{"id":54576,"date":"2012-01-03T12:00:15","date_gmt":"2012-01-03T12:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/03\/envelhecimento-desafio-para-a-sociedade\/"},"modified":"2012-01-03T12:00:15","modified_gmt":"2012-01-03T12:00:15","slug":"envelhecimento-desafio-para-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/envelhecimento-desafio-para-a-sociedade\/","title":{"rendered":"Envelhecimento, desafio para a sociedade"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Batalha, presidente da FITI &#8211; Federa\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Terceira Idade <!--more--> <\/p>\n<p>Os problemas sociais inerentes ao ENVELHECIMENTO e as Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas ser&atilde;o seguramente os maiores e mais inquietantes desafios para a nossa sociedade no pr&oacute;ximo meio s&eacute;culo.<\/p>\n<p>O envelhecimento s&oacute; constitui problema porque a nossa sociedade n&atilde;o est&aacute; adaptada &agrave; popula&ccedil;&atilde;o cada vez mais idosa, por isso esta problem&aacute;tica deve ser encarada como uma mudan&ccedil;a fundamental que importa que se registe a todos os n&iacute;veis.<\/p>\n<p>A melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida e os assinal&aacute;veis progressos da ci&ecirc;ncia e da medicina est&atilde;o na origem do significativo aumento dos &iacute;ndices de longevidade. A esperan&ccedil;a de vida atingiu n&uacute;meros inimagin&aacute;veis na geometria das pir&acirc;mides populacionais de h&aacute; uma ou duas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Estes ganhos na esperan&ccedil;a de vida n&atilde;o representam s&oacute; problemas para a sociedade. Constituem uma fonte de oportunidades e de virtualidades que importa potenciar com respostas inovadoras.<\/p>\n<p>Este &eacute; um desafio para todos, sem exce&ccedil;&atilde;o, num quadro de respeito integral da pessoa humana na multiplicidade das suas dimens&otilde;es. A popula&ccedil;&atilde;o idosa ter&aacute; de ser parte da solu&ccedil;&atilde;o do problema no nosso sistema de organiza&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Desde logo importa desmistificar uns quantos preconceitos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o idosa (as pessoas idosas s&atilde;o um fardo para a sociedade, s&atilde;o fr&aacute;geis, j&aacute; n&atilde;o contribuem para nada, s&atilde;o todas iguais, homens e mulheres envelhecem da mesma maneira e a maioria dos idosos vive em pa&iacute;ses desenvolvidos) e atuar no sentido de dar mais vida aos anos, ou seja promover a qualidade de vida das pessoas &agrave; medida que envelhecem, otimizando as quest&otilde;es de seguran&ccedil;a, de sa&uacute;de, de participa&ccedil;&atilde;o. Dito de outra forma, promovendo o envelhecimento ativo.<\/p>\n<p>&Eacute; um processo que se aplica a todos: aos mais e aos menos idosos!<\/p>\n<p>Neste momento em que vivemos um processo de estagna&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, devemos olhar com cuidado para a quest&atilde;o da qualidade de vida dos nossos idosos. Sabemos tamb&eacute;m que s&atilde;o os idosos o grupo et&aacute;rio mais atingido pela pobreza; consequentemente tamb&eacute;m s&atilde;o eles as maiores v&iacute;timas de exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>Sentimo-nos chocados com as situa&ccedil;&otilde;es de isolamento, de solid&atilde;o (a grande doen&ccedil;a do nosso tempo). H&aacute; uma forte rela&ccedil;&atilde;o entre a sa&uacute;de e a solid&atilde;o: O qu&ecirc; gera o qu&ecirc;? A sa&uacute;de &eacute; um valor que possibilita ter acesso &aacute; participa&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas est&atilde;o focalizadas na sa&uacute;de e nas pens&otilde;es. Sabemos que os respetivos sistemas (de sa&uacute;de e de pens&otilde;es) reservam uma significativa parte dos seus or&ccedil;amentos para a popula&ccedil;&atilde;o idosa mas os valores de pens&otilde;es s&atilde;o genericamente muito baixos (ainda no dia 1 de janeiro, o senhor ministro da Solidariedade e Seguran&ccedil;a Social anunciou aumento das pens&otilde;es m&iacute;nimas), porque se baseiam em sal&aacute;rios de refer&ecirc;ncia baixos, curtas carreiras contributivas (muitas pessoas apesar de terem trabalhado a vida inteira, nunca descontaram para a seguran&ccedil;a social).<\/p>\n<p>Cabe ao Estado n&atilde;o declinar a sua responsabilidade. Depois de atribuir a pens&atilde;o avaliar o que o idoso &eacute; capaz de fazer ou comprar com essa pens&atilde;o. Para que d&aacute; esse valor?<\/p>\n<p>Outro aspeto a ter em conta coloca-se ao n&iacute;vel dos direitos fiscais. S&oacute; os encargos com os Lares s&atilde;o pass&iacute;veis de dedu&ccedil;&atilde;o fiscal. &Eacute; tempo de incentivar e promover a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados domicili&aacute;rios no sentido do manter o idoso na sua habita&ccedil;&atilde;o, sempre que poss&iacute;vel. N&atilde;o se valorizam os respetivos encargos em sede de dedu&ccedil;&atilde;o fiscal.<\/p>\n<p>O envelhecimento das popula&ccedil;&otilde;es est&aacute; fortemente ligado &agrave;s mudan&ccedil;as das rela&ccedil;&otilde;es intergeracionais. Os valores da fam&iacute;lia mudaram muito desde finais da d&eacute;cada de 60 (a constitui&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia j&aacute; n&atilde;o depende da institui&ccedil;&atilde;o do casamento, a coabita&ccedil;&atilde;o tornou-se mais comum, o maior n&uacute;mero de separa&ccedil;&otilde;es e div&oacute;rcios, as fam&iacute;lias monoparentais&hellip;). Mas tamb&eacute;m na fam&iacute;lia a maior esperan&ccedil;a de vida pode traduzir-se em rela&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;ximas entre os idosos e os seus descendentes . Os av&oacute;s conseguem estar mais tempo e ter atividades com os seus netos do que noutro tempo.<\/p>\n<p>&Eacute; essencial que as fam&iacute;lias possam ter capacidade para prestarem apoio aos seus maiores. Importa que a sociedade crie empregos adequados &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o das gera&ccedil;&otilde;es mais jovens nas suas comunidades, fomentando a economia local.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m o setor empresarial deve ter um olhar mais atento a estas quest&otilde;es de forma a que seja poss&iacute;vel conjugar o trabalho com os compromissos de apoio &agrave; fam&iacute;lia &ndash; quer seja &agrave; crian&ccedil;a, na &oacute;tica da promo&ccedil;&atilde;o da maternidade, quer ao idoso.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o apenas na fam&iacute;lia, em todas as dimens&otilde;es da vida social, importa ter um esp&iacute;rito de solidariedade intergeracional, envolvendo os jovens, os adultos e os mais idosos. Manter e investir no apoio &agrave; rede solid&aacute;ria (IPSS) j&aacute; no terreno com os seus equipamentos e servi&ccedil;os, no apoio domicili&aacute;rio todos os dias da semana, n&atilde;o s&oacute; no &acirc;mbito das necessidades di&aacute;rias mas tamb&eacute;m nos cuidados de sa&uacute;de. Criar mecanismos de solidariedade familiar e comunit&aacute;ria, sensibilizando amigos, vizinhos para a import&acirc;ncia da manuten&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de amizade e de interajuda para com os mais idosos da comunidade.<\/p>\n<p>Importa incentivar projetos de participa&ccedil;&atilde;o das pessoas idosas. Ao n&iacute;vel da cidade, envolver os v&aacute;rios atores sociais no sentido de prevenir as situa&ccedil;&otilde;es de isolamento de idosos. &Eacute; poss&iacute;vel mobilizar boas vontades e empenhamento ao n&iacute;vel de juntas de freguesia, IPSS, for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, bombeiros, cruz vermelha, comerciantes de bairro, vizinhos.<\/p>\n<p>Nas vilas e aldeias ainda existem redes de solidariedade de vizinhan&ccedil;a como suporte &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de isolamento. As IPSS, com uma cobertura capilar, funcionam como uma almofada social de resposta organizada &agrave;s car&ecirc;ncias cada vez maiores das comunidades e, sobretudo, da popula&ccedil;&atilde;o idosa.<\/p>\n<p>Cabe pois &agrave; sociedade assumir a defesa dos seus mais velhos, numa &oacute;tica de solidariedade intergeracional. Com os idosos, a sociedade aprende a Confian&ccedil;a, t&atilde;o necess&aacute;ria neste tempo. &Eacute; nesta rela&ccedil;&atilde;o intergeracional que se joga o futuro da sociedade.<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Carlos Batalha, presidente da FITI &#8211; Federa&ccedil;&atilde;o das Institui&ccedil;&otilde;es de Terceira Idade<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Batalha, presidente da FITI &#8211; Federa\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Terceira Idade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191,314],"class_list":["post-54576","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54576\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}