{"id":54460,"date":"2011-12-25T12:01:00","date_gmt":"2011-12-25T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/25\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-do-natal-do-senhor\/"},"modified":"2011-12-25T12:01:00","modified_gmt":"2011-12-25T12:01:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-do-natal-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-do-natal-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca no Pontifical do Natal do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;<\/strong><strong>Cristo &eacute; a luz que ilumina a realidade humana&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Na Homilia da Noite de Natal acolhemos a mensagem da Escritura, segundo a qual o nascimento de Cristo &eacute; anunciado como a luz que brilha nas trevas. Os textos desta celebra&ccedil;&atilde;o do Natal dizem-nos que Cristo &eacute; uma luz para o homem, tanto para aqueles que j&aacute; buscam a luz, como para os que jazem nas trevas, isto &eacute;, que deixaram toldar a beleza do homem pelos seus erros. A f&eacute; em Cristo, Deus feito Homem, d&aacute; origem a uma cultura, isto &eacute;, a uma compreens&atilde;o do homem, da sua grandeza e dignidade, da sua diferen&ccedil;a fundamental em rela&ccedil;&atilde;o a todos os outros seres. A Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus &eacute; o fundamento da antropologia crist&atilde;. O Papa Jo&atilde;o Paulo II, na sua primeira Enc&iacute;clica, afirmou-o solenemente: &ldquo;S&oacute; no mist&eacute;rio do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mist&eacute;rio do homem&rdquo;, porque &ldquo;Cristo, redentor do mundo, &eacute; Aquele que penetrou, de uma maneira singular e que n&atilde;o se pode repetir, no mist&eacute;rio do homem e penetrou no seu cora&ccedil;&atilde;o&rdquo; [1]. S&oacute; em Cristo se capta a grandeza do homem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. O que contemplamos no Pres&eacute;pio de Bel&eacute;m &eacute; um acontecimento criador. O homem &eacute; recriado. Com raz&atilde;o se chamou a Cristo o segundo Ad&atilde;o. Aquele Menino &eacute; Deus humanizado, &eacute; um homem divino; Ele &eacute; o Verbo eterno de Deus. &ldquo;E o Verbo fez-se carne e habitou entre n&oacute;s&rdquo; (Jo. 1,14). Como Verbo eterno, Ele criou o homem, que, por isso, traz gravada na profundidade do seu ser a imagem de Deus. &ldquo;No princ&iacute;pio Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d&rsquo;Ele e sem Ele nada foi feito. N&rsquo;Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens&rdquo; (Jo. 1,1-2). Ele faz-Se Homem para recriar o homem, n&atilde;o apenas os que vierem a acreditar n&rsquo;Ele, mas toda a humanidade, abra&ccedil;ada por Ele no seu amor, que &eacute; redentor, luz que brilha nas trevas. Acreditar n&rsquo;Ele, d&aacute; ao homem consci&ecirc;ncia do seu pr&oacute;prio mist&eacute;rio, a alegria de contemplar no Seu rosto e sentir no Seu amor, a luz de Deus. &ldquo;E n&oacute;s vimos a Sua gl&oacute;ria, gl&oacute;ria que Lhe vem do Pai como Filho Unig&eacute;nito, cheio de gra&ccedil;a e de verdade&rdquo; (Jo. 1,14).<\/p>\n<p>Deus fez-Se Homem. Jesus de Nazar&eacute; &eacute; a <strong>Imagem <\/strong>perfeita de Deus, &eacute; <strong>o Homem<\/strong>, como Deus O quis e escolheu para comungar da Sua vida. Habitando Cristo no meio de n&oacute;s, &eacute; caso para perguntar como foi poss&iacute;vel, um mundo marcado pelo ate&iacute;smo ou pela indiferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o a Deus. Deus est&aacute; a&iacute;, vive connosco, acess&iacute;vel a quantos O queiram encontrar, e descobrir n&rsquo;Ele a grandeza dos homens que somos. Continua a ser verdade o que afirma S&atilde;o Jo&atilde;o: &ldquo;&Agrave;queles que O receberam e acreditaram no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus&rdquo; (Jo. 1,12). S&atilde;o esses que percebem, na sua rela&ccedil;&atilde;o com Cristo, a afirma&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II: &ldquo;A &uacute;nica orienta&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito, a &uacute;nica dire&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia, da vontade e do cora&ccedil;&atilde;o para n&oacute;s &eacute; esta: na dire&ccedil;&atilde;o de Cristo, Redentor do Homem, na dire&ccedil;&atilde;o de Cristo, Redentor do Mundo. Para Ele queremos olhar, porque s&oacute; n&rsquo;Ele, Filho de Deus, est&aacute; a salva&ccedil;&atilde;o, repetindo com o Ap&oacute;stolo Pedro: para quem iremos n&oacute;s Senhor? Tu tens Palavras de vida eterna&rdquo;[2].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. O desconhecimento ou mesmo a rejei&ccedil;&atilde;o de Cristo s&atilde;o fruto das &ldquo;trevas&rdquo; em que caiu a humanidade. S&atilde;o Jo&atilde;o reconhece: &ldquo;a luz brilha nas trevas e as trevas n&atilde;o a receberam&rdquo; (Jo. 1,5). O que s&atilde;o as trevas? S&atilde;o fruto de se viver a vida como se Deus n&atilde;o existisse. &Eacute; certo que a for&ccedil;a recriadora de Cristo est&aacute; presente no cora&ccedil;&atilde;o de todos os homens, mesmo daqueles que n&atilde;o O reconhecem. A f&eacute; em Deus confessada por outras religi&otilde;es, ou o desejo de amor, de justi&ccedil;a e de paz cultivados mesmo pelos descrentes s&atilde;o, como lhes chamou Santo Ireneu, &ldquo;sementes do Verbo&rdquo;, que podem desabrochar na luz de Cristo. Mas as &ldquo;trevas&rdquo; que rejeitaram a luz, s&atilde;o na humanidade, a viol&ecirc;ncia, o ego&iacute;smo e a gan&acirc;ncia, a mentira consciente, o desrespeito pela vida e pela dignidade do homem, atitudes que comprometem a justi&ccedil;a, aviltam o amor do pr&oacute;ximo, destroem a paz. N&atilde;o &eacute; por acaso que, quando Cristo, Verbo eterno de Deus, Se tornou palavra humana, a sua mensagem foi: amai-vos, lutai pela justi&ccedil;a, sede construtores da paz. S&oacute; assim a luz vencer&aacute; as trevas e os agentes dessa batalha s&atilde;o, antes de mais, os disc&iacute;pulos que acreditam n&rsquo;Ele, &ldquo;eles que n&atilde;o nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus&rdquo; (Jo. 1,13). Esses que como Jo&atilde;o Baptista s&atilde;o testemunhas, partilham com Ele a miss&atilde;o prof&eacute;tica, d&atilde;o testemunho da luz. &Eacute; urgente valorizar esta dimens&atilde;o prof&eacute;tica dos disc&iacute;pulos de Cristo. J&aacute; Isa&iacute;as cantava: &ldquo;Como s&atilde;o belos sobre os montes os p&eacute;s do Mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Is. 52,7). Chama-lhes sentinelas porque est&atilde;o atentas aos problemas humanos e dispostos a anunciar a verdade do homem, a sua dignidade, a grandeza do seu destino. &ldquo;Soltam brados de alegria porque veem com os pr&oacute;prios olhos o Senhor que volta para Si&atilde;o&rdquo; (Is. 52,8). Esse ver com os pr&oacute;prios olhos torna-se realidade em Cristo: &ldquo;N&oacute;s vimos a Sua gl&oacute;ria&rdquo;.<\/p>\n<p>Oxal&aacute; que neste Natal possamos ver, com os olhos da f&eacute;, Deus que voltou ao meio de n&oacute;s, Se tornou presente no seu Filho Jesus Cristo, a cuja luz descobrimos o mist&eacute;rio da nossa voca&ccedil;&atilde;o humana.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 25 de dezembro de 2011<em><\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><em><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 &#8211; Jo&atilde;o Paulo II, &lsquo;Redemptor Hominis&rsquo;, n.&ordm; 8; cf. &lsquo;Gaudium et Spes&rsquo;, n.&ordm; 22<\/p>\n<p>2 &#8211; Ibidem, n.&ordm; 7&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Cristo &eacute; a luz que ilumina a realidade humana&rdquo; 1. Na Homilia da Noite de Natal acolhemos a mensagem da Escritura, segundo a qual o nascimento de Cristo &eacute; anunciado como a luz que brilha nas trevas. Os textos desta celebra&ccedil;&atilde;o do Natal dizem-nos que Cristo &eacute; uma luz para o homem, tanto para aqueles [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[267],"class_list":["post-54460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54460\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}