{"id":54552,"date":"2012-01-02T12:30:23","date_gmt":"2012-01-02T12:30:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/02\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2012-01-02T12:30:23","modified_gmt":"2012-01-02T12:30:23","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><em>Solenidade de Santa Maria, M&atilde;e de Deus<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><em>S&eacute; de Aveiro, 1 de janeiro de 2012<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&ldquo;Um novo ano, dom de Deus &agrave; humanidade&rdquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1. Neste primeiro dia do Ano, na oitava do Natal, a Igreja contempla, sem desviar os olhos de Jesus, Aquela que Deus escolheu para que o mist&eacute;rio da encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo se tornasse poss&iacute;vel. O Filho de Deus encarnou, por obra do Esp&iacute;rito Santo, de Maria, sempre virgem, a M&atilde;e de Deus.<\/p>\n<p>Segundo o texto do evangelho, os pastores foram as primeiras testemunhas atentas aos acontecimentos de Bel&eacute;m e os primeiros contemplativos do nascimento do Filho de Deus. <em>&laquo;Os pastores dirigiram-se apressadamente para Bel&eacute;m e encontraram Maria, Jos&eacute; e o Menino&raquo; (cf. Lc 2, 16-21). <\/em>A aten&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre o melhor caminho para nos aproximarmos do mist&eacute;rio de Deus.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da humanidade, no seu percurso, vai-nos mostrando que o c&eacute;u tem sempre algo a dizer &agrave; terra e que o mist&eacute;rio de Deus se manifesta &agrave;s pessoas de cora&ccedil;&atilde;o atento, dispon&iacute;vel e capaz de ver, ler e entender os sinais em que Deus se revela: sinais de luz a iluminar as trevas da noite. Os tempos de crise podem ser, paradoxalmente, tempo de gra&ccedil;a mais abundante e de aten&ccedil;&atilde;o maior aos sinais de Deus.<\/p>\n<p>Os pastores fizeram-se ao caminho para procurar quanto lhes fora anunciado. Encontraram uma M&atilde;e com o seu Filho rec&eacute;m-nascido e Jos&eacute;, seu Esposo. Parece-lhes estranho o lugar mas a surpresa face ao ambiente encontrado n&atilde;o tolda nem perturba a alegria sentida diante de uma vida que nasce, envolvida num an&uacute;ncio cheio de encanto, de beleza e de mist&eacute;rio. Os pastores fazem a experi&ecirc;ncia t&atilde;o necess&aacute;ria no nosso tempo, de verem que o c&eacute;u se abre sobre a terra, a sua terra, e que por isso torna esta terra aben&ccedil;oada e cheia de luz e de verdade. A experi&ecirc;ncia dos pastores &eacute; a experi&ecirc;ncia dos contemplativos de Deus e dos peregrinos dos lugares santos de hoje; &eacute; a experi&ecirc;ncia de quantos procuram, encontram e contemplam o amor de Deus e o sentem espelhado em tantos cora&ccedil;&otilde;es humanos e solid&aacute;rios; &eacute; a experi&ecirc;ncia dos que vivem a alegria da f&eacute; e a comunicam aos outros com entusiasmo; &eacute; a experi&ecirc;ncia dos que sentem a sua for&ccedil;a e confian&ccedil;a alicer&ccedil;adas em Deus, mesmo quando vacilam as seguran&ccedil;as humanas e se desfazem as certezas do mundo; &eacute; a experi&ecirc;ncia dos que se sabem filhos de Deus, herdeiros da vida e construtores da felicidade, como nos diz S. Paulo, na Carta aos G&aacute;latas, da segunda leitura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Maria conservava e meditava tudo no seu cora&ccedil;&atilde;o de Mulher e de M&atilde;e, para acolher em si o mist&eacute;rio de Deus, que, dia a dia, at&eacute; ao fim dos tempos, melhor do que ningu&eacute;m, ela nos sabe revelar. Uma das dificuldades maiores em tempo de pressa, de relativismo de valores e de superficialidade das raz&otilde;es de viver, como &eacute; o nosso tempo, &eacute; a falta de paz interior, de disponibilidade de escuta e de aten&ccedil;&atilde;o, de tempo para acolher cada pessoa como um dom e um irm&atilde;o e de espa&ccedil;os para meditar os mist&eacute;rios de Deus.<\/p>\n<p>No seu sil&ecirc;ncio de M&atilde;e, que ouve sem perguntar e que fala sem dizer palavras, como s&oacute; as M&atilde;es sabem fazer, Maria conduz a hist&oacute;ria da Igreja e &eacute; b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para o povo crist&atilde;o e para a humanidade. Invoc&aacute;mo-la neste primeiro dia do Ano para que aben&ccedil;oe a Igreja de Aveiro e o tempo que nos &eacute; dado viver e dele fa&ccedil;a um tempo de justi&ccedil;a e de paz, de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e de gra&ccedil;a, de sa&uacute;de e de esperan&ccedil;a, um verdadeiro tempo de bem-aventuran&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. &Eacute; de justi&ccedil;a e de paz, tamb&eacute;m, o an&uacute;ncio que da Igreja se espera todos os dias, ainda mais nestes tempos perturbados pelas asperezas do caminho da humanidade e pelas incertezas quanto ao seu futuro, concretamente na Europa. H&aacute; quarenta e cinco anos que nos habituamos a celebrar o primeiro Dia de cada ano como Dia Mundial da Paz. A mensagem do Santo Padre Bento XVI para este Dia centra-se nos Jovens a quem urge educar para a Justi&ccedil;a e para a Paz. As recentes Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, vividas com o Santo Padre, vieram dizer uma vez mais ao Mundo, como &eacute; firme e bela a f&eacute; dos jovens e como eles desejam ser testemunhas de Jesus Cristo. A crise social e cultural que vivemos s&oacute; se pode vencer se deixarmos velhas quest&otilde;es e erros antigos e soubermos olhar o futuro com a confian&ccedil;a e a capacidade de sonho, de verdade, de unidade e de coragem de que os jovens de hoje d&atilde;o provas. E para o fazermos precisamos todos de dar mais espa&ccedil;o aos jovens na decis&atilde;o do nosso futuro comum e mais valor &agrave; fam&iacute;lia como ber&ccedil;o natural da vida, primeira escola de educa&ccedil;&atilde;o e necess&aacute;rio espa&ccedil;o do despertar religioso e do crescimento na f&eacute; das crian&ccedil;as e dos jovens.<\/p>\n<p>Nesta etapa pastoral, que a nossa Diocese centra na fam&iacute;lia, quero real&ccedil;ar com muita alegria a palavra do Santo Padre, que na sua mensagem nos fala da fam&iacute;lia e da sua import&acirc;ncia. S&atilde;o estas as palavras do Santo Padre:<\/p>\n<p>&ldquo;<em>Os pais s&atilde;o os primeiros educadores. A fam&iacute;lia &eacute; c&eacute;lula origin&aacute;ria da sociedade. &laquo;&Eacute; na fam&iacute;lia que os filhos aprendem os valores humanos e crist&atilde;os que permitem uma conviv&ecirc;ncia construtiva e pac&iacute;fica. &Eacute; na fam&iacute;lia que aprendem a solidariedade entre gera&ccedil;&otilde;es, o respeito pelas regras, o perd&atilde;o e o acolhimento do outro&raquo;. Esta &eacute; a primeira escola onde se educa para a justi&ccedil;a e para a paz.<\/em><\/p>\n<p><em>Vivemos num mundo em que a fam&iacute;lia e at&eacute; a pr&oacute;pria vida se veem constantemente amea&ccedil;adas e n&atilde;o raro destro&ccedil;adas&hellip;Queria dizer aos pais para n&atilde;o desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperan&ccedil;a antes de tudo em Deus, o &uacute;nico de quem surgem a justi&ccedil;a e a paz&rdquo; (cf. Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2012).<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; como fam&iacute;lia que queremos viver este ano que agora come&ccedil;a, numa Igreja diocesana, fraternidade de fam&iacute;lias, que confirma a esperan&ccedil;a nesta nossa terra de Aveiro, significada neste peda&ccedil;o de terra que hoje colocamos no pres&eacute;pio. Queremos colocar-nos, tamb&eacute;m n&oacute;s, ao servi&ccedil;o dos outros e particularmente ao servi&ccedil;o das fam&iacute;lias, ao servi&ccedil;o daqueles que se preparam para constituir novas fam&iacute;lias e ao servi&ccedil;o mais sol&iacute;cito, acolhedor e compreensivo de tantas fam&iacute;lias a viver momentos de sofrimento e de prova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Iniciaremos em outubro pr&oacute;ximo, neste mesmo ano que hoje come&ccedil;a, a Miss&atilde;o Jubilar Diocesana, na celebra&ccedil;&atilde;o dos 75 anos da restaura&ccedil;&atilde;o da nossa Diocese. Ser&aacute; um tempo de gra&ccedil;a, de alegria e de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, desde h&aacute; muito esperado e sonhado, a mobilizar-nos a todos para o an&uacute;ncio feliz e festivo de Jesus, o Filho de Deus. &Eacute; tempo para evangelizar, para celebrar e para servir. Todos somos necess&aacute;rios e todos nos sabemos chamados e sentimos convocados para a miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Neste mesmo esp&iacute;rito de Miss&atilde;o, s&atilde;o mobilizadoras e oportunas as palavras da Mensagem do Santo Padre para este Dia: <em>&ldquo;Olhemos o futuro com maior esperan&ccedil;a, <\/em>diz o Santo Padre, <em>encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gera&ccedil;&otilde;es, presentes e futuras (cf. Mensagem Bento XVI). <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Com a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Santa Maria, M&atilde;e de Deus, e pela intercess&atilde;o de Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, desejo para todos os diocesanos(as) e para todas as nossas fam&iacute;lias um aben&ccedil;oado Ano de 2012.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Francisco dos Santos<br \/><\/em><em>Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solenidade de Santa Maria, M&atilde;e de Deus S&eacute; de Aveiro, 1 de janeiro de 2012 &nbsp; &ldquo;Um novo ano, dom de Deus &agrave; humanidade&rdquo; 1. 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