{"id":54484,"date":"2011-12-27T12:13:55","date_gmt":"2011-12-27T12:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/27\/homilia-do-bispo-de-coimbra-no-dia-de-natal\/"},"modified":"2011-12-27T12:13:55","modified_gmt":"2011-12-27T12:13:55","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-no-dia-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-no-dia-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra no dia de Natal"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem&rdquo;.<\/p>\n<p>Voltamos &agrave; alegria da celebra&ccedil;&atilde;o do Natal e a reconhecer o plano de Deus, que mant&eacute;m tudo o que existe e lhe oferece a possibilidade de caminhar firme na esperan&ccedil;a da gl&oacute;ria para a qual foi criado.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a raz&atilde;o de ser e o sentido da vinda ao mundo de Seu Filho Jesus Cristo, cantada no pr&oacute;logo do Evangelho de S. Jo&atilde;o, agora escutado.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da humanidade tem sido lida de muitas formas ao longo dos tempos, tendo em conta fatores de tipo diverso. Nos &uacute;ltimos tempos, dominaram os fatores de car&aacute;ter pol&iacute;tico, econ&oacute;mico, social, em detrimento de outros mais de car&aacute;ter filos&oacute;fico ou teol&oacute;gico. Inclusivamente a perspetiva religiosa, constitutiva do ser humano e que est&aacute; na origem das Sagradas Escrituras, foi relegada para segundo plano ou mesmo para um esquecimento deliberado.<\/p>\n<p>N&atilde;o admira, portanto, que o esp&iacute;rito do natal crist&atilde;o, tal como muitas outras dimens&otilde;es importantes da realidade humana tenham perdido o seu lugar dentro do panorama do que marca as pessoas. Pouco a pouco, o natal tem sido v&iacute;tima de uma certa eros&atilde;o no seu conte&uacute;do ou tem visto a sua identidade substancial ser substitu&iacute;da por alguns elementos de car&aacute;ter derivado ou mesmo acidental, dos quais o mais vis&iacute;vel tem sido o consumismo.<\/p>\n<p>O Evangelho de S. Jo&atilde;o oferece uma chave teol&oacute;gica de leitura da hist&oacute;ria humana, que &eacute; uma hist&oacute;ria de salva&ccedil;&atilde;o. Ela parte da realidade do Verbo que estava com Deus, era Deus, por meio do qual tudo foi feito, veio ao mundo e ilumina todo o homem, para lhe abrir os horizontes da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quem j&aacute; experimentou viver a sua hist&oacute;ria pessoal inserido neste dinamismo de luz de Deus que se projeta em n&oacute;s, reconhece a grandeza do Senhor, que continua a vir ao seu encontro como luz que aquece, orienta e sustenta. Todos n&oacute;s podemos ler a hist&oacute;ria da nossa vida a partir desta maravilhosa possibilidade de estar com Deus e em Deus, encontrando a&iacute; a nossa maior alegria e consola&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria do nosso tempo, sem esperan&ccedil;a e sem futuro, marcada por dramas, divis&otilde;es e desumanidades, parece cada vez mais poder ser lida como a hist&oacute;ria da aus&ecirc;ncia do Verbo de Deus da terra dos homens: &ldquo;Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, n&atilde;o O conheceu. Veio para o que era seu e os seus n&atilde;o O receberam&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o seriam graves as consequ&ecirc;ncias desta fuga a Deus, se se tratasse simplesmente de uma mudan&ccedil;a nos costumes do natal ou no que diz respeito a uma ou outra quest&atilde;o cultural. Grave &eacute; o facto de a rejei&ccedil;&atilde;o de Deus por parte das suas criaturas, significar igualmente uma perda do sentido do homem e do respeito que lhe &eacute; devido. A hist&oacute;ria da humanidade passou a ser a hist&oacute;ria da pol&iacute;tica, da economia, da sociologia, ou seja, mais uma hist&oacute;ria das circunst&acirc;ncias e condi&ccedil;&otilde;es em que vive o homem, do que a hist&oacute;ria do pr&oacute;prio homem nos seus valores, nas suas alegrias e esperan&ccedil;as, na sua realiza&ccedil;&atilde;o enquanto ser criado para ser feliz.<\/p>\n<p>Esta mentalidade e este modo de ser e de estar minou os fundamentos da cultura humana e atingiu inclusivamente a f&eacute; crist&atilde; e a vida da pr&oacute;pria Igreja. A humanidade tornou-se muito d&eacute;bil nas suas convic&ccedil;&otilde;es, nos seus valores e na procura da verdade de si mesma; a comunidade crist&atilde; tornou-se igualmente d&eacute;bil na sua f&eacute;, e deixou-se influenciar mortalmente pelo esp&iacute;rito da cultura vigente, que n&atilde;o teme a Deus nem respeita o homem. Jesus Cristo, o Verbo de Deus, o Senhor e Salvador do Mundo passaram a ter um lugar secund&aacute;rio na vida dos crist&atilde;os batizados. O seu lugar foi ocupado por uma cultura, por vezes, contr&aacute;ria &agrave; f&eacute;, por valores alheios aos veiculados pela verdade do Evangelho e por pr&aacute;ticas de vida que s&atilde;o aut&ecirc;nticos contratestemunhos.<\/p>\n<p>&ldquo;Veio para o que era seu e os seus n&atilde;o O receberam&rdquo;. S&oacute; assim foi poss&iacute;vel uma Europa crist&atilde; pelo batismo e de matriz judaico-crist&atilde; pela cultura, assumir os contravalores que primeiro a seduziram e agora a destroem.<\/p>\n<p>O que este dia tem para nos anunciar de novo &eacute; a certeza de que o esp&iacute;rito do natal &eacute; o &uacute;nico que nos pode salvar. O encontro de Deus com o homem e do homem com Deus, no nascimento de Jesus em Bel&eacute;m e nas nossas vidas quotidianas, &eacute; inspirador de todas as atitudes necess&aacute;rias &agrave; nossa felicidade. As nossas fam&iacute;lias, a nossa sociedade, a pessoa humana n&atilde;o se salvam, n&atilde;o se realizam, nem s&atilde;o felizes sem o amor que no natal aprendemos e que &eacute; encontro, d&aacute;diva, solidariedade, fraternidade.<\/p>\n<p>Sem esp&iacute;rito de natal podem salvar-se pol&iacute;ticas, economias, direitos, privil&eacute;gios&#8230; mas n&atilde;o se salva a pessoa digna, feliz, que se sente sujeito do seu presente e do seu futuro. Sem esp&iacute;rito de natal tornamo-nos objeto dos neg&oacute;cios discretamente realizados entre os estados democr&aacute;ticos ou totalit&aacute;rios, ficamos &agrave; merc&ecirc; dos detentores da economia local ou mundial, somos joguetes dos malabaristas do setor financeiro e ref&eacute;ns dos que, sob a apar&ecirc;ncia da modernidade, pervertem o justo e reto ordenamento &eacute;tico da sociedade.<\/p>\n<p>Esta celebra&ccedil;&atilde;o leva-nos a decidir, pessoalmente, em fam&iacute;lia, como comunidade crist&atilde;, voltar ao esp&iacute;rito de natal, que a f&eacute; crist&atilde; nos anuncia. N&oacute;s, que vimos a Sua gl&oacute;ria, n&oacute;s que contempl&aacute;mos a Sua luz, n&oacute;s que acredit&aacute;mos no Seu nome e nos torn&aacute;mos filhos de Deus, n&oacute;s que da Sua plenitude recebemos gra&ccedil;a sobre gra&ccedil;a, havemos de ser protagonistas da novidade de Deus e do homem.<\/p>\n<p>Esta celebra&ccedil;&atilde;o convida-nos a interiorizar a f&eacute; no Senhor Jesus Cristo nascido em Bel&eacute;m e a adotar na vida a cultura gerada pelo esp&iacute;rito do natal.<\/p>\n<p>A Nossa Senhora, a primeira a acolher Jesus no seu rega&ccedil;o, no seu cora&ccedil;&atilde;o e na sua casa, pe&ccedil;amos que nos ensine a receb&ecirc;-l&rsquo;O e a encher da sua novidade a nossa casa e o nosso mundo.<\/p>\n<p>Coimbra, 25 de dezembro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem&rdquo;. 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