{"id":54675,"date":"2012-01-10T11:11:28","date_gmt":"2012-01-10T11:11:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/10\/privados-da-esperanca-ei-los-que-partem-voltarao-ou-nao\/"},"modified":"2012-01-10T11:11:28","modified_gmt":"2012-01-10T11:11:28","slug":"privados-da-esperanca-ei-los-que-partem-voltarao-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/privados-da-esperanca-ei-los-que-partem-voltarao-ou-nao\/","title":{"rendered":"Privados da esperan\u00e7a, ei-los que partem&#8230; voltar\u00e3o ou n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Coutinho da Silva <!--more--> <\/p>\n<p>Desde 2005 foram muitos os alertas lan&ccedil;ados quer em Portugal quer nos mais diversos pa&iacute;ses sobre o aumento do n&uacute;mero de portugueses que partiam para uma nova onda de emigra&ccedil;&atilde;o. Teimosamente as autoridades negavam essa realidade utilizando falaciosamente o argumento de que j&aacute; n&atilde;o h&aacute; emigrantes porque somos todos cidad&atilde;os europeus que podemos livremente ir e voltar. Agora o entendimento parece ser outro e at&eacute; j&aacute; se empurram as pessoas portas fora: desempregados, diplomados e indiferenciados, salvem-se enquanto podem!<\/p>\n<p>&ldquo;Assim nos matam a esperan&ccedil;a&rdquo;, comentava &agrave; mesa da consoada uma jovem enfermeira dos arredores do Porto acolhida por uma fam&iacute;lia de imigrantes portugueses em Fran&ccedil;a que tinham sabido da sua solid&atilde;o naquela noite. Chegou h&aacute; oito meses. &Eacute; uma dos trinta enfermeiros&ndash;imigrantes portugueses que desde h&aacute; 18 meses t&ecirc;m vindo de Portugal para trabalhar no hospital da cidade. E mais est&atilde;o previstos. Como eles, chegam muitos milhares. Estima a estat&iacute;stica &ndash; deficiente por causa da livre circula&ccedil;&atilde;o &ndash; que anualmente ser&atilde;o mais de 30 mil os portugueses que procuram em Fran&ccedil;a uma outra vida.<\/p>\n<p>Dizem os que j&aacute; por c&aacute; vivem h&aacute; dezenas de anos &ndash; membros de uma pequena equipa de a&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica oper&aacute;ria de Toulouse &#8211; que &ldquo;at&eacute; parece que voltamos aos nossos anos 60\/70. Hoje s&atilde;o os novos imigrantes que sofrem e s&atilde;o explorados; ; eles que est&atilde;o com a corda ao pesco&ccedil;o, com d&iacute;vidas em Portugal, o que querem &eacute; trabalho e enviar dinheiro para baixo. Aceitam o trabalho que outros n&atilde;o querem. T&ecirc;m um sal&aacute;rio mais baixo, trabalham mais horas, s&atilde;o uma boa presa para os patr&otilde;es. H&aacute; portugueses que exploram os portugueses. T&ecirc;m hora para come&ccedil;ar mas n&atilde;o t&ecirc;m para deixar o trabalho&rdquo;.<\/p>\n<p>S&atilde;o jovens &ndash; 18\/35 anos, chegam com filhos muito pequenos, primeiro atrav&eacute;s de empresas de recrutamento, agora e cada vez mais pelas redes familiares ou de vizinhan&ccedil;a que os acolhem em casa, ajudam-nos a encontrar trabalho essencialmente na constru&ccedil;&atilde;o civil, nos servi&ccedil;os dom&eacute;sticos e de limpeza industrial, e guiam-lhes os primeiros passos junto das administra&ccedil;&otilde;es por causa da l&iacute;ngua, das matr&iacute;culas dos mais pequenos nas escolas. Beneficiam da imagem de bons trabalhadores da imigra&ccedil;&atilde;o portuguesa em Fran&ccedil;a, mas ouvem-se j&aacute; queixas, no seio da comunidade portuguesa, sobre a concorr&ecirc;ncia desenfreada no mercado do trabalho (fazem baixar o sal&aacute;rio hor&aacute;rio e o trabalho n&atilde;o declarado &eacute; moeda corrente&#8230;). Apesar de terem nascido e vivido em Portugal em clima de liberdade e de tomada de consci&ecirc;ncia dos direitos e da dignidade de cada pessoa do p&oacute;s-25 de abril, nota-se com frequ&ecirc;ncia, no dizer de uma senhora portuguesa a quem uma &ldquo;amiga recente&rdquo; havia &ldquo;tirado o trabalho&rdquo; de empregada de limpeza, que afinal, &ldquo;diante da urg&ecirc;ncia e da necessidade, o verniz estala depressa&rdquo;. Se a liberdade de escolher o seu pa&iacute;s de resid&ecirc;ncia constitui um direito universal e um passo importante no caminho de uma humanidade adulta, ser empurrado para fora de fronteiras como desnecess&aacute;rio e in&uacute;til faz-nos refletir sobre o sentido da hist&oacute;ria e da identidade de um povo. Ouvem-se desabafos &ldquo;n&atilde;o me falem mais de Portugal&#8230; para l&aacute; nunca mais&rdquo;. E os mais antigos revivem dolorosamente uma hist&oacute;ria que julgavam definitivamente encerrada. Pensavam ter sido os &uacute;ltimos a emigrar de uma terra de que pouco a pouco passaram a orgulhar-se pela democracia e pelo desenvolvimento conquistados; de uma terra para onde voltavam cada vez mais reconciliados. Afinal veem de novo rios de gente a correr para as quatro partidas do mundo, afogando-se no oceano do salve-se quem puder sem olhar a meios. Veem as pessoas com as ra&iacute;zes a serem-lhes cortadas (a recente decis&atilde;o do Instituto Cam&otilde;es de suprimir 50 postos de professor de portugu&ecirc;s na Europa tamb&eacute;m vai nesse sentido) e perguntam-se se ainda contam com elas para que o pa&iacute;s volte a levantar-se.<\/p>\n<p>Neste contexto, haver&aacute; ainda quem seja capaz de ouvir as palavras que o Papa Bento XVI dirigiu aos dirigentes africanos a quando da sua recente viagem ao Benim: &ldquo;N&atilde;o privem os vossos povos da esperan&ccedil;a&rdquo;? Quantos anos ser&atilde;o precisos para que tamb&eacute;m estes novos imigrantes em Fran&ccedil;a se recomponham como homens, mulheres, fam&iacute;lias, atores de uma sociedade em que os pobres deixem de se bater contra os pobres?<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Coutinho da Silva<br \/>Orl&eacute;ans &ndash; Fran&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Coutinho da Silva<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[92,120,187,203,312],"class_list":["post-54675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-25-de-abril","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-snec"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}