{"id":54548,"date":"2012-01-02T12:13:17","date_gmt":"2012-01-02T12:13:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/02\/homilia-do-bispo-auxiliar-de-braga-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2012-01-02T12:13:17","modified_gmt":"2012-01-02T12:13:17","slug":"homilia-do-bispo-auxiliar-de-braga-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-auxiliar-de-braga-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo auxiliar de Braga na solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus \u2013 Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jesus Cristo &eacute; a nossa paz! <\/strong>(Ef. 2, 14)<\/p>\n<p>Celebramos o mist&eacute;rio d&rsquo;Aquele que, sendo Deus, &ldquo;<em>por n&oacute;s, homens, e para nossa salva&ccedil;&atilde;o, desceu dos c&eacute;us e encarnou no seio da Virgem Maria e Se fez homem<\/em>&rdquo;, como professamos no Credo e nos lembram a segunda leitura e o Evangelho. Completa-se hoje a oitava do Natal e a celebra&ccedil;&atilde;o possui a mesma intensidade lit&uacute;rgica da do dia 25 de dezembro. Fazemos, tamb&eacute;m, especial refer&ecirc;ncia a Nossa Senhora, pois &eacute; nela, qual verdadeira &ldquo;arca da alian&ccedil;a&rdquo;, que se realiza o mist&eacute;rio da divindade e da humanidade do Verbo Encarnado. Por isso a denominamos com o sugestivo t&iacute;tulo de &ldquo;<em>M&atilde;e de Deus<\/em>&rdquo;. E colocamos o novo ano sob a sua prote&ccedil;&atilde;o: ela que nos deu o Salvador nos obtenha a gra&ccedil;a da tranquilidade e da esperan&ccedil;a. Melhor: nos obtenha a gra&ccedil;a da presen&ccedil;a de Deus nas nossas vidas e seus caminhos. Como referia a f&oacute;rmula de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Aar&atilde;o, lida na primeira leitura, que o Senhor aben&ccedil;oe os seus filhos. Que o Senhor nos proteja. Que fa&ccedil;a brilhar sobre n&oacute;s a Sua face e nos seja favor&aacute;vel. Que dirija para n&oacute;s o Seu olhar e nos conceda a paz.<\/p>\n<p>A Paz! Como sabemos, a Igreja dedica-lhe este dia. Todos os anos, uma mensagem papal nos chama a aten&ccedil;&atilde;o para algum aspeto com ela relacionado. Neste de 2012, o Papa Bento XVI escolheu o tema da juventude e o da necessidade da sua educa&ccedil;&atilde;o para os grandes valores. Demoremos um instante sobre este assunto.<\/p>\n<p>Em 2011, a juventude foi, muitas vezes, objeto de not&iacute;cia. Por boas e m&aacute;s raz&otilde;es. E constituiu-se, tamb&eacute;m, em agente de forte mudan&ccedil;a hist&oacute;rica: desencadeou o que alguns denominaram de &laquo;primavera &aacute;rabe&raquo;, processo que, infelizmente, n&atilde;o parece estar a seguir a dire&ccedil;&atilde;o sonhada; constituiu-se em fator de viol&ecirc;ncia e destrui&ccedil;&atilde;o gratuitas, mormente na Inglaterra; multitudinariamente, voltou a responder &agrave; chamada a testemunhar a f&eacute; nas Jornadas Mundiais da Juventude; foi o principal impulsionador desse movimento d&uacute;bio, denominado &ldquo;os insatisfeitos&rdquo;, mas contestat&aacute;rio da atual &laquo;velha ordem&raquo; de selvajaria econ&oacute;mico-financeira; est&aacute; a ser sistematicamente afastada desse bem enorme que &eacute; o trabalho, como recentes dados estat&iacute;sticos da Uni&atilde;o Europeia vieram confirmar; etc.<\/p>\n<p>Numa vis&atilde;o r&aacute;pida e, porventura, superficial, parece que podemos assentar nesta ideia: o atual mundo dos adultos, detentor do poder, nega aos jovens as verdadeiras condi&ccedil;&otilde;es do seu desenvolvimento pessoal e social, o acesso ao mercado de trabalho e a consequente possibilidade de constituir fam&iacute;lia. Em contrapartida, talvez para os manter anestesiados, favorece-lhes -e incentiva!- um estilo de vida n&atilde;o s&oacute; amoral como, muitas vezes, verdadeiramente imoral. Por conseguinte, longe da f&eacute;. E a Igreja, eterna aliada dos jovens, denuncia este estado de coisas.<\/p>\n<p>De facto, parece l&oacute;gico que entre a Igreja e os jovens haja uma esp&eacute;cie de sintonia natural. Porque se encontram nesta base, comum &agrave;s duas partes: na n&atilde;o conformidade ou aceita&ccedil;&atilde;o acriteriosa da sociedade vazia e mesquinha e na cont&iacute;nua proposta e anseio de um outro estilo de vida coletivo mais humano, mais efetivamente livre, mais verdadeiro, mais justo e mais fraterno. Se essa sintonia n&atilde;o se verificar, &eacute; mau sinal: ou a Igreja se distanciou dos jovens ou estes foram v&iacute;timas de algo que os afastou daquela. Ora, parece que a Igreja continua a dedicar aos jovens uma especial estima, como o provam as energias e os recursos que dedica &agrave; pastoral juvenil. E h&aacute; correspond&ecirc;ncia da parte da gente nova. Mas tamb&eacute;m h&aacute; quem, consciente ou inconscientemente, procure afastar os jovens da Igreja e at&eacute; canalizar para a viol&ecirc;ncia e para a destrui&ccedil;&atilde;o a natural insatisfa&ccedil;&atilde;o juvenil e a sua &acirc;nsia de transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. Por conseguinte, mais se reclama uma verdadeira evangeliza&ccedil;&atilde;o dos jovens e fazer destes agentes evangelizadores dos seus colegas.<\/p>\n<p>Esta ideia enforma a muito oportuna mensagem de Bento XVI para este Dia Mundial da Paz. Recorrendo a uma &laquo;constela&ccedil;&atilde;o de valores&raquo; que j&aacute; nos aparecem no &laquo;bom&raquo; Papa Jo&atilde;o XXIII, insiste nos quatro valores a transmitir aos jovens mediante um sadio processo educativo, pilares onde deve assentar o sentido da sua vida para que esta se torne uma vida com sentido. N&atilde;o s&oacute; crist&atilde;o, mas at&eacute; humano. A saber: a <strong>verdade<\/strong>, como resposta &agrave;s maiores inquieta&ccedil;&otilde;es humanas, mormente ao sentido da vida, sua origem e destino final; a verdadeira <strong>liberdade<\/strong>, ant&iacute;doto do atual individualismo ou &laquo;tirania do eu&raquo; e abertura relacional aos outros e ao grande &laquo;Outro&raquo;, que &eacute; Deus; a <strong>justi&ccedil;a<\/strong>, n&atilde;o como express&atilde;o do convencional e animalesco dom&iacute;nio do mais forte, mas atitude existencial que brota naturalmente de um cora&ccedil;&atilde;o habituado a viver na gratuidade, miseric&oacute;rdia e comunh&atilde;o; e a <strong>paz<\/strong>, ao fim e ao cabo a resultante de tudo isto, caldeado na gra&ccedil;a divina.<\/p>\n<p>Caros crist&atilde;os, particularmente v&oacute;s os jovens: sabemos que as coisas n&atilde;o v&atilde;o bem. Conhecemos hist&oacute;rias de injusti&ccedil;as que enojam, de desigualdades gritantes, de crises v&aacute;rias e avassaladoras. E porqu&ecirc; isto? Porque a nossa cultura, gradualmente, parece estar a abandonar a sua matriz crist&atilde; e a dar ouvidos ao canto da sereia do positivismo, do economicismo e do materialismo. Em detrimento dos valores humanistas, da fraternidade e das virtudes teologais da f&eacute;, esperan&ccedil;a e caridade.<\/p>\n<p>Neste contexto, h&aacute; lugar para um futuro de rosto humano? Teremos raz&otilde;es para desejarmos uns aos outros um &ldquo;feliz ano novo&rdquo;? Sim, temos. Porque o Menino que o Pai nos enviou &eacute; a justi&ccedil;a e a paz: &ldquo;<em>Ele &eacute; a nossa paz<\/em>&rdquo; (Ef 2, 14), garante-nos o Ap&oacute;stolo. &Eacute; a novidade plena que irrompe na hist&oacute;ria e sacia as mais profundas &acirc;nsias do cora&ccedil;&atilde;o humano. &Eacute;, Ele mesmo, o &ldquo;<em>novo c&eacute;u e a nova terra<\/em>&rdquo; (Ap 21, 1) esperados. E os jovens, que colocam o centro de gravidade das suas vidas no futuro do tempo novo redescobrir&atilde;o em Jesus Cristo o caminho, a verdade e a vida com sentido. Vida pessoal e social. Vida nova que &eacute; dom. Mas tamb&eacute;m tarefa: tarefa &aacute;rdua a edificar de m&atilde;os dadas entre os jovens e a Igreja.<\/p>\n<p>A todos, aos jovens e aos menos jovens, bom ano de 2012!<\/p>\n<p>Catedral de Braga, Solenidade de Santa Maria, M&atilde;e de Deus, 1 de janeiro de 2012.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda, bispo auxiliar<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus Cristo &eacute; a nossa paz! (Ef. 2, 14) Celebramos o mist&eacute;rio d&rsquo;Aquele que, sendo Deus, &ldquo;por n&oacute;s, homens, e para nossa salva&ccedil;&atilde;o, desceu dos c&eacute;us e encarnou no seio da Virgem Maria e Se fez homem&rdquo;, como professamos no Credo e nos lembram a segunda leitura e o Evangelho. 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