{"id":54349,"date":"2011-12-16T11:33:51","date_gmt":"2011-12-16T11:33:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/16\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-da-paz-2012\/"},"modified":"2011-12-16T11:33:51","modified_gmt":"2011-12-16T11:33:51","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-da-paz-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-da-paz-2012\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2012"},"content":{"rendered":"<p><strong>Educar os jovens para a justi&ccedil;a e a paz<\/strong><\/p>\n<p>1. O in&iacute;cio de um novo ano, dom de Deus &agrave; humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confian&ccedil;a e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de n&oacute;s, fique marcado concretamente pela justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p>Com que atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de f&eacute; aguarda pelo Senhor &laquo;mais do que a sentinela pela aurora&rdquo; (v. 6), aguarda por Ele com firme esperan&ccedil;a, porque sabe que trar&aacute; luz, miseric&oacute;rdia, salva&ccedil;&atilde;o. Esta expectativa nasce da experi&ecirc;ncia do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribula&ccedil;&otilde;es. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. &Eacute; verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustra&ccedil;&atilde;o por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas ra&iacute;zes s&atilde;o primariamente culturais e antropol&oacute;gicas. Quase parece que um manto de escurid&atilde;o teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.<\/p>\n<p>Mas, nesta escurid&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o do homem n&atilde;o cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e vis&iacute;vel nos jovens; e &eacute; por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer &agrave; sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspetiva educativa: &ldquo;<em>Educar os jovens para a justi&ccedil;a e a paz&rdquo;<\/em>, convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperan&ccedil;a ao mundo.<\/p>\n<p>A minha Mensagem dirige-se tamb&eacute;m aos pais, &agrave;s fam&iacute;lias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos respons&aacute;veis nos diversos &acirc;mbitos da vida religiosa, social, pol&iacute;tica, econ&oacute;mica, cultural e medi&aacute;tica. Prestar aten&ccedil;&atilde;o ao mundo juvenil, saber escut&aacute;-lo e valoriz&aacute;-lo para a constru&ccedil;&atilde;o dum futuro de justi&ccedil;a e de paz n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma oportunidade mas um dever prim&aacute;rio de toda a sociedade.<\/p>\n<p>Trata-se de comunicar aos jovens o apre&ccedil;o pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consum&aacute;-la ao servi&ccedil;o do Bem. Esta &eacute; uma tarefa, na qual todos n&oacute;s estamos, pessoalmente, comprometidos.<\/p>\n<p>As preocupa&ccedil;&otilde;es manifestadas por muitos jovens nestes &uacute;ltimos tempos, em v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperan&ccedil;a. Na hora atual, muitos s&atilde;o os aspetos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma forma&ccedil;&atilde;o que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma fam&iacute;lia e encontrar um emprego est&aacute;vel, a capacidade efetiva de intervir no mundo da pol&iacute;tica, da cultura e da economia contribuindo para a constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade de rosto mais humano e solid&aacute;rio.<\/p>\n<p>&Eacute; importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida aten&ccedil;&atilde;o em todas as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperan&ccedil;a, tem confian&ccedil;a neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possu&iacute;rem perspetivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver &ldquo;coisas novas&rdquo; (<em>Is <\/em>42, 9; 48, 6).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Os respons&aacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>2. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a aventura mais fascinante e dif&iacute;cil da vida. Educar &ndash; na sua etimologia latina <em>educere<\/em> &ndash; significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do disc&iacute;pulo, que deve estar dispon&iacute;vel para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, n&atilde;o bastam meros dispensadores de regras e informa&ccedil;&otilde;es; s&atilde;o necess&aacute;rias testemunhas aut&ecirc;nticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abra&ccedil;a espa&ccedil;os mais amplos. A testemunha &eacute; algu&eacute;m que vive, primeiro, o caminho que prop&otilde;e.<\/p>\n<p>E quais s&atilde;o os lugares onde amadurece uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o para a paz e a justi&ccedil;a? Antes de mais nada, a fam&iacute;lia, j&aacute; que os pais s&atilde;o os primeiros educadores. A fam&iacute;lia &eacute; c&eacute;lula origin&aacute;ria da sociedade. &laquo;&Eacute; na fam&iacute;lia que os filhos aprendem os valores humanos e crist&atilde;os que permitem uma conviv&ecirc;ncia construtiva e pac&iacute;fica. &Eacute; na fam&iacute;lia que aprendem a solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es, o respeito pelas regras, o perd&atilde;o e o acolhimento do outro&rdquo;.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn1\" target=\"_blank\">[1]<\/a> Esta &eacute; a primeira escola, onde se educa para a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p>Vivemos num mundo em que a fam&iacute;lia e at&eacute; a pr&oacute;pria vida se veem constantemente amea&ccedil;adas e, n&atilde;o raro, destro&ccedil;adas. Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho frequentemente pouco compat&iacute;veis com as responsabilidades familiares, preocupa&ccedil;&otilde;es com o futuro, ritmos fren&eacute;ticos de vida, emigra&ccedil;&atilde;o &agrave; procura dum adequado sustentamento se n&atilde;o mesmo da pura sobreviv&ecirc;ncia, acabam por tornar dif&iacute;cil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presen&ccedil;a dos pais; uma presen&ccedil;a, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experi&ecirc;ncia e as certezas adquiridas com os anos &ndash; o que s&oacute; se torna vi&aacute;vel com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para n&atilde;o desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperan&ccedil;a antes de tudo em Deus, o &uacute;nico de quem surgem justi&ccedil;a e paz aut&ecirc;nticas.<\/p>\n<p>Quero dirigir-me tamb&eacute;m aos respons&aacute;veis das institui&ccedil;&otilde;es com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunst&acirc;ncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua pr&oacute;pria voca&ccedil;&atilde;o, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem &agrave;s fam&iacute;lias que os seus filhos n&atilde;o ter&atilde;o um caminho formativo em contraste com a sua consci&ecirc;ncia e os seus princ&iacute;pios religiosos.<\/p>\n<p>Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de di&aacute;logo, coes&atilde;o e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irm&atilde;os. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia ap&oacute;s dia a caridade e a compaix&atilde;o para com o pr&oacute;ximo e de participar ativamente na constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade mais humana e fraterna.<\/p>\n<p>Dirijo-me, depois, aos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as fam&iacute;lias e as institui&ccedil;&otilde;es educativas a exercerem o seu direito-dever de educar. N&atilde;o deve jamais faltar um adequado apoio &agrave; maternidade e &agrave; paternidade. Atuem de modo que a ningu&eacute;m seja negado o acesso &agrave; instru&ccedil;&atilde;o e que as fam&iacute;lias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais id&oacute;neas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunifica&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias que est&atilde;o separadas devido &agrave; necessidade de encontrar meios de subsist&ecirc;ncia. Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da pol&iacute;tica, como verdadeiro servi&ccedil;o para o bem de todos.<\/p>\n<p>N&atilde;o posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos <em>media <\/em>para que prestem a sua contribui&ccedil;&atilde;o educativa. Na sociedade atual, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o particular: n&atilde;o s&oacute; informam, mas tamb&eacute;m formam o esp&iacute;rito dos seus destinat&aacute;rios e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educa&ccedil;&atilde;o dos jovens. &Eacute; importante ter presente a liga&ccedil;&atilde;o estreit&iacute;ssima que existe entre educa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o: de facto, a educa&ccedil;&atilde;o realiza-se por meio da comunica&ccedil;&atilde;o, que influi positiva ou negativamente na forma&ccedil;&atilde;o da pessoa.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m os jovens devem ter a coragem de come&ccedil;ar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a for&ccedil;a de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: s&atilde;o respons&aacute;veis pela sua pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o para a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p><strong><em>Educar para a verdade e a liberdade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>3. Santo Agostinho perguntava-se: &ldquo;<em>Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem <\/em>&ndash; que deseja o homem mais intensamente do que a verdade?&rdquo;.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn2\" target=\"_blank\">[2]<\/a> O rosto humano duma sociedade depende muito da contribui&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o para manter viva esta quest&atilde;o inevit&aacute;vel. De facto, a educa&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o integral da pessoa, incluindo a dimens&atilde;o moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim &uacute;ltimo e o bem da sociedade a que pertence. Por isso, a fim de educar para a verdade, &eacute; preciso antes de mais nada saber que &eacute; a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista p&ocirc;s-se a pensar: &ldquo;Quando contemplo os c&eacute;us, obra das vossas m&atilde;os, a lua e as estrelas que V&oacute;s criastes: que &eacute; o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?&rdquo; (<em>Sal <\/em>8, 4-5). Esta &eacute; a pergunta fundamental que nos devemos colocar: <em>Que &eacute; o homem?<\/em> O homem &eacute; um ser que traz no cora&ccedil;&atilde;o uma sede de infinito, uma sede de verdade &ndash; n&atilde;o uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida &ndash;, porque foi criado &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus. Assim, o facto de reconhecer com gratid&atilde;o a vida como dom inestim&aacute;vel leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade pr&oacute;pria de cada pessoa. Por isso, a primeira educa&ccedil;&atilde;o consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. &Eacute; preciso n&atilde;o esquecer jamais que &ldquo;o aut&ecirc;ntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente &agrave; totalidade da pessoa em todas as suas dimens&otilde;es&rdquo;,<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn3\" target=\"_blank\">[3]<\/a> incluindo a transcendente, e que n&atilde;o se pode sacrificar a pessoa para alcan&ccedil;ar um bem particular, seja ele econ&oacute;mico ou social, individual ou coletivo.<\/p>\n<p>S&oacute; na rela&ccedil;&atilde;o com Deus &eacute; que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educa&ccedil;&atilde;o formar para a liberdade aut&ecirc;ntica. Esta n&atilde;o &eacute; a aus&ecirc;ncia de v&iacute;nculos, nem o imp&eacute;rio do livre arb&iacute;trio; n&atilde;o &eacute; o absolutismo do eu. Quando o homem se cr&ecirc; um ser absoluto, que n&atilde;o depende de nada nem de ningu&eacute;m e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De facto, o homem &eacute; precisamente o contr&aacute;rio: um ser relacional, que vive em rela&ccedil;&atilde;o com os outros e sobretudo com Deus. A liberdade aut&ecirc;ntica n&atilde;o pode jamais ser alcan&ccedil;ada, afastando-se d&rsquo;Ele.<\/p>\n<p>A liberdade &eacute; um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. &ldquo;Hoje um obst&aacute;culo particularmente insidioso &agrave; a&ccedil;&atilde;o educativa &eacute; constitu&iacute;do pela presen&ccedil;a maci&ccedil;a, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como &uacute;ltima medida somente o pr&oacute;prio eu com os seus desejos e, sob a apar&ecirc;ncia da liberdade, torna-se para cada pessoa uma pris&atilde;o, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do pr&oacute;prio &ldquo;eu&rdquo;. Dentro de um horizonte relativista como este, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, portanto, uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa est&aacute;, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua pr&oacute;pria vida e das rela&ccedil;&otilde;es que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum&rdquo;.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn4\" target=\"_blank\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si pr&oacute;prio e a verdade acerca do que &eacute; bem e do que &eacute; mal. No &iacute;ntimo da consci&ecirc;ncia, o homem descobre uma lei que n&atilde;o se imp&ocirc;s a si mesmo, mas &agrave; qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn5\" target=\"_blank\">[5]<\/a> Por isso o exerc&iacute;cio da liberdade est&aacute; intimamente ligado com a lei moral natural, que tem car&aacute;ter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da conviv&ecirc;ncia justa e pac&iacute;fica entre as pessoas.<\/p>\n<p>Assim o reto uso da liberdade &eacute; um ponto central na promo&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e da paz, que exigem a cada um o respeito por si pr&oacute;prio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justi&ccedil;a permanecem palavras desprovidas de conte&uacute;do: a confian&ccedil;a rec&iacute;proca, a capacidade de encetar um di&aacute;logo construtivo, a possibilidade do perd&atilde;o, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade m&uacute;tua, a compaix&atilde;o para com os mais fr&aacute;geis, e tamb&eacute;m a prontid&atilde;o ao sacrif&iacute;cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Educar para a justi&ccedil;a<\/em><\/strong><\/p>\n<p>4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, n&atilde;o obstante as proclama&ccedil;&otilde;es de intentos, est&aacute; seriamente amea&ccedil;ado pela tend&ecirc;ncia generalizada de recorrer exclusivamente aos crit&eacute;rios da utilidade, do lucro e do ter, &eacute; importante n&atilde;o separar das suas ra&iacute;zes transcendentes o conceito de justi&ccedil;a. De facto, a justi&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma simples conven&ccedil;&atilde;o humana, pois o que &eacute; justo determina-se originariamente n&atilde;o pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. &Eacute; a vis&atilde;o integral do homem que impede de cair numa conce&ccedil;&atilde;o contratualista da justi&ccedil;a e permite abrir tamb&eacute;m para ela o horizonte da solidariedade e do amor.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn6\" target=\"_blank\">[6]<\/a><\/p>\n<p>N&atilde;o podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princ&iacute;pios econ&oacute;micos racionalistas e individualistas, alienaram das suas ra&iacute;zes transcendentes o conceito de justi&ccedil;a, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora &ldquo;a &ldquo;cidade do homem&rdquo; n&atilde;o se move apenas por rela&ccedil;&otilde;es feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por rela&ccedil;&otilde;es de gratuidade, miseric&oacute;rdia e comunh&atilde;o. A caridade manifesta sempre, mesmo nas rela&ccedil;&otilde;es humanas, o amor de Deus; d&aacute; valor teologal e salv&iacute;fico a todo o empenho de justi&ccedil;a no mundo&rdquo;.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn7\" target=\"_blank\">[7]<\/a><\/p>\n<p>&ldquo;Felizes os que t&ecirc;m fome e sede de justi&ccedil;a, porque ser&atilde;o saciados&rdquo; (<em>Mt <\/em>5, 6). Ser&atilde;o saciados, porque t&ecirc;m fome e sede de rela&ccedil;&otilde;es justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irm&atilde;os e irm&atilde;s, com a cria&ccedil;&atilde;o inteira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Educar para a paz<\/em><\/strong><\/p>\n<p>5. &ldquo;A paz n&atilde;o &eacute; s&oacute; aus&ecirc;ncia de guerra, nem se limita a assegurar o equil&iacute;brio das for&ccedil;as adversas. A paz n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunica&ccedil;&atilde;o entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a pr&aacute;tica ass&iacute;dua da fraternidade&rdquo;.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn8\" target=\"_blank\">[8]<\/a> A paz &eacute; fruto da justi&ccedil;a e efeito da caridade. &Eacute;, antes de mais nada, dom de Deus. N&oacute;s, os crist&atilde;os, acreditamos que a nossa verdadeira paz &eacute; Cristo: n&rsquo;Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. <em>Ef <\/em>2, 14-18); n&rsquo;Ele, h&aacute; uma &uacute;nica fam&iacute;lia reconciliada no amor.<\/p>\n<p>A paz, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; apenas dom a ser recebido, mas obra a ser constru&iacute;da. Para sermos verdadeiramente art&iacute;fices de paz, devemos educar-nos para a compaix&atilde;o, a solidariedade, a colabora&ccedil;&atilde;o, a fraternidade, ser ativos dentro da comunidade e sol&iacute;citos em despertar as consci&ecirc;ncias para as quest&otilde;es nacionais e internacionais e para a import&acirc;ncia de procurar adequadas modalidades de redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, de promo&ccedil;&atilde;o do crescimento, de coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento e de resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos. &ldquo;Felizes os pacificadores, porque ser&atilde;o chamados filhos de Deus&rdquo; &ndash; diz Jesus no serm&atilde;o da montanha (<em>Mt <\/em>5, 9).<\/p>\n<p>A paz para todos nasce da justi&ccedil;a de cada um, e ningu&eacute;m pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justi&ccedil;a segundo as respetivas compet&ecirc;ncias e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tens&atilde;o pelos ideais, a procurarem com paci&ecirc;ncia e tenacidade a justi&ccedil;a e a paz e a cultivarem o gosto pelo que &eacute; justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrif&iacute;cios e obrigue a caminhar contracorrente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Levantar os olhos para Deus<\/em><\/strong><\/p>\n<p>6. Perante o &aacute;rduo desafio de percorrer os caminhos da justi&ccedil;a e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: &ldquo;Levanto os olhos para os montes, de onde me vir&aacute; o aux&iacute;lio?&rdquo; (<em>Sal <\/em>121, 1).<\/p>\n<p>A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: &ldquo;N&atilde;o s&atilde;o as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que &eacute; o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que &eacute; deveras bom e verdadeiro (&hellip;), o voltar-se sem reservas para Deus, que &eacute; a medida do que &eacute; justo e, ao mesmo tempo, &eacute; o amor eterno. E que mais nos poderia salvar sen&atilde;o o amor?&rdquo;.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn9\" target=\"_blank\">[9]<\/a> O amor rejubila com a verdade, &eacute; a for&ccedil;a que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justi&ccedil;a, pela paz, porque tudo desculpa, tudo cr&ecirc;, tudo espera, tudo suporta (cf. <em>1 Cor <\/em>13, 1-13).<\/p>\n<p>Queridos jovens, v&oacute;s sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, n&atilde;o vos deixeis invadir pelo des&acirc;nimo nem vos abandoneis a falsas solu&ccedil;&otilde;es, que frequentemente se apresentam como o caminho mais f&aacute;cil para superar os problemas. N&atilde;o tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrif&iacute;cio, de optar por caminhos que requerem fidelidade e const&acirc;ncia, humildade e dedica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vivei com confian&ccedil;a a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, t&atilde;o rica e cheia de entusiasmo.<\/p>\n<p>Sabei que v&oacute;s mesmos servis de exemplo e est&iacute;mulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esfor&ccedil;ardes por superar as injusti&ccedil;as e a corrup&ccedil;&atilde;o, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a constru&iacute;-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em v&oacute;s pr&oacute;prios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em v&oacute;s, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo &ndash; Ele que &eacute; a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p>Oh v&oacute;s todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta n&atilde;o &eacute; um bem j&aacute; alcan&ccedil;ado mas uma meta, &agrave; qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperan&ccedil;a, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gera&ccedil;&otilde;es, presentes e futuras, nomeadamente quanto &agrave; sua educa&ccedil;&atilde;o para se tornarem pac&iacute;ficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas reflex&otilde;es que se fazem apelo: Unamos as nossas for&ccedil;as espirituais, morais e materiais, a fim de &ldquo;educar os jovens para a justi&ccedil;a e a paz&rdquo;.<\/p>\n<p>Vaticano, 8 de dezembro de 2011<\/p>\n<p><em>Benedictus PP XVI<\/em><em><\/em><\/p>\n<hr size=\"2\" \/>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref1\">[1]<\/a> &#8211; Bento XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2011\/january\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20110114_amministrazione-lazio_po.html\"><em>Discurso aos administradores da Regi&atilde;o do L&aacute;cio, do Munic&iacute;pio e da Prov&iacute;ncia de Roma<\/em><\/a><em> <\/em>(14 de janeiro de 2011): <em>L&rsquo;Osservatore Romano <\/em>(ed. port. de 22\/I\/2011), 5.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref2\">[2]<\/a> &#8211; <em>Coment&aacute;rio ao Evangelho de S. Jo&atilde;o<\/em>, 26, 5.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref3\">[3]<\/a> &#8211; Bento XVI, Carta enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\"><em>Caritas in veritate<\/em><\/a><em> <\/em>(29 de junho de 2009), 11:<em> AAS <\/em>101 (2009), 648; cf. Paulo VI, Carta enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html\"><em>Populorum progressio<\/em><\/a><em> <\/em>(26 de mar&ccedil;o de 1967), 14: <em>AAS <\/em>59 (1967), 264.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref4\">[4]<\/a> &#8211; Bento XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2005\/june\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20050606_convegno-famiglia_po.html\"><em>Discurso por ocasi&atilde;o da abertura do Congresso eclesial diocesano na Bas&iacute;lica de S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o<\/em><\/a><em> <\/em>(6 de junho de 2005): <em>AAS <\/em>97 (2005), 816.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref5\">[5]<\/a> &#8211; Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo<em> <\/em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\"><em>Gaudium et spes<\/em><\/a>, 16.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref6\">[6]<\/a> &#8211; Cf. Bento XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2011\/september\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-berlin_po.html\"><em>Discurso no Parlamento federal alem&atilde;o<\/em><\/a><em> <\/em>(Berlim, 22 de setembro de 2011): <em>L&rsquo;Osservatore Romano <\/em>(ed. port. de 24\/IX\/2011), 4-5.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref7\">[7]<\/a> &#8211; Bento XVI, Carta enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\"><em>Caritas in veritate<\/em><\/a><em> <\/em>(29 de junho de 2009), 6:<em> AAS <\/em>101 (2009), 644-645.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref8\">[8]<\/a> &#8211; <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\"><em>Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/em><\/a>, 2304.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref9\">[9]<\/a> &#8211; Bento XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2005\/august\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20050820_vigil-wyd_po.html\"><em>Homilia durante a vig&iacute;lia com os jovens<\/em><\/a><em> <\/em>(Col&oacute;nia, 20 de agosto de 2005): <em>AAS <\/em>97 (2005), 885-886.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar os jovens para a justi&ccedil;a e a paz 1. 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