{"id":54560,"date":"2012-01-02T14:08:01","date_gmt":"2012-01-02T14:08:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/02\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2012-01-02T14:08:01","modified_gmt":"2012-01-02T14:08:01","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">SOLENIDADE DE SANTA MARIA, M&Atilde;E DE DEUS &#8211; 2012<\/p>\n<p align=\"center\">S&Eacute; NOVA DE COIMBRA<\/p>\n<p align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n<p>A Igreja dedica o primeiro dia do ano a Santa Maria, M&atilde;e de Deus, a rainha da Paz e M&atilde;e do Pr&iacute;ncipe da Paz. Em ambiente natal&iacute;cio, recordamos o an&uacute;ncio dos Anjos na noite de Bel&eacute;m e o seu canto de gl&oacute;ria a Deus no C&eacute;u e paz na terra aos homens.<\/p>\n<p>Neste Dia Mundial da Paz, somos confrontados com in&uacute;meras situa&ccedil;&otilde;es de guerra armada, que fere e mata pessoas inocentes e indefesas, nas mais variadas partes do mundo, sobretudo no M&eacute;dio Oriente, onde n&atilde;o se vislumbram solu&ccedil;&otilde;es eficazes para os conflitos entre na&ccedil;&otilde;es e entre povos.<\/p>\n<p>Noutras partes do mundo assistimos a graves divis&otilde;es causadas por fundamentalismos religiosos, que fizeram renascer a&ccedil;&otilde;es terroristas, perpetradas, na maior parte dos casos, contra os crist&atilde;os minorit&aacute;rios em muitos pa&iacute;ses da &Aacute;sia.<\/p>\n<p>A guerra surda contra a vida humana nascida ou por nascer, resultado do mais feroz ego&iacute;smo, continua a ser a que deixa atr&aacute;s de si maior rasto de viol&ecirc;ncia e de morte. Igualmente sem voz &eacute; toda a guerra psicol&oacute;gica, que leva a constrangimentos e viol&ecirc;ncias por parte dos mais fortes sobre os mais fracos. &Eacute; a guerra cuja arma &eacute; o sofrimento que se inflige aos outros por meio de palavras, gestos e atitudes de vida, dentro de cada casa, nos locais de trabalho ou no mundo das rela&ccedil;&otilde;es pessoais.<\/p>\n<p>Somos ainda confrontados com as guerras que s&atilde;o a pobreza, o desemprego, o desnorteamento dos mercados financeiros, todas as formas de especula&ccedil;&atilde;o, a supremacia dos pa&iacute;ses ricos e o crescendo sem fim da d&iacute;vida p&uacute;blica, que deixa pessoas e na&ccedil;&otilde;es &agrave; merc&ecirc; da avidez de alguns.<\/p>\n<p>Como recorda o papa Bento XVI na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, os jovens s&atilde;o os que se apresentam mais vulner&aacute;veis face a estas realidades, que os atingem numa fase crucial da sua vida. Face a um conjunto de m&aacute;s experi&ecirc;ncias de vida e a um mau testemunho da sociedade em que nasceram, eles correm o risco de n&atilde;o acreditar no ser humano, nas sua bondade natural e nas suas capacidades de construir o futuro pela via da justi&ccedil;a e da paz. Os jovens, que esperavam um conjunto de oportunidades e condi&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o do seu futuro pessoal, familiar, social, laboral, encontram pela frente um conjunto de portas fechadas e barreiras intranspon&iacute;veis. Eles mesmos podem tornar-se protagonistas de um futuro sem esperan&ccedil;a e agentes de uma cultura sem objetivos justos e v&aacute;lidos.<\/p>\n<p>Urge, nestas circunst&acirc;ncias, promover uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o dos jovens para a justi&ccedil;a e para a paz, que envolva a fam&iacute;lia, a escola, a Igreja.<\/p>\n<p>O Livro dos N&uacute;meros sugeria-nos na Primeira Leitura da Missa de hoje que o futuro de paz &eacute; fruto da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e da prote&ccedil;&atilde;o do Senhor, nosso Deus, que volta para n&oacute;s o seu olhar de bondade. &Eacute; este olhar de Deus, cheio de gra&ccedil;a e de miseric&oacute;rdia, que, ao cruzar-se com o nosso olhar, tem o dom de nos transformar interiormente e de provocar em n&oacute;s a mudan&ccedil;a radical da nossa mentalidade e da nossa formas de agir. Esse olhar e Deus, acolhido por n&oacute;s, provoca a convers&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, condi&ccedil;&atilde;o essencial para a constru&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>Foi deste olhar de Deus que o mundo se foi afastando; fomo-nos escondendo de Deus neste jardim em que nos colocou, para que o constru&iacute;ssemos e o fiz&eacute;ssemos prosperar de todos os bens e para todos os homens. A educa&ccedil;&atilde;o dos jovens em vez de os levar a sair para fora de si mesmos, em vez de os abrir aos outros e a Deus, fechou-os na procura de si mesmos, impeliu-os a afirmar-se pelo conhecimento, enquanto nova forma de poder e de dom&iacute;nio. Aquilo que devia ser educa&ccedil;&atilde;o, tornou-se um conjunto de meios para ultrapassar os outros, numa competi&ccedil;&atilde;o louca pela conquista dos lugares de trabalho, pela melhor remunera&ccedil;&atilde;o e pelas maiores seguran&ccedil;as materiais da vida.<\/p>\n<p>A pedagogia de Deus apresentada na Segunda Leitura, da Ep&iacute;stola aos G&aacute;latas, vai numa linha claramente contr&aacute;ria: Deus enviou o Seu Filho para resgatar todos os que eram escravos e nos tornar seus filhos adotivos. Esta &eacute; a pedagogia da educa&ccedil;&atilde;o para a liberdade face &agrave;s pessoas e face &agrave;s coisas; a pedagogia da educa&ccedil;&atilde;o para a justi&ccedil;a, conscientes de que o mundo e os seus bens e recursos n&atilde;o s&atilde;o propriedade de alguns afortunados, mas devem estar adequadamente ao servi&ccedil;o do bem de todos; esta &eacute; a pedagogia da educa&ccedil;&atilde;o para a paz, pois ela nunca existir&aacute; sem reto uso da liberdade nem sem justi&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es sociais ou no uso dos bens deste mundo.<\/p>\n<p>Ao apresentar os pastores a dirigir-se apressadamente para Bel&eacute;m, o Evangelho de S. Lucas diz-nos que os caminhos da justi&ccedil;a e da paz dependem de uma s&eacute;ria decis&atilde;o, que h&aacute; de ter lugar dentro de n&oacute;s. Movidos pela voz do cora&ccedil;&atilde;o, da consci&ecirc;ncia e de Deus, os pastores partiram e puderam contemplar a novidade da fam&iacute;lia do Filho de Deus. Como que a dizer que, movidos pela voz do cora&ccedil;&atilde;o, da consci&ecirc;ncia e de Deus, havemos de construir um mundo diferente e, enquanto fam&iacute;lias, escolas, Igreja, havemos de proporcionar aos jovens a possibilidade de fazer um percurso diferente, na procura livre da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>Ao darem ao Menino o nome indicado pelo Anjo, Maria e Jos&eacute; professam a sua f&eacute; em Jesus, o Deus que salva. Tamb&eacute;m n&oacute;s, neste primeiro dia do ano e Dia Mundial da Paz, professamos a nossa certeza de que a presen&ccedil;a de Jesus, o Deus que salva, na educa&ccedil;&atilde;o familiar, escolar e eclesial, &eacute; garantia segura de constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade onde reine a justi&ccedil;a e a paz para todos.<\/p>\n<p>A Santa Maria, M&atilde;e de Deus, consagramos este novo ano, e suplicamos que nos ensine a conservar no cora&ccedil;&atilde;o as palavras de amor e de paz de Jesus, o Deus que salva. &Aacute;men.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\">Coimbra, 1 de janeiro de 2011<\/p>\n<p align=\"right\">Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes<br \/>Bispo de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOLENIDADE DE SANTA MARIA, M&Atilde;E DE DEUS &#8211; 2012 S&Eacute; NOVA DE COIMBRA &nbsp; A Igreja dedica o primeiro dia do ano a Santa Maria, M&atilde;e de Deus, a rainha da Paz e M&atilde;e do Pr&iacute;ncipe da Paz. 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