{"id":5473,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/alexandrina-de-balasar-santa-para-portugal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"alexandrina-de-balasar-santa-para-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/alexandrina-de-balasar-santa-para-portugal\/","title":{"rendered":"Alexandrina de Balasar &#8211; Santa para Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m ignora a voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade como caminho para a Igreja. Por outro lado, todos reconhecem que os Santos n\u00e3o se limitam aos proclamados, solenemente, como tais. Acontece, por\u00e9m, que a canoniza\u00e7\u00e3o ou beatifica\u00e7\u00e3o dum membro da Igreja n\u00e3o \u00e9 um mero elencar de mais um nome no cat\u00e1logo. Com elas s\u00e3o anunciados diversos valores e dimens\u00f5es que a Igreja Universal deve acolher.  Que ter\u00e1 Alexandrina Maria da Costa a dizer \u00e0 Igreja em Portugal?  Sem pretender ser completo, sublinho tr\u00eas aspectos de grande utilidade.  1. Ela foi uma crist\u00e3 simples e humilde. Na verdade, n\u00e3o chegou a concluir os estudos prim\u00e1rios e \u201cobrigat\u00f3rios\u201d naquela \u00e9poca. Esta \u201climita\u00e7\u00e3o\u201d de conhecimentos, humanos e crist\u00e3os, n\u00e3o a impedirem de ser uma verdadeira evangelizadora. F\u00ea-lo atrav\u00e9s dos seus escritos, que necessitam dum estudo teol\u00f3gico mais consistente e que nos obrigam a pensar em congressos, e, particularmente, da palavra oportuna e serena que oferecia a quem a procurava. N\u00e3o pretendo desconsiderar a import\u00e2ncia da reflex\u00e3o teol\u00f3gica e da forma\u00e7\u00e3o permanente dos nossos crist\u00e3os. Creio que esta necessita duma \u201calma\u201d como experi\u00eancia m\u00edstica e de uni\u00e3o com Deus. Trata-se de sublinhar a prioridade da dimens\u00e3o contemplativa para que a palavra e o an\u00fancio adquiram consist\u00eancia. Ser\u00e1 ousadia reconhecer que a Igreja em Portugal, para al\u00e9m dum empenho mais s\u00f3lido no aprofundamento da mensagem crist\u00e3 tem necessidade de \u201cver\u201d, tamb\u00e9m, as doutrinas a partir do \u201cmist\u00e9rio\u201d o que s\u00f3 se consegue atrav\u00e9s duma considera\u00e7\u00e3o, te\u00f3rica e pr\u00e1tica, do valor da intimidade com Deus? S\u00f3 a contempla\u00e7\u00e3o alicer\u00e7a o an\u00fancio da Palavra.  2. Nesta prioridade pela Evange-liza\u00e7\u00e3o, a Eucaristia, alimento consistente da vida humana e crist\u00e3 da Vener\u00e1vel Alexandrina, tornou-se o \u201csegredo\u201d e a coragem para a fidelidade em todos os momentos e horas. Ela conseguiu \u201ceucaristizar\u201d a sua vida. No meio de tantas iniciativas e actividades que a pastoral hodierna reclama, teremos de redescobrir a centralidade da Eucaristia. Trata-se de ultrapassar a norma da obrigatoriedade dum preceito e fazer com que tudo nas\u00e7a desta \u00e2nsia interior de encontro com o divino. Ela, na celebra\u00e7\u00e3o e na comunh\u00e3o, ter\u00e1 de dizer mais Deus. E sabemos, por experi\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 suficiente o rubricismo escrupuloso. Urge maior prepara\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia a envolver toda a comunidade para que a presen\u00e7a de Cristo n\u00e3o se reduza \u00e0 Eucar\u00edstica mas aconte\u00e7a no encontro de \u201cdois ou mais\u201d. A Eucaristia ter\u00e1 de dar um sentido mais profundo e um valor mais consistente a Jesus no meio de \u201cdois ou mais\u201d que se amam. S\u00f3 assim a Eucaristia se torna alimento para a Igreja e para o mundo moderno repleto de dores e sofrimentos. Ele pretende serenidade e calma e s\u00f3 a presen\u00e7a de Cristo na comunidade \u00e9 uma resposta permanente. Depois, a presen\u00e7a eucar\u00edstica provocar\u00e1 outra incid\u00eancia na vida real das pessoas.  3. Se uma vida eucaristizada, tornada experi\u00eancia no encontro verdadeiro da comunidade, foi a coragem para os sofrimentos e as dores que a Vener\u00e1vel Alexandrina experimentou, num cuidado e acompanhamento mais t\u00e9cnico e competente aos doentes, a Igreja em Portugal ter\u00e1 de redescobrir modos e meios de se fazer presente no concreto da dor e do sofrimento. S\u00e3o muitos aqueles que lutam sozinhos e n\u00e3o bastam as estruturas e institui\u00e7\u00f5es que cuidam dos doentes. Eles necessitam da presen\u00e7a e do carinho que s\u00f3 uma doa\u00e7\u00e3o e entrega a esta causa pode oferecer. H\u00e1 momentos hist\u00f3ricos que exigem respostas novas. A evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ainda n\u00e3o eliminou nem iluminar\u00e1, o rosto da dor. Se a medicina oferece muito, a presen\u00e7a, como sinal dum amor crist\u00e3o, \u00e9 a mais valia que se pode oferecer. A Beatifica\u00e7\u00e3o de Alexandrina Maria da Costa deve questionar a Igreja em Portugal tornando-a mais evangelizadora atrav\u00e9s do testemunho, da eucaristia como fonte de vida nova e da aten\u00e7\u00e3o concreta ao mundo que sofre.  + Jorge Ortiga, A. P. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m ignora a voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade como caminho para a Igreja. Por outro lado, todos reconhecem que os Santos n\u00e3o se limitam aos proclamados, solenemente, como tais. Acontece, por\u00e9m, que a canoniza\u00e7\u00e3o ou beatifica\u00e7\u00e3o dum membro da Igreja n\u00e3o \u00e9 um mero elencar de mais um nome no cat\u00e1logo. 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