{"id":54459,"date":"2011-12-24T21:31:00","date_gmt":"2011-12-24T21:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/24\/mensagem-de-natal-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-2\/"},"modified":"2011-12-24T21:31:00","modified_gmt":"2011-12-24T21:31:00","slug":"mensagem-de-natal-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-2\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do cardeal-patriarca de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;E se o Natal nos ajudasse a enfrentar a crise?&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>Senhores telespectadores e radiouvintes,<\/p>\n<p>Os portugueses, este ano, celebram o Natal em ambiente de crise. H&aacute; desempregados, fam&iacute;lias em dificuldade, h&aacute; mais pobreza, mais sofrimento, h&aacute; crise de esperan&ccedil;a. Convido-vos, esta noite, a inverter os termos da quest&atilde;o. Em vez de nos perguntarmos como &eacute; poss&iacute;vel celebrar a alegria do Natal, mergulhados neste sofrimento coletivo, procuremos descobrir em que medida &eacute; que o Natal, a festa do Deus connosco, nos pode ajudar a viver positivamente este momento. O nascimento de Jesus inaugura o per&iacute;odo definitivo da humanidade, em que Deus se fez Homem e &eacute; um Deus connosco, em todas as circunst&acirc;ncias. Podemos viver todas as realidades da vida nessa proximidade de Deus, que transforma e d&aacute; sentido novo a toda a aventura humana. Jesus ensinou os disc&iacute;pulos que, quem acreditar nesta proximidade ativa de Deus, dir&aacute; a uma montanha que ela se desloque e ela obedecer-lhe-&aacute;. Jesus nasceu para ser uma for&ccedil;a decisiva na nossa luta da vida.<\/p>\n<p>Ele ensina-nos a n&atilde;o nos assustarmos com o sofrimento, mas a enfrent&aacute;-lo com coragem e generosidade. Ele pr&oacute;prio enfrentou uma morte cruel e injusta e ofereceu-Se por n&oacute;s, amou-nos no Seu sofrimento. O padre Teilhard de Chardin, escreveu, perante a dimens&atilde;o gigantesca do sofrimento humano: a humanidade daria um salto qualitativo em ordem &agrave; sua perfei&ccedil;&atilde;o, se esse sofrimento n&atilde;o fosse apenas sofrido, mas oferecido com um sentido novo. A nossa cultura contempor&acirc;nea foi perdendo a not&iacute;cia dessa fecundidade do sofrimento humano, quando vivido em uni&atilde;o com a Cruz de Cristo, Ele o Deus connosco. Um dos frutos do presente sofrimento coletivo pode ser levar a sociedade a abrir-se a uma nova etapa da civiliza&ccedil;&atilde;o, que d&ecirc; maior prioridade &agrave; pessoa, uma ordem econ&oacute;mica que acentue o bem comum, ven&ccedil;a os individualismos, as desigualdades chocantes, todas as formas de materialismo; que aprenda a dar prioridade aos valores do esp&iacute;rito e n&atilde;o apenas ao dinheiro.<\/p>\n<p>Jesus ensinou-nos a olhar para o nosso vizinho que sofre, como o nosso pr&oacute;ximo. E &agrave; pergunta que lhe &eacute; feita, sobre quem &eacute; o meu pr&oacute;ximo, Jesus responde que n&atilde;o &eacute; apenas aquele com quem me cruzo, mesmo tomando consci&ecirc;ncia do seu problema, mas aquele cujo sofrimento me tocou o cora&ccedil;&atilde;o e me desafia a am&aacute;-lo como um irm&atilde;o.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI afirmou que a caridade &ldquo;&eacute; um cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;&rdquo;; e o cora&ccedil;&atilde;o v&ecirc; de outra maneira, v&ecirc; mais do que a an&aacute;lise objetiva das situa&ccedil;&otilde;es, v&ecirc; o irm&atilde;o que sofre, cuja salva&ccedil;&atilde;o depende do meu amor. N&atilde;o nos basta fazermos an&aacute;lises claras da crise que atravessamos, temos de estar atentos e deixar que o sofrimento dos outros nos toque o cora&ccedil;&atilde;o. O pr&oacute;prio sofrimento gera a comunh&atilde;o de amor, constr&oacute;i comunidade, ajuda &agrave; vit&oacute;ria sobre os individualismos, &eacute; semente de transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade. Quando o sofrimento dos outros nos toca o cora&ccedil;&atilde;o, tornamo-nos inventivos na busca de ajuda; &eacute; a fecundidade transformadora do amor.<\/p>\n<p>E se nesta noite de Natal, no Seu nascimento na pobreza e simplicidade de uma gruta, Jesus nos falasse, o que nos diria? Convidar-nos-ia a escut&aacute;-l&rsquo;O no Serm&atilde;o da Montanha: &ldquo;Felizes os que est&atilde;o aflitos, porque ser&atilde;o consolados; felizes os que t&ecirc;m fome e sede de justi&ccedil;a, porque ser&atilde;o saciados; felizes os misericordiosos, porque alcan&ccedil;ar&atilde;o miseric&oacute;rdia; felizes os construtores da paz, porque ser&atilde;o chamados filhos de Deus&rdquo; (cf. Mt. 5,5-7). Que a nossa afli&ccedil;&atilde;o, o nosso grito de equidade e de justi&ccedil;a, n&atilde;o nos impe&ccedil;a de procurar sempre, nas novas circunst&acirc;ncias, a paz, isto &eacute;, a harmonia social que permita e favore&ccedil;a mais a coopera&ccedil;&atilde;o do que o confronto. Esta busca da paz pode ser atitude decisiva para vencermos a crise.<\/p>\n<p>Na pobreza da gruta, o amor irradiante de Maria, a M&atilde;e Imaculada, &eacute; mensagem de paz e de alegria. Com ela aprendemos que a alegria &eacute; sempre poss&iacute;vel e que a esperan&ccedil;a &eacute; atitude que n&atilde;o morre em quem acredita e ama.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades que muitos est&atilde;o a sentir, desejo-vos com f&eacute; e com amor, a alegria do Natal. <em><\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;E se o Natal nos ajudasse a enfrentar a crise?&rdquo; Senhores telespectadores e radiouvintes, Os portugueses, este ano, celebram o Natal em ambiente de crise. H&aacute; desempregados, fam&iacute;lias em dificuldade, h&aacute; mais pobreza, mais sofrimento, h&aacute; crise de esperan&ccedil;a. Convido-vos, esta noite, a inverter os termos da quest&atilde;o. 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