{"id":54569,"date":"2012-01-03T11:21:21","date_gmt":"2012-01-03T11:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/03\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-missa-de-ano-novo\/"},"modified":"2012-01-03T11:21:21","modified_gmt":"2012-01-03T11:21:21","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-na-missa-de-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-missa-de-ano-novo\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo da Guarda na missa de ano novo"},"content":{"rendered":"<p>Iniciamos um novo ano, invocando a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus para todos os nossos projetos e dando gra&ccedil;as pelos abundantes dons que at&eacute; agora Ele nos concedeu.<\/p>\n<p>A Palavra Deus fala-nos hoje da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que Mois&eacute;s, em nome de Deus, distribuiu por todo o Povo. Essa b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o sabemos hoje que tem um nome e esse nome &eacute; Jesus Cristo nascido em Bel&eacute;m. Jesus &eacute;, de facto, o Salvador esperado, que encarnou na nossa hist&oacute;ria, nascido de Maria e enviado pelo Pai, na plenitude dos tempos, como lembra a Carta aos G&aacute;latas, que acab&aacute;mos de escutar.<\/p>\n<p>Celebramos o Dia Mundial da Paz pela 44&ordf; vez (desse 1968, por iniciativa do ent&atilde;o Papa Paulo VI). O tema proposto pela mensagem papal para o dia de hoje &eacute; o seguinte: &ldquo; Educar os jovens para a justi&ccedil;a e para a paz&rdquo;.<\/p>\n<p>E n&atilde;o podia haver assunto mais atual do que este para o mundo e em particular para a sociedade portuguesa. De facto, nos tempos dif&iacute;ceis que atravessamos, apostar na educa&ccedil;&atilde;o dos jovens &eacute; transformar um peso em oportunida&shy;de de desenvolvimento para o nosso Pa&iacute;s. &Eacute; sabido que dos 13% que representa em Portugal o n&uacute;mero dos desempregados, 25% &eacute; constitu&iacute;do por jovens e jovens qualificados com diplomas que os habilitam para o exerc&iacute;cio de uma profiss&atilde;o. E isto n&atilde;o &eacute; teoria, pois ainda recentemente depois de presidir a uma celebra&ccedil;&atilde;o de finalistas, no ato de receberem o seu diploma de ensino superior, eles pr&oacute;prios me confidenciaram que metade j&aacute; tinha contratos para exercer a profiss&atilde;o em Inglaterra. Este &eacute; realmente um facto preocupante, pois todos sabemos que s&oacute; podemos p&ocirc;r a nossa economia a crescer com o contributo destes e de outros jovens devidamente qualificados.<\/p>\n<p>Por isso, aos jovens queremos pedir-lhes que ajudem, com a sua imagina&ccedil;&atilde;o e criatividade, a encontrar modelos novos de desenvolvimento para substituir aqueles que nos t&ecirc;m sido propostos e que, como prova a experi&ecirc;ncia, j&aacute; deram o que tinham a dar e com consequ&ecirc;ncias desastrosas. Desenvolvimento voltado s&oacute; para o crescimento material n&atilde;o &eacute; verdadeiro desenvolvimento e uma prova disso &eacute; a chamada ditadura dos mercados que a todos nos mant&eacute;m em sobressalto. Queremos encontrar modelos de desenvolvimento em que cada pessoa com todas as suas capacidades e todas as pessoas sejam valorizadas e motivadas para a participa&ccedil;&atilde;o na vida social. Temos de encontrar caminhos em que todos, com os m&eacute;todos novos que os jovens s&atilde;o capazes de ajudar a descobrir e a concertar, trabalhem&nbsp; para se conseguir a plena inclus&atilde;o social. Para isso atrevemo-nos a pedir aos jovens que coloquem como prioridades na sua vida o respeito pela&nbsp; verdade das pessoas, das coisas e do pr&oacute;prio mundo e a partir daqui repensem o pr&oacute;prio exerc&iacute;cio da liberdade. Os jovens s&atilde;o capazes de entender, assim haja quem lho proponha com determina&ccedil;&atilde;o e convic&ccedil;&atilde;o, que o exerc&iacute;cio da aut&ecirc;ntica liberdade n&atilde;o pode alinhar com a pr&aacute;tica do relativismo, onde cada um quer ser medida de tudo, o que acaba por confundir-se com o imp&eacute;rio do interesse pessoal sobre os direitos dos outros e do bem comum. Tamb&eacute;m s&atilde;o capazes de entender facilmente que sem justi&ccedil;a n&atilde;o pode haver vida social sustent&aacute;vel. E, ao falar de justi&ccedil;a, queremos dizer que os tribunais t&ecirc;m de funcionar e funcionar com retid&atilde;o; mas temos de ir mais longe. A justi&ccedil;a para al&eacute;m de aplicar as leis, que, com muita frequ&ecirc;ncia, s&atilde;o mais ou menos concertadas em fun&ccedil;&atilde;o de interesses e press&otilde;es, tem de procurar promover rela&ccedil;&otilde;es de solidariedade, de coopera&ccedil;&atilde;o e mesmo de gratuidade entre as pessoas.<\/p>\n<p>S&atilde;o estes alguns dos caminhos novos que podem dar futuro &agrave; nossa sociedade.<\/p>\n<p>Sintonizados com a mensagem do Papa para este dia, acreditamos nas capacidades das gera&ccedil;&otilde;es jovens para motivar as grandes mudan&ccedil;as necess&aacute;rias ao futuro sustent&aacute;vel do nosso mundo. Pedimos, tamb&eacute;m com o Papa, &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es da sociedade vocacionadas para intervir na educa&ccedil;&atilde;o da juventude que saibam cumprir a sua miss&atilde;o. E aqui destacamos a responsabilidade das fam&iacute;lias, cujo trabalho de educa&ccedil;&atilde;o nunca pode ser substitu&iacute;do, mas sim tem de ser ajudado de forma concertada, pelos diferentes agentes sociais.<\/p>\n<p>Que o novo ano de 2012 seja um&nbsp; passo em frente no abrir de caminhos novos &agrave; interven&ccedil;&atilde;o social respons&aacute;vel de todos os jovens.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Fel&iacute;cio, bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciamos um novo ano, invocando a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus para todos os nossos projetos e dando gra&ccedil;as pelos abundantes dons que at&eacute; agora Ele nos concedeu. A Palavra Deus fala-nos hoje da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que Mois&eacute;s, em nome de Deus, distribuiu por todo o Povo. 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