{"id":54457,"date":"2011-12-25T00:31:00","date_gmt":"2011-12-25T00:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/25\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-noite-de-natal\/"},"modified":"2011-12-25T00:31:00","modified_gmt":"2011-12-25T00:31:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-noite-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-noite-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca na noite de Natal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;O nascimento de Cristo &eacute; uma alvorada de luz&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Os textos da Sagrada Escritura proclamados nesta celebra&ccedil;&atilde;o apresentam o nascimento de Jesus como uma alvorada de luz: &ldquo;O Povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte, uma luz come&ccedil;ou a brilhar&rdquo; (Is. 9,2). O nascimento de Jesus &eacute; apresentado aos pastores como o triunfo da luz: &ldquo;O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a gl&oacute;ria do Senhor cercou-os de luz&rdquo; (Lc. 2,9). Que Cristo &eacute; luz e iluminou a nossa vida, faz parte da f&eacute; da Igreja. Na Liturgia pascal havemos de aclamar solenemente a &ldquo;luz de Cristo&rdquo;. E o Conc&iacute;lio Vaticano II, cujo quinquag&eacute;simo anivers&aacute;rio da abertura nos preparamos para celebrar, come&ccedil;a a Constitui&ccedil;&atilde;o Lumen Gentium proclamando que Cristo &eacute; a luz que se reflete no rosto da Igreja e que ela deve anunciar, para a fazer brilhar: &ldquo;Cristo &eacute; a luz dos povos. Reunido no Esp&iacute;rito Santo, o Sagrado Conc&iacute;lio deseja ardentemente, anunciando a todas as criaturas a boa nova do Evangelho, espalhar sobre todos os homens a claridade de Cristo que resplandece sobre o rosto da Igreja&rdquo; (LG. n&ordm;1).<\/p>\n<p>Para Lucas o nascimento de Jesus &eacute; saudado como o eclodir da luz: &ldquo;Ele vem iluminar aqueles que jaziam nas trevas e nas sombrias regi&otilde;es da morte&rdquo; (Lc. 1,79); Ele &ldquo;&eacute; luz que ilumina as na&ccedil;&otilde;es e gl&oacute;ria do teu povo Israel&rdquo; (Lc. 2,32); e a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo &eacute; apresentada como &ldquo;o an&uacute;ncio da luz ao Povo e &agrave;s na&ccedil;&otilde;es pag&atilde;s&rdquo; (Act. 26,23). No Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o, o pr&oacute;prio Jesus se anuncia como luz: &ldquo;enquanto Eu estiver no mundo, Eu sou a luz do mundo&rdquo; (Jo. 9,5). &ldquo;Quem Me segue n&atilde;o anda nas trevas, mas ter&aacute; a luz da vida&rdquo; (Jo. 8,12). A luz de que fala &eacute; a luz da f&eacute;: &ldquo;Eu, a luz, vim ao mundo para que todo aquele que acredita em Mim n&atilde;o caminhe nas trevas&rdquo; (Jo. 12,46).<\/p>\n<p>A luz de Cristo &eacute; a luz de Deus que pode brilhar no cora&ccedil;&atilde;o do homem revelando-lhe a verdadeira vida. S&atilde;o Jo&atilde;o proclama: &ldquo;Ele era a vida de todos os seres e a vida era a luz dos homens, e a luz brilhou nas trevas&rdquo; (Jo. 1,3-4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. A luz brilhou nas trevas. Estas trevas s&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o da humanidade que se esqueceu de Deus e deixou de perceber na Sua luz o sentido e a grandeza da vida. Cristo &eacute; luz porque &eacute; o Salvador, Aquele que restitui aos homens a capacidade de perceberem a vida e todas as realidades que a tecem, &agrave; luz de Deus. &Eacute; luz porque revela o sentido, ilumina o caminho, anuncia a plenitude da vida e, por isso, &eacute; fonte de alegria.<\/p>\n<p>A tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; viu claramente que esta luz &eacute; a <strong>luz da f&eacute;<\/strong>. N&atilde;o anula a intelig&ecirc;ncia como fonte de luz, nem a compreens&atilde;o que brota da experi&ecirc;ncia humana. Mas a f&eacute; corrige e plenifica essas fontes humanas de luz. A f&eacute; &eacute; fonte de discernimento que, ao iluminar a realidade do homem, o seu presente e o seu futuro, indica caminhos de verdade, de amor, de contempla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Cristo &eacute; luz em Si mesmo. Todo o seu ser irradia luz, &eacute; luz. Quem se abrir ao contacto com Ele, escutando a sua Palavra, amando-O e adorando-O, &eacute; inundado pela luz que Ele &eacute;, e torna-se &ldquo;filho da luz&rdquo;. O contacto com Cristo surpreende-nos como epifania de luz. Isso aconteceu aos Ap&oacute;stolos no Monte Tabor: &ldquo;as suas vestes eram brilhantes como a luz&rdquo;, e levou-os a declarar: queremos ficar aqui (cf. Mt. 17,2ss). A Saulo, na Estrada de Damasco, Cristo envolveu-o numa luz brilhante (cf. Act. 9,3). Paulo aprofundar&aacute; esta experi&ecirc;ncia ao longo da vida, percebendo que a luz que resplandece no rosto de Cristo &eacute; a luz da gl&oacute;ria de Deus (cf. 2Co. 4,6). A luz de Cristo revela-nos um pouco da ess&ecirc;ncia divina (cf. 1Tim. 6,16), porque Deus &eacute; luz e n&rsquo;Ele n&atilde;o h&aacute; trevas (cf. 1Jo. 1,5).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A interpela&ccedil;&atilde;o que o Natal nos faz &eacute; esta: a luz de Cristo ilumina, hoje, a nossa vida? N&atilde;o esque&ccedil;amos que essa luz, esplendor da gl&oacute;ria divina, se reflete em n&oacute;s atrav&eacute;s da luz da f&eacute;, que anuncia a esplendorosa claridade da bem-aventuran&ccedil;a eterna.<\/p>\n<p>Como chega ao nosso &iacute;ntimo o esplendor dessa luz de Cristo? Antes de mais, escutando a sua Palavra. Cristo &eacute; luz e fonte de luz. Na sua humanidade, sobretudo nas express&otilde;es do seu minist&eacute;rio, a sua Palavra, os acontecimentos que realiza, irradiam para os que O seguem, a luz de Deus. Como diz S&atilde;o Jo&atilde;o, &ldquo;Ele pr&oacute;prio &eacute; luz, e n&rsquo;Ele n&atilde;o h&aacute; trevas&rdquo; (1Jo. 1,5). S&atilde;o Mateus, ao narrar o in&iacute;cio da prega&ccedil;&atilde;o de Jesus v&ecirc; na sua Palavra a realiza&ccedil;&atilde;o da profecia de Isa&iacute;as: foi a luz que come&ccedil;ou a brilhar, vencendo as trevas (cf. Mt. 4,15-16).<\/p>\n<p>Cada Palavra de Cristo &eacute; raio de luz, que nos comunica o amoroso des&iacute;gnio de Deus, e no qual o pr&oacute;prio Cristo se comunica a Si mesmo, na intimidade luminosa com Deus Pai. A sua Palavra &eacute; perene, permanece para sempre, ou seja, mant&eacute;m a for&ccedil;a para iluminar aqueles que a escutam. Quem acolhe, com f&eacute;, a Palavra de Cristo, acolhe o pr&oacute;prio Cristo. A&iacute; a f&eacute; desabrocha em rela&ccedil;&atilde;o de amor, que nos envolve na luz que brilha em todo o seu ser de ressuscitado.<\/p>\n<p>A escuta da Palavra p&otilde;e-nos a rezar e ajuda-nos a descobrir a ora&ccedil;&atilde;o como o momento privilegiado para acolher a luz de Cristo. A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a experi&ecirc;ncia em que Cristo nos envolve na sua luz. De modo particular, a ora&ccedil;&atilde;o sacramental, onde a escuta da Palavra nos faz encontrar Cristo. No Batismo, &eacute; a atra&ccedil;&atilde;o da luz que nos leva a comprometer a vida com Cristo; na Confirma&ccedil;&atilde;o brilha sobre n&oacute;s a luz do Esp&iacute;rito Santo. Na Eucaristia, unidos a Cristo na oferta do sacrif&iacute;cio redentor, deixamo-nos inundar pela luz do Corpo glorioso do Senhor. A&iacute; a luz &eacute; luminosidade do amor. Na Penit&ecirc;ncia, a luz de Cristo faz-nos conhecer o nosso pecado e trilhar os caminhos que ela nos indica; no Matrim&oacute;nio, os esposos percebem, nessa luz, a beleza de uma voca&ccedil;&atilde;o de comunh&atilde;o; na Un&ccedil;&atilde;o dos Doentes, a luz de Cristo ajuda-nos a oferecer o nosso sofrimento unidos ao seu sacrif&iacute;cio.<\/p>\n<p>Se a ora&ccedil;&atilde;o sacramental continuar na adora&ccedil;&atilde;o pessoal, a&iacute; a luz gloriosa de Cristo pode iluminar toda a nossa vida, ser experi&ecirc;ncia de encantamento, de alegria e de &ecirc;xtase.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. A luz de Cristo, acolhida na humildade da luz da f&eacute;, &eacute; essencial para o discernimento dos caminhos da fidelidade e da santidade. Tem de estar presente em todo o discernimento da realidade, pessoal e social. &Eacute; ela que revela o pecado, as &ldquo;trevas&rdquo; que nos envolvem, ilumina o caminho e nos faz conhecer o convite de Deus para vivermos j&aacute; com o desejo da vida eterna. &Eacute; essa a mensagem de Paulo a Tito: &ldquo;Manifestou-se a gra&ccedil;a de Deus, fonte de salva&ccedil;&atilde;o para todo o homem. Ela nos ensina a renunciar &agrave; impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperan&ccedil;a, justi&ccedil;a e piedade, aguardando a ditosa esperan&ccedil;a e a manifesta&ccedil;&atilde;o da gl&oacute;ria do nosso grande Deus e salvador, Jesus Cristo&rdquo; (Tit. 2,11-12).<\/p>\n<p>A mensagem do Profeta Isa&iacute;as anuncia-nos a luz de Cristo, &ldquo;para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz come&ccedil;ou a brilhar&rdquo; (Is. 9,2-7). Desejo-vos a todos que este Natal seja a festa da Luz de Cristo a iluminar os caminhos da nossa vida.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 24 de dezembro de 2011<em><\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;O nascimento de Cristo &eacute; uma alvorada de luz&rdquo; 1. 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