{"id":54550,"date":"2012-01-02T12:09:00","date_gmt":"2012-01-02T12:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/02\/homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2012-01-02T12:09:00","modified_gmt":"2012-01-02T12:09:00","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Porto na solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus \u2013 Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p><strong>Celebrando com toda a Igreja e em inten&ccedil;&atilde;o de todo o mundo&hellip;<\/strong><\/p>\n<p>1.&ldquo;Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Bel&eacute;m e encontraram Maria, Jos&eacute; e o Menino deitado na manjedoura&hellip; Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto&hellip;&rdquo;.<\/p>\n<p>S&atilde;o frases curtas e incisivas, estas de S&atilde;o Lucas, no Evangelho h&aacute; pouco escutado, quando celebramos com toda a Igreja e em inten&ccedil;&atilde;o de todo o mundo a Solenidade de Santa Maria M&atilde;e de Deus &ndash; Dia Mundial da Paz, abrindo assim o ano da gra&ccedil;a de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2012, bem entrados j&aacute; no terceiro mil&eacute;nio crist&atilde;o.<\/p>\n<p>Os pastores encontraram Maria, Jos&eacute; e o Menino, ou seja, depararam com uma fam&iacute;lia, a que justamente chamamos &ldquo;sagrada&rdquo;, pois foi nela que Deus se apresentou ao mundo.<\/p>\n<p>Das muitas verdades que concluir&iacute;amos daqui, fixo-me agora em algumas. E a primeira &eacute; a da inaudita chegada de Deus &agrave; terra, a sua visualiza&ccedil;&atilde;o no mundo: &ndash; Quem imaginaria que assim fosse? Os deuses antigos viviam em Olimpos, n&atilde;o eram meninos em manjedouras. E, se algum aparecesse, seria certamente s&oacute; por si, manifestando individualmente o poder que a imagina&ccedil;&atilde;o dos homens lhe emprestasse&#8230; Em Bel&eacute;m fora tudo inesperado e diferente: a m&atilde;e que o tivera, o pai que o adotara e o Menino por fim. Definitivamente, pois nunca ser&aacute; doutro modo.<\/p>\n<p>Entendamo-nos neste ponto. Nem precisamos de ser imediatamente religiosos, para concluir que nada de essencial aparece nem essencialmente se resolve sem contexto comunit&aacute;rio &ndash; esse mesmo de que a fam&iacute;lia &eacute; a primeira express&atilde;o. E, se tanto individualismo que por a&iacute; alastrou e sobeja foi inegavelmente uma das causas da presente crise, tamb&eacute;m se evidencia que as fam&iacute;lias &ndash; ou o que permanece delas &ndash; ainda s&atilde;o porto de abrigo para muitos dos que mais a sofrem, por s&uacute;bita falta de meios materiais ou de apoio afetivo.<\/p>\n<p>Mas, se a isto somarmos a convic&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de que Deus nos visitou naquele Menino e daquela maneira, mais raz&otilde;es teremos para respeitar e promover a fam&iacute;lia como base indispens&aacute;vel da humanidade a reconstruir &ndash; e precisamente a partir dela. E falo, obviamente, da fam&iacute;lia que mantenha o espec&iacute;fico do que sempre manteve, apesar das diversidades &eacute;tnicas e culturais que tamb&eacute;m conheceu: a complementaridade feminino-masculino e a abertura &agrave; gera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. &Eacute; certo que a fam&iacute;lia &eacute; o primeiro patamar da sociabilidade humana, a que se sucedem outros. O longo e &aacute;rduo desenvolvimento das sociedades demonstra bem que estas se conseguiram pela extens&atilde;o das redes interfamiliares, quer partilhando antepassados comuns quer incluindo quem vinha de fora. E o pr&oacute;prio Menino que hoje contemplamos na fam&iacute;lia de Bel&eacute;m surpreender&aacute; doze anos depois Maria e Jos&eacute;, quando o reencontrarem no templo de Jerusal&eacute;m A&iacute; indicou uma paternidade mais alta e mais ampla, por si alargada a n&oacute;s todos, na fam&iacute;lia dos filhos de Deus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; certo. Mas nada disto suceder&aacute; sem a primeira e indispens&aacute;vel aprendizagem social e afetiva que na fam&iacute;lia normalmente acontece. E tamb&eacute;m isto se difundiu a partir do pres&eacute;pio de Bel&eacute;m, como depois da casa de Nazar&eacute;. N&atilde;o &eacute; por acaso que os pres&eacute;pios que montamos nesta quadra mant&ecirc;m tanto poder evocativo e pacificador.<\/p>\n<p>Da fam&iacute;lia que teve na terra, Jesus extraiu toda a linguagem e sentimento com que depois nos traduziu t&atilde;o maravilhosamente a miseric&oacute;rdia que o seu Pai celeste nos oferece a todos. Das fam&iacute;lias que tivermos e mantivermos extrairemos n&oacute;s o ideal e os gestos que a sociedade finalmente h&aacute; de ter.<\/p>\n<p>Como os pastores, anunciaremos o que tivermos visto e ouvido. Por minha parte, dou infindas gra&ccedil;as a Deus pelo grande n&uacute;mero de casais cujas Bodas de Prata e Ouro de Matrim&oacute;nio tenho o gosto de festejar na celebra&ccedil;&atilde;o anual que a Diocese do Porto muito justamente lhes dedica. Cada um deles demonstra que quanto irradiou da Sagrada Fam&iacute;lia continua a brilhar no mundo, com vantagem de todos. E de bom grado me junto &agrave;queles pastores que o anunciaram na altura. &#8211; H&aacute; felizmente muito mais e melhor, no que &agrave; fam&iacute;lia e &agrave; sua estabilidade diz respeito, do que a monotonia dos seus t&atilde;o publicitados desaires d&aacute; a entender!<\/p>\n<p>E &eacute; exatamente porque o sabemos e porque reconhecemos na fam&iacute;lia o maior e mas pedag&oacute;gico sustent&aacute;culo da sociedade, que todos &ndash; por motivos religiosos ou humanit&aacute;rios &ndash; devemos dar-lhe o apoio social e a primazia legal que indubitavelmente merece. Educando familiarmente os mais novos, para que possam criar por sua vez boas fam&iacute;lias; dando &agrave;s que se constituam as condi&ccedil;&otilde;es materiais e institucionais que as tornem mais sustent&aacute;veis e at&eacute; apetec&iacute;veis; planificando a sociedade e o trabalho em fun&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias e da respetiva unidade, e n&atilde;o de modo meramente individual e disperso&hellip; Tanto a fazer, para contrariar, pela positiva, a pesada estat&iacute;stica de div&oacute;rcios, uni&otilde;es n&atilde;o institucionais, poucos nascimentos e pessoas s&oacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Porque &eacute; tamb&eacute;m de paz que hoje falamos. Fala muito especialmente o Santo Padre Bento XVI na Mensagem para o 45&ordm; Dia Mundial da Paz, que aqui celebramos, como pelo mundo al&eacute;m. Escolheu por t&iacute;tulo e tema &ldquo;Educar os jovens para a justi&ccedil;a e paz&rdquo; e det&eacute;m-se particularmente na rela&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia com tudo o que se h&aacute; de fazer nesse sentido.<\/p>\n<p>Deixai-me insistir em que todos leiam a Mensagem de Bento XVI, crist&atilde;os e n&atilde;o crist&atilde;os que sejam, pois a todos interessa tal base comum. Mas, na sequ&ecirc;ncia do que vou partilhando convosco, n&atilde;o posso deixar de citar, ao menos, o seguinte trecho papal, interrogando primeiro e considerando depois, com grande oportunidade e realismo: &ldquo;- E quais s&atilde;o os lugares onde amadurece uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o para a paz e a justi&ccedil;a? Antes de mais a fam&iacute;lia, j&aacute; que os pais s&atilde;o os primeiros educadores. A fam&iacute;lia &eacute; a c&eacute;lula origin&aacute;ria da sociedade. [&hellip;] Vivemos num mundo em que a fam&iacute;lia e at&eacute; a pr&oacute;pria vida se veem constantemente amea&ccedil;adas e, n&atilde;o raro, destro&ccedil;adas. Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho frequentemente pouco compat&iacute;veis com as responsabilidades familiares, preocupa&ccedil;&otilde;es com o futuro, ritmos fren&eacute;ticos de vida, emigra&ccedil;&atilde;o &agrave; procura dum adequado sustentamento se n&atilde;o mesmo da pura sobreviv&ecirc;ncia, acabam por tornar dif&iacute;cil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mas preciosos: a presen&ccedil;a dos pais; uma presen&ccedil;a, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experi&ecirc;ncia e as certezas adquiridas com os anos &ndash; o que s&oacute; se torna vi&aacute;vel com o tempo passado juntos. &ndash; Queria dizer aos pais para n&atilde;o desanimarem!&rdquo; (Mensagem, n&ordm; 2).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&oacute;s o queremos dizer certamente, amados irm&atilde;os e irm&atilde;s. Mas s&oacute; o faremos de facto se nos empenharmos ao m&aacute;ximo para que nas nossas pr&oacute;prias fam&iacute;lias e naquelas que conhecemos, bem assim como nas nossas comunidades crist&atilde;s e vizinhan&ccedil;as, tudo fizermos para que cada um dos itens requeridos pelo Papa &ndash; condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e conviv&ecirc;ncia familiar, transmiss&atilde;o de convic&ccedil;&otilde;es&hellip; &#8211; realmente se efetivem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Estamos em tempo de crise, mas sobretudo de sair dela. N&atilde;o deixemos ent&atilde;o que os mesmos fatores individualistas ou economicistas que negativamente a provocaram prevale&ccedil;am agora, ainda que doutra maneira, sobre os fatores familiares e personalistas que foram por demais esquecidos.<\/p>\n<p>H&aacute; dois mil anos, Deus visitou-nos numa fam&iacute;lia, que Ele pr&oacute;prio formou para si e para n&oacute;s: para que nascesse no mundo e o mundo renascesse n&rsquo;Ele. S&eacute;culo ap&oacute;s s&eacute;culo, os seguidores de Cristo tentaram &ndash; com maior ou menor &ecirc;xito e congru&ecirc;ncia, &eacute; certo, mas com ineg&aacute;vel insist&ecirc;ncia &ndash; refor&ccedil;ar a fam&iacute;lia humana com qualidades que ainda mais a garantissem. Assim se dignificou a mulher, na complementaridade com o homem; assim se dignificaram mutuamente pais e filhos e se acompanharam os parentes idosos ou s&oacute;s; assim se santificou para os crentes a pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o familiar. Voltar atr&aacute;s em qualquer destes pontos seria uma tremenda trag&eacute;dia civilizacional, com graves riscos para a solidariedade e a paz, que t&ecirc;m geralmente na fam&iacute;lia a sua primeira e indispens&aacute;vel pedagogia.<\/p>\n<p>Tomemos ent&atilde;o muito a s&eacute;rio tudo quanto o Santo Padre nos escreve na Mensagem para este Dia Mundial da Paz, n&atilde;o deixando de a reler pessoalmente, em fam&iacute;lia e nas nossas comunidades eclesiais. Na Diocese do Porto, que tem como programa atual a Fam&iacute;lia e a Juventude, tomemo-la como texto base de reflex&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o. E que Santa Maria M&atilde;e de Deus, com o indispens&aacute;vel apoio de S&atilde;o Jos&eacute;, nos ensinem a cuidar dum Cristo que de algum modo se reproduz em cada gera&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, para a salva&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p>&#8211; Santo e feliz ano novo, pleno de novidade crist&atilde;!<\/p>\n<p>&nbsp;S&eacute; do Porto, 1 de janeiro do ano da gra&ccedil;a de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2012<\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebrando com toda a Igreja e em inten&ccedil;&atilde;o de todo o mundo&hellip; 1.&ldquo;Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Bel&eacute;m e encontraram Maria, Jos&eacute; e o Menino deitado na manjedoura&hellip; Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto&hellip;&rdquo;. S&atilde;o frases curtas e incisivas, estas de S&atilde;o Lucas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,165,171,187,314],"class_list":["post-54550","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-do-porto","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54550\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}