por isso &eacute; necess&aacute;rio criar um ambiente prop&iacute;cio, quase uma esp&eacute;cie de &laquo;ecossistema&raquo; capaz de equilibrar sil&ecirc;ncio, palavra, imagens e sons.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Grande parte da din&acirc;mica atual da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; feita por perguntas &agrave; procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais s&atilde;o o ponto de partida da comunica&ccedil;&atilde;o para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugest&otilde;es, informa&ccedil;&otilde;es, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje v&ecirc;-se, frequentemente, bombardeado por respostas a quest&otilde;es que nunca se p&ocirc;s e a necessidades que n&atilde;o sente. O sil&ecirc;ncio &eacute; precioso para favorecer o necess&aacute;rio discernimento entre os in&uacute;meros est&iacute;mulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunica&ccedil;&atilde;o, aflora a preocupa&ccedil;&atilde;o de muitos pelas quest&otilde;es &uacute;ltimas da exist&ecirc;ncia humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? &Eacute; importante acolher as pessoas que se p&otilde;em estas quest&otilde;es, criando a possibilidade de um di&aacute;logo profundo, feito n&atilde;o s&oacute; de palavra e confronta&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de convite &agrave; reflex&atilde;o e ao sil&ecirc;ncio, que &agrave;s vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer at&eacute; ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no cora&ccedil;&atilde;o do homem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquieta&ccedil;&atilde;o do ser humano, sempre &agrave; procura de verdades, pequenas ou grandes, que deem sentido e esperan&ccedil;a &agrave; exist&ecirc;ncia. O homem n&atilde;o se pode contentar com uma simples e tolerante troca de c&eacute;ticas opini&otilde;es e experi&ecirc;ncias de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, &laquo;quando as pessoas trocam informa&ccedil;&otilde;es, est&atilde;o j&aacute; a partilhar-se a si mesmas, a sua vis&atilde;o do mundo, as suas esperan&ccedil;as, os seus ideais&raquo; (Mensagem para o Dia Mundial das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais de 2011).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Devemos olhar com interesse para as v&aacute;rias formas de s&iacute;tios, aplica&ccedil;&otilde;es e redes sociais que possam ajudar o homem atual n&atilde;o s&oacute; a viver momentos de reflex&atilde;o e de busca verdadeira, mas tamb&eacute;m a encontrar espa&ccedil;os de sil&ecirc;ncio, ocasi&otilde;es de ora&ccedil;&atilde;o, medita&ccedil;&atilde;o ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens &ndash; muitas vezes limitadas a um s&oacute; vers&iacute;culo b&iacute;blico &ndash; podem exprimir pensamentos profundos, se cada um n&atilde;o descuidar o cultivo da sua pr&oacute;pria interioridade. N&atilde;o h&aacute; que surpreender-se se, nas diversas tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, a solid&atilde;o e o sil&ecirc;ncio constituem espa&ccedil;os privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e &agrave;quela Verdade que d&aacute; sentido a todas as coisas. O Deus da revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica fala tamb&eacute;m sem palavras: &laquo;Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala tamb&eacute;m por meio do seu sil&ecirc;ncio. O sil&ecirc;ncio de Deus, a experi&ecirc;ncia da dist&acirc;ncia do Omnipotente e Pai &eacute; etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (&#8230;) O sil&ecirc;ncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mist&eacute;rio do seu sil&ecirc;ncio&raquo; (Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal Verbum Domini, 30 de setembro de 2010, n.&ordm; 21). No sil&ecirc;ncio da Cruz, fala a eloqu&ecirc;ncia do amor de Deus vivido at&eacute; ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em sil&ecirc;ncio e, no S&aacute;bado Santo &ndash; quando &laquo;o Rei dorme (&hellip;), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam h&aacute; s&eacute;culos&raquo; (cfr Of&iacute;cio de Leitura, de S&aacute;bado Santo) &ndash;, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se Deus fala ao homem mesmo no sil&ecirc;ncio, tamb&eacute;m o homem descobre no sil&ecirc;ncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. &laquo;Temos necessidade daquele sil&ecirc;ncio que se torna contempla&ccedil;&atilde;o, que nos faz entrar no sil&ecirc;ncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora&raquo; (Homilia durante a concelebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica com os membros da Comiss&atilde;o Teol&oacute;gica Internacional, 6 de outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espa&ccedil;o da contempla&ccedil;&atilde;o silenciosa. Desta contempla&ccedil;&atilde;o nasce, em toda a sua for&ccedil;a interior, a urg&ecirc;ncia da miss&atilde;o, a necessidade imperiosa de &laquo;anunciar o que vimos e ouvimos&raquo;, a fim de que todos estejam em comunh&atilde;o com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contempla&ccedil;&atilde;o silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso pr&oacute;ximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois, na contempla&ccedil;&atilde;o silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele des&iacute;gnio de salva&ccedil;&atilde;o que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a hist&oacute;ria da humanidade. Como recorda o Conc&iacute;lio Vaticano II, a Revela&ccedil;&atilde;o divina realiza-se por meio de &laquo;a&ccedil;&otilde;es e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mist&eacute;rio nelas contido&raquo; (Constitui&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica Dei Verbum, 2). E tal des&iacute;gnio de salva&ccedil;&atilde;o culmina na pessoa de Jesus de Nazar&eacute;, mediador e plenitude da toda a Revela&ccedil;&atilde;o. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurrei&ccedil;&atilde;o, nos fez passar da escravid&atilde;o do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A quest&atilde;o fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquieta&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o humano no Mist&eacute;rio de Cristo. &Eacute; deste Mist&eacute;rio que nasce a miss&atilde;o da Igreja, e &eacute; este Mist&eacute;rio que impele os crist&atilde;os a tornarem-se anunciadores de esperan&ccedil;a e salva&ccedil;&atilde;o, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constr&oacute;i a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Palavra e sil&ecirc;ncio. Educar-se em comunica&ccedil;&atilde;o quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para al&eacute;m de falar; e isto &eacute; particularmente importante paras os agentes da evangeliza&ccedil;&atilde;o: sil&ecirc;ncio e palavra s&atilde;o ambos elementos essenciais e integrantes da a&ccedil;&atilde;o comunicativa da Igreja para um renovado an&uacute;ncio de Jesus Cristo no mundo contempor&acirc;neo. A Maria, cujo sil&ecirc;ncio &laquo;escuta e faz florescer a Palavra&raquo; (Ora&ccedil;&atilde;o pela &Aacute;gora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de setembro de 2007), confio toda a obra de evangeliza&ccedil;&atilde;o que a Igreja realiza atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vaticano, 24 de janeiro &ndash; dia de S&atilde;o Francisco de Sales &ndash; de 2012.<\/p>\n<p><em>BENEDICTUS PP XVI<\/em><\/p>\n<p><em>(Tradu&ccedil;&atilde;o portuguesa oferecida pela Santa S&eacute;)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sil&ecirc;ncio e palavra: caminho de evangeliza&ccedil;&atilde;o Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflex&otilde;es sobre um aspeto do processo humano da comunica&ccedil;&atilde;o que, apesar de ser muito importante, &agrave;s vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necess&aacute;rio lembr&aacute;-lo. 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