{"id":54683,"date":"2012-01-10T12:42:46","date_gmt":"2012-01-10T12:42:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/10\/s-goncalo-de-amarante-ou-s-goncalinho-de-aveiro\/"},"modified":"2012-01-10T12:42:46","modified_gmt":"2012-01-10T12:42:46","slug":"s-goncalo-de-amarante-ou-s-goncalinho-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/s-goncalo-de-amarante-ou-s-goncalinho-de-aveiro\/","title":{"rendered":"S. Gon\u00e7alo de Amarante &#8211; ou \u00abS. Gon\u00e7alinho de Aveiro\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">S. Gon&ccedil;alo de Amarante, da nobre fam&iacute;lia dos Pereiras, nasceu por volta de 1190, na freguesia de S. Salvador de Tagilde, no concelho de Vizela. Os pais deram-lhe uma esmerada educa&ccedil;&atilde;o moral e crist&atilde; n&atilde;o s&oacute; pela palavra, mas sobretudo pelo exemplo da sua virtude. Tendo atingido o uso da raz&atilde;o, foi confiado a um douto e honesto sacerdote, sob cuja dire&ccedil;&atilde;o iniciou os estudos. Desde a adolesc&ecirc;ncia, distinguiu-se na mod&eacute;stia, na piedade, no esfor&ccedil;o em se aperfei&ccedil;oar nos costumes crist&atilde;os e no progresso do trabalho escolar. Depois de cursar as ci&ecirc;ncias teol&oacute;gicas, foi ordenado sacerdote, iniciando o m&uacute;nus pastoral como p&aacute;roco da freguesia de S. Paio (ou S. Pel&aacute;gio) de Riba-Vizela; logo come&ccedil;ou a brilhar no zelo apost&oacute;lico, al&eacute;m de se evidenciar na pr&aacute;tica das obras de miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p>Porque alimentava o desejo de visitar os t&uacute;mulos de S. Pedro e de S. Paulo, em Roma, e de peregrinar a Jerusal&eacute;m e aos lugares santos da Palestina, deixou os paroquianos ao cuidado dum sobrinho sacerdote e fez-se peregrino &ndash; aus&ecirc;ncia que demorou catorze anos. Tendo regressado &agrave; freguesia, o sobrinho, al&eacute;m de o n&atilde;o aceitar como p&aacute;roco leg&iacute;timo, rejeitou-lhe a guarida em casa.<\/p>\n<p>Resignado com essa atitude, deixou S. Paio de Riba-Vizela e foi anunciar o Evangelho por aquelas terras at&eacute; &agrave;s margens do rio T&acirc;mega, fixando a sua habita&ccedil;&atilde;o num s&iacute;tio quase despovoado, onde hoje &eacute; a cidade de Amarante. Construiu uma pequena ermida que dedicou a Nossa Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, para nela se recolher em ora&ccedil;&atilde;o e penit&ecirc;ncia, e da&iacute; sair a pregar nos arredores. Pela sua devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Virgem Maria, resolveu seguir a vida conventual na Ordem dos Pregadores, recentemente fundada por S. Domingos. Consequentemente, entrou no convento de Guimar&atilde;es e, uma vez conclu&iacute;do o noviciado, foi admitido &agrave; profiss&atilde;o religiosa; passado algum tempo, obteve licen&ccedil;a de, com outro frade, voltar para o eremit&eacute;rio de Amarante, continuando a exercer o minist&eacute;rio evang&eacute;lico e caritativo. Faleceu santamente em 10 de janeiro de 1262, sendo o corpo sepultado na referida ermida. Se durante a vida j&aacute; se lhe atribu&iacute;am alguns milagres, mais se come&ccedil;aram a atribuir &agrave; sua intercess&atilde;o ap&oacute;s a morte.<\/p>\n<p>Tendo-se efetuado o respetivo processo can&oacute;nico, o breve pontif&iacute;cio da beatifica&ccedil;&atilde;o foi promulgado em 16 de setembro de 1561. A devo&ccedil;&atilde;o ao santo mais popular dos santos portugueses, depois de Santo Ant&oacute;nio de Lisboa, espalhou-se por Portugal e por muitas outras partes. Dessa venera&ccedil;&atilde;o falou o padre Ant&oacute;nio Vieira, no s&eacute;culo XVII, no serm&atilde;o que pregou no Brasil (Tomo VI, pg. 323): &#8211; &laquo;Se n&atilde;o t&ecirc;m filhos, a S. Gon&ccedil;alo os pedem; e se t&ecirc;m muitos, a S. Gon&ccedil;alo consultam se os h&atilde;o de mandar &agrave; guerra, ou ao estudo, ou aplicar ao arado. Se h&atilde;o de casar as filhas, S. Gon&ccedil;alo &eacute; o casamenteiro, e se os pr&oacute;prios pais, ou n&atilde;o podem, ou se descuidam de lhes dar estado, a lembran&ccedil;a que elas por mod&eacute;stia se n&atilde;o atrevem a lhes fazer, a fazem em segredo ao santo que, como mais poderoso e mais vigilante pai, se n&atilde;o descuida. A ele encomendam os pastores os gados, os lavradores as sementeiras; a ele pedem o sol, a ele a chuva; e o santo, pelo imp&eacute;rio que tem sobre os elementos, a seu tempo e fora do tempo, os alegra com o despacho das suas peti&ccedil;&otilde;es. Ele os remedeia nas pobrezas, ele os cura nas enfermidades, eles os reconcilia nas disc&oacute;rdias; ele, enfim, se andam desgarrados, os encaminha, e talvez os castiga tamb&eacute;m amorosamente, para que n&atilde;o degenerem de filhos de tal pai.&raquo;<\/p>\n<p>Em Aveiro, o bairro t&iacute;pico da &ldquo;Beira-Mar&rdquo; e mesmo toda a cidade tratam carinhosamente S. Gon&ccedil;alo de Amarante por <em>S. Gon&ccedil;alinho.<\/em> Desde tempos imemoriais, &eacute; particularmente invocado para a cura de doen&ccedil;as &oacute;sseas&hellip; n&atilde;o recusando tamb&eacute;m o seu valimento na resolu&ccedil;&atilde;o de dificulda&shy;des matrimoniais. As ofertas consistem n&atilde;o ape&shy;nas em pernas, bra&ccedil;os e m&atilde;os de cera&hellip; ou em flores, azeite e velas, mas ainda em cavacas do&shy;ces. O templo atual em sua honra, que sucedeu a um anterior, ostenta a data da constru&ccedil;&atilde;o &ndash; 1714.<\/p>\n<p>A festa anual realiza-se no dia 10 de ja&shy;neiro ou no domingo pr&oacute;ximo. A igreja e as ruas vizinhas s&atilde;o engalanadas com ornamentos e luzes; nos passeios, h&aacute; barraquinhas onde se vendem doces variados, cavacas e diversas recorda&ccedil;&otilde;es. Para a Eucaristia, celebrada no templo decorado com primor, o espa&ccedil;o torna-se ex&iacute;guo. Depois, durante a tarde, acontece a parte mais carater&iacute;stica do programa; a dada altura, a platibanda da ermida enche-se de pessoas, o sino repica com entusiasmo e as cavacas dos ofertantes s&atilde;o lan&ccedil;adas l&aacute; de cima sobre a multid&atilde;o. Os gaiatos correm e furam sem paran&ccedil;a, dirigem-se aos pontos mais estrat&eacute;gicos, em&shy;purram-se mutuamente, lan&ccedil;am-se ao ch&atilde;o &agrave; cata de alguma cavaca, enquanto o povo, em fluxos e refluxos, lhes vai facilitando a passagem ou propositadamente lhes estorva os movimentos. At&eacute; sucede que muitas pessoas usam redes colocadas em compridos paus ou abrem os guarda-chuvas que viram ao contr&aacute;rio; desta forma, apanham no ar as cava&shy;cas, antecipando-se assim &agrave;s m&atilde;os do rapazio s&ocirc;frego, que fica a olhar com desconsolo.<\/p>\n<p>As al&iacute;neas festivas v&atilde;o prosseguindo, mesmo pela noite dentro, &agrave; mistura com ora&ccedil;&otilde;es balbuciadas e promessas cumpridas em frente da imagem; nos intervalos, queimam-se muitos foguetes de vistas e de dinamite. Apesar do tempo frio de janeiro &#8211; e mesmo chuvoso &#8211; n&atilde;o h&aacute; m&iacute;ngua de aveirenses, que n&atilde;o ficariam de bem com a sua consci&ecirc;ncia se n&atilde;o participassem no alegre e t&iacute;pico conv&iacute;vio. No dia seguinte, ao findar da festa, novos e velhos d&atilde;o as m&atilde;os e caminham com a banda musi&shy;cal a cantar e a dan&ccedil;ar, enquanto os mordomos cessantes v&atilde;o &agrave;s casas dos mordomos do ano futuro, para os cumprimentar e lhes entregar o ramo; simultaneamente ouvem-se os der&shy;radeiros foguetes, que estralejam no ar. Mas a festa quase sempre n&atilde;o termina aqui, porquanto alguns populares do bairro juntam-se &agrave; noite, na capela; a&iacute; se pode ent&atilde;o apreciar a &ldquo;dan&ccedil;a dos mancos&rdquo;. Durante algum tempo, os intervenientes executam tal dan&ccedil;a, coxeando; simultaneamente cantam quadras populares, sob o olhar complacente de <em>S. Gon&ccedil;alinho.<\/em><\/p>\n<p><em>Mons. Jo&atilde;o Gaspar<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S. Gon&ccedil;alo de Amarante, da nobre fam&iacute;lia dos Pereiras, nasceu por volta de 1190, na freguesia de S. Salvador de Tagilde, no concelho de Vizela. Os pais deram-lhe uma esmerada educa&ccedil;&atilde;o moral e crist&atilde; n&atilde;o s&oacute; pela palavra, mas sobretudo pelo exemplo da sua virtude. 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