{"id":54478,"date":"2011-12-27T11:38:20","date_gmt":"2011-12-27T11:38:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/27\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-noite-de-natal\/"},"modified":"2011-12-27T11:38:20","modified_gmt":"2011-12-27T11:38:20","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-noite-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-noite-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na missa da noite de Natal"},"content":{"rendered":"<p>Nesta noite de Natal, exultamos de alegria com os Anjos, que cantam hinos de gl&oacute;ria a Deus diante da surpresa do nascimento de Jesus; como os pastores pomo-nos a caminho para o encontro com o Salvador do Mundo, que desceu ao meio de n&oacute;s; como Maria e Jos&eacute; fazemos sil&ecirc;ncio para contemplar a grandeza do mist&eacute;rio que nos envolve.<\/p>\n<p>A narra&ccedil;&atilde;o do Evangelho de S. Lucas, que escut&aacute;mos, leva-nos a recentrar a Igreja, o mundo e a nossa pr&oacute;pria pessoa em Jesus Cristo, o Filho de Deus feito Homem no seio de Maria. Esta &eacute; a primeira grande not&iacute;cia desta celebra&ccedil;&atilde;o do Natal do Senhor.<\/p>\n<p>Ao referir o recenseamento ordenado por Quirino, ajuda-nos a compreender o centralidade deste mist&eacute;rio no contexto das Escrituras judaicas, segundo as quais o Messias haveria de nascer em Bel&eacute;m da Judeia e haveria de entrar na maior proximidade, assumindo a nossa humanidade.<\/p>\n<p>Ao situar o nascimento de Jesus no contexto da hist&oacute;ria do Imp&eacute;rio Romano, a f&eacute; crist&atilde; do evangelista est&aacute; a fazer a afirma&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica de que o acontecimento tem uma relev&acirc;ncia universal, significada na grandeza do Imp&eacute;rio, a pot&ecirc;ncia que ocupa &ldquo;toda a terra&rdquo;.<\/p>\n<p>Ao fazer uma narra&ccedil;&atilde;o minuciosa dos acontecimentos, que inclui uma dimens&atilde;o local, as rela&ccedil;&otilde;es familiares e a repercuss&atilde;o que tem nos sentimentos, pensamentos e atitudes das pessoas, est&aacute; a mostrar que o natal do Senhor tem um significado profundo na vida dos que se deixam tocar por ele e o acolhem.<\/p>\n<p>O Evangelista Lucas d&aacute; um tom muito solene ao nascimento de Cristo, quando o relaciona com a figura do imperador Augusto e do rei Herodes. O primeiro, Augusto, criara uma era de paz, considerada universal, apesar de imposta pelo dom&iacute;nio e pela for&ccedil;a dos ex&eacute;rcitos, e prepara a nova era de paz inaugurada pelo verdadeiro art&iacute;fice da paz. O segundo, Herodes, rei de uma terra pequena, mas cheio de ilus&otilde;es acerca do seu poder, contrasta com o Rei dos C&eacute;us e da Terra, humilde e pobre em tudo, apesar da sua grandeza, do seu poder e da sua riqueza.<\/p>\n<p>A segunda grande mensagem desta celebra&ccedil;&atilde;o depreende-se das personagens intervenientes no cen&aacute;rio oferecido pelo evangelista Lucas. Os Anjos s&atilde;o mensageiros e servos de Deus, mensageiros e servos dos homens: s&atilde;o portadores de uma not&iacute;cia que lhes n&atilde;o pertence, pois &eacute; de Deus; e dirigem-se &agrave; humanidade que precisa de a escutar.<\/p>\n<p>Os pastores s&atilde;o os mais modestos habitantes de uma regi&atilde;o pobre, homens sem cultura e sem poder, mas apenas com a sua for&ccedil;a de trabalho e a sua grande capacidade de acolhimento. &Eacute; grande a despropor&ccedil;&atilde;o entre o &eacute;dito de Quirino, que manda recensear toda a terra, e o an&uacute;ncio jubiloso dos Anjos, que atinge apenas alguns humildes pastores de Bel&eacute;m. Um serve apenas as estat&iacute;sticas de um imp&eacute;rio que quer parecer grande; outro &eacute; um an&uacute;ncio vital, do qual depende a salva&ccedil;&atilde;o da humanidade perdida.<\/p>\n<p>Maria e Jos&eacute; assumem de modo excecional o lugar dos mais pobres e mais simples da sociedade, sinal da predile&ccedil;&atilde;o de Deus pelos pobres e humildes, bem expressa no Magnificat transmitido pelo evangelho de Lucas, ao dizer: p&ocirc;s os olhos na humildade da sua serva; derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes&rdquo; (Lc, 1, 48.52).<\/p>\n<p>A mensagem do Evangelista e a mensagem desta noite santa &eacute; muito breve e incisiva: Maria &ldquo;teve o seu filho primog&eacute;nito&rdquo;. Nestas palavras se encontra todo o sentido do natal, enquanto acontecimento que espalha uma luz nova sobre toda a realidade da nossa vida, que gera uma grande alegria para todo o povo e que dissipa todos os medos existentes no cora&ccedil;&atilde;o humano.<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o do natal tem como objetivo abrir-nos &agrave; f&eacute; em Jesus, a quem se atribuem tr&ecirc;s t&iacute;tulos provenientes do contexto da ressurrei&ccedil;&atilde;o: Ele &eacute; o Salvador, e o Messias Senhor. Somos, por isso, convidados a acreditar no Menino Jesus do pres&eacute;pio como o Salvador do Mundo, que livra a humanidade do pecado e da morte pelo sacrif&iacute;cio da cruz; somos convidados a acreditar n&rsquo;Ele como o Messias, o Ungido de Deus no qual se cumprem as promessas do Alt&iacute;ssimo; Somos ainda convidados a reconhecer n&rsquo;Ele o Senhor, o Kyrios, que subiu ao C&eacute;u e est&aacute; sentado &agrave; direita do Pai, na gl&oacute;ria para a qual nos atrai.<\/p>\n<p>&ldquo;Encontrareis um Menino rec&eacute;m-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura&rdquo;. Este foi o sinal encontrado pelos pastores e diante do qual a multid&atilde;o do ex&eacute;rcito celeste cantou: &ldquo;Gl&oacute;ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados&rdquo;. Este &eacute; o primeiro dos sinais da presen&ccedil;a salvadora de Deus entre os homens, que culminar&atilde;o com o sinal maior da sua paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, numa hist&oacute;ria que vai de Bel&eacute;m ao Calv&aacute;rio, manifesta&ccedil;&atilde;o real do amor de Deus pelo seu povo.<\/p>\n<p>Daqui, car&iacute;ssimos irm&atilde;os, h&aacute; de nascer tudo o que celebramos e todas as atitudes que tomamos, particularmente nesta quadra festiva, na qual n&atilde;o podemos deixar-nos submergir por propostas alheias ao sentido crist&atilde;o e, por isso, o &uacute;nico sentido aut&ecirc;ntico do natal.<\/p>\n<p>Acolhamos Jesus Cristo, a sua pessoa e a sua mensagem, como o centro &uacute;nico da nossa vida, capaz de dar conte&uacute;do e forma a todas as nossas alegrias e esperan&ccedil;as, ocupa&ccedil;&otilde;es e objetivos.<\/p>\n<p>Aprendamos de Jesus Cristo as nossas atitudes fundamentais de vida, caridade e a partilha, como marcas da nossa identidade na celebra&ccedil;&atilde;o do natal e em todos os dias do ano.<\/p>\n<p>Aprofundemos a f&eacute; em Jesus, o Salvador, o Messias e Senhor, origem da civiliza&ccedil;&atilde;o do amor e, por isso, da &uacute;nica possibilidade de criarmos na terra o lugar da fraternidade e da paz.<\/p>\n<p>Que a ditosa M&atilde;e de Jesus nos mostre neste natal o Fruto Bendito do seu seio e nos ensine a saborear as alegrias da Sua presen&ccedil;a em n&oacute;s.<\/p>\n<p>Coimbra, 24 de dezembro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta noite de Natal, exultamos de alegria com os Anjos, que cantam hinos de gl&oacute;ria a Deus diante da surpresa do nascimento de Jesus; como os pastores pomo-nos a caminho para o encontro com o Salvador do Mundo, que desceu ao meio de n&oacute;s; como Maria e Jos&eacute; fazemos sil&ecirc;ncio para contemplar a grandeza do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[174,267],"class_list":["post-54478","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-coimbra","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54478\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}