{"id":54438,"date":"2011-12-22T11:07:30","date_gmt":"2011-12-22T11:07:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/22\/discurso-do-papa-aos-membros-da-curia-romana\/"},"modified":"2011-12-22T11:07:30","modified_gmt":"2011-12-22T11:07:30","slug":"discurso-do-papa-aos-membros-da-curia-romana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-papa-aos-membros-da-curia-romana\/","title":{"rendered":"Discurso do Papa aos membros da C\u00faria Romana"},"content":{"rendered":"<p>Senhores Cardeais,<\/p>\n<p>Venerados Irm&atilde;os no Episcopado e no Presbiterado,<\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um momento como este que vivemos hoje reveste-se sempre de particular intensidade. O Santo Natal j&aacute; est&aacute; perto e a grande fam&iacute;lia da C&uacute;ria Romana sente-se impelida a reunir-se para trocar entre si venturosos votos que encerram o desejo de viver, com alegria e verdadeiro fruto espiritual, a festa de Deus que encarnou e p&ocirc;s a sua tenda no meio de n&oacute;s (cf. Jo 1, 14). Esta ocasi&atilde;o permite-me n&atilde;o s&oacute; apresentar-vos os meus votos pessoais, mas tamb&eacute;m exprimir a cada um de v&oacute;s o agradecimento, meu e da Igreja, pelo vosso generoso servi&ccedil;o; pe&ccedil;o-vos que o fa&ccedil;ais chegar tamb&eacute;m a todos os colaboradores que formam a nossa grande fam&iacute;lia. Um obrigado particular ao Cardeal Decano Angelo Sodano, que se fez int&eacute;rprete dos sentimentos dos presentes e de quantos trabalham nos diversos Departamentos da C&uacute;ria, do Governatorado, incluindo aqueles que realizam o seu minist&eacute;rio nas Representa&ccedil;&otilde;es Pontif&iacute;cias espalhadas por todo o mundo. Todos n&oacute;s estamos empenhados em fazer com que o preg&atilde;o que os Anjos proclamaram na noite de Bel&eacute;m &ndash; &laquo;Gl&oacute;ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado&raquo; (Lc 2, 14) &ndash; ressoe por toda a terra levando alegria e esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fim deste ano, a Europa encontra-se no meio duma crise econ&oacute;mica e financeira que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, se fundamenta na crise &eacute;tica que amea&ccedil;a o Velho Continente. Embora certos valores como a solidariedade, o servi&ccedil;o aos outros, a responsabilidade pelos pobres e atribulados sejam em grande parte compartilhados, todavia falta muitas vezes a for&ccedil;a capaz de motivar e induzir o indiv&iacute;duo e os grandes grupos sociais a abra&ccedil;arem ren&uacute;ncias e sacrif&iacute;cios. O conhecimento e a vontade caminham, necessariamente, lado a lado. A vontade de preservar o lucro pessoal obscurece o conhecimento e este, enfraquecido, &eacute; incapaz de revigorar a vontade. Por isso, desta crise surgem interroga&ccedil;&otilde;es fundamentais: Onde est&aacute; a luz que possa iluminar o nosso conhecimento n&atilde;o apenas com ideias gerais, mas tamb&eacute;m com imperativos concretos? Onde est&aacute; a for&ccedil;a que sublime a nossa vontade? S&atilde;o quest&otilde;es &agrave;s quais o nosso an&uacute;ncio do Evangelho, a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, deve dar resposta, para que a mensagem se torne acontecimento, o an&uacute;ncio se torne vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com efeito, a grande tem&aacute;tica tanto deste ano como dos anos futuros gira &agrave; volta disto: Como anunciar hoje o Evangelho? Como pode a f&eacute;, enquanto for&ccedil;a viva e vital, tornar-se realidade hoje? Os acontecimentos eclesiais deste ano que est&aacute; a terminar referiam-se todos, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a este tema. Entre eles contam-se as minhas viagens &agrave; Cro&aacute;cia, a Espanha para a Jornada Mundial da Juventude, &agrave; minha p&aacute;tria da Alemanha e, por fim, &agrave; &Aacute;frica &ndash; ao Benim &ndash; para a entrega da Exorta&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-sinodal sobre justi&ccedil;a, paz e reconcilia&ccedil;&atilde;o; documento este, que se deve traduzir em realidade concreta nas diversas Igrejas particulares. N&atilde;o posso esquecer tamb&eacute;m as viagens a Veneza, a S&atilde;o Marino, a Ancona para o Congresso Eucar&iacute;stico e &agrave; Cal&aacute;bria. E tivemos, enfim, a significativa jornada de Assis, com o encontro entre as religi&otilde;es e entre as pessoas em busca de verdade e de paz; jornada concebida como um novo impulso na peregrina&ccedil;&atilde;o para a verdade e a paz. A institui&ccedil;&atilde;o do Pontif&iacute;cio Conselho para a Promo&ccedil;&atilde;o da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o constitui, simultaneamente, um pren&uacute;ncio do S&iacute;nodo sobre o mesmo tema que ter&aacute; lugar no pr&oacute;ximo ano. E entra tamb&eacute;m neste contexto o Ano da F&eacute;, na comemora&ccedil;&atilde;o da abertura do Conc&iacute;lio h&aacute; cinquenta anos. Cada um destes acontecimentos revestiu-se de acentua&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias. Na Alemanha, pa&iacute;s onde teve origem a Reforma, naturalmente teve uma import&acirc;ncia particular a quest&atilde;o ecum&eacute;nica com todas as suas fadigas e esperan&ccedil;as. Indivisivelmente associada com ela, levanta-se sempre de novo, no centro da disputa, a quest&atilde;o: O que &eacute; uma reforma da Igreja? Como se realiza? Quais s&atilde;o os seus caminhos e os seus objetivos? &Eacute; com preocupa&ccedil;&atilde;o que fi&eacute;is crentes, e n&atilde;o s&oacute;, notam como as pessoas que frequentam regularmente a Igreja se v&atilde;o tornando sempre mais idosas e o seu n&uacute;mero diminui continuamente; notam como se verifica uma estagna&ccedil;&atilde;o nas voca&ccedil;&otilde;es ao sacerd&oacute;cio; como crescem o ceticismo e a descren&ccedil;a. Ent&atilde;o que devemos fazer? Existem discuss&otilde;es sem fim a prop&oacute;sito do que se deve fazer para haver uma invers&atilde;o de tend&ecirc;ncia. H&aacute;, sem d&uacute;vida, tantas coisas que &eacute; preciso fazer; mas o fazer, por si s&oacute;, n&atilde;o resolve o problema. O cerne da crise da Igreja na Europa, como disse em Friburgo, &eacute; a crise da f&eacute;. Se n&atilde;o encontrarmos uma resposta para esta crise, ou seja, se a f&eacute; n&atilde;o ganhar de novo vitalidade, tornando-se um convic&ccedil;&atilde;o profunda e uma for&ccedil;a real gra&ccedil;as ao encontro com Jesus Cristo, permanecer&atilde;o ineficazes todas as outras reformas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste sentido, o encontro com a jubilosa paix&atilde;o pela f&eacute;, na &Aacute;frica, foi um grande encorajamento. L&aacute; n&atilde;o se sentia qualquer ind&iacute;cio desta lassid&atilde;o da f&eacute;, t&atilde;o difusa entre n&oacute;s, n&atilde;o havia nada deste t&eacute;dio de ser crist&atilde;o que se constata sempre de novo no meio de n&oacute;s. Apesar de todos os problemas, de todos os sofrimentos e penas que existem, sem d&uacute;vida, precisamente na &Aacute;frica, sempre se palpava a alegria de ser crist&atilde;o, o ser sustentado pela felicidade interior de conhecer Cristo e pertencer &agrave; sua Igreja. E desta alegria nascem tamb&eacute;m as energias para servir Cristo nas situa&ccedil;&otilde;es opressivas de sofrimento humano, para se colocar &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o em vez de acomodar-se no pr&oacute;prio bem-estar. Encontrar esta f&eacute; disposta ao sacrif&iacute;cio e, mesmo no meio deste, jubilosa &eacute; um grande rem&eacute;dio contra a lassid&atilde;o de ser crist&atilde;o que experimentamos na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E um rem&eacute;dio contra a lassid&atilde;o do crer foi tamb&eacute;m a magn&iacute;fica experi&ecirc;ncia da Jornada Mundial da Juventude, em Madrid. Esta foi uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o ao vivo. De forma cada vez mais clara vai-se delineando, nas Jornadas Mundiais da Juventude, um modo novo e rejuvenescido de ser crist&atilde;o, que poder-se-ia caracterizar em cinco pontos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Em primeiro lugar, h&aacute; uma nova experi&ecirc;ncia da catolicidade, da universalidade da Igreja. Foi isto que impressionou, de forma muito viva e imediata, os jovens e todos os presentes: Vimos de todos os continentes e, apesar de nunca nos termos visto antes, conhecemo-nos. Falamos l&iacute;nguas diferentes e possu&iacute;mos costumes de vida diversos e formas culturais diversas; e no entanto sentimo-nos imediatamente unidos como uma grande fam&iacute;lia. Separa&ccedil;&atilde;o e diversidade exteriores ficaram relativizadas. Todos somos tocados pelo mesmo e &uacute;nico Senhor Jesus Cristo, no qual se nos manifestou o verdadeiro ser do homem e, conjuntamente, o pr&oacute;prio Rosto de Deus. As nossas ora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as mesmas. Em virtude do mesmo encontro interior com Jesus Cristo, recebemos no mais &iacute;ntimo de n&oacute;s mesmos a mesma forma&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o, da vontade e do cora&ccedil;&atilde;o. E, por fim, a liturgia comum constitui uma esp&eacute;cie de p&aacute;tria do cora&ccedil;&atilde;o e une-nos numa grande fam&iacute;lia. Aqui o facto de todos os seres humanos serem irm&atilde;os e irm&atilde;s n&atilde;o &eacute; apenas uma ideia mas torna-se uma experi&ecirc;ncia comum real, que gera alegria. E assim compreendemos tamb&eacute;m de maneira muito concreta que, apesar de todas as fadigas e obscuridades, &eacute; bom pertencer &agrave; Igreja universal que o Senhor nos deu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. E disto nasce, depois, um novo modo de viver o ser homem, o ser crist&atilde;o. Para mim, uma das experi&ecirc;ncias mais importantes daqueles dias foi o encontro com os volunt&aacute;rios da Jornada Mundial da Juventude: eram cerca de 20 000 jovens, tendo todos, sem exce&ccedil;&atilde;o, disponibilizado semanas ou meses da sua vida para colaborar na prepara&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, organizativa e tem&aacute;tica das atividades da JMJ, e tornando, precisamente assim, poss&iacute;vel o desenvolvimento regular de tudo. Com o pr&oacute;prio tempo, o homem oferece sempre uma parte da sua pr&oacute;pria vida. No fim, estes jovens estavam, vis&iacute;vel e &laquo;palpavelmente&raquo;, inundados duma grande sensa&ccedil;&atilde;o de felicidade: o seu tempo tinha um sentido; precisamente no dom do seu tempo e da sua for&ccedil;a laboral, encontraram o tempo, a vida. E ent&atilde;o tornou-se-me evidente uma coisa fundamental: estes jovens ofereceram, na f&eacute;, um peda&ccedil;o de vida, e n&atilde;o porque isso lhes fora mandado, nem porque se ganha o c&eacute;u com isso, nem mesmo porque assim se escapa ao perigo do inferno. N&atilde;o o fizeram, porque queriam ser perfeitos. N&atilde;o olhavam para tr&aacute;s, para si mesmos. Passou-me pela mente a imagem da mulher de Lot, que, olhando para tr&aacute;s, se transformou numa est&aacute;tua de sal. Quantas vezes a vida dos crist&atilde;os se caracteriza pelo facto de olharem sobretudo para si mesmos; por assim dizer, fazem o bem para si mesmos. E como &eacute; grande, para todos os homens, a tenta&ccedil;&atilde;o de se preocuparem antes de mais nada consigo mesmos, de olharem para tr&aacute;s para si mesmos, tornando-se assim interiormente vazios, &laquo;est&aacute;tuas de sal&raquo;! Em Madrid, ao contr&aacute;rio, n&atilde;o se tratava de aperfei&ccedil;oar-se a si mesmo ou de querer conservar a pr&oacute;pria vida para si mesmo. Estes jovens fizeram o bem &ndash; sem olhar ao peso e aos sacrif&iacute;cios que o mesmo exigia &ndash; simplesmente porque &eacute; bom fazer o bem, &eacute; bom servir os outros. &Eacute; preciso apenas ousar o salto. Tudo isto &eacute; antecedido pelo encontro com Jesus Cristo, um encontro que acende em n&oacute;s o amor a Deus e aos outros e nos liberta da busca do nosso pr&oacute;prio &laquo;eu&raquo;. Assim recita uma ora&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da a S&atilde;o Francisco Xavier: Fa&ccedil;o o bem, n&atilde;o porque em troca entrarei no c&eacute;u, nem porque de contr&aacute;rio me poder&iacute;eis mandar para o inferno. Fa&ccedil;o-o por V&oacute;s, que sois o meu Rei e meu Senhor. E o mesmo comportamento fui encontr&aacute;-lo tamb&eacute;m na &Aacute;frica, por exemplo nas Irm&atilde;s de Madre Teresa que se prodigalizam pelas crian&ccedil;as abandonadas, doentes, pobres e atribuladas, sem se importarem consigo mesmas, tornando-se, precisamente assim, interiormente ricas e livres. Tal &eacute; o comportamento propriamente crist&atilde;o. Para mim, ficou memor&aacute;vel tamb&eacute;m o encontro com os jovens deficientes na funda&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Jos&eacute;, em Madrid, onde voltei a encontrar a mesma generosidade de colocar-se &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos outros; uma generosidade que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, nasce do encontro com Cristo que Se entregou a Si mesmo por n&oacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Um terceiro elemento que vai, de forma cada vez mais natural e central, fazendo parte das Jornadas Mundiais da Juventude e da espiritualidade que delas deriva, &eacute; a adora&ccedil;&atilde;o. Permanecem inesquec&iacute;veis em mim aqueles momentos no Hydepark, durante a minha viagem &agrave; Inglaterra, quando dezenas de milhares de pessoas, na sua maioria jovens, responderam &agrave; presen&ccedil;a do Senhor no Sant&iacute;ssimo Sacramento com um profundo sil&ecirc;ncio, adorando-O. E sucedeu o mesmo, embora em medida menor, em Zagreb e de novo em Madrid depois do temporal que amea&ccedil;ava arruinar todo o encontro noturno por causa dos microfones que n&atilde;o funcionavam. Deus &eacute;, sem d&uacute;vida, omnipresente; mas a presen&ccedil;a corp&oacute;rea de Cristo ressuscitado constitui algo mais, constitui algo de novo. O Ressuscitado entra no meio de n&oacute;s. E ent&atilde;o n&atilde;o podemos sen&atilde;o dizer como o ap&oacute;stolo Tom&eacute;: Meu Senhor e meu Deus! A adora&ccedil;&atilde;o &eacute;, antes de mais nada, um ato de f&eacute;; o ato de f&eacute; como tal. Deus n&atilde;o &eacute; uma hip&oacute;tese qualquer, poss&iacute;vel ou imposs&iacute;vel, sobre a origem do universo. Ele est&aacute; ali. E se Ele est&aacute; presente, prostro-me diante d&rsquo;Ele. Ent&atilde;o a raz&atilde;o, a vontade e o cora&ccedil;&atilde;o abrem-se para Ele e a partir d&rsquo;Ele. Em Cristo ressuscitado, est&aacute; presente Deus feito homem, que sofreu por n&oacute;s porque nos ama. Entramos nesta certeza do amor corp&oacute;reo de Deus por n&oacute;s, e fazemo-lo amando com Ele. Isto &eacute; adora&ccedil;&atilde;o, e isto confere depois um cunho pr&oacute;prio &agrave; minha vida. E s&oacute; assim posso celebrar convenientemente a Eucaristia e receber devidamente o Corpo do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Outro elemento importante das Jornadas Mundiais da Juventude &eacute; a presen&ccedil;a do sacramento da Penit&ecirc;ncia, que tem vindo, com naturalidade sempre maior, a fazer parte do conjunto. Deste modo, reconhecemos que necessitamos continuamente de perd&atilde;o e que perd&atilde;o significa responsabilidade. Proveniente do Criador, existe no homem a disponibilidade para amar e a capacidade de responder a Deus na f&eacute;. Mas, proveniente da hist&oacute;ria pecaminosa do homem (a doutrina da Igreja fala do pecado original), existe tamb&eacute;m a tend&ecirc;ncia contr&aacute;ria ao amor: a tend&ecirc;ncia para o ego&iacute;smo, para se fechar em si mesmo, ou melhor, no mal. Incessantemente a minha alma fica manchada por esta for&ccedil;a de gravidade em mim, que me atrai para baixo. Por isso, temos necessidade da humildade que sempre de novo pede perd&atilde;o a Deus, que se deixa purificar e que desperta em n&oacute;s a for&ccedil;a contr&aacute;ria, a for&ccedil;a positiva do Criador, que nos atrai para o alto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Por fim, como &uacute;ltima caracter&iacute;stica, que n&atilde;o se deve descurar na espiritualidade das Jornadas Mundiais da juventude, quero mencionar a alegria. Donde brota? Como se explica? Seguramente s&atilde;o muitos os fatores que interagem; mas, a meu ver, o fator decisivo &eacute; esta certeza que deriva da f&eacute;: Eu sou desejado; tenho uma tarefa; sou aceite, sou amado. Josef Pieper mostrou, no seu livro sobre o amor, que o homem s&oacute; se pode aceitar a si mesmo, se for aceite por outra pessoa qualquer. Precisa que haja outra pessoa que lhe diga, e n&atilde;o s&oacute; por palavras: &Eacute; bom que tu existas. Somente a partir de um &laquo;tu&raquo; &eacute; que o &laquo;eu&raquo; pode encontrar-se si mesmo. S&oacute; se for aceite, &eacute; que o &laquo;eu&raquo; se pode aceitar a si mesmo. Quem n&atilde;o &eacute; amado, tamb&eacute;m n&atilde;o se pode amar a si mesmo. Este saber-se acolhido prov&eacute;m, antes de tudo, doutra pessoa. Entretanto todo o acolhimento humano &eacute; fr&aacute;gil; no fim de contas, precisamos de um acolhimento incondicional; somente se Deus me acolher e eu estiver seguro disso mesmo &eacute; que sei definitivamente: &Eacute; bom que eu exista; &eacute; bom ser uma pessoa humana. Quando falta ao homem a perce&ccedil;&atilde;o de ser acolhido por Deus, de ser amado por Ele, a pergunta sobre se existir como pessoa humana seja verdadeiramente coisa boa, deixa de encontrar qualquer resposta; torna-se cada vez mais insuper&aacute;vel a d&uacute;vida acerca da exist&ecirc;ncia humana. Onde se torna predominante a d&uacute;vida sobre Deus, acaba inevitavelmente por seguir-se a d&uacute;vida acerca do meu ser homem. Hoje vemos qu&atilde;o difusa &eacute; esta d&uacute;vida! Vemo-lo na falta de alegria, na tristeza interior que se pode ler em muitos rostos humanos. S&oacute; a f&eacute; me d&aacute; esta certeza: &Eacute; bom que eu exista; &eacute; bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos dif&iacute;ceis. A f&eacute; faz-nos felizes a partir de dentro. Esta &eacute; uma das maravilhosas experi&ecirc;ncias das Jornadas Mundiais da Juventude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alongaria demasiado o nosso encontro falar agora tamb&eacute;m, de modo detalhado, do encontro de Assis, como a import&acirc;ncia do acontecimento mereceria. Limitamo-nos a agradecer a Deus, porque n&oacute;s &ndash; os representantes das religi&otilde;es do mundo e tamb&eacute;m os representantes do pensamento em busca da verdade &ndash; pudemos, naquele dia, encontrar-nos num clima de amizade e de respeito m&uacute;tuo, no amor &agrave; verdade e na responsabilidade comum pela paz. Por isso podemos esperar que, daquele encontro, tenha nascido uma disponibilidade nova para servir a paz, a reconcilia&ccedil;&atilde;o e a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Queria enfim agradecer do &iacute;ntimo do cora&ccedil;&atilde;o a todos v&oacute;s pelo apoio que prestais para levar por diante a miss&atilde;o que o Senhor nos confiou como testemunhas da sua verdade, e desejo a todos v&oacute;s a alegria que Deus nos quis dar na encarna&ccedil;&atilde;o do seu Filho. Um santo Natal!<\/p>\n<p><em>Bento XVI<\/em><\/p>\n<p><em>(tradu&ccedil;&atilde;o disponibilizada pela Santa S&eacute;)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhores Cardeais, Venerados Irm&atilde;os no Episcopado e no Presbiterado, Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s! &nbsp; Um momento como este que vivemos hoje reveste-se sempre de particular intensidade. 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