{"id":54535,"date":"2012-01-01T12:01:00","date_gmt":"2012-01-01T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/01\/01\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2012-01-01T12:01:00","modified_gmt":"2012-01-01T12:01:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca na Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus, Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;Iluminar a vida do homem e da sociedade com a luz de Cristo&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>1. Hoje iniciamos um novo Ano. Todos o anunciam como um ano dif&iacute;cil, exigente, em que, para n&atilde;o so&ccedil;obrarmos no des&acirc;nimo, precisamos de recorrer a todas as for&ccedil;as que nos d&atilde;o coragem para lutar e que s&atilde;o o fundamento da nossa esperan&ccedil;a e da nossa alegria. E para n&oacute;s crentes a for&ccedil;a decisiva &eacute; Jesus Cristo, como encarna&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de Deus no meio do seu Povo, com amor e solicitude de Pai. S&atilde;o Paulo lembra-o na Carta aos G&aacute;latas: este Filho de Deus nasceu &ldquo;de uma Mulher, para resgatar os que estavam sujeitos &agrave; Lei e nos tornar seus filhos adotivos&hellip; n&atilde;o somos escravos, mas filhos&rdquo; (Gal. 4,4-7).<\/p>\n<p>Oito dias depois do Seu nascimento, os pais de Jesus levaram-no ao templo para ser circuncidado e deram-Lhe o Nome de Jesus, que o Anjo Gabriel tinha anunciado a Maria. Jesus quer dizer Salvador. Ele &eacute;, at&eacute; ao fim dos tempos, salvador, de todos os homens, em todas as circunst&acirc;ncias que ameacem neles a plenitude da vida, quer pessoalmente, quer na sociedade a que pertencem. Ningu&eacute;m se admire que n&oacute;s, os crist&atilde;os, procuremos em Jesus Cristo a for&ccedil;a para reagir &agrave;s adversidades, o desafio de uma vida diferente, que h&aacute; de transformar a sociedade como fermento na massa, que nos levar&aacute; a nunca desistirmos de construir a justi&ccedil;a e a ser obreiros da paz.<\/p>\n<p>Ele, o Justo, &eacute; a nossa Paz. Em todas as vicissitudes da hist&oacute;ria, os crist&atilde;os n&atilde;o t&ecirc;m outra fonte de for&ccedil;a sen&atilde;o Jesus, o nosso Salvador. &Eacute; esta refer&ecirc;ncia a Ele que nos leva a ter uma vis&atilde;o do homem e da sociedade onde reinem a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p>Na sua Mensagem para este dia, o Santo Padre, define a atitude que devemos ter ao iniciar este novo Ano, com uma refer&ecirc;ncia ao Salmo 130: &ldquo;O homem de f&eacute; aguarda pelo Senhor, mais do que a sentinela pela aurora&rdquo;. Esta &eacute; a experi&ecirc;ncia do povo eleito que foi educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade, sem se deixar abater pelas tribula&ccedil;&otilde;es. Por isso, o Santo Padre convida-nos &ldquo;a olhar o Ano de 2012 com esta atitude confiante. &Eacute; verdade que, no Ano que termina, cresceu o sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas ra&iacute;zes s&atilde;o primariamente culturais e antropol&oacute;gicas. Parece que um manto de escurid&atilde;o desceu sobre o nosso tempo, impedindo-nos de ver com clareza a luz do dia&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Mas nesta escurid&atilde;o, continua o Papa, o cora&ccedil;&atilde;o do homem n&atilde;o cessa de aguardar pela aurora. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e vis&iacute;vel nos jovens. O Papa dedica-lhes, particularmente, esta mensagem, &ldquo;convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperan&ccedil;a ao mundo&rdquo;. O Papa recorda, certamente, a recente experi&ecirc;ncia de Madrid: a alegria e o entusiasmo daqueles jovens semeavam no nosso cora&ccedil;&atilde;o a esperan&ccedil;a. No encontro com os 15 000 jovens portugueses senti algo que exprimia aquilo a que Jo&atilde;o Paulo II designou por um &ldquo;novo ardor&rdquo; que h&aacute; de marcar a &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Bento XVI, ao situar este contributo dos jovens na sociedade concreta em que vivemos, no momento presente, convida-os a serem construtores da justi&ccedil;a e obreiros da paz. O desafio da justi&ccedil;a e da paz sintetiza toda a mensagem crist&atilde; sobre a sociedade. Esta dimens&atilde;o abrangente exprime-se, igualmente, nos protagonistas escolhidos: os jovens, para poderem &ldquo;oferecer uma nova esperan&ccedil;a ao mundo&rdquo;, arrastam consigo os seus educadores, as suas fam&iacute;lias, as pedras vivas da sociedade. Eles est&atilde;o na fase da descoberta da vida: caminhar com eles &eacute; ajud&aacute;-los a descobrir, pelo nosso empenho, os caminhos novos onde brotem a justi&ccedil;a e a paz. A Igreja precisa de lhes anunciar a boa nova da justi&ccedil;a e da paz. Passa tamb&eacute;m por a&iacute; a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Esta n&atilde;o &eacute; s&oacute; palavra, enunciado doutrinal, mas testemunho de vida. A justi&ccedil;a e a paz t&ecirc;m de ser um testemunho de vida, pois s&oacute; homens justos podem construir a justi&ccedil;a, e s&oacute; os que experimentaram a paz interior se tornam lutadores pela paz na sociedade. A paz e a justi&ccedil;a sup&otilde;em a generosidade, a capacidade de dom, a harmonia interior, com os outros homens, em sociedade, com a verdade da cria&ccedil;&atilde;o e com a terra que habitamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Fazer esta caminhada com os jovens significa anunciar, com o ardor da convic&ccedil;&atilde;o e da experi&ecirc;ncia, a doutrina da Igreja sobre a sociedade, o Evangelho a iluminar a realidade concreta, em cada momento da hist&oacute;ria. A doutrina social da Igreja n&atilde;o tem estado muito presente no an&uacute;ncio evangelizador, e ela &eacute; a palavra da Igreja a iluminar e a dar sentido a cada realidade concreta. Ela tem, necessariamente, de fazer parte, da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Tudo o que diz respeito &agrave; comunidade dos homens &ndash; situa&ccedil;&otilde;es e problemas relacionados com a justi&ccedil;a, com a liberta&ccedil;&atilde;o, com o desenvolvimento, com as rela&ccedil;&otilde;es entre os povos, com a paz &ndash; n&atilde;o &eacute; estranho &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o e esta n&atilde;o seria completa se n&atilde;o tivesse em conta o apelo rec&iacute;proco que continuamente se fazem o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social do homem. H&aacute; la&ccedil;os profundos entre evangeliza&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o humana&rdquo;.<\/p>\n<p>Antes de mais, la&ccedil;os de ordem antropol&oacute;gica, porque o homem a evangelizar n&atilde;o &eacute; um ser abstrato, mas &eacute; condicionado pelas quest&otilde;es sociais e econ&oacute;micas. La&ccedil;os de ordem teol&oacute;gica, porque n&atilde;o se podem dissociar o plano da cria&ccedil;&atilde;o e o da reden&ccedil;&atilde;o que se exprime em situa&ccedil;&otilde;es concretas de injusti&ccedil;as a combater, e da justi&ccedil;a que &eacute; preciso restaurar. La&ccedil;os de ordem eminentemente evang&eacute;lica, como &eacute; o da caridade: como se poder&aacute;, de facto anunciar o mandamento novo sem promover, na justi&ccedil;a e na verdadeira paz, o crescimento aut&ecirc;ntico do homem&rdquo;? [1]<\/p>\n<p>Temos de anunciar aos jovens e com os jovens, com &ldquo;novo ardor&rdquo;, esta doutrina da Igreja sobre o homem concreto, em sociedade. Ela abrir-nos-&aacute; para o primado da generosidade sobre o ego&iacute;smo, ensinar-nos-&aacute; a privilegiar o bem-comum, ajudar-nos-&aacute; a n&atilde;o limitar os anseios do nosso cora&ccedil;&atilde;o &agrave; materialidade das coisas, mas a abrir-nos &agrave; dimens&atilde;o transcendente do homem e da hist&oacute;ria, e a ansiarmos, nesta luta presente pela justi&ccedil;a, por uma sociedade definitivamente digna do homem, os &ldquo;novos c&eacute;us e a nova terra&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; esse otimismo da esperan&ccedil;a que os jovens h&atilde;o de introduzir na sociedade. O seu idealismo pode lev&aacute;-los a introduzir o amor e a generosidade como dinamismos b&aacute;sicos da vida social. O Santo Padre diz-lhes: &ldquo;A cidade do homem n&atilde;o se move apenas por rela&ccedil;&otilde;es feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por rela&ccedil;&otilde;es de gratuidade, de miseric&oacute;rdia e comunh&atilde;o. A caridade manifesta sempre, mesmo nas rela&ccedil;&otilde;es humanas, o amor de Deus; d&aacute; valor teologal e salv&iacute;fico a todo o empenho de justi&ccedil;a no mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Termino, fazendo minhas as palavras de Bento XVI, dirigidas aos jovens no in&iacute;cio deste Ano, que vai ser dif&iacute;cil:<\/p>\n<p>&ldquo;Queridos jovens, v&oacute;s sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, n&atilde;o vos deixeis invadir pelo des&acirc;nimo nem vos abandoneis a falsas solu&ccedil;&otilde;es, que frequentemente se apresentam como o caminho mais f&aacute;cil para superar os problemas. N&atilde;o tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrif&iacute;cio, de optar por caminhos que requerem fidelidade e const&acirc;ncia, humildade e dedica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vivei com confian&ccedil;a a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, t&atilde;o rica e cheia de entusiasmo.<\/p>\n<p>Sabei que v&oacute;s mesmos servis de exemplo e est&iacute;mulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esfor&ccedil;ardes por superar as injusti&ccedil;as e a corrup&ccedil;&atilde;o, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a constru&iacute;-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em v&oacute;s pr&oacute;prios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em v&oacute;s, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo &ndash; Ele que &eacute; a justi&ccedil;a e a paz&rdquo;.<\/p>\n<p>Par&oacute;quia de Nossa Senhora Rainha dos Ap&oacute;stolos da Ramada, 1 de janeiro de 2012<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n<p>NOTA:<\/p>\n<p><em>1 &#8211; Compendio della Dotrina Sociale della Chiesa, n&ordm; 66, cf Paulo VI, in <strong>Evangelii Nuntiandi&nbsp;<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;Iluminar a vida do homem e da sociedade com a luz de Cristo&rdquo; &nbsp; 1. Hoje iniciamos um novo Ano. Todos o anunciam como um ano dif&iacute;cil, exigente, em que, para n&atilde;o so&ccedil;obrarmos no des&acirc;nimo, precisamos de recorrer a todas as for&ccedil;as que nos d&atilde;o coragem para lutar e que s&atilde;o o fundamento da nossa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,165,168,191],"class_list":["post-54535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-da-guarda","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}