{"id":54479,"date":"2011-12-27T11:45:00","date_gmt":"2011-12-27T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/27\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-noite-de-natal\/"},"modified":"2011-12-27T11:45:00","modified_gmt":"2011-12-27T11:45:00","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-na-noite-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-noite-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo da Guarda na Noite de Natal"},"content":{"rendered":"<p>Nesta Noite de Natal, ao Menino de Bel&eacute;m aplicam-se as seguintes palavras de S. Paulo a Tito, hoje escutadas: &ldquo;Manifestou-se a Gra&ccedil;a de Deus, fonte de salva&ccedil;&atilde;o para todos os homens&rdquo;. Porque manifesta&ccedil;&atilde;o sublime de Deus, este Menino dirige a todos n&oacute;s hoje e a toda a Humanidade uma importante mensagem que o mesmo S. Paulo resume em tr&ecirc;s palavras, a saber: temperan&ccedil;a, justi&ccedil;a e piedade. S&atilde;o tr&ecirc;s convites que vamos agora considerar.<\/p>\n<p>Pelo convite &agrave; temperan&ccedil;a, ele diz-nos que temos de saber usar os bens materiais que Deus criou para todos n&oacute;s sem cairmos na tenta&ccedil;&atilde;o de abusar deles. Para isso, precisamos de cultivar, cada vez mais, a virtude da sobriedade, o que implica abandonar deliberadamente certos h&aacute;bitos de consumo exagerado para os quais temos estado a ser sistematicamente solicitados e a solicita&ccedil;&atilde;o continua. Saber usar os bens materiais sem nos deixarmos seduzir por eles &eacute; o convite que este Menino hoje nos faz, na festa do Seu Nascimento. Dar-lhe uma resposta positiva &eacute; a &uacute;nica forma de colaborarmos com responsabilidade na defini&ccedil;&atilde;o dos novos caminhos que a nossa sociedade precisa de seguir para vencer todas as crises.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao recomendar-nos a justi&ccedil;a, em nome do Menino de Bel&eacute;m, S. Paulo aponta-nos o caminho da solidariedade, a qual envolve uma correta distribui&ccedil;&atilde;o dos bens criados e das oportunidades que d&atilde;o acesso a eles. E, falando de solidariedade, ficamos contentes com os &uacute;ltimos resultados das recolhas feitas, a n&iacute;vel nacional, para o Banco alimentar, que representam evidentes sinais positivos reveladores da generosidade das nossas gentes, mesmo em tempos de crise. Tamb&eacute;m ficamos contentes com as muitas iniciativas de assist&ecirc;ncia social existentes, baseada no voluntariado e na partilha de g&eacute;neros que, de muitas maneiras, se fazem, para ir em aux&iacute;lio dos mais necessitados, sobretudo de bens essenciais. Esta &eacute; tamb&eacute;m uma nota muito positiva na avalia&ccedil;&atilde;o que fazemos &agrave; capacidade de partilhar das nossas gentes. Mas viver a solidariedade, nos momentos dif&iacute;ceis que estamos a atravessar, em que o desemprego cresce e todos os dias somos confrontados com a not&iacute;cia amarga de que unidades de produ&ccedil;&atilde;o existentes nos nossos meios ficam desativadas e outras que legitimamente se esperava que fossem criadas n&atilde;o aparecem, nestas circunst&acirc;ncias falar de solidariedade envolve a coragem de partilhar n&atilde;o apenas o sup&eacute;rfluo, mas tamb&eacute;m aquilo que nos &eacute; mais necess&aacute;rio. Est&aacute; a chegar o momento em que, em nome da solidariedade, temos de pedir &agrave;queles que t&ecirc;m emprego que o partilhem com aqueles que o n&atilde;o t&ecirc;m, dispondo-se, porventura, a ganhar menos para que outros tamb&eacute;m possam ganhar alguma coisa. O desemprego que &eacute; a grande praga nacional, tem crescido, como sabemos, nos nossos meios e os indicadores apontam para que ele continue a crescer, pelo menos nos pr&oacute;ximos dois anos. E nestas circunst&acirc;ncias aqueles que t&ecirc;m emprego v&atilde;o ser necessariamente interpelados a fazer mais alguns sacrif&iacute;cios para ajudar aqueles que o n&atilde;o t&ecirc;m. Pode mesmo acontecer que esses sacrif&iacute;cios tenham de ser feitos para garantir a pr&oacute;pria sustentabilidade das empresas das quais depende o pr&oacute;prio emprego. H&aacute; alguns bons exemplos, nos nossos meios, de responsabilidade social, tamb&eacute;m no que diz respeito &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o na sustentabilidade das empresas por parte dos seus trabalhadores conjuntamente com os respons&aacute;veis pela administra&ccedil;&atilde;o. Partimos do princ&iacute;pio de que uma empresa &eacute;, hoje mais do que nunca, um bem social cuja sustentabilidade merece o sacrif&iacute;cio de trabalhadores e administra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; previs&iacute;vel que tamb&eacute;m estas formas de solidariedade nos sejam pedidas, no exerc&iacute;cio da nossa responsabilidade social, nos pr&oacute;ximos tempos, tanto mais quanto verificamos que o direito das nossas terras a medidas espec&iacute;ficas de apoio ao desenvolvimento, esta &aacute; a ser esquecido e alguma discrimina&ccedil;&atilde;o positiva que ainda t&iacute;nha&shy;mos acabou.<\/p>\n<p>Ao falar-nos de piedade, S. Paulo lembra a rela&ccedil;&atilde;o com Deus que &eacute; decisiva para todos nos realizarmos como seres humanos. A rela&ccedil;&atilde;o com Deus diz-nos que somos todos membros de uma &uacute;nica fam&iacute;lia sentada &aacute; mesma mesa presidida pelo pai comum. E que a mesa est&aacute; posta para todos e que &eacute; nossa responsabilidade fazer com que nenhum dos membros desta fam&iacute;lia se sinta marginalizado ou exclu&iacute;do da refei&ccedil;&atilde;o. Ora, &eacute; mesmo esta responsabilidade que o Pai comum nunca retira a nenhum dos seus filhos e isso faz com que a responsabilidade na gest&atilde;o dos recursos que a natureza oferece a todos umas vezes seja bem exercida outras vezes n&atilde;o. E &eacute; precisamente a m&aacute; gest&atilde;o destes recursos que hoje est&aacute; a ser um grande problema gerador de crises sem fim &agrave; vista.<\/p>\n<p>N&oacute;s acreditamos que a mensagem do Natal, baseada em valores de fundo como a sobriedade e a solidariedade, a que nos referimos, mas tamb&eacute;m no respeito por institui&ccedil;&otilde;es determinantes para o bem estar dos cidad&atilde;os, como &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o familiar, h&aacute; de fazer a diferen&ccedil;a positiva na procura de sa&iacute;da para as crises, tanto esta como outras que certamente h&atilde;o de vir.<\/p>\n<p>Que o menino de Bel&eacute;m nos ilumine a todos e nos ajude a assumir corajosamente as atitudes de combate ao mal-estar que as circunst&acirc;ncias nos imp&otilde;em. Certamente que vamos ter pela frente situa&ccedil;&otilde;es de sofrimento, mas a esperan&ccedil;a que nos vem do Pres&eacute;pio e a capacidade de partilhar que o pr&oacute;prio Deus feito menino nos inspira s&atilde;o as grandes for&ccedil;as que nos ajudar&atilde;o a vencer.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Fel&iacute;cio, bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta Noite de Natal, ao Menino de Bel&eacute;m aplicam-se as seguintes palavras de S. Paulo a Tito, hoje escutadas: &ldquo;Manifestou-se a Gra&ccedil;a de Deus, fonte de salva&ccedil;&atilde;o para todos os homens&rdquo;. Porque manifesta&ccedil;&atilde;o sublime de Deus, este Menino dirige a todos n&oacute;s hoje e a toda a Humanidade uma importante mensagem que o mesmo S. 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