{"id":54676,"date":"2012-01-10T11:14:37","date_gmt":"2012-01-10T11:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/10\/emigrar-para-fugir-a-casa-dos-pais\/"},"modified":"2012-01-10T11:14:37","modified_gmt":"2012-01-10T11:14:37","slug":"emigrar-para-fugir-a-casa-dos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emigrar-para-fugir-a-casa-dos-pais\/","title":{"rendered":"Emigrar para fugir \u00e0 casa dos pais"},"content":{"rendered":"<p>O jornalista Jo\u00e3o Carita vai partir, rumo \u00e0 Su\u00ed\u00e7a, em busca de solu\u00e7\u00f5es que o pa\u00eds n\u00e3o lhe oferece, apesar da experi\u00eancia profissional. Uma op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o implica \u00abrejeitar\u00bb a terra onde nasceu. <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Que raz&otilde;es o levaram a tomar a decis&atilde;o de emigrar?<\/em><\/p>\n<p><em>Jo&atilde;o Carita (JC) &ndash;<\/em> &Eacute; quase uma certeza que, at&eacute; ao final deste m&ecirc;s de janeiro, irei para a Su&iacute;&ccedil;a. A decis&atilde;o da partida foi feita em comum &ndash; eu e a minha namorada (enfermeira) &ndash; porque n&atilde;o encontramos, de momento, trabalho que nos satisfa&ccedil;a. Ela nem encontra trabalho e eu n&atilde;o encontro nada, a n&iacute;vel profissional, que me satisfa&ccedil;a. Por outro lado, n&atilde;o quero ser daquela gera&ccedil;&atilde;o dos 30 anos que ainda est&aacute; na casa dos pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Esgotaram todas as tentativas em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Neste momento j&aacute; nem estou muito atento &agrave;s hip&oacute;teses ou propostas que possam existir no nosso pa&iacute;s. Da parte dela &eacute; quase imposs&iacute;vel porque n&atilde;o h&aacute; abertura de vagas para os hospitais. Em rela&ccedil;&atilde;o a mim, embora tenha uma vasta experi&ecirc;ncia, esta acaba por me condicionar. N&atilde;o me sujeito a tudo aquilo a que rec&eacute;m-licenciados se sujeitam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O chamado trabalho prec&aacute;rio?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Tamb&eacute;m o fiz. Assim que sa&iacute; da faculdade, a primeira ideia era entrar no mercado do trabalho, no meio do jornalismo, e experimentei est&aacute;gios n&atilde;o remunerados. Fiz disso para come&ccedil;ar a ganhar o meu espa&ccedil;o, mas acabo por n&atilde;o ter nenhum espa&ccedil;o garantido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Conquistou esse espa&ccedil;o no &acirc;mbito da fotografia ou no jornalismo?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; No jornalismo. Defino-me com um jornalista &laquo;todo-o-terreno&raquo;. A fotografia &eacute; um hobby, mas tamb&eacute;m a coloco no meu trabalho. &Aacute;reas que s&atilde;o uma mais-valia na minha &aacute;rea. Tamb&eacute;m j&aacute; fiz r&aacute;dio e trabalhei em televis&atilde;o online.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As palavras do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre as hip&oacute;teses vi&aacute;veis da emigra&ccedil;&atilde;o tiveram peso na tomada de decis&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Para mim n&atilde;o tiveram grande eco. Ele, simplesmente, expressou aquilo que muita gente comenta. A maioria dos meus amigos tem esta ideia: &laquo;Se em Portugal n&atilde;o d&aacute; temos de procurar o nosso lugar noutro s&iacute;tio do mundo&raquo;. Isto n&atilde;o &eacute; rejeitar o nosso pa&iacute;s e aquilo que temos de bom, mas &eacute; tentar encontrar o nosso espa&ccedil;o e depois, eventualmente, voltar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Essa &eacute; vertente saudosista&hellip;<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; A palavra portuguesa &laquo;saudade&raquo; &eacute; muito expressiva e diz-nos muito. Embora ainda n&atilde;o tenha ido e j&aacute; estou a pensar naquilo que deixo para tr&aacute;s. Esse talvez seja um dos maiores obst&aacute;culos &agrave; partida. Nas experi&ecirc;ncias que j&aacute; tive fora de Portugal &ndash; n&atilde;o por muito tempo &ndash; acabaram por condicionar a integra&ccedil;&atilde;o plena no novo s&iacute;tio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Esta partida tem uma ida, mas tamb&eacute;m um regresso?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Espero que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; S&oacute; ir&aacute; por melhores condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e n&atilde;o por uma radica&ccedil;&atilde;o definitiva?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Irei n&atilde;o s&oacute; pelas condi&ccedil;&otilde;es monet&aacute;rias, mas tamb&eacute;m para poder constituir uma fam&iacute;lia. Apesar de ter 23 anos &ndash; n&atilde;o sou nenhum &laquo;velho&raquo; -, os meus pais referem que aos 14 anos j&aacute; estavam longe dos meus av&oacute;s e a trabalhar. Atualmente, vejo muita gente que tem 30 anos e ainda vive &agrave; custa dos pais porque ainda est&atilde;o em est&aacute;gio ou num trabalho pouco remunerado. N&atilde;o quero isso para mim&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Tem consci&ecirc;ncia de que a partida para um novo pa&iacute;s &eacute; um nascer de novo&hellip;<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Sem d&uacute;vida. At&eacute; porque vou um bocadinho &laquo;&agrave;s cegas&raquo;. N&atilde;o tenho propriamente fam&iacute;lia na Su&iacute;&ccedil;a nem um grupo que me possa integrar. Tenho de criar rela&ccedil;&otilde;es de amizade novas e tamb&eacute;m de algum tipo de parentesco. N&atilde;o vai ser f&aacute;cil. Ser&aacute; sempre uma coisa com mais inc&oacute;gnitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para tomar esta decis&atilde;o ausentou-se ou foi um simples raio de luz que apareceu?<\/em><\/p>\n<p>JC &#8211; Isto acaba por ser a consequ&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos. Se por acaso um de n&oacute;s tivesse trabalho fixo e est&aacute;vel, talvez n&atilde;o decid&iacute;ssemos por esta via. Sempre tive a ideia de ver crescer um projeto laboral. Em todos os trabalhos que j&aacute; fiz &ndash; nomeadamente na Igreja &ndash; tive sempre esse objetivo: lan&ccedil;ar as sementes, ver o projeto crescer e ganhar as suas asas para voar. Se calhar &eacute; uma vis&atilde;o ing&eacute;nua&hellip;, mas acredito muito nisto. No entanto, vejo que, atualmente, a precariedade &eacute; a palavra de ordem e n&atilde;o podemos criar ra&iacute;zes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; H&aacute; raz&otilde;es espec&iacute;ficas para escolher a Su&iacute;&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Na vertente profissional da sa&uacute;de, a Su&iacute;&ccedil;a &eacute; um pa&iacute;s mais f&aacute;cil para a minha namorada encontrar um trabalho. Por outro lado, a Su&iacute;&ccedil;a n&atilde;o est&aacute; na zona Euro e nos dias que correm&hellip; As not&iacute;cias dizem que o Euro mais dia ou menos dia poder&aacute; acabar. Agora, com o Euro n&atilde;o podemos fazer os &laquo;jogos de cintura&raquo; como se fazia antes com o Escudo. Agora estamos sujeitos &agrave; realidade europeia. Temos de ser competitivos com aquilo que fazemos e n&atilde;o atrav&eacute;s das &laquo;gin&aacute;sticas&raquo; com a moeda. Os portugueses t&ecirc;m grandes val&ecirc;ncias e estamos em todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O emigrante portugu&ecirc;s tem sucesso. Acredita que o ter&aacute;?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Espero bem que sim. Vou com esse sonho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; N&atilde;o pensou na ida para os pa&iacute;ses lus&oacute;fonos? Nas economias emergentes?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Pensei, mas depois sabia a pouco. N&atilde;o sei, at&eacute; que ponto, o estar em Angola, Mo&ccedil;ambique ou Brasil poderia ser ben&eacute;fico para mim. A Su&iacute;&ccedil;a tem uma cultura de competitividade de excel&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E a comunidade onde professa a sua f&eacute;?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Nesta altura que estou desempregado a &uacute;nica coisa que me &laquo;agarra&raquo; &eacute; a comunidade e a fam&iacute;lia. Aquilo que fa&ccedil;o no movimento Shalom e tamb&eacute;m na par&oacute;quia deixar-me-&aacute; muitas saudades. Embora tenha algumas coisas preparadas para que a despedida n&atilde;o seja muito dolorosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A op&ccedil;&atilde;o de emigrar est&aacute; tomada. Como v&ecirc; o futuro de Portugal?<\/em><\/p>\n<p>JC &ndash; Os portugueses j&aacute; se capacitaram que &eacute; preciso arrega&ccedil;ar as mangas.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Jo\u00e3o Carita vai partir, rumo \u00e0 Su\u00ed\u00e7a, em busca de solu\u00e7\u00f5es que o pa\u00eds n\u00e3o lhe oferece, apesar da experi\u00eancia profissional. Uma op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o implica \u00abrejeitar\u00bb a terra onde nasceu.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[106,122,191],"class_list":["post-54676","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-angola","tag-brasil","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54676"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54676\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}