{"id":54680,"date":"2012-01-10T11:21:59","date_gmt":"2012-01-10T11:21:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/10\/sns-e-taxas-moderadoras\/"},"modified":"2012-01-10T11:21:59","modified_gmt":"2012-01-10T11:21:59","slug":"sns-e-taxas-moderadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sns-e-taxas-moderadoras\/","title":{"rendered":"SNS e taxas moderadoras"},"content":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>Temos de ir ao princ&iacute;pio das coisas para entender a situa&ccedil;&atilde;o atual.<\/p>\n<p>O Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de foi criado depois da evolu&ccedil;&atilde;o para a democracia como um servi&ccedil;o p&uacute;blico, aberto gratuitamente a todos os cidad&atilde;os. Os seus custos seriam suportados pelo Or&ccedil;amento Geral do Estado.<\/p>\n<p>Absorveu o que existia e que era muito &ndash; Centros de Sa&uacute;de, servi&ccedil;os m&eacute;dico-socais, hospitais p&uacute;blicos de ensino m&eacute;dico em Lisboa, Porto e Coimbra e hospitais das Miseric&oacute;rdias, um pouco por todo o pa&iacute;s &ndash; e assumiu-se como o &uacute;nico prestador, geral e universal. Gratuito no momento do uso, para a pessoa; e pago pelos contribuintes.<\/p>\n<p>N&atilde;o vou aqui comentar a eticidade desta op&ccedil;&atilde;o que transformou todos os cidad&atilde;os, ricos, remediados e pobres, em benefici&aacute;rios do Estado. Mas foi reconhecido, desde o in&iacute;cio, que sendo o Estado a pagar, as despesas do SNS ficavam cativas das disponibilidades financeiras do Estado e n&atilde;o do custo real das presta&ccedil;&otilde;es aos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Um Estado rico pode ter um SNS bem apoiado financeiramente, um Estado pobre ter&aacute; apenas o SNS que possa pagar. Um Estado em grave risco de rotura financeira ter&aacute; um SNS financeiramente insustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>Por respeito &agrave; verdade que &eacute; devida aos cidad&atilde;os afirmo, sem receio de ser contraditado, que o SNS nunca recebeu do Estado o financiamento necess&aacute;rio para cobrir as despesas que tinha de fazer para atender gratuitamente os cidad&atilde;os que diariamente o procuravam. Que s&atilde;o milh&otilde;es, por dia, em todo o territ&oacute;rio nacional. Causando milh&otilde;es de euros de despesa di&aacute;ria.<\/p>\n<p>Considerou-se desde o in&iacute;cio que os cidad&atilde;os usavam, por vezes, o SNS sem terem verdadeira necessidade (v&iacute;cio que vinha do tempo das &ldquo;Caixas&rdquo;), por ser gratuito. E criaram o que foi chamado de taxa moderadora. A taxa moderadora tinha uma justifica&ccedil;&atilde;o &eacute;tica: moderar o abuso da ida ao SNS. N&atilde;o era uma forma encapotada de criar uma receita para o SNS que atenuasse as suas dificuldades de financiamento, que, como j&aacute; afirmei, sempre existiram.<\/p>\n<p>O SNS, como empresa de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, acumulou d&eacute;fices anuais que at&eacute; ser&atilde;o muito dificilmente contabilizados, dadas as v&aacute;rias formas de engenharia financeira que, nestes mais de 30 anos, foram sendo montados pelos diversos Governos para &ldquo;arrumar&rdquo; os d&eacute;fices anuais, sempre crescentes, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Infelizmente, no momento atual, esta situa&ccedil;&atilde;o de d&eacute;fices or&ccedil;amentais e de d&iacute;vidas a terceiros, estendeu-se a muitos outros setores do chamado Estado social, que ficou sem capacidade financeira para honrar os seus compromissos com os cidad&atilde;os. Nomeadamente o compromisso de lhes dar cuidados de sa&uacute;de gerais, universais e gratuitos (ou tendencialmente gratuitos, seja o que for que signifique este tendencialmente).<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, entre outras decis&otilde;es para reduzir a oferta de servi&ccedil;os e controlar a procura, o Governo, sob a orienta&ccedil;&atilde;o dos financiadores externos (vulgo troika), est&aacute; a usar o pagamento das ditas taxas moderadoras, n&atilde;o para moderar o consumo por parte dos utentes mas para obter algum financiamento.<\/p>\n<p>Pode n&atilde;o haver outra solu&ccedil;&atilde;o. Mas que haja a coragem de explicar aos cidad&atilde;os que n&atilde;o &eacute; uma taxa moderadora mas um pagamento parcial das despesas que o cidad&atilde;o faz quando &eacute; tratado no SNS. E que este copagamento seja relacionado com a despesa provocada com o uso do ambulat&oacute;rio ou do hospital e indexado aos rendimentos do cidad&atilde;o. Por exemplo, se o detentor da maior fortuna em Portugal for tratado num hospital p&uacute;blico e provocar uma despesa de cem mil euros pagar&aacute; a totalidade. Se um sem abrigo estiver internado um m&ecirc;s, para tratamento de uma patologia grave, e provocar a mesma despesa, cem mil euros, n&atilde;o pagar&aacute; nada. Entre estes dois extremos, os encargos ser&atilde;o distribu&iacute;dos pelos utilizadores, caso a caso.<\/p>\n<p>Com este sistema nenhum cidad&atilde;o ficaria sem cuidados de sa&uacute;de por n&atilde;o ter dinheiro para os pagar. O direito a cuidados de sa&uacute;de necess&aacute;rios continua garantido a todos os cidad&atilde;os independentemente da sua capacidade financeira para os pagar. Mas, de acordo com a capacidade da pessoa, haver&aacute; lugar para o pagamento de uma parte dos custos. Os cuidados prestados ter&atilde;o sempre custos, que ser&atilde;o bem conhecidos e p&uacute;blicos e constar&atilde;o de uma fatura pr&oacute;-forma. Para os cidad&atilde;os estes custos ir&atilde;o ser de zero a 100 %.<\/p>\n<p>Sem participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os nos custos o SNS &eacute; financeiramente insustent&aacute;vel e ser&aacute; autodestru&iacute;do.<\/p>\n<p><em>Daniel Serr&atilde;o, m<\/em><em>&eacute;dico<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[174,187],"class_list":["post-54680","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54680\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}